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2 de janeiro de 2012

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Gênesis: sentido literal ou metafórico da criação?

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Juliane Carneiro da Silva
  • Localizaçao: Cuiabá – MT – Brasil
  • Religião: Católica

Há algum tempo eu li o livro:”Como ler o livro do Genesis”,da editora Paulinas.Como eu emprestei ele e nunca mais me devolveram,não pude lê-lo denovo pra tentar esclarecer minhas duvidas.
Enfim,não sei se interpretei errado ou se realmente entendi o que os autores quiseram dizer.O fato é que no livro explica que o Genesis não tem o objetivo de explicar a criação do mundo e sim retratar na forma de metáfora,o que aconteceu no exílio da babilonia.Resumindo:
Adão e Eva = Povo judeu
Paraíso = A Babilonia
Fruto proibido = o poder,riqueza,cultura
Perceberam que estavam nus = Perceberam que nem todos teriam desse fruto,que o paraiso nao existia para todos
A serpente = O demonio que colocou a ambição no coração de uns judeus

Enfim,não sei se entende o que quero dizer,se faltou alguma coisa me diga e eu explico melhor.
Bom,quero saber se isso está de acordo com a Igreja católica ou não,ou se entendi errado.

Grata,Juliane

Prezada Juliane,
salve Maria!

     Obrigado por nos enviar sua dúvida. Realmente, nos dias de hoje, é mais fácil encontrar erros, heresias modernistas e outros desvios numa livraria e editora católicas do que textos realmente ortodoxos.

     Recomendo-lhe, antes de tudo, que leia a encíclica Pascendi, de São Pio X, para entender como agem os modernistas e de onde vem essas interpretações apenas metafóricas das Sagradas Escrituras. E, depois, a partir dessas interpretações, tecem uma doutrina completamente diferente da doutrina católica tradicional.

     Respondi, há alguns anos, uma carta semelhante à sua, cuja fonte de erros do padre em questão, provavelmente, seja a mesma.
     Evidentemente, negar o sentido literal do Gênesis é abrir brechas enormes para o evolucionismo, fora que compromete toda a economia da salvação, pois não haveria um pecado original individual e isso conduz, invariavelmente, a heresias.
     Além disso, vê-se que há uma interpretação de cunho marxista, colocando poder, riqueza e cultura, entendida por eles como cultura ocidental europeia, como uma proibição divina que conduziria ao pecado. No Paraíso, haveria igualdade absoluta entre os homens e distribuição igualitária de bens. Ora, Deus mandou que Adão dominasse tudo no paraíso, sendo seu senhor, dando-lhe o poder sobre todos os outros seres materiais inferiores. No paraíso, a riqueza material, num sentido de acúmulo de posses, seria desnecessária pois Adão e Eva de tudo dispunham à vontade, conforme o necessário. Deus jamais condenou o acúmulo de bens materiais. E, por fim, a cultura, enquanto acúmulo de bens intelectuais e conhecimento, foi dada a Adão de outra forma, propriamente como ciência infusa. Adão soube nomear todos os seres conforme suas substâncias. Nem riqueza, nem cultura, nem poder foram o que conduziram o homem ao pecado, mas a tentação de querer ser Deus e desobedecer ao verdadeiro Deus, adorando o diabo e cometendo um ato mágico, de pretender realizar uma divinização do homem por meio de um fruto, entre outros pecados.
     Quanto à serpente, era propriamente o demônio, mas que tentou Eva diretamente, oferecendo-lhe a divinização conforme o que foi mencionado acima, e não com a ambição material. Isso confirma a tendência marxista dos autores desse livro por você lido. Foi melhor mesmo tê-lo perdido…

     Enfim, tal interpretação não está de acordo com a leitura tradicional feita pela Igreja Católica do livro do Gênesis, além de negar sentidos próprios desse livro, como o primeiro deles que é o literal. Provavelmente, tais autores não devem reconhecer nem mesmo a autoria mosaica desse livro, bem como de todo o pentateuco.
     Convém procurar o que ensinam os Padres da Igreja e os Papas, além dos escritos dos Santos católicos sobre esse tema. Havendo outras dúvidas, não hesitem em nos procurar.

No Coração de Maria Santíssima,
Fabio Vanini

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