Montfort Associação Cultural

28 de novembro de 2011

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Evolucionismo – Argumentos incorretos

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Gil Cleber Duarte Carvalho
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Religião: Evangélica

Passei os olhos por alguns trechos do artigo “Evolucionismo: dogma científico ou tese teosófica?“, assunto de meu interesse, e numa breve leitura percebi vários erros de abordagem, erros, diga-se de passagem, tão grosseiros que me espanta que dois dos que assinam o texto sejam biólogos!

Vamos a breves comentários sobre alguns dos trechos.

TEXTO:
Os manuais escolares (…) costumam apresentar o aparecimento dos seres vivos numa seqüência que insinua a verossimilhança da evolução. Assim, dizem eles que os primeiros seres vivos de que se tem notícia são seres unicelulares, depois, teriam surgido os metazoários, os animais de corpo mole, os animais de carapaça, os insetos, os vertebrados, os anfíbios, os répteis, as aves, os mamíferos, e, por fim, o homem. Porquê a evolução teria parado no homem, eles não explicam.

CRÍTICA:
Trata-se de um conceito completamente errado afirmar que a evolução parou no homem, e os “biólogos” que assinaram o artigo deviam saber disso. Do ponto de vista evolutivo não é correto dizer que uma espécie é hoje mais evoluída que outra, todas são igualmente evoluídas pois, perfeitamente adaptadas ao seu habitat, permanecem, ou seja, não se tornaram extintas. Isso significa que todas obtiveram igual sucesso na luta pela vida. Dizer que o homem é o mais evoluído é assumir uma postura antropocêntrica, fundamentada numa escala de valores estritamente humana. Isso não é atitude científica, logo, o argumento é inteiramente inválido!

TEXTO:
Inicialmente, Darwin e seus seguidores buscaram o elo entre o macaco e o homem.

CRÍTICA:
Gostaria que citassem em que trecho das obras de Darwin ele afirma buscar o elo entre o homem e o macaco. Até onde sei, Darwin jamais afirmou que o homem veio do macaco. A teoria da evolução postula que de uma espécie ancestral originaram-se, por um ramo, o homem, por outro os macacos. Portanto a frase acima é incorreta, e, mais uma vez, fica invalidada a informação contida no corpo do artigo. Um artigo que se pretende crítico dever-se-ia pautar pela exatidão das idéias e conceitos emitidos. Se não o faz, torna-se tendencioso e suspeito.

TEXTO:
O texto refere diversas fraudes envolvendo os fósseis.

CRÍTICA:
Temos aqui uma evidente falácia lógica, haja vista que as fraudes não invalidam a teoria. Digamos que eu seja membro de um concelho de uma dúzia de pessoas, todas trabalhando para um determinado fim. Digamos que, ao contrário dos demais membros, eu esteja mal intencionado e cometa uma fraude nos pareceres emitidos pelo concelho como um todo (digamos que minha fraude consista em distorcer habilmente, na redação final do parecer emitido, alguns conceitos formulados). Minha fraude significa apenas que eu sou o mal-intencionado, mas não que todos o sejam. Uma vez que o texto original seja comparado com minha versão fraudulenta e corrigido, a integridade do concelho como um todo está restaurada.
As fraudes citadas (e nem todas citadas ali foram fraudes, algumas foram apresentadas de forma falaciosa para parecerem fraudes a pessoas mal informadas) demonstram claramente que a ciência é uma coisa séria: os cientistas sérios estão sempre prontos a rever uma teoria quando ela se apresenta duvidosa, e não hesitaram, p. ex., em revelar que o homem de Piltdown era um engano fraudulento. Portanto citar fraudes, hoje em dia, para atacar a evolução é um tiro que sai pela culatra.
Curioso é que o texto não se mostra imparcial. Por que não citam, p. ex., o ambulocetus como uma prova de espécie transicional para as baleias? Os criacionistas atacavam a tese evolucionista de que o ancestral das baleias vivera em certa época na terra. Mas, por fim, vários fósseis foram encontrados de baleias (cetus) com pernas. E então?

TEXTO:
Com a aparição da tese herética de Darwin — e herética porque negadora de que há um só Deus “criador de todas as coisas visíveis e invisíveis” — logo surgiram católicos que procuraram defender uma conciliação entre o evolucionismo darwinista e o catolicismo.

