Montfort Associação Cultural

26 de julho de 2005

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Evolucionismo e eugenia

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Norberto Costa
  • Localizaçao: Campinas – SP – Brasil

O Sr. Fábio Vanini realmente não aprende. Muito estranha essa disposição em atacar o Evolucionismo. É atacar o óbvio. O Evolucionismo é sim cientificamente comprovado e inclusive li uma carta de um leitor informando que o Vaticano reconheceu a Teoria da Evolução como científica e plausível, tratando-se bem mais do que uma “hipótese”. O que estranhamente o Sr. refutou, dizendo que o Papa só é infalível em matéria de fé. Mas será? No próprio site, nas suas respostas a leitores, frequentemente cita o Papa como referência, como alguém infalível e indiscutivelmente certo, e não só em matéria de fé. Sinal de que vocês só aceitam o que é conveniente para vocês.
Sobre o Evolucionismo ser racista e eugenista, ele foi mal utilizado por pessoas que falsearam a verdade com objetivos políticos e torpes, como racistas americanos e os nazistas alemães, como o próprio cristianismo já foi distorcido por pessoas mal intencionadas. Darwin era um cristão fervoroso, esperou 13 anos para publicar o livro “A Origem das Espécies” com medo da reação de seus contemporâneos. Ele pessoalmente acreditava em um Criador, apesar de todas as evidências colhidas não se tornou um ateu. Essa sua luta contra o Evolucionismo lembra muito a de seitas evangélicas nos Estados Unidos, que queriam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas para ensinar somente o criacionismo. Eles perderam em todos os tribunais americanos, a ponto de um juiz estadual proferir em uma sentença o que é Ciência, algo que os criacionistas (e o Sr.) parecem não saber… O Evolucionismo pode (e foi) comprovado, é baseado em fatos totalmente demonstráveis, evidentes. O Criacionismo não. É mais uma metáfora contida na Bíblia, entre tantas outras. A própria existência de raças (ou etnias) comprova a Teoria da Evolução, como a capacidade de adaptação a um ambiente e a sobrevivência dos mais aptos.
Esse “combate” contra a Teoria da Evolução e outras verdades científicas os criacionistas perderam faz tempo, e parece que alguns nem se deram conta…
Vendo o Sr. acreditar em Adão e Eva e refutar o contrário com argumentos tão frouxos, temo que também acredite em mula-sem-cabeça, saci-pererê, bicho-papão, papai-noel, santa de medjugore…

Prezado Norberto, salve Maria!

Não acredito em mula-sem-cabeça, saci-pererê, bicho-papão, papai Noel, nem nas falsas aparições de Medjugorje. Por que, então, haveria de acreditar em você?

Aliás, se a evolução caminha por efeitos estocásticos, quem deveria estar preparado para crer nesses seres fantásticos seria você. Ou não, pois ausência de perna em saci ou de cabeças em mulas não é nada adaptativo, é uma redução do fitness.

Meu caro Norberto, não sei onde você conseguiu as provas da evolução, mas, se as tem, cuidado, pois elas valem milhões. Dá para pagar a dívida do PT e ainda sobra…

Veja como você não compreende a teoria da Evolução realmente, ou como você foi enganado por Darwin: “A própria existência de raças (ou etnias) comprova a Teoria da Evolução”, diz você. Ora, a existência de raças não prova nada. Menos ainda é uma evidência. Raças são populações com certa unidade fenotípica, sob um certo isolamento (geográfico, ecológico, etc, ou mesmo genético). São variações intraespecíficas que mantém as características da espécie. Da existência de raças para a veracidade de eventos de especiação há um salto taxonômico impróprio. Raças são uma unidade arbitrária e espécies formam uma unidade real, com mecanismos complexos de isolamento reprodutivo.

Outro erro grave: afirmar que fatos da evolução são demonstráveis. Um dos maiores entraves da teoria de Darwin é o fato dela não ser falseável, testável ou demonstrável. Para isso, seria necessário algumas centenas de milênios, e não reprodutíveis, nem mesmo no mais equipado laboratório.

Meu caro Norberto, quem te ensinou que há provas demonstráveis de evolução te enganou. Melhor procurar outra religião.

Mas, falando em religião, você afirma que o “cristianismo já foi distorcido por pessoas mal intencionadas”. Então você concorda que há um cristianismo correto, defendido por pessoas bem-intencionadas? Ora, esse cristianismo é contra a evolução, mesmo sendo essa uma tese científica.

A Religião Católica, o verdadeiro e único cristianismo, é contra a teoria de Darwin, mesmo que você diga que ele foi um cristão devoto. Desde os princípios às conseqüências, o evolucionismo é falso e, por isso, perigoso para a fé e para a moral. O evolucionismo exige que não haja uma identidade do ser, mas uma dialética metafísica. Disso, Darwin não tratou, pois era um “cientista”, embora “cristão”. Não é sem razão que uma infinidade de doutrinas esotéricas, filosofias de todos os naipes, ideologias e religiões adotaram o evolucionismo. Ele é uma roupagem científica para uma doutrina metafísica.

