Montfort Associação Cultural

5 de junho de 2015

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Fraternidade São Pio X terá abandonado seus tribunais próprios?

Ao recorrer a Roma para julgamentos mas, sobretudo, ao aceitar da Santa Sé o encargo de juiz, Dom Fellay condena implicitamente  os  tribunais que existiam na Fraternidade São Pio X. Considerados por muitos – entre eles o Professor Orlando Fedeli – o erro mais grave dos seguidores de Dom Lefebvre, eles perdem o sentido diante da aceitação pública dos tribunais romanos – expressamos a esperança de que internamente eles tenham sido efetivamente extintos – o que contribuirá decisivamente para a reintegração canônica desse Instituto.

 

Andrea Tornielli

Publicado em Vatican Insider

Em 03.06.2015

Tradução Montfort

Fellay encarregado pela Santa Sé de processar um dos seus sacerdotes

 

O Superior da Fraternidade São Pio X, fundada por Lefebvre, foi nomeado pela Congregação para a Doutrina da Fé juiz de primeira instância no processo contra um pedra lefebvriano acusado de um grave delito

 

Andrea Tornielli

Cidade do Vaticano

 

Quem revelou foi ele mesmo, durante uma homilia realizada em 10 de maio em uma igreja de Arcadia, na Califórnia: o Superior Geral da Fraternidade São Pio X, o Bispo Dom Bernard Fellay foi encarregado pela Congregação da Doutrina da Fé de atuar como juiz de primeira instância em um caso que implicava um sacerdote lefebvriano. Os “delicta graviora”, que recaem sob competência do ex Santo Ofício são diversos e entre estes o mais frequente é o de abuso sexual de um menor. Fellay falou desse exemplo, apresentando-o como um caso das “contradições” da Santa Sé nas relações com a Fraternidade.

 

“Somos etiquetados como irregulares, na melhor das hipóteses. “Irregular” significa que não se pode fazer nada e, assim, por exemplo, fomos proibidos de celebrar missa nas igrejas de Roma, para as irmãs dominicanas que fizeram sua peregrinação no mês de fevereiro. Disseram-nos: “Não, não é possível, porque vocês são irregulares”. As pessoas que disseram isso pertencem à Pontifícia Comissão Eccclesia Dei”.

 

“Ora – acrescentou o Bispo Fellay – às vezes, infelizmente, até os padres fazem coisas estúpidas e têm necessidade de ser punidos. E quando o caso é muito, muito grave, devemos recorrer a Roma. Então o fazemos. E o que diz a Congregação para a Doutrina da Fé? Bem, são nomeados juízes para esse caso. Assim, foram nomeados da parte de Roma, da Congregação para a Doutrina da Fé, para dar sentenças, sentenças canônicas da Igreja sobre alguns dos nossos sacerdotes que pertencem a um instituto para eles [para Roma, ndr] inexistente. E assim, ainda uma vez, é realmente uma bela contradição”.

 

Não é novidade para a Fraternidade São Pio X recorrer às autoridades romanas em casos concernentes a “delicta graviora” e a dispensas sacerdotais. A novidade está no fato de que, desta vez o ex Santo Ofício, presidido pelo Cardeal Gerhard Ludwig Muller, decidiu  confiar ao próprio Dom Fellay o julgamento de primeira instância sobre o caso. Um sinal de atenção. Um sinal do fato de que o percurso em direção à plena comunhão com os lefebvrianos prossegue, como confirma a Vatican Insider o Arcebispo Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não implica em que os problemas ainda existentes tenham sido resolvidos, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo aí nenhuma contradição, mas antes um passo para a reconciliação”.

 

Como se recordará, outro sinal significativo aconteceu no mês de abril último, com a autorização do Arcebispo de Buenos Aires para que os lefebvrianos fossem registrados pelo governo da Argentina como “associação diocesana”. Não se deve esquecer também que à grande peregrinação da Fraternidade São Pio X foi permitido celebrar a eucaristia na Basílica de Lourdes.

 

Por que agora Fellay fala de contradição? A referência é à peregrinação a Roma de fevereiro último, da qual participaram 1500 fiéis, organizada pelas Irmãs Dominicanas que aderem à Fraternidade São Pio X. Foi feita uma solicitação, através da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, para celebrar uma missa no altar da Cátedra, na Basílica Vaticana. As autoridades da Ecclesia Dei consideraram, naquele caso, que a missa em São Pedro, celebrada por um sacerdote lefebvriano, antes da solução dos problemas ainda existentes em vista da regularização canônica e da plena comunhão, pudesse resultar em um sinal enganoso. Foi porém proposto, com a concordância do Papa Francisco, que aquela missa em São Pedro fosse celebrada no rito antigo por um sacerdote da Ecclesia Dei. Mas as autoridades da São Pio X declinaram da oferta.

 

Em todo caso, a designação de Fellay como juiz de primeira instância da parte da Congregação para a Doutrina da Fé atesta que o diálogo está dando passos adiante.

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