Montfort Associação Cultural

14 de janeiro de 2005

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Experimentação

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vólia
  • Idade: 17
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Religião: Católica

Oi, antes de mais nada, A paz esteja contigo.

Tenho lido essa discussão, (infeliz, eu diria) e acho que há uma maneira de suas respostas virarem argumentos com algum fundamento. Essa maneira é a informação, e nada melhor para obter a informação do que conhecer a fundo o caminho. Como? Com certeza não é através de opiniões de terceiros. Com certeza não é através de livros que dizem que há apostilas do Kiko.

Na realidade, há um livro sobre o caminho Neocatecumenal e este, caso o Sr. queira ler está à sua disposição nas livrarias religiosas.

Mas como eu ia dizendo, nada melhor do que a experiência própria, não acha? Experimente, faça as catequeses….corra trás, se informe vivendo, e depois forme sua opinião que, aliás você mesmo disse que poderia ser revista…

Isso não é uma intimação, e sim um convite. Apenas um ano no catecumenato, pelo menos, e tenho certeza que a graça de Deus claramente vivida em comunidade lhe fará mudar de idéia…

Só uma experiência própria: Tenho 17 anos, faço parte do caminho neocatecumenal há 4 anos e graças ao caminho eu creio em Deus. Você vai me desculpar, mas eu acho que uma missa no domingo, onde você dificilmente se desliga dos seus problemas para ouvir e deixar a palavra de Deus entrar na sua vida, nem sempre é o suficiente para te levar à conversão.

Eu acredito que preparando a palavra escolhida, isto é, lendo-a em grupo, e passando-a para a comunidade junto com a sua experiência pessoal, partilhando o que Deus quer dizer na sua vida com ela faz você perceber melhor e mais claramente a graça, a misericórdia e o amor de Deus na sua vida.

Te convido a experimentar a maravilhosa experiência de caminhar em busca da fé para a conversão, onde Deus te mostra a sua fraqueza como ser humano, mas ao mesmo tempo o poder que Ele te dá para ser uma pessoa melhor.

É maravilhoso viver em comunhão com irmãos que você mal conhecia e depois começa a perceber que a partilha da palavra de Deus te fez amá-los como se fossem da sua família.

Digo isso humildemente, esperando que você desperte a vontade de conhecer melhor aquilo que você tanto julga, seja para criticar (o que eu não acho que iria acontecer) ou seja para experimentar.

Acho que eu não posso ir mais além, senão eu daria meu testemunho por horas e horas e ninguém teria paciência de ler.

E eu queria te deixar claro que não estou aqui para ir contra você, e sim para ajudá-lo. Nós todos somos iguais, ninguém e mais certo e ninguém e mais errado que o outro.

Bom, vou ficando por aqui.

Evenu Shalom Alehem

Vólia

Prezado Vólia, salve Maria.

A sua é a segunda carta que recebo, hoje, de jovens defendendo o Neo Catecumenato.

Você me critica por ter dado uma opinião sobre o Neo Catecumenato baseado num livro, e me afirma que assim não vale. O Catecumenato precisaria ser experimentado para ser compreendido. Experimentando-o, eu verificaria experimentalmente como ele é bom. Como certos xaropes, a experiência apenas daria a certeza de seu poder de cura.

Meu caro e jovem Vólia, eu sou um velho professor, acostumado a ler e a dar valor a livros.

Creio bem que sua experiência juvenil o tenha convencido. Mas, você sabe, os velhos não têm a experiência dos jovens. Peço-lhe, pois, sua compreensão por minha inexperiência em Neo Catecumenato, pelo menos.

Permita-me, porém, ponderar-lhe que quando um movimento tem erros doutrinários, não convém experimentar se os erros condenados pela Igreja são erros mesmo. Temos que crer naquilo que a Igreja aprovou, e condenar o que ela condenou.

Assim, os Papas têm continuamente condenado a tese de que os homens são iguais, e ensinado que somos semelhantes. Então, quando leio, em sua carta, que você defende a igualdade de todos os homens, sei pela leitura das encíclicas papais que isso é um erro. Experiemntei toda a minha vida que não existe a tal igualdade pregada pelo liberalismo e pelo socialismo e condenada, por exemplo, por Pio XI, que ensinou, de modo curto e decisivo: “Não é verdade que, na sociedade civil, todos tenhamos direitos iguais e que não exista hierarquia legítima” ( Pio XI, Divini Redemptoris). E você me escreveu: “Nós todos somos iguais, ninguém é mais certo e ninguém e mais errado que o outro”
Meu caro Vólia, se somos todos iguais e ninguém é mais certo nem mais errado que outros, por que você me criticou?

Pelas cartas dos jovens Neo catecumenais que recebo hoje — engalfinhando-me em meu canto — no movimento não se ensina nem o que os Papas ensinaram, nem lógica.

Com toda minha estima e simpatia,

in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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