CRÍTICA:
Em momento algum a teoria de Darwin afirma que Deus não existe, ou nega que Deus seja criador de todas as coisas, ou nega a unicidade de Deus.
A teoria de Darwin, como qualquer teoria científica, busca uma causa natural para o fenômeno da diversidade das espécies. Afirmá-la herética por causa disso é o mesm que afirmar que a teoria do eletromagnetismo de Maxwell é herética por ser descrita por um conjunto de equações e não por frases do tipo “o eletromagnetismo é propiciado pela palavra de Deus, os efeitos da eletricidade e do magnetismo são resultado da vontade de Deus”, ou similares.

CONCLUSÃO:
A evolução é uma teoria que se encontra hoje amplamente comprovada pelos estudos da genética ou seja, a evolução está escrita nos genes, coisa que os “biólogos” que assinam o texto deveriam saber. Por exemplo, com o mapeamento do genoma neandertal sabe-se hoje que se tratava efetivamente de uma espécie diferente do homem moderno, que no entanto conviveu com ele e até manteve contato sexual, gerando descendentes. Afirmar isso há trinta anos seria tido como loucura evolucionista, hoje os estudos do DNA mostram que é fato, e não mais teoria.
Hoje, se existe alguma chance de avanço na medicina para buscar com mais eficiência a cura do câncer, da AIDS e de outras doenças, conforme Carl Zimmer, é graças ao conceito de evolução.
Por último, aqueles (fixistas) que pretendem amarrar Deus ao que estritamente está no Gênesis simplesmente são incapazes de perceber a grandiosidade da mente divina. Se Deus, como disse Einstein, não joga dados, também não faz truques de ilusionismo tipo “tirar tudo do nada”.
Infelizmente, textos pseudo-científicos como o ora criticado, e que vêm com o aval de “biólogos” (falácia lógica: apelo à autoridade), só servem para desinformar e em nada contribuem para o avanço do conhecimento.


Prezado Gil, salve Maria!

 


     Sua missiva somente poderia vir de algum frequentador do meio acadêmico. Com mesma mentalidade que a sua vi, no ambiente universitário, muitos outros fiéis devotos dessa religião fundada no Iluminismo, chamada “ciência moderna”, filha do Renascimento. Sua argumentação obtusa e furibunda o denuncia.

     A defesa do evolucionismo, há muito, carece de novidades. Precisa “evoluir”. A começar assumindo que trata-se de uma teoria. Não conheço um evolucionista sincero que trate por mera interpretação um resultado de alguma pesquisa. Ao contrário, parece que a teoria Evolucionista nasceu comprovada, a ponto de ninguém ser livre de contestá-la.
     Além disso, espanta-me alguém do meio cientifico excluir a validade de um argumento por ser ele “antropocêntrico”, como foi dito. Argumentos validam-se por serem “certos” ou “errados” de acordo com sua objetividade e lógica interna, somadas à coerência com a realidade e não conforme sua referência. E, por acaso, a sua ciência moderna não é antropocêntrica? É o que então? “Universocêntrica”? Foi a ciência moderna que tirou Deus e pôs o homem no centro de tudo. Basta considerar qual o objetivo da ciência moderna, senão ter o conhecimento total e supor que a razão humana pode realmente explicar tudo por si só, dominando em absoluto tudo o que existe. Fugir disso, ou se cai num niilismo suicida ou se retorna ao teocentrismo. Escolha.


     Em se tratando de seu primeiro argumento, é mais do que óbvio que os vírus e bactérias mais simples seriam, para a mentira evolucionista, seres mais semelhantes aos primeiros seres vindos do meio mineral, do que homens. Não chamamos em momento algum os homens de “mais evoluídos”. Isso, você supôs por sua conta e risco. E perdeu. Mesmo se chamássemos homens de “mais derivados” ou “apomórficos”, estaríamos tratando do mesmo problema que é o fato dos evolucionistas em geral não questionarem o que viria depois do homem. Isso é um problema muito mais amplo do que o mero darwinismo. Nietzche ainda espera os “super-homens”. Hitler os encontrou entre os alemães mais puros. O que você supõe ser a ainda ativa “eugenia” – com seu controle de natalidade, aborto, terapias genéticas, uso de embriões humanos, etc – que deu à teoria da Evolução tantos expoentes importantes, principalmente na área de genética. Você deve usar vários livros e teorias de eugenistas famosos e nem se deu conta disso. Há outros casos, mas paremos por aqui.

