Montfort Associação Cultural

11 de outubro de 2004

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“Expansão do Universo é boa para crentes”

É o que afirmam os próprios cientistas.
Otavio Frias Filho escreve para a “Folha de SP”:
A notícia de que o Universo deverá se expandir para sempre não tem, aparentemente, qualquer relevância prática.
Toda a cosmologia trata de fenômenos que se estendem muito além (e aquém) da existência da nossa espécie, para nao mencionar o breve lapso que é a vida de cada um. Que importa?
Mas o experimento agora divulgado, que reforça a hipótese da expansão indefinida do Universo, se não altera nossas vidas, pode alterar nossa visão do mundo.
Assim como a constatação formulada por Edwin Hubble (1889-1953) nos anos 20, de que as galáxias estavam se afastando umas das outras, esta favorece as explicações religiosas sobre o cosmo.
A descoberta de Hubble forneceu as bases para a teoria do Big Bang. O que diz essa teoria?
Que o Universo teve por origem um ponto em que toda a sua massa estava concentrada, gerando uma pressão imensa que deu causa à explosão da qual as galáxias são resultado, afastando-se umas das outras como pedaços de uma bomba detonada.
Aceita a teoria do Big Bang, os especialistas se dividiram em duas correntes.
Conforme uma delas, a massa do Universo seria grande o suficiente para que, após algumas dezenas de bilhões de anos, sua força gravitacional superasse a velocidade de escape das partículas em expansão, provocando uma contração simetricamente oposta à expansão inicial, de modo que o Universo voltasse a se concentrar num único ponto.
Tal concentração só poderia durar uma fração mínima de tempo, pois logo ensejaria novo Big Bang, e assim sucessivamente.
Esse modelo se encaixa numa visão materialista do Universo: ele nunca teve uma criação, expandindo-se e contraindo infinitas vezes, sem começo ou fim.
A outra corrente, ao contrário, defendia a tese de que a massa do Universo não seria suficiente para conter a expansão atualmente em curso, que deverá, portanto, prolongar-se para sempre.
O experimento realizado na Antártida mediu flutuações de temperatura na radiação que é o resquício da explosão inicial do Universo. Conseguiu-se, assim, estimar a densidade original do cosmo.
O resultado obtido favorece a tese da expansão indefinida. Se aceita, ela tende a beneficiar a metafísica religiosa ao situar a origem do Universo não como “eterno retorno”, mas como ato singular, criacional.
Quem dispôs toda a massa do Universo no ponto que deu origem ao Big Bang?
Na hipótese materialista, agora enfraquecida, a resposta seria: o processo expansão/contração dispensa o pronome “quem” da pergunta.
Na hipótese da expansão eterna, qualquer resposta sugere alguma interferência “externa” (divina?), pois se o Universo não é cíclico, se ele tem um único fim no tempo, que é a dispersão de toda a sua energia, então parece lógico que tenha havido um único início.
Má notícia para ateus, boa nova para os crentes.

(fonte: Folha de SP, 28/4)
Evidentemente, a expansão do universo, em si, ou qualquer outro fato científico não explica se há ou não um Deus Criador. É preciso, pois, uma teoria científica para explicar os fatos científicos. E para insatisfação dos materialistas, segundo Karl Popper, eminente filósofo da ciência, toda teoria científica requer pressupostos metafísicos, que fogem do domínio das ciências naturais.
O que ocorre, sim, é que um fato científico pode reforçar ou abalar uma teoria científica, e, consequentemente, um sistema metafísico. Como vimos, as fortes evidências da expansão do Universo enfraquecem ainda mais o sistema metafísico materialista.
Será que agora os ateus se curvarão diante das evidências científicas que eles mesmos divinizam? No mínimo, esparamos que sejam coerentes.
Enquanto isso, nós católicos, contemplamos a Sabedoria de Deus na obra da Criação.

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