Montfort Associação Cultural

19 de abril de 2006

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Faltam Padres

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Sergio Ferraz Arruda
  • Idade: 57
  • Localizaçao: Londrina – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Aposentado
  • Religião: Católica

Relação ao comentario do amigo com referencia ao documento(enciclica Ecclesia de Eucharistia), no que se refere ao ministro da Eucaristia distribuir a sagrada eucaristia. quero comentar com o amigo Orlando, que, de acordo com a realidade da comunidade, não se faz a necessidade do serviço do ministro, mas, nem todas as Paróquias tem numero suficiente de padres para fazer a distribuição da eucaristia aos fiéis. sou Ministro da Eucaristia ou como deseja, Ministro Extraordinario da comunhão, por varios anos, atualmente coordeno a formação para Ministros em toda a minha diocese (Londrina)fazendo parte da coordenação Arquidiocesana dos Ministros da Eucaristia. vejo sim a necessidade de pessoas devidamentes preparadas para realizar este trabalho, bem como de levar aos enfermos a sagrada eucaristia. Os ministros passam por um curso de no minimo 40 horas, para que possam fazer este serviço, dando a ele uma formação adequada para e ste ministerio.

Muito prezado Paulo Sérgio,
salve Maria!
 
    Muito me agradou sua respeitosa carta, apesar de nossa profunda divergência de posição.
    O Papa João Paulo II acaba de condenar, como abuso e erro, a expressão “Ministro da Eucaristia“, mostrando como ela era errada quando aplicada a leigos, porque insinuava que os distribuidores de comunhão seriam iguais aos únicos verdadeiros Ministros da Eucaristia, que são os sacerdotes ordenados.
    Esse erro foi introduzido, após o Vaticano II, na onda de igualar os sacerdotes aos leigos, na ânsia de democratizar e protestantizar a Igreja.
    Todos os Modernistas, que tanto influenciaram os textos do Vaticano II, nele introduzindo fórmulas ambíguas de que nasceram muitos erros. Quiseram até abolir o celibato.
    Para alcançar isto mais facilmente, eles propuseram a ordenação de homens casados. Era uma etapa, para depois abolir o celibato.
    Diziam que era para sanar a falta de vocações.
    A ordenação sacerdotal de pessoas casadas facilitaria a abolição do celibato, porque como se saberia se um indivíduo foi ordenado depois de casado, ou se ele se casou depois de ordenado.
    Se era um casado ordenado, ou um ordenado casado?
    Feita a mistura de café com leite, fica difícil saber se se colocou café no leite, ou leite no café.
    Graças a Deus, apesar de pressões imensas da  ”Mídia” contra a Santa Sé, os Papas não consentiram nem em ordenar pessoas casadas, e, nem, muito menos, em abolir o celibato sacerdotal.  
    Aliás, você veja como vivemos em tempos pós conciliares muito estranhos:
  
    Hoje, querem que os padres se casem;
            mas que os casados tenham o direito de se divorciar;
            que os noivos se juntem, sem casar na Igreja;
            mas que os homossexuais se casem na Igreja.
   
    NA REALIDADE, SE QUER SÓ VIOLAR A LEI DE DEUS E PROFANAR OS SACRAMENTOS
 
    Quem será que dirige essa campanha contra a Igreja, contra Deus e sua santa lei?
   
