Montfort Associação Cultural

25 de novembro de 2012

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Frei Tiago: “Tempos de confusão”

Recebemos diretamente de Frei Tiago de S. José, do Carmelo Eremítico de Santo Elias de Atibaia, este comunicado. Para entender o caso, leia também o Comunicado ao Povo de Deus da Diocese de Bragança Paulista publicada por Dom Sergio Aparecido Colombo e a Carta aos Colaboradores publicada por Frei Tiago.

 

TEMPOS DE CONFUSÃO

Julguei oportuno dar uma satisfação a tantas pessoas que, de boa fé, investiram material ou espiritualmente no projeto desta comunidade religiosa que estivemos organizando na cidade de Atibaia, Diocese de Bragança Paulista. De fato, não poucos têm me questionado: por que insistir na celebração da santa missa em latim, segundo o uso antigo, comprometendo a fundação deste Mosteiro e um trabalho de 11 anos até chegar ao extremo de ser expulso deste lugar onde vivemos? Em primeiro lugar, quero deixar claro que desde o início da minha vocação sacerdotal, fui muito tocado pelo mistério do santo sacrifício da missa, segundo a forma tradicional. Nunca havia me interessado pelo sacerdócio, antes de conhecer a profundidade deste rito.

Fui ordenado em 2000 com o anseio desta missa no coração, porém, nunca pude celebrá-la. Vim para esta diocese em 2002, pouco depois de ordenado, buscando participar de uma comunidade religiosa na qual pudesse viver um estilo de vida austero e voltado para a oração. Não vi outra forma melhor de ajudar a Santa Igreja. Depois de 5 anos, fiz o pedido de incardinação que não foi contestado pelo nosso Bispo, Dom José Maria. Se o direito canônico fosse observado, desde esta ocasião, eu já estaria incardinado nesta Diocese de Bragança. Ainda mais que Dom José confirmou todos os direitos que recebemos de Dom Bruno, ou seja, de usar o hábito próprio e receber vocações.

Quando foi publicado o Moto Proprio Summorum Pontificum em 2007, tive muita alegria, porque entendi que o Santo Padre nos restituía a Santa Missa no seu uso antigo, nunca abolida, mostrando que isso não ofenderia a Constituição Sacrossanctum Concilium sobre a liturgia, do Concílio Vaticano II. Ao contrário disso, traria o benefício de suscitar uma melhoria nas condições deprimentes que a liturgia celebrada segundo o Missal de Paulo VI havia atingido em toda parte. Entretanto, ainda celebrávamos somente em âmbito privado, esperando a regularização deste uso, o que aconteceu pela instrução Universæ Ecclesiæ. Ali se determina o direito de uma comunidade religiosa usar exclusivamente o rito extraordinário, uma vez que assim decidirem os seus membros. Daí, com autorização de Dom José, começamos a celebrar.

Nunca entramos em polêmicas sobre o Missal de Paulo VI, nem buscamos criticar os outros. Nossa única intenção foi confirmar as próprias palavras do Papa Bento XVI, mostrando que a liturgia segundo o missal de 1962, realizada com zelo e respeito, ainda hoje pode ser uma fonte inesgotável de graças espirituais para toda a Igreja. Ainda mais porque sempre procuramos formar bem os fiéis para uma participação ativa e frutuosa do mistério eucarístico, como orienta o Concílio Vaticano II. E não foram poucos os sacerdotes que, edificados pelas nossas celebrações, me disseram que passaram a celebrar com mais piedade e amor em suas paróquias.

Vendo estes frutos bons, discernimos, nós, irmãos e irmãs eremitas da Virgem Maria do Monte Carmelo, que nossa missão na Igreja estaria vinculada a esse compromisso: realizar uma Eucaristia que manifeste toda a sacralidade e a força que lhes são próprias. Ainda mais pela natureza do nosso carisma monástico que busca haurir na liturgia toda sua razão de ser. Assim, depois desse longo processo, optamos por celebrar a liturgia tradicional em nosso Mosteiro.

Estamos tendo, contudo, que pagar um preço muito caro. Isso, não só pelo lugar e as coisas materiais que perdemos, inclusive as nossas casas que nós mesmos construímos com tanto sacrifício, mas, também, pelos amigos que aqui teremos que deixar. Admito que, sem nunca ter faltado com o devido respeito ao nosso Bispo, na nossa fraqueza humana, ficamos ressentidos por ele não nos ter poupado de um tão doloroso exílio. Esperamos, em Deus, que logo sejamos livres deste sentimento, e que possamos continuar nossa caminhada, sempre em plena comunhão com o Santo Padre, o Papa e com toda a Igreja.

Em resumo, digo apenas isso: apenas nos recusamos a voltar às celebrações segundo o Rito Ordinário em português, por acharmos que os documentos do Papa Bento XVI nos davam este direito. Se isso for uma “desobediência formal”, peço a Deus que me perdoe, mas, não entendo, pois, o que aprendi é que devíamos obedecer ao Papa… Entendo sim que, em nossos dias, há muita tolerância com aquilo que não é bom e há muita repugnância daquilo que sempre foi católico…

Que a Virgem do Carmo nos ajude!

Fr. Tiago de S. José, Carmelita Eremita.

 

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