Quanto ao Papa não se pronunciar infalivelmente com relação ao evolucionismo, desconsiderando sua ignorância sobre o tema, havemos de lembrar que o Papa não erra somente quando se pronuncia sobre Fé e Moral, em certas condições. Sobre o darwinismo, o papa pode errar por se tratar de uma tese científica. Tanto as declarações de outros papas sobre o tema não importam, que o Papa Bento XVI, logo no início de seu pontificado já desqualificou a teoria da evolução, quando disse: “Não somos o produto casual e sem sentido da evolução.” (Bento XVI, homilia de 25/4, início de seu pontificado). Declarações como essas têm um peso para o católico por terem sido ditas pelo Sumo Pontífice, a maior autoridade da Igreja. Mas não são de adesão obrigatória.

Tratemos agora do naturalista Charles Darwin. Você o absolve, inocentemente, crendo na santidade desse anglicano – que na verdade pertencia à seita dos Unitarianos, fundada pelo avô Erasmus. Ora, se a eugenia e o racismo fossem apenas uma “conseqüência inconseqüente” da teoria da evolução das espécies, não poderíamos encontrar nem resquícios desses crimes na vida do naturalista inglês. Contudo, como se explica o fato de seu avô, de seu filho Major Leonard Darwin e outros seis (pelo menos) membros de sua descendência serem eugenistas? Os últimos sete eram membros de carteirinha da Sociedade Eugenista Britânica. Os maiores teóricos da Evolucao, incluindo a maioria dos mentores da Nova Síntese – como Mayr, Sewall-Wright, Fisher, Haldane, Morgan, Ford – e outros como Spencer, Bateson, de Vries, Jean Rostand, Julian Huxley, Francis Crick, etc. ao menos em algum momento fizeram parte de alguma sociedade eugenista. Se todos estes forem mal intencionados, como podemos aceitar de coração aberto o que fizeram em defesa da teoria de Darwin?

Mas, para não deixar escapar o próprio Charles Darwin, tratemos do livro “A Descendência do Homem”.

Nesta obra, claramente lamarckista, ele escreve que:

“[A multiplicação do homem] deu origem a várias raças, algumas das quais diferem tanto umas das outras, que várias vezes foram consideradas pelos naturalistas como distintas espécies”.

Ou ainda:

“e podemos traçar uma graduação perfeita entre o espírito de um completo idiota, inferior ao de um animal colocado muito abaixo na escala, até o espírito de Newton”; “nós descendemos de selvagens” e “nossos antepassados se assemelham a estes” (ao ver um grupo de selvagens fueguinos numa praia – ou seja – aqueles selvagens seriam humanos em estágio menos avançado de evolução); “Quem viu um selvagem na sua terra não se sentirá muito envergonhado ao ter que lhe corre nas veias o sangue de um ser ainda inferior. Por minha parte eu preferiria ser um descendente daquele heróico macaquinho que enfrentou o inimigo terrível para salvar a vida de seu guardião (…) antes de ser um descendente do selvagem que se deleita na tortura do inimigo, que faz ofertas sangrentas, pratica o infanticídio sem remorsos, trata suas esposas como escravas, não conhece decência e é perseguido pelas superstições mais grosseiras” (“A Descendência do Homem“, 1871).

Não há como negar que há uma relação direta e estreita entre eugenia e darwinismo. Portanto, como cristão, Darwin foi um ótimo criador de pombos. Sua teoria não foi mal utilizada, mas mal nascida.  A derrota do criacionismo sentenciada por um juiz, pela revista “Galileu”, “Scientific American” ou pela maioria dos cientistas não vale nada. Se todos eles proclamarem a uma só voz que o sol é gelado, a estrela continuará queimando.

O cientista procura descrever a ordem do universo, observa a engenharia e mede a proporção áurea dos seres, constata a utilidade da natureza, se agrada em saber tudo isso e ainda tem coragem de afirmar que é obra do acaso? O taxonomista sabe que a espécie é uma unidade real na natureza e que, por isso, cada ser vivo produz descendentes de sua própria espécie; o ambientalista sabe que se a temperatura média da terra aumentar em 1o C, há uma catástrofe mundial “tsunamica”; o bioquímico sabe que a quiralidade das moléculas orgânicas na natureza é completamente diferente da existente nos seres vivos e que, também por isso, não pode haver uma relação de causa e efeito entre meio abiótico e a vida; o sociólogo sabe que toda organização supõe um organizador; todo cientista sabe que uma lei exige um legislador; e os cientistas modernos, cegos ao meio-dia, insistem em louvar a esse Buda decadente – Darwin – um santo oco e fragilizado, resistindo apenas pela propaganda e pela maquiagem.

Se quiser saber mais sobre o criacionismo, sem o ódio próprio do evolucionista apaixonado, abra os olhos e nos escreva sobre o assunto, tratando da sua dúvida especifica.

No Coração de Maria Santíssima,

Fábio Vanini

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