Montfort Associação Cultural

5 de janeiro de 2011

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Falta de citações historiográficas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Thiago Lenine
  • Localizaçao: Belo horizonte – MG – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação em andamento
  • Profissão: Historiador
  • Religião: Ateu

Cara Equipe Monfort,

NAO SOU COMUNISTA

A partir da leitura das respostas e das questoes expostas em seu site fiquei instigado com algumas afirmações que vocês estabelecem. Gostaria que vocês comentassem a posição epistemológica ou o tipo de reflexão teórica que marca as relações entre a produção historiográfica e o tipo de análise documental empregada. De forma que ficasse claro qual tipo de orientação interpretativa guia seus olhares frente ao documento histórico.
Acho conveniente a questão devido ao fato de haver em suas reflexões historiográficas posições que poderiam ser classificadas como “polêmicas”. Afirmações do tipo: que na revolução francesa os revolucionários no período do Terror ” Cozeram mulheres para aproveitar a sua gordura”; “Foi a Revolução Francesa que fez triunfar o Liberalismo econômico, que separou a economia da moral, e declarou o lucro como supremo valor”; esta última, à meu ver, peca em desconsiderar a formação do liberalismo na Inglaterra no século XVI e de não levar em conta, por exemplo, as análises de Max Weber sobre o fenômeno da modernidade enquanto processo irredutível à uma causa singular.
Acredito que como conhecedores honestos da história mundial que vocês são, deveriam substanciar suas respostas com citações historiográficas e documentais que solidiquem aquilo que voces afirmam.
Por exemplo as denúncias que vocês fazem acerca dos terrores sofridos pela Igreja Católica nos períodos revolucionários deveriam vir acompanhados de uma densa bibliografia à respeito.
Agradeço pelo espaço. Obrigado.

Data: 6 April 2007

 
Muito prezado Thiago,
Salve Maria.
 
     Cartas de resposta a leitores do site, por sua brevidade, não tem a obrigação de documentação de uma tese universitária de História.
 
     Todo historiador, ao fazer sua análise dos fatos históricos, faz uma escolha prévia do que considera fato importante a ser descrito. Isso implica que não há História que não se fundamente antes numa Filosofia da História. Mais: numa Teologia da História. De qualquer modo, a análise dos documentos investigados exige rigor científico e honestidade em sua análise. 
 
     Se é verdade que o protestantismo foi uma das raízes primeiras do espírito mercantilista e particularmente do espírito capitalista, é mais certo ainda que foi a revolução Francesa que fez triunfar o Liberalismo, doutrina que, na Economia, produziu o Capitalismo tal qual o conheceu o século XIX e XX.
     Quanto aos crimes da Revolução Francesa, basta folhear os livros da bibliografia mais comum para que eles sejam super abundantemente confirmados.
     Estudei a Revolução Francesa por mais de trinta anos e tenho uma vasta biblioteca sobre tais fatos. Recomendo-lhe que leia, não digo livros até mais especializados, mas a bibliografia comum sobre esse tema para verificar a verdade dos fatos. Por exemplo, leia a “Histoire religieuse de la Révolution Française de Pierre de la Gorce (cinco volumes) ou os inúmeros livros sobre o Terror (por exemplo, os documentadíssimos livros de Georges Lenôtre). E, se você quiser consultar os arquivos e os textos da legislação revolucionária, não lhe será nada difícil comprovar os horrores praticados pela Revolução Francesa. Procure, por exemplo, o decreto da Convenção sobre as chamadas Colunas Infernais.
 
     Nenhum historiador sério nega esses crimes. O que não quer dizer que eles sejam conhecidos pelos estudantes brasileiros, pois os cursos universitários no Brasil se calam estranhamente sobre tudo isso.
 
     Indo você a Paris, recomendo-lhe que vá à Rue de Vaugirard, e que visite lá a Igreja do Carmo. Peça que o levem ao subsolo dessa igreja, para ver os crânios de mais de duas centenas de Bispos e Padres massacrados em Setembro de 1792.
 
 
      Deus lhe conceda uma visão clara da História.
     
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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