Montfort Associação Cultural

24 de dezembro de 2009

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Fiel contesta denúncia de irregularidades nas missas de Dourados

Autor: Eder Moreira

  • Consulente: Eurípedes Alvez Júnior
  • Localizaçao: Dourados – MS – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Educador Em Agropecuária
  • Religião: Católica

Nota da Montfort:
 
Esta contestação foi enviada ao site Defesa Católica, que, por problema técnicos, está fora do ar. Por esse motivo, o Eder Silva pediu-nos que publicássemos sua resposta em nosso espaço de leitores.
 
 
 
Data: 02/10/2009
Nome: Euripedes Alves Junior
Religião: Católica
Cidade: Dourados / MS
Escolaridade: Superior concluído
Profissão: Educador em Agropecuária

Quanto a denúncia feita sobre as celebrações realizadas em Dourados, onde se coloca sobre apresentações teatrais, vocês estiveram presentes? participaram das celebrações? ouviram dos fiéis que estavam presentes e os relatos sobre estas celebrações? Será que elas acontecem por imposição dos padres ou é em concordancia entre todos? Seria necessário que voces estivessem presentes para sentirem o simbolismo de cada gesto e também olhar e pegar nas mãos todo material litúrgico usado nas celebrações antes de julgar. O cálice, patena e ambula usados na celebração da missa na Pároquia São carlos, são de porcelana trazidos da França e a parte interna banhada em ouro; e não de plástico ou de argila como foi citado. Quanto à estola usada pelo Pe. e o Diácono não foi confeccionada de pano de cozinha e sim de pano nobre uzado por muitos de nós na confecção de camisas e roupas de grife. Entendo o posicionamento de voces, mas escrever como escreveram; eu não escreveria se não presenc
iasse todos os fatos, e apenas tomar posição de um artigo mau intencionado. A missa caipira que voces dizem que é nordestina e tradição na zona rural, acredito que quem escreveu este artigo não conhece nosso povo que mora na zona rural. Mais uma vez chamo a atenção de voces e peço mais respeito com nosso bispo, e com os padres que estão á serviço da igreja e à frente de uma evangelização que muitas vezes tem que estar junto com seus fiéis. Quando escrever um artigo deveremos assina-lo para que todos possam saber a origem e não esconder atrás de um meio de comunicação que é lido por muitos.

Grato,
 

Euripedes Ales Junior
Diocese de Dourados – MS
Paróquia São Carlos

Aguardo resposta e auorizo a colocarem esta réplica de  indignação.

Prezado Eurípedes,
Salve Maria!
 
Atendendo à sua solicitação, embora com certo atraso, publicamos sua réplica de indignação ao artigo que denuncia os abusos ocorridos nas missas inculturadas de Dourados.    
 
Pela confiança com que o senhor expõe suas contestações, suponho que sua presença em missas caipiras, crioulas e outras extravagâncias do tipo, seja com assídua freqüência.    
 
A propósito, sendo fiel circunscrito na diocese de Dourados, saberia dizer se Dom Redovino Rizzardo tem se empenhado em atender as ordens dos Papas, sobretudo do Papa Bento XVI, aplicando-as em sua diocese? Por acaso Dom Redovino foi solícito em atender ao mandato do Papa João Paulo II, recolocando os confessionários nas igrejas? E sobre a expressão pro multis, abusivamente traduzida como “por todos” na Oração Eucarística, Dom Redovino fez algo para atender a ordem do Vaticano que mandou traduzir a expressão como “por muitos”, em concordância com os textos dos Evangelhos? Está ele combatendo a comunhão na mão que, segundo o Arcebispo Malcolm Ranjith (ex-Secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos) foi uma prática introduzida abusivamente e às pressas em alguns ambientes da Igreja após o Concílio?
 
Pergunto, pois, estando tão próximo, talvez o senhor possa confirmar o que fotos e algumas testemunhas revelaram sobre os repetidos abusos que caracterizam um desrespeitoso menosprezo às prescrições de Roma.
 
Se a criatividade é uma especialidade do clero de Dourados, a obediência não parece ser uma das virtudes mais praticadas, visto a dificuldade ou má vontade em cumprir as leis da Igreja.
 
O calvário da missa é transformado numa ridícula e profanadora festa a fantasias, com direito a biscoitos, berrante e tereré.
 
Isso não escandaliza o senhor, mas a denúncia desses abusos, respaldada em um documento da Igreja, causa-lhe repulsa por caracterizar, segundo seu juízo, um trato desrespeitoso para com o bispo e padres que estão a serviço da Igreja em Dourados.
 
