Montfort Associação Cultural

10 de agosto de 2006

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Frei diz que Pedro não é pedra

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcos
  • Religião: Católica

Estimadíssma Montfort,
Navengando pela web, encontrei esse texto num site de certo protestante, ainda que com autoria de um frei.
Deixou-me confuso o que li.
Coloco-o aqui a fim de analisarem-no.



 

“Pedro não é pedra – Mt 16,18

Frei Jacir de Freitas Faria,OFM

Os judeus Pedro, Paulo, Tiago, Maria Madalena e tantas outras lideranças da primeira hora do cristianismo foram pessoas importantíssimas na re-elaboração do pensamento judaico no cristianismo nascente. Tomemos a figura de Pedro e a sua relação com Jesus. Discípulo
fiel ao Mestre, Pedro foi questionado por Jesus: Tu me amas? Três vezes a pergunta foi repetida. Dizer três vezes a mesma coisa tem um significado especial no pensamento judaico.

Está ligada à declaração de fé judaica em Deus, expressa no Shemá (Escuta, ó Israel). Todo judeu é convocado professar que Deus é UM e a amá-lo com todo o coração, alma e as posses (Dt 6,4-9). A fé de Pedro foi colocada em xeque. No momento da morte de Jesus,
Pedro o negou três vezes antes que o galo cantasse (Mt 26, 69-75).

Pedro esteve presente na vida apostólica de Jesus e na hora da sua morte. Jesus valorizou o discípulo fiel curando a sua sogra e conferindo-lhe a liderança apostólica. Jesus valorizou tanto a pessoa de Pedro que ligou a sua pessoa ao seu nascimento. Como? Sim.
Essa afirmação só pode ser entendida se analisarmos o sentido do nome de Pedro em aramaico, Kepha. Antes, porém, situemos o nascimento de Jesus.

A comunidade de Lucas conservou a memória da ida de José e Maria a Belém para cumprir o decreto de recenseamento estabelecido pelo Imperador romano César Augusto (Lc 2,1). Estando em Belém, Jesus nasceu, segundo a tradição, em uma gruta e foi colocado numa
manjedoura, lugar onde os animais comiam. A manjedoura no nascimento de Jesus tem valor simbólico importantíssimo. O substantivo grego fatné, traduzido como manjedoura, significa também cavidade aberta em uma superfície de um terreno vertical ou inclinado. O
povo tinha o costume de escavar as rochas para daí tirarem pedras para construir casas.

Os buracos formados nas rochas recebiam, na língua familiar, o aramaico, o nome de Kepha. Daí o significado de Kepha ser gruta escavada na rocha. Aos pobres restavam o infortúnio de morar nessas cavernas ou grutas. Kepha e fatné têm sentido correlato. Kepha
traduz o substantivo grego Pétros (Pedro). Então Pedro não significa pedra? Sim, mas tomado no sentido anterior, pode significar gruta escada na rocha. E aqui, não vale o sentido de rocha, firmeza.

Retornemos ao pensamento inicial: Pedro (Kepha) está ligado ao nascimento de Jesus. Vale a ousadia de pensar que Jesus se lembra do seu nascimento em uma kepha quando disse a Pedro: “Tu és caverna escavada na rocha, e sob (debaixo) dessa caverna, onde vivem os pobres, aí edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). O sentido semântico do substantivo aramaico Kepha muda completamente a tradicional
interpretação do “Tu és Pedro, e sobre essa Pedra edificarei a minha Igreja”.

Ou não muda? O nascimento de Jesus em Belém serviu para colocar os alicerces da futura comunidade de fé, que mais tarde passou ser chamada de Igreja. Jesus nasce pobre para libertar os pobres. Pedro continua rocha e caverna, casa dos pobres, periferia do mundo,
onde as Igrejas devem estar anunciando a libertação.

Publicado no Jornal de Opinião, Belo Horizonte/MG.”



 

Agradeço pela atenção

Muito prezado  Marcos,
Salve Maria.
 
    Com razão você ficou confuso com a confusão feita por esse Frei Jacir de Freitas Faria, OFM, um frade modernista e da Teologia da Libertação.
    Que acrobacias linguísticas e semânticas ele faz para torcer o significado claro do nome Pedro, pedra e fundamento sobre o qual Cristo construiu sua única Igreja.
    Que ele é modernista se comprova pelo fato de que ele não considera o Evangelho como sendo de São Lucas, mas afirma que é o evangelho escrito para registrar a crença da “comunidade de Lucas“.
    Os hereges modernistas afirmam que os Evangelhos não foram escritos pelos quatro evangelistas (São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João) mas sim que foram registros escritos dois séculos depois de Cristo registrando os mitos e lendas que as comunidades cristãs teriam criado em torno da figura de Jesus, fazendo com que o Jesus histórico se transformasse, mitificado, num Jesus da Fé. Desse modo, os Evangelhos não seriam livros históricos, mas lendários.
    Isso tudo foi condenado por São Pio X na encíclica Pascendi.
    Esse Frei Jacir vem repetir, em seu artiguete pretencioso, a velha heresia modernista condenada por São Pio X.
    A descoberta de um fragmento do Evangelho de São Marcos na gruta 7 de Qumran, veio provar, cientificamente a mentira dos modernistas que Frei Jacir repete nesse artigo herético.
    Que ele é da Teologia da Libertação se percebe pela acentuação demagógica do que os pobres viviam
    Diz — em português errado: – esse fraticello modernista:

Aos pobres restavam (sic !) o infortúnio de morar nessas cavernas ou grutas“.

    Isso é pura demagogia. Em muitos lugares, especialmmente em zonas calcáreas, é comum usar grutas como moradias, como depósitos, adegas ou estábulos.
    E o português está errado, porque o sujeito da frase é infortúnio e não pobres: aos pobres restava, e não restavam[E só saliento esse erro crasso -- ginasiano -- de português, para mostar que quem pretende fazer demonstração de conhecimentos linguísticos, acaba caindo em erro palmar de simples concordância, porque "quem se exalta, será humilhado"]. 
    Que ele é um seguidor da comunista e condenada  Teologia da Libertação se comprova pelas seguintes frases dele:

O nascimento de Jesus em Belém serviu para colocar os alicerces da futura comunidade de fé, que mais tarde passou ser chamada de Igreja. Jesus nasce pobre para libertar os pobres. Pedro continua rocha e caverna, casa dos pobres, periferia do mundo, onde as Igrejas devem estar anunciando a libertação“.

    Cristo não veio libertar os pobres da miséria. Ele veio redimir os homens do pecado original, por isso ele não chamou à gruta de Belém apenas os pobres pastores. Ele chamou também os Reis.
    E que contorcionismo para transformar Pedro = pedra em escavação e gruta.
    Isso pode enganar quem quer ser enganado com firulas de citações de palavras em aramaico.
    E é curioso como esses hereges modernistas gostam de citar termos de línguas estranhas ao povo, eles que odeiam o latim na Missa. 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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