Montfort Associação Cultural

6 de junho de 2006

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Ex carcereiro revela as mazelas das penitenciárias

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo
  • Idade: 49
  • Localizaçao: SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Representante Comercial
  • Religião: Católica

Caro professor Orlando
Salve Maria a Agraciada!

Como sempre, todas as vezes que leio algo que o sr. escreve, fico extasiado com a lucidez dos seus argumentos. Percebe-se claramente a transparência das suas intenções: “a verdade sempre”.

Permita-me, caro professor, com os poucos recursos de linguagem que possuo, contar um pouco da minha experiência vivida dentro de uma penitenciária dita de “segurança máxima”, onde exerci a função de agente penitenciário, zelador responsável pela disciplina de pavilhão.

Fui ameaçado de morte por inúmeras vezes. Isto porque minha postura era a mesma de sempre, ou seja: manter a disciplina; respeitar e exigir respeito, permitir somente o que rezava as “normas” de segurança ditadas pelo próprio estado através da ineficiente e corrupta Secretaria da Administração Penitenciária, comandada pelo (já foi tarde) amiguinho dos presos Nagashi Furukawa. Fui criticado por assistentes sociais, psicólogas, chefes de plantão, diretor de disciplina e segurança e , pasmem, até pelo diretor geral da unidade . Diziam estes que, eu deveria “ter jogo de cintura”, deveria “entrar no esquema” e não ser tão “rigoroso” com os presos. E note, caro professsor, que eu somente cumpria com o meu dever.

Nunca aceitei o conselho de fazer conchavos com bandidos, nem com os que estavam atras das grades, e muito menos com os que estavam fora delas (para mim os que me incentivavam a fazer acordos com bandidos, de bandidos não passavam)

Uma ocasião, um padre da pastoral carcerária visitando a unidade, após entrevista com alguns presos exigiu da diretoria a minha saida do pavilhão onde eu ja trabalhava a 4 anos, alegando que eu era muito “duro” com os “reeducandos”. O padre não aceitava que chamassem os presos de presos. Exigiu também que fossem abertas ventanas nas celas disciplinares. Exigiu que os presos que cometeram faltas disciplinares pudessem receber visitas. Enfim, aos “inocentes reeducandos” todos os direitos.

Resumindo professor: a minha insistência em não ceder ao que era errado, levou os presos a arquitetarem a minha morte (hoje tenho dúvidas se não foram incentivados pelos diretores). O plano não se concretizou, creio que pela intercessão da sempre Virgem Maria que me cobriu com seu manto. Hoje estou afastado do serviço público, em tratamento psiquiátrico que me custa só em remédios 180,00 reais. Graças a misericórdia divina, outra porta se abriu na minha vida. Fui contratado por uma empresa de ferro e aço para representa-la no interior paulista, de onde tiro o meu sustento. Que fique claro: nenhum padre, nenhum menbro dos direitos humanos me procurou para saber se precisava de auxílio.

Cedeu-se tanto à bandidagem dentro das cadeias, que aquilo virou um hotel de luxo. Haja visto a enorme quantidade de celulares e armas de fogo encontradas nas unidades amotinadas. E isto eu ja havia previsto a 3 anos atras quando me afastei. Lembro-me das minhas palavras ditas ao diretor de disciplina e segurança da unidade em que atuava, no momento em que o chamava de moleque incompetente e corrupto: “voces estão dando tanto para os bandidos, que vai chegar a hora em que não vão ter mais o que pedir e vão quebrar tudo”. Foi exatamente o que aconteceu. A unidade foi interamente destruida e custara aos cofres
públicos a bagatela de 6 milhões de reais para voltar a funcionar.

O sr tem razão professor. O estado capitulou.

E Deus tenha piedade de nós. Porque se de um lado temos a opção de um PT mensaleiro e corrupto. Do outro temos um não menos corrupto e demagogo Geraldo Alkimim. Este “mauricinho”que levou a segurança pública do estado mais rico da união ao caos total. Com certeza ele é o maior construtor de hotéis de luxo para presos que a história ja conheceu. 

Em tempo: a ordem que partia do sr Geraldo Alkimim era para que fosse atendida as revindicações dos presos para que as cadeias não quebrassem (rebeliões). As custas até mesmo da segurança e das humilhações sofridas pelos funcionários.

Só podia dar no que deu: crime organizado dentro das penitenciárias. E o sr Geraldo Alkimim sabia que a bomba explodiria. Só não queria que fosse no colo dele.

Um abraço caloroso de alguém que não o conhece pessoalmente mas nutre uma verdadeira admiração e respeito pelo sr.
Deus o conserve sempre assim. Com certeza és muito amado por Ele!

Em minhas orações de todos os dias, a montfort é sempre lembrada.
X.

Muito prezado X,
Salve Maria.
 
    Muito lhe agradeço seus comentários sobre meu artigo.
    A impotência da Justiça, no Brasil, é trágica. Ninguém tem coragem de punir. Ainda agora, no julgamnento de uma pessoa que matou os próprios pais, o Brasil assiste um processo que escandaliza e faz desacreditar de toda Justiça.
    Por que tanta fraqueza do poder Judiciário e dos governates?
    Ninguém tem coragem de julgar e de punir porque não se acredita mais na Lei de Deus, na Moral objetiva. E isto também é conseqüência da destruição de valores promovida pelo Concílio Vaticano II.
    Se não há Inferno, se ninguém será punido por Deus, que autoridade na terra terá força para punir.
    Deus o proteja de todos os seus inimigos pelo fato de ter sido fiel à lei.
    Parabéns por sua coragem.
    Um abraço amigo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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