Montfort Associação Cultural

30 de janeiro de 2011

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Expulsão dos vendilhões do templo

Autor: Bruno Oliveira

  • Consulente: Maicon de Souza
  • Localizaçao: Vitória – ES – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Corretor de Seguros
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Bruno,
Salve Maria!

Agradeço imensamente pela resposta dada a minha dúvida.
Deus lhe pague e continue abençoando a sua inteligência e sabedoria!

Certo dia ouvi dois senhores discutindo, um, ao que parece era “”Católico”" o outro, um protestante.

O que se dizia Católico discutia com o protestante a respeito da humanidade de Cristo.
E pasmem o “”católico”" afirmava categoricamente que Cristo pecou.
E justificava a heresia, valendo-se do método de satanás para tentar Cristo, usando da própria palavra de Deus. O passagem que ele usava era a que Jesus expulsava os vendilhões do templo.
Disse que que Cristo irou-se, e ira é pecado.

O protestante tentava argumentar, que Cristo é Deus e nEle não há pecado porém os argumentos dele foram em vão.
Ainda o que se dizia “”católico”"” finalizou dizendo que Cristo precisava ser o máximo possivel igual a nós humanos para que o seu sacrifício tivesse maior valor.

Na hora por falta de sabedoria e inteligência fiquei desgraçadamente mudo, porém pela Graça de Deus, Ele me fez conhecê-los e agora eu e todos os leitores da Montfort temos a oportunidade de iluminar as trevas que estão envolvidas a nossa mente, trevas da ignorância e de vãos pensamentos.

Como posso defender Nosso Senhor desta blasfêmia? Há outras heresias que atribuem pecados a Deus? Como refutá-las?

Graças sejam dadas a Deus por todos os Amigos da Montfort.

Prezado Maicon,
Salve Maria,
 
     Peço que reze para que Nossa Senhora ilumine as suas e as nossas palavras no combate que hoje vivemos. As palavras são como nossas espadas, que precisam estar afiadas e puras para servir a Deus. E para purificá-las recorremos a Nossa Mãe Santíssima. Afinal, bendizer a Mãe de Deus é a forma que temos de dar a devida glória a Deus e, consequentemente, elevarmos a palavra ao seu mais alto grau de perfeição. Com a Virgem manteremos nossas espadas limpas e prontas para ferir o inimigo quando necessário.
 
     Quanto a sua dúvida: No antigo testamento lemos que Deus teve “furor” contra os judeus que adoravam ao bezerro de ouro:
      
E o Senhor disse mais a Moisés: Vejo que este povo é de cerviz dura; deixai-me, a fim de que o meu furor se acenda contra eles, e que os extermine“. (Gênesis 32,9-10)
 
     O que o falso católico diria com essas palavras da sagrada escritura? Poderíamos negar a divindade de Deus porque entrou em furor contra os idólatras?
 
     Com relação a Cristo e os vendilhões: Cristo irou-se, mas existe uma ira que não é pecado, ao contrário, é até louvável. Essa ira louvável é a que Cristo teve.
 
O apetite de vingança, algumas vezes, é acompanhado de pecado quando alguém procura vingar-se fora da ordem da razão. Desse modo não pode haver ira em Cristo; trata-se da chamada ira por vício. – Algumas vezes, porém, esse apetite é sem pecado, antes, é até louvável, por exemplo quando alguém deseja a vingança segundo a ordem da justiça. Chama-se, então, ira por zelo. Agostinho [no Tratado sobre o Evangelho de João] explica: “Alguém é devorado pelo zelo da casa de Deus, quando deseja emendar todas as coisas perversas que vê; se não pode emendar, as tolera e geme”. Essa ira existiu em Cristo.” (Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, III, q. 15, a. 9, rep.)
 
     Vê-se que o trecho de Santo Agostinho citado por Santo Tomás aplica-se perfeitamente ao trecho do evangelho sobre os vendilhões do templo.
 
     Para terminar acrescentarei uma citação de São Jerônimo feita por Santo Tomás na Suma Teológica, que certamente nos ajuda a combater uma falsa mansidão propagada pelos maus padres:

Quem se ira sem razão, será culpado; mas quem se ira com razão, não o será, pois sem a ira, a doutrina não se aproveita, os tribunais não subsistem e não se reprimem os crimes”.

     E Santo Tomás conclui:

Logo, irar-se nem sempre é coisa má”. (idem II-II, q. 158, a. 1, s.c.)

 
In Corde Jesu, semper, 
Bruno Oliveira

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