Montfort Associação Cultural

2 de setembro de 2012

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Extra! Extra! Outra Missa Antiga na Canção Nova!

Autor: Alberto Zucchi

Prezados,Salve Maria!

Recentemente enviei ao grupo “Notícias Católicas” (que é um grupo dos membros e amigos da Montfort, cuja finalidade é o compartilhamento de notícias sobre a Religião, a Igreja e os assuntos mundanos que as afetam) uma notícia sobre a Missa Tradicional na Canção Nova e, comentando em tom evidentemente irônico, coloquei o título “Extra, extra! novo instituto tradiem Cachoeira Paulista”.

Ocorre que um “blog eminentemente jornalistico”, citou e criticou minha frase, sem mencionar a fonte… Gostaria de saber a opinião da Montfort sobre a notícia…

Salve Maria!
Jaime

Prezado Jaime,

Salve Maria!

Inicialmente gostaria de lhe pedir desculpas pela demora da resposta, mas a organização do Congresso Montfort  e trabalhos que se seguiram me impediram de responder com maior brevidade.

Evidentemente, eu já conhecia a notícia sobre a realização da Missa Antiga na Canção Nova e o seu comentário na lista “Notícias Católicas”. De fato, basta ter um pouco de bom senso, para entender que o título que você atribuiu à notícia era uma ironia e o que você pretendia  destacar era a mudança dos ventos na Igreja.

Agora, surge uma nova informação, um boato que vem de dentro da própria Canção Nova. Na casa de formação em Queluz, local para onde são enviados “os noviços”, a Missa Antiga é celebrada com freqüência, e em breve, ela será celebrada mensalmente na sede da entidade em Cachoeira Paulista. Boatoverdadeiro? Aguardemos.

Sobre a crítica que você recebeu, ela é muito comum em certo tipo de site “tradicionalista”, que prefere não enxergar que algo de fato tem mudado na Igreja. Este veículo parece se comportar como um órgão “oficioso” de certa ala “radical’ da Fraternidade São Pio X.

Sites assim apresentam a ação dos protagonistas da atual luta na Igreja,  dividindo-os em quatro grupos:

Um primeiro são os modernistas que trabalham contra a restauração da Missa Antiga e defendem a chamada “hermenêutica da ruptura” em relação ao Concílio Vaticano II. Estes são os alvos de destaque e, sem dúvida, são merecedores de muitas críticas. Entretanto, muitas vezes se tem a impressão de que se procura destacar o escândalo menos para que ele seja reprimido, ou evitado no futuro, e mais para produzir espanto e fazer propaganda do site.

Um segundo grupo, composto pelo Papa e eventualmente auxiliares muito próximos, é apresentado com grande simpatia, inclusive com prestigiosas fotos na página de abertura.

Um terceiro grupo é composto pelos grupos “Ecclesia Dei”, ou os  “plena comunhão”. Para este grupo, um elogio aqui ou outro acolá, mas quase nunca um elogio enquanto um conjunto ou uma instituição.

Um quarto grupo é representado pela FSSPX, particularmente sua ala contrária a qualquer acordo com o Vaticano. Ela também é apresentada com grande  simpatia e sempre elogiada, não só por esforços individuais de seus membros, mas sim enquanto instituição.

Quando há algo de errado na Igreja, que favorece um erro doutrinário ou moral, o site atribui toda a maldade aos modernistas, e salienta a falta de unidade com o Santo Padre.  Por outro lado, quando algum grupo Ecclesia Dei comete algo que eles consideram um deslize , ou uma falta real, ressalta-se que estes grupos são traidores por não estarem unidos à FSSPX, único verdadeiro baluarte na defesa da Tradição no mundo.

Desta forma, o leitor deste tipo de site, que normalmente já é conservador, é influenciado no seguinte sentido:

- simpatia pelo site, porque ataca os modernistas, porque defende o Papa e pelo apoio esporádico à Missa Tradicional não ligada à FSSPX.

- as informações, noticias ou comentários serão consideradas isentos, uma vez que o site oficialmente é neutro entre todos os grupos tradicionais. As listas de comentários são abertas a todos.

- simpatia pela FSSPX pelo fato de ser apresentada como integra e, ainda, por uma insinuação discreta de aliança entre ela e o Papa. Nas listas de comentários, a última palavra é muitas vezes deixada para simpatizantes da FSSPX, outras vezes ataques diretos são formalmente proibidos.

- antipatia pelos demais movimentos tradicionais, porque são eles todos inconstantes, com fraquezas, composto por ingênuos ou traidores. Esse efeito é obtido principalmente nas listas de comentários, onde toda espécie de acusação aparece a propósito ou sem propósito e é dispensada de provas. Fica-se com a ideia difusa de que estes movimentos deveriam se colocar sob a orientação da FSSPX.

Como resultado de sua ação, estes sites produzem muita conversa e escasso benefício concreto, pois pouco colaboram pela difusão da Missa Antiga, fora dos muros da FSSPX. Pelo contrário, o trabalho de outros grupos tradicionais é muitas vezes colocado sob suspeita.

Este gênero de site não pode aceitar que exista algo de bom, ou que alguém de fato esteja se convertendo, e que não caminhe em direção à FSSPX.  Para eles a Missa Antiga na Canção Nova só pode ser fruto de um plano ardiloso e maquiavélico que visa enganar os conservadores e afastá-los do verdadeiro e único caminho que é a FSSPX.

É claro que fiz uma análise geral e que os elementos que enunciei se encontram em maior ou menor grau, dependendo da simpatia pelas diversas alas da FSSPX. De todo modo, certamente, lá você não encontrará elogios à Montfort.

Não deixe de rezar por nós que, de maneira tão fraca e tão imperfeita, procuramos dar continuidade ao trabalho iniciado pelo nosso estimado Professor Orlando, que fazia o que estivesse ao seu alcance pela restauração da Missa Antiga em todas as partes e, particularmente, no Brasil.

Alberto Zucchi

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