Montfort Associação Cultural

17 de abril de 2006

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Formação do rito da Missa de S. Pio V

Autor: André Palma

  • Consulente: Eduardo
  • Idade: 15
  • Localizaçao: Campina Grande – PB – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Olá pessoal da Montfort, antes de fazer a pergunta queria agradeçer pelo trabalho estimado pela nossa fé, o que eu quero saber é:

Como em várias perguntas feitas no site sobre a missa tridentina, o professor Orlando disse em alguma carta, que a missa tridentina também era chamada como a missa do Papa PIO V, pois o rito foi feito pelo mesmo. Então antes de PIO V qual era o rito utilizado pela Igreja?

Agradeço

Um abraço do seu irmão em Cristo

Eduardo

Prezado Eduardo, Salve Maria!
 
Sua pergunta remete-nos a História da Liturgia Eucarística.
 
Certamente, esta resposta dará apenas os apontamentos gerais para um estudo mais aprofundado sobre o tema.
 
Os Apóstolos, cumprindo o mandato do Senhor, reuniam-se com freqüência e especialmente aos domingos para celebrar a “fração do pão” (Atos 2,42).
 
Jesus Cristo na öltima Ceia deu graças, partiu o pão e o distribuiu a seus discípulos. Estes três atos constituem os elementos fundamentais da ação eucarística, e enquanto tais, os cristãos dos primeiros séculos os repetem:
 
“Porventura o cálice de bênção que bendizemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é a participação do corpo do Senhor?” (I Cor 10,16).
 
A “fração do pão” não tem, portanto, outro significado senão a própria celebração da eucaristia encerrada pela comunhão.
 
“Em resumo, a missa apostólica consistia fundamentalmente na eucaristia, ou oração consagratória, na fração do pão e na comunhão.” (Curso de Liturgia Romana, Manuel Garrido Bonaño, BAC – Madri – 1961”).
 
A estrutura da missa, portanto, tem sua forma definitiva desde os primeiros tempos.
 
Já no século II, São Justino (~150 d.C) em sua Apologia descreve como se celebrava a Santa Missa:
 
“No dia de domingo tem-se uma reunião num mesmo lugar de todos aqueles que habitam nas cidades ou nos campos e se lêem os Comentários dos Apóstolos ou as Escrituras dos Profetas, enquanto permite o tempo. Logo após o leitor ter acabado, aquele que celebra exorta e incita para imitação destas coisas excelsas. Depois, todos nos levantamos e recitamos orações, e quando terminamos de orar, se apresenta pão, vinho e água. Aquele que celebra eleva, segundo o poder que possui, orações e ações de graças e o povo aclama dizendo: Amen. E se dá e se faz participante cada um da matéria eucaristizada, aos ausentes lhes é enviado por meio de diáconos” (Apol. I c.66).
 
Com a paz dada à Igreja pelo edito de Milão (313 dC), a Liturgia entra numa época de rápido e progressivo desenvolvimento. As cerimônias, cada vez mais imponentes vão-se fixando pela força do costume. Sendo, o Santo Sacrifício da Missa o principal culto pelo qual honramos à Deus, pois o próprio Cristo é imolado e oferecido, a Santa Igreja quis torná-la com o que há de mais sagrado.
 
“Assim se vão estabelecendo os usos locais das diferentes igrejas, usos facilmente adotados pelas igrejas filiais. Estas assim como constituem com a Metrópole províncias eclesiásticas, também formam províncias litúrgicas, distintas entre si pela diversidade de seus ritos.” (Curso de Liturgia Romana – Dom Antonio Coelho – Portugal – 1950).
 
As diversas Liturgias podem-se reduzir a quatro tipos principais:
 
- Orientais:
                       I – Siríaco
                       II – Alexandrino
 
- Ocidentais:      
                       III – Galicano
                       IV – Romano
 
Contudo, esta multiplicidade de ritos era campo fácil para introdução de heresias, principalmente desde o séc. XII, depois com os movimentos precursores do protestantismo (Wiclef, Huss), e, por fim, com o próprio Lutero.
 
A unidade da Liturgia é a melhor garantia da sua ortodoxia. Por isso, S. Gregório VII e S. Pio V trabalharam pela unidade da Liturgia.
 
Uma Comissão especial nomeada pelo Concílio de Trento recebeu a missão de reformar o Missal. São Pio V nomeou uma nova Comissão de eruditos encarregados de levar a cabo esta reforma:
 
“4 – Para tanto, julgamos dever confiar este trabalho a uma comissão de homens eruditos. Estes começaram por cotejar cuidadosamente todos os textos com os antigos de nossa Biblioteca Vaticana e com outros, quer corrigidos, quer sem alteração, que foram requisitados de toda parte. Depois, tendo consultado os escritos dos antigos e de autores aprovados, que nos deixaram documentos relativos à organização destes mesmos ritos, eles restituíram o Missal propriamente dito à norma e ao rito dos Santos Padres.“ (Bula Quo Primum Tempore)
 
Terminado o trabalho de revisão e confronto do texto, o estudo da antiguidade e razão das cerimônias, São Pio V pela Bula Quo Primum Tempore publica o Missal:
 
“5 – Este Missal assim revisto e corrigido, Nós, após madura reflexão, mandamos que seja impresso e publicado em Roma, a fim de que todos possam tirar os frutos desta disposição e do trabalho empreendido, de tal sorte que os padres saibam de que preces devem servir-se e quais os ritos, quais as cerimônias, que devem observar doravante na celebração das Missas.” (op. cit.)
 
É exatamente este missal que ora aguardamos seja restabelecido em todo o mundo. Que a ordem de S. Pio V seja obedecida e que Deus receba das mãos de seus sacerdotes o verdadeiro odor de Cristo imolado em nossos altares.
 
In corde Iesu et Mariae,
 
André Palma

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