    Não tendo conseguido abolir o celibato, mas insistindo na propaganda da igualdade entre sacerdote e leigo– o que nega o Sacramento da Ordem e destrói a Hierarquia eclesiática  — os modernistas fizeram difundir a distribuição da comunhão por leigos e leigas.
    Introduziu-se e entronizou-se o abuso dos Ministros Extraordinários da Eucaristia. Título que o Papa João Paulo II acaba de abolir em boa hora.
    No projeto original do Decreto Redemptionis Sacramentum, esse abuso era completamente abolido e proscrito
    Conta-se que foi a intervenção do Cardeal Kasper, – modernista, portanto herege, pois ele nega que Cristo ressuscitou ou que fez milagres — e de seus seguidores modernistas, que exigiu e conseguiu a manutenção dos Ministros Extraordinários da Eucaristia com outro nome: o de Ministro Extraordinários da Comunhão.
    Evitou-se o erro doutrinário maior, graças a Deus, mas se manteve o abuso prático de igualar as mãos de um leigo às mãos consagradas de um sacerdote.
    Claro que a desculpa é a falta de sacerdotes para atender às numerosíssimas comunhões atuais.
    Hoje, pouca gente vai à Missa.
    Mas todo o mundo que vai a Missa, comunga.
    Isso, de si, seria muito bom.
    O problema é que quase todo o mundo comunga sem se confessar, sem estar em jejum eucarístico, em muitos casos sem saber sequer a Quem se recebe na hóstia consagrada.
    Nas igrejas, quase ninguém se confessa.
    O Papa mandou recolocar os confessionários.
    Pouquíssimos padres o obedeceram.
    Cada um faz o que quer.
    Ninguém obedece ao Papa, pois se acredita na igualdade.
    Quando falei com um padre, numa cidadezinha do interior paulista, de que o Papa mandara repor os confessionários, e proibir a absolvição coletiva — “comunitária” — o padre me respondeu que quem mandava na Igreja, no Brasil, era a CNBB, e não  o Papa. Disse eu a ele que a Igreja era monárquica, e que Papa era a suprema autoridade da Igreja. Ele me contestou que a Igreja não era monárquica coisa nenhuma. 
    P
ara esse Padre, a Igreja seria democrática. O Papa não precisava ser obedecido. Mas, ái de quem não acatasse o seu palpite!
    Ái de quem desobedeça à CNBB, que não recebeu as chaves do Reino dos Céus!   
    Em nome da democracia, se desobedece rotundamente ao Papa, mas se impõe a tirania de um simples padre, ou da quase anônima CNBB (quando não se impõe a ditadura de uma senhora “gerente de paróquia!”)
    A prova mais flagrante da desobediência total ao Papa se vê, hoje, na absoluta indiferença dos Bispos e dos Padres em não acatar, em não dar a mínima importância ao que o Papa João Paulo II decretou no Redemptionis Sacramentum.
    As escandalosas Show-Missas foram condenadas e proibidas, mas continuam por toda a parte, no Brasil, e no mundo.
    Vivemos num clima de Cisma Silencioso, pois que — perdoe-me a expressão vulgar– ninguem praticamente “dá a menor bola” ao que o Papa manda.
    Cisma Silencioso, sim.
    Silencioso, porque ninguém proclama que se deva desobedecer ao Papa.
    Cisma, sim, porque, na prática, não se obedece em nada ao Papa, e se vive como se ele não existisse, ou como se seus decretos não precisassem ser obedecidos.
    Claro, dir-me-á você, os Ministros Extraordinários da Comunhão — nome que não foi dado por mim. Bem longe disso. – seriam necessários, porque há falta de sacerdotes.
    Os vigários estão muito ocupados…
    Mas, tempo para assistir a novela das oito, eles o têm.
    Tempo para ir à praia, muitos o têm.
    Numa cidade de Minas, contaram-me, que alguns padres, às vésperas do carnaval, avisaram o povo de que, durante o tempo da fuzarca, a igreja estaria fechada, porque eles iam aos bailes de Poços de Caldas, que eram mais animados.
    E os doentes nos hospitais?
    Poucos hospitais vêem algum padre
    E o ensino de religião nas escolas estaduais?
    Não existe.
    Praticamente não existem aulas de Catecismo nem em numerosíssimas paróquias. E como existir catecismo paroquial, se se nega qualquer valor à doutrina?
    Um padre de São Paulo contou-me que há padres, aqui, que nem sabem a fórmula da absolvição sacramental, e que se não tiverem o folhetinho de Missa — esses horrendos folhetinhos dominicais — eles não sabem rezar a Missa.
    Dei aula quase por 40 anos em Colégios estaduais. Só duas vezes vi padres irem dar aulas de religião.
    Antes não tivessem ido.
    Graças a Deus, as deram bem poucas.
    Desistiram rapidamente de suas aulas falsamente joviais, cheias de gírias, de piadinhas repetidas, velhas e sem graça, de  suas aulas sem Deus e sem Fé.
    Um desses padres projetava slides pornográficos, à guisa de educação sexual, para os alunos…
    Esse pobre padre acabou fugindo com uma moçoila de sua paróquia. O que não o impediu de — depois que retornou da …”lua de mel” – continuar a ser Ministro da Eucaristia, aos domingos, em sua ex paróquia, apesar de estar amasiado e de ter largado a batina.
    O segundo padre que deu – uma ou duas – aulas de religião, logo desapareceu. Não sem antes aconselhar mal, num caso de roubo.
    Os padres não têm tempo…
    Os padres são poucos…
    Os padres santos é que são poucos!
    Infelizmente, bem poucos.
    Anchieta e Nóbrega eram poucos, para tantos índios, numa terra imensa. Mas Anchieta os converteu. 
    E ainda teve tempo de escrever autos para os índios representarem; teve tempo de organizar a luta contra os protestantes que haviam invadido o Rio de Janeiro; teve tempo de escrever uma Gramática da Língua Tupi; teve tempo, quando era refém dos tamoios, de escrever um Poema à Virgem Maria!
    E note que Anchieta não ia de avião de Santos a São Paulo, de São Paulo ao Rio, e ao Espírito Santo. Ia a pé. Ele que tinha uma grave torção na coluna vertebral. Nem INSS ele tinha. Ia a pé, no meio das matas, das feras e dos antropófagos…
    Anchieta era um só, aqui, no sul.
    Mas fazia milagres.
    Havia falta de padres, também no Brasil, daquele tempo.
    Mas Anchieta era um padre santo.
    O que nos falta são padres santos, e não simplesmente padres.