Que medida recomendaria o senhor diante desses graves delitos? Guardar silêncio enquanto padres, que deveriam dar bom exemplo, violam as rubricas litúrgicas e profanam Cristo presente nas espécies consagradas? Neste caso, seu respeito nada mais é do que cumplicidade com o pecado, posição censurada pelo Papa São Félix III:
 
“Não se opor ao erro é aprová-lo e não defender a verdade é suprimi-la; com efeito, não denunciar o erro daqueles que praticam o pecado – quando o podemos fazer – não é pecado menor do que apoiá-los” (Papa Leão XIII, Encíclica Inimica Vis).
 
Pelo visto o senhor nem se esforçou para ler a Instrução Redemptionis Sacramentum, pouco venerada pelo clero de Dourados.  
 
A denúncia de abusos litúrgicos, que o senhor contesta, é aprovada por dois parágrafos da referida Instrução. São eles:
    
[183.] De forma muito especial, todos procurem, de acordo com seus meios, que o santíssimo sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Isto, portanto, é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a cumprir este trabalho.
 
[184.] Qualquer católico, seja sacerdote, seja diácono, seja fiel leigo, tem direito a expor uma queixa por um abuso litúrgico, ante ao Bispo diocesano e ao Ordinário competente que se lhe equipara em direito, ante à Sé apostólica, em virtude do primado do Romano Pontífice.
 
Portanto, sr. Eurípedes, é um dever e um direito nosso, expresso em documento do magistério, denunciar a irreverência dos padres para com o Santíssimo Sacramento, bem como os abusos litúrgicos, tão comuns na diocese de Dourados.
 
Suas alegações, na tentativa de desmerecer o artigo em questão, carecem de qualquer valor contestativo. Elas são tão frágeis quanto a sua defesa para a manutenção dos abusos delatados.
 
Vejamos o que o senhor nos diz em prol das deturpações litúrgicas fotografadas e divulgadas em sites ligados a diocese de Dourados:
 
“Quanto a denúncia feita sobre as celebrações realizadas em Dourados, onde se coloca sobre apresentações teatrais, vocês estiveram presentes? participaram das celebrações? ouviram dos fiéis que estavam presentes e os relatos sobre estas celebrações? Será que elas acontecem por imposição dos padres ou é em concordancia entre todos? Seria necessário que voces estivessem presentes para sentirem o simbolismo de cada gesto e também olhar e pegar nas mãos todo material litúrgico usado nas celebrações antes de julgar”.
 
O senhor fez bem em observar que não participamos destas celebrações. Graças a Deus não somos cúmplices dessa babel litúrgica. Se não presenciamos os abusos, pouco importa. As fotos de que dispomos são por demais suficientes para confirmar que os abusos de fato existiram, e que estas celebrações se realizam sob o assentimento de todos.
 
Deste modo, nossa ausência, em tais celebrações, não desabona a delação.   
 
Sobre os vasos sagrados, o senhor protesta dizendo ser falso o teor da denúncia, no que se refere à utilização de vasos de plásticos ou argila. Garante o senhor, e eu agradeço a informação, que os vasos são de porcelana importada da França:
 
“O cálice, patena e ambula usados na celebração da missa na Pároquia São carlos, são de porcelana trazidos da França e a parte interna banhada em ouro; e não de plástico ou de argila como foi citado” (o negrito é meu).
 
Se o senhor pensa que a porcelana francesa livra os padres da censura, sinto comunicar-lhe que o senhor novamente se engana. Por favor, sr. Eurípedes, ao menos leia atentamente o trecho do documento que o senhor tem a audácia de contestar:
 
“[117]: … reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. Isto vale também para os metais e outros materiais, que se corroem (oxidam) facilmente (Instrução Redemptionis Sacramentum).
 
Independente da procedência, os vasos de porcelana são expressamente proibidos nas celebrações da Missa. E, a esta proibição, se acrescem os cristais e outros materiais que se quebram facilmente.  
 
Violaram esse documento os padres que utilizaram vasos de porcelana, vidro ou cristal. Resta saber se fizeram isso com ou sem o consentimento do bispo local. Por isso a denúncia foi direcionada a Dom Redovino, para que, uma vez ciente, reprima essas distorções arbitrárias de padres que resistem às prescrições da Igreja.
 
Aliás, o senhor saberia dizer se esses abusos já foram extintos das Igrejas de Dourados? Já se passaram dois meses após a denúncia, tempo suficiente para reparar o mal feito.  
 
