Montfort Associação Cultural

22 de novembro de 2004

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Eucaristia para adúlteros?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Luiz Fernando
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Católica

Caríssimo Orlando

Recebí sua mensagem sobre a indossulibilidade do casamento. Estopu covnencido de que a Igreja tem suas regras e que os católicos que a elas aderiram o fizeram “sponte sua”. Não se pode mudar as regras porque aqueles que a elas aderiram as romperam.

Contudo, deixo-lhe uma pergunta no ar. Só não há perdão para o pecado cometido contra o Espíerito Santo. Como poderemos falar com estas pessoas sobre O DEUS DA VIDA e lhes negar A FONTE DA VIDA? Não estou convencido de que seja possível permitir seja concedida a eucaristia a tais casais. Contudo, integrá-los na comunidade, inclusive nos círculos bíblicos de que participam os integrantes dos grupos de Encontro de Casais com Cristo, é iniciativa da qual não me afasto, seja qual for o argumento dos que possam pensar diferentemente.

A paz de Cristo. Agradeço sua atenção
Um abraço Luiz Fernando

Prezado Luiz Fernando, salve Maria.

Apesar de me alegrar com sua concordância em relação à indissolubilidade do vínculo conjugal, que aliás é exigência absoluta da doutrina católica, me espanta que você caia em contradição com esse ponto da doutrina católica ao dizer que nada o convencerá de que quem viola esse princípio da doutrina da Igreja deve ser aceito naquilo que hoje se chama “comunidade”. Você fala como se o adultério fosse coisa de somenos importância e não um gravíssimo pecado público.

Parece-me que você embaralha a questão do perdão com a da aceitação de adúlteros, como se eles já estivessem não apenas perdoados, mas não mais vivessem nesse estado público de pecado.

Com efeito, só o pecado contra o Espírito Santo não tem perdão, e o pecado de adultério não é contra o Espírito Santo.

Entretanto, isso não significa que se deve aceitar um casal que viva em pecado público de adultério como qualquer pessoa que viva em estado de graça, nem muito menos a receberem a eucaristia. Receber a hóstia consagrada em pecado mortal é sacrilégio. Um casal que vive em adultério ou amasiado está em pecado mortal, e nunca se pode dar-lhe a comunhão, pois São Paulo nos ensina: “Examine-se pois a si mesmo o homem e assim coma deste pão e beba deste cálice, porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor” (I Cor. Xi 28-29)

Então, não temos o direito de contrariar o que ensina a Escritura nessa questão.

Nem mesmo convém receber tais pessoas num “circulo bíblico” para Encontro de Casais, como você diz. Porque, se for assim, se estará incentivando o adultério, como se nele não houvesse culpa alguma.

E como se estudaria bem a Sagrada Escritura — que condena o adultério — permitindo que se viole aberta e publicamente o que ela ensina?

Admira-me ainda que você diga que esta “é iniciativa da qual não me afasto, seja qual for o argumento dos que possam pensar diferentemente.”

Se você coloca sua opinião como algo de que você não se afasta, qualquer que seja o argumento dado – ainda que seja a palavra de Deus na Sagrada Escritura – de que adianta a você frequentar um círculo bíblico e o encontro de casais? Você só admite sua opinião, e não o que ensina a Igreja Católica e o que Deus revelou.

Vejo, em sua contradição, o mal que fazem os tais círculos bíblicos sem segura orientação eclesiástica, isto é, fazendo uma leitura superficial e só curiosa da Bíblia, sem orientação de um sacerdote prudente, aplicando em concreto o livre exame preconizado pelo heresiarca Lutero. Dar a Biblia na mão de pessoas sem preparo, permitindo-lhes que a interpretem à vontade, é favorecer o livre exame e difundir uma mentalidade protestante que coloca a própria opinião acima do que ensina a Igreja e a Sagrada Escritura.

Espero que você reflita melhor e deixe de considerar sua opinião como fonte da verdade. Só Deus e a Igreja são nossas fontes da verdade.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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