    O diabo declarou que se houvesse dois padres como São João Maria Vianney, no século XIX, o reino dele estaria perdido.
    Por isso, São João Maria Vianney foi posto, pela Igreja, como modelo dos sacerdotes…
    Quem o imita?
    São João Maria Vianney confessava o povo até durante 20 horas por dia. No confessionário.
    Quem o imita?
    São João Maria Vianney comia 3 batatas a cada 15 dias.
    Quem o imita?
    São João Maria Vianney se flagelava até o sangue.
    Quem o imita?
   
    Realmente, hoje, faltam padres.
    Desgraçadamente, nos faltam padres.
    Padres como Anchieta, como São João Bosco, e como São João Maria Vianney.
    Hoje, infelizmente, temos padres conhecidos por nomes em diminutivo (padres em diminutivo). Padres que em vez de carregarem a cruz de Cristo, portam a tiracolo, — E na igreja! E na Missa!! — uma guitarra. E cantam cançõezinhas ridículas e profanas. E ainda se julgam artistas!!!
    
    Desgraçadamente
    Hoje temos padres que gostam de estar sob os holofotes e câmeras de TV…
 
    Faltam padres.
    De fato, faltam padres de verdade.
    Não que esses padres em diminutivo, de bermudas e de guitarra a tiracolo, e mascando chicletes, não sejam padres realmente ordenados. A desgraça é que eles são padres mesmo.
    Mas não são santos.
    Nem sequer piedosos.
   
    Você me diz que coordena a formação para Ministros em toda a minha diocese (Londrina)fazendo parte da coordenação Arquidiocesana dos Ministros da Eucaristia”.
    Acredito em sua boa intenção, e lhe desejo graças de Deus, em seu esforço.
    Mas, peço-lhe que note quantas equipes, coordenadorias, comissões, conferências, planos, pastorais, projetos, reuniões do Regional do Leste 2, do Norte 3, quantas animações, TVs, quanta burocracia, quanta papelada, quanta verborréia, quantos manifestos longos, chatos e indigestos, escritos em eclesialês, editados pelas Vozes, Paulinas, Paulus etc, há, por aí, com resultado menos que nulos, mas negativos.
    Quem se lembra da Campanha da Fraternidade de 1998 ou de não sei quanto?
    E que significa para Deus, a Campanha da Fraternidade pelas Águas ?
    Nada.
    Que significa ela, para o povo?
    Nada.
    Amanhã, ela estará esquecida.
    Meu caro, as águas passam e as Campanhas da Fraternidade passam e são esquecidas mais depressa que as águas e que as brisas, que não deixam rastro.
    Tudo isso se esvai como fumo.
   
    Para quê, então, Ministros Extraordinários da Comunhão ?
    Para o padre ficar sentado, enquanto leigos e moçoilas distribuem a hóstia consagrada?
    Para que uma “gerente da paróquia” ler a Epístola de São Paulo aos Gálatas?
    Para o padre ficar sentado, assistindo, enquanto propicia um momento de vaidade a uma paroquiana que mal sabe ler, e que julga compreender a teologia paulina, que o própio Padre não entende, porque nunca a estudou, no seminário?
    E lá vai a “gerente da paróquia”, ufana, proclamando: 

“Epístola de São Paulo aos Gálatas! Irmãos, …”


    Enquanto os Gálatas, no céu, clamam a Deus por vingança:
    Amen! Amen! Veni, domine!
   
    Para que falar em “realidade da comunidade” se uma paróquia não é, e nem nunca foi, e nem pode ser uma “comunidade”, em sentido próprio?
    Comunidade existe num convento, ou num mosteiro, onde haja voto de pobreza.
    Estarei enganado?
    Nos conventos e mosteiros, não existe mais o voto de pobreza?
    Numa paróquia não há voto de pobreza. Numa paróquia as coisas não são postas em comum, graças a Deus, e nem devem ser postas em comum.
    Há um abuso, hoje, da palavra comunidade, e, quando se abusam das palavras, elas se vingam de nós com a realidade.
  
    Precisamos de padres realmente dedicados, sacrificados. Como Nosso Senhor.
    Ele não organizou nenhuma Regional do Leste 2, nenhuma Comissão para a Conversão dos Gentios. 

    Quando Ele foi levantado, atraiu tudo a Si.

    Jamais os santos se preocuparam com planos e burocracias, como se a vida da Igreja fosse possível de ser planificada como um programa de governo, ou a produção de uma fábrica.
    Claro que a ação dos santos seguia um plano racional, mas o fundamental não são os planos — muito naturalistas — mas a graça sobrenatural, a oração.
   
    Faltam padres, sim.
    Faltam padres de Fé e de oração.
    Faltam padres que saibam que 12 Apóstolos conquistaram o mundoCom Fé, oração e o sangue do martírio.
    Faltam santos.
    Faltam mártires.
    Que Deus o faça um deles.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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