 

     Você nos desafia a dizer que Darwin não procurava um elo perdido entre o homem e o macaco. Cito:

“(…) Por minha parte eu preferiria ser um descendente daquele heroico macaquinho que enfrentou o inimigo terrível para salvar a vida de seu guardião, ou então daquele velho bugio que desceu das montanhas para arrastar consigo triunfalmente seu jovem companheiro dentre cachorros pasmados; antes de ser um descendente do selvagem que se deleita na tortura do inimigo (…) (Charles Darwin, in “A Descendência do Homem”, apud Julian Huxley, in “O pensamento vivo de Darwin”).

     Darwin ainda queria poder escolher sua ascendência…
     Precisa de mais?

     Supondo que já Charles Darwin tivesse afirmado que os homens não descendem de macacos, mas de um “ancestral comum”, que é o que os esclarecidos evolucionistas universitários tem de argumentos mais “agudos”, o que seria esse avô do homem, senão um macacóide? Certamente, não seria um asinino, ainda que sejamos tentados a pensá-lo.

     Quanto ao fato das fraudes não invalidarem por si só a teoria, isso é verdade, nunca dissemos o contrário. Porém, há que se considerar porque tratou-se do fato:

1° – porque, na falta de evidências reais, o desespero levou às fraudes;

2° – para que não se creia que muitas das “evidências” que aparecem nos livros didáticos sejam tomadas por verdadeiras;

3° – para que não se acredite subitamente em qualquer nova “evidência” que apareça nos jornais ateizantes, aflitos para atacar a Igreja Católica e manter de pé essa ideologia;

4° – para que fique patente que a ciência moderna não é, nem de longe, imparcial, impoluta e certa;

5° – para mostrar que, mesmo já desmascaradas, faz-se questão de se continuar a propagar as fraudes e esconder as denúncias, pois muitos ainda poderão ser enganados com isso;

6° – para usar do nosso direito à legitima defesa, pois as fraudes apontadas visam atacar a doutrina católica.

     Portanto, não é uma fraude que invalida uma teoria, mas a falta de evidências e provas. Mas, que as fraudes a abalam, isso é inegável.

 

     Quanto aos supostos fósseis transicionais, meu caro Gil, devo adverti-lo que o Ambulocetus, não o é, pois trata-se de uma espécie. Fósseis transicionais seriam fósseis de baleia com uma gradação entre algo que não é mais pé nem ainda é uma nadadeira, ou vice-versa. Isso deveria ser extremamente abundante na natureza, tanto quanto são os fósseis. E isso não é o que ocorre. Se não fosse a ausência de fósseis transicionais, não seria necessária a criação do “Equilíbrio pontuado”.
     Além disso, nunca duvidei da existência do Ambulocetus. Aliás, poderia citar outros fósseis interessantes, como o ainda vivo Celacantus, que é um problema para a evolução, pois é igual aos seus fósseis de milhões de anos atrás, mesmo com seu aspecto “transicional”. Poderia citar outros, se quiser.

     Com relação a nossa acusação de que a tese de Darwin é herética, isso não significa que Darwin duvidava da existência de Deus. O que Darwin propôs e todos engolem sem mastigar vai frontalmente contra diversos artigos do Credo, contra a doutrina católica, contra a fé e a revelação. Por isso é herética. Ela leva ao ateísmo, a negação do pecado original, ao poligenismo, a desnecessidade da redenção, relaxamento moral, etc. Tudo isso além de ser contraria à realidade e à razão.
      Aliás, espanta-me você se classificar como evangélico. Ou melhor, não me espanta tanto assim…

    Quanto à dita comprovação da evolução pelas recentes descobertas da genética, isso mostra como:

1° até então, não estava comprovada. Logo, temos razão em nossa argumentação.

2° os que a consideram como comprovada caíram facilmente no velho sofisma dos neodarwinistas, de que a “macroevolução” é igual a “microevolução”. Essa mentira está no cerne de tudo, como já tratamos em outras cartas.

3° é muito fácil enganar quem está desesperado para não ter um compromisso moral com Deus, ao aceitar que a genética tem realmente competência para medir a evolução simplesmente comparando genomas.

     Além disso, é muito simples chamar Neandertais de outra espécie usando conceitos materiais falhos de espécie. Não há um conceito de espécie operacional que satisfaça inteiramente a biologia, mas há muitos conceitos diferentes a disposição dos cientistas evolucionistas, conforme a conveniência ideológica – e os milhares de dólares por trás, além da pressão da mídia.

      Para encerrar: quanto a nossa incapacidade de compreender a grandiosidade da mente divina, que tudo tirou do nada, aqui tenho que dar meu braço a torcer. Finalmente, você tem razão. Somos incapazes, reconheço. Ponto para você.

No Coração de Maria Santíssima,
Fabio Vanini

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