Montfort Associação Cultural

2 de fevereiro de 2005

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Filme sobre Lutero, verdade ou mentira?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Renato
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Campo Grande – MS – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Profissão: estudante
  • Religião: Católica

A Paz de Cristo esteja convosco

Recentemente assisti ao filme “Lutero” e pude constatar alguns fatos que eu não tinha conhecimento, por exemplo:
1-Todos as príncipes germânicos se converteram ao luteranismo, somente o imperador permaneceu católico.
2-A Igreja utilizava anunciava as indulgências como qualquer produto de feira utilizando cartazes e até apresentações de mágica para convencer o povo a comprar- las.
3- Lutero possuía mais conhecimentos das Escrituras, concílios e bulas papais que Cardeais da Santa Igreja
4- na Idade Média havia tantas relíquias como apresenta o filme ex. leite da Virgem Maria, na Espanha havia 18 dos 12 apóstolos enterrados e as pessoas que as vissem podiam ter reduzido o seu tempo no purgatório
5- A Igreja podia definir a seu bel- prazer quantos anos uma pessoa passaria no purgatório ou livrar a sua alma através do pagamento das indulgências, significando que as pessoas poderiam ter uma vida pecaminosa mas estaria livre do castigo divino
6- Roma como diz Lutero no filme “parecia um circo, onde se podia comprar sexo ou a salvação” além de ser uma imundície tremenda
7- havia em Roma prostíbulos somente para o clero.
Peço para analisarem esses itens e dizer qual o fundo de verdade ,se houver, pois o filme passa a idéia que a Igreja definia as vontades de Deus e não Esse a vontade da Igreja.
Ainda tenho algumas perguntas:
1-Qual o fundamento para a cobrança de indulgências pela Madre Igreja?
2- Lutero foi realmente um homem integro e libertou a população da “opressão” Católica, como mostra o filme?
3- Sempre se ensinou nas escolas que o povo na Idade Média era analfabeto por causa do catolicismo, mas, como e´ possível esse povo ser analfabeto poder ler os livros de Lutero e a Bíblia de Guttemberg?
Que Nossa Senhora os auxiliem nessa missão dando- lhes forças.

Muito obrigado

Na fé de Jesus

Muito prezado Renato,
Salve Maria!
 
    Se os livros de História mentem, quanto não mentirão os filmes?
 
    Jamais acredite em filmes “históricos”. Eles são uma amontoado de tolices, deturpações e mentiras.
 
    Evidentemente é falso que todos os príncipes alemães se tornaram protestantes. Em geral ficaram protestantes os nobres da Alemanha Oriental, (Saxônia, Prússia) Os nobres do oeste e do sul da Alemanha, em geral, permaneceram católicos. E, depois da pregação dos Jesuítas, muitos retornaram à Fé católica. 
 
    Só pode afirmar essa tolice de que a Igreja vendia indulgências como produtos de feira quem tenha muita ignorância ou muita má fé, pois que quem concede a indulgência é Deus, que não pode ser subornado. Só pode afirmar isso, quem não sabe o que é indulgência, ou se sabe, explora a ignorância de quem também não sabe o que ela é.
 
    Peço-lhe que consulte a janela de busca no site Montfort, usando a palavra “indulgência”, para conhecer a explicação sobre essa questão da qual já tratei várias vezes.
 
    Sobre as relíquias, na Idade Média, não havia tantas quanto as há hoje dos Beattles ou do Elvis Presley.
 
    Se abusos houve sobre relíquias, tenha a certeza de que houve mais calúnia a respeito delas do que abusos reais. Jamais se caluniou tanto a Igreja quanto no século XX.
 
    Aliás, o filme talvez não mostre a parede na qual Lutero acertou um tinteiro, manchando-a, quando atirou um tinteiro no diabo que lhe aparecia normalmente, errando a pontaria. Tantos luteranos arrancaram pedaços dessa parede manchada como relíquia ou recordação que tiveram que refazer várais vezes o reboco, e atirar vários tinteiros para refazer a mancha.
 
    Gostaria de lhe perguntar, se, no filme sobre Lutero, aparece o fato, que ele mesmo contava, que normalmente dormia com o diabo. Dizia ele;
 
“Dormi mais vezes com o diabo do que com minha mulher Catarina” (a ex freira Catarina de Bora).
 
    Outra mentira é a de que a Igreja definia os anos que a pessoa passaria no Purgatório. Meu caro, no Purgatório não há folhinha, agenda, nem calendário.
 
    O filme deveria ter contado que era Lutero quem mandava pecar em nome de Cristo, pois dizia que quanto mais a pessoa pecasse, mais provava que confiava no perdão de Deus. Caso a pessoa não pecasse, dizia Lutero, mais a pessoa demonstrava que não confiava em Deus e no seu perdão. Daí, o princípio de Lutero;
 
“Crê firmemente, e peca muitas vezes”.
 
    Em carta a Jerônimo Weller, Lutero escreveu:
 
“Se o demônio te tentar com bebedeira, bebe, e  bebe em nome de Cristo”.
 
    Lutero defendia a tese da santidade do pecado: quanto mais pecado se cometesse mais santo se seria. Ele insultava Cristo dizendo que Jesus era adúltero e bêbado.
 
    Que Lutero disse que Cristo era adúltero, está no livro de Lutero,  Tischeredden = Conversas à Mesa, n* 1472, edição de Weimar, volume II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, editora Vecchi, Rio de Janeiro, 1956, p.151.
 
    Quando discuto com algum protestante, recomendo que leiam os livros e discursos de Lutero, especialmente suas conversas à mesa que são escandalosíssimas.
 
    De fato, Roma, no tempo do Renascimento, era bem corrupta. Por isso Lutero gostou muito de lá.
   
    Lutero jamais quis reformar os vícios do clero corrupto, do qual ele era um exemplar bem típico. O que Lutero queria reformar era a lei de Deus, para permitir os pecados, como ele o permitiu com a sua doutrina da santidade do pecado, com o seu “Crê firmemente e peca muitas vezes”.
 
    Você me pergunta se Lutero foi um homem íntegro.
 
    Respondo: ele foi um homem integralmente corrompido e corruptor. Qualquer livro de História sério comprova isso.
 
    Caso você possa adquirir livros sobre Lutero, recomendo-lhe esse de Franz Funck Brentano, que é até um admirador do heresiarca de Wittenberg, mas que conta alguns dos horrores desse homem péssimo.
 
    Agradeço seus bons votos com relação a nosso trabalho e sua confiança em nós da Montfort.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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