Sem conhecer o documento que fundamenta o artigo-denúncia, o senhor justifica que as estolas usadas pelo padre e pelo Diácono foram confeccionadas com material nobre, usado até mesmo na confecção de roupas de grife:
 
“Quanto à estola usada pelo Pe. e o Diácono não foi confeccionada de pano de cozinha e sim de pano nobre uzado por muitos de nós na confecção de camisas e roupas de grife”.
 
Novamente o senhor não consegue reverter a péssima situação dos padres improvisadores.  
 
Pouco importa se o pano é de grife. O que não tem cabimento é essa adequação dos paramentos à cultura de um povo, de tal modo que a tradicional estola foi substituída por um lenço e a casula por um poncho.
 
E contra essas inovações o documento novamente é categórico:
 
“[121-128]: … é impróprio estendê-las [as concessões] às inovações, para que assim não se percam os costumes transmitidos e o sentido de que estas normas da tradição não sofram menosprezo, pelo uso de formas e cores de acordo com a inclinação de cada um…” (Instrução Redemptionis Sacramentum)
 
Meu caro Eurípedes, todo bom advogado estuda bem o caso antes de assumir sua defesa pública. O senhor, ao contrário, se aventurou num assunto do qual não tem o mínimo de conhecimento.   
 
Acusando nosso artigo de mal intencionado, o senhor faltou com o respeito e com a verdade. Ora, se alicerçamos nossas críticas apresentando trechos de um documento da Igreja, obviamente que nossa intenção é fazer caridade, colaborando com o bispo e, sobretudo com o Papa Bento XVI, que tanto sofre pela desobediência de seus clérigos.    
 
Desculpe a sinceridade nas palavras, mas é o senhor quem revela má intenção ao discorrer sobre um assunto de forma equivocada, desconhecendo as normas litúrgicas elementares, principalmente o documento diversas vezes citado na formulação da denúncia, e que, pela própria evidência, o senhor nem procurou ler para aprender.  
 
Não é muito católico de sua parte acusar o magistério da Igreja de desconhecimento ao ensinar. Por acaso o senhor considera que a Instrução Redemptionis Sacramentum não tem valor jurídico porque desconsiderou a cultura nordestina de seu povo? É isso que fica subentendido quando o senhor desvaloriza os que censuram, sem conhecer a tradição de um povo. Como se as leis da Igreja tivessem que se adaptar aos costumes locais, introduzindo-se nas missas, elementos peculiares de cada povo.
 
A Missa não é palco para apresentações culturais, sr. Eurípedes. Nela o sacerdote perpetua o sacrifício de Cristo no Calvário. Portanto, a Missa é um sacrifício a Deus, e não festa para o povo. A liturgia deve exprimir de modo mais perfeito possível esse único sacrifício de Cristo, atualizado em cada Missa. Não é a cultura de um povo que deve ser enaltecida. Não se vai ao calvário para contemplar os costumes peculiares de uma região. Deus é o centro da missa. Ele deve ser contemplado. Ele deve ser exaltado. Por isso não tem cabimento a presença de tereré, berrante, biscoitos, pata de boi, vestes inadequadas, que descaracterizam a finalidade da Missa e dessacralizam as celebrações eucarísticas.
 
Foi contra esses abusos que escreveu o Papa João Paulo II em sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia:
“[52] Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reacção contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias. Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios” (O negrito é meu).
A Missa não é propriedade de um povo e os padres não podem fazer dela um carnaval onde cada um se fantasia como quer. Existe uma tradição litúrgica que não pode ser obscurecida pela introdução de elementos estranhos, contrários à essência da santa missa.   
 
Para finalizar esta resposta à sua réplica de indignação, transcrevo as palavras de Santo Afonso Maria de Ligório, cujo teor é uma exortação aos sacerdotes irreverentes com as coisas sagradas:
 
“Causa pena, digamo-lo, ver o desprezo com que Jesus Cristo é tratado por tantos padres, até religiosos, e pertencentes a Ordens reformadas! Ao ver-se a negligência com que esses padres de ordinário dizem a missa, bem se lhes poderia fazer a censura que Clemente de Alexandria dirigia aos sacerdotes pagãos: que faziam do Céu um teatro, e de Deus o objeto da sua comédia. E que direi? Uma comédia! Ó, se eles tivessem um papel a representar no teatro, que cuidado empregariam!” (A Selva. Edição PDF, 2002, p. 64).
 
Pela santificação do clero te rogamos, Virgem Maria.
 
In Jesu et Maria, semper
Eder Silva

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