Montfort Associação Cultural

23 de novembro de 2004

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Eucaristia na mão ou na boca?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Geraldo
  • Idade: 25
  • Localizaçao: Londrina – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Professor Orlando Fedeli, que a Virgem Santíssima lhe proteja sempre.

Recorro ao senhor porque esta dúvida me aflige. Sou paulista mas moro atualmente na cidade paranaense de Londrina. Lá em São Paulo (pelo menos não me lembro) nunca vi ninguém receber a Eucaristia diretamente na boca, embora eu soubesse que é possível e que era o costume antigo, uma vez que meu pai, quando criança, recebia a Eucaristia na boca. Todavia, aqui em Londrina, percebi que algumas pessoas recebiam a Eucaristia diretamente na boca. Para mim não foi espanto porque, como já disse, sabia que era possível. O que me espantou foi que muitas das pessoas que recebiam a Eucaristia nas mãos lambiam-nas depois de levarem a Hóstia à boca. Quando digo “lambiam-nas” é porque literalmente lambiam a mão. Mesmo. Claro, lambem-nas para que não reste nenhuma partícula do Santíssimo Corpo do Senhor em suas mãos. Mas seria isso necessário? Não seria mais fácil receber a Eucaristia na boca? Então comecei a me perguntar se o mais correto não seria realmente receber a Eucaristia diretamente!

na boca. Um dia tomei coragem e a recebi sem tocá-la. Depois daquele dia nunca mais a recebi pelas mãos.

E eu lhe pergunto, professor Orlando, quem está certo, ou então, quem está mais certo?

Já li algo a respeito, mas queria que o senhor esclarecesse de uma vez por todas a questão.

Obrigado.

Glória a Deus, à Virgem Santa e à Santa Igreja.

Muito prezado Geraldo, salve Maria!

Sua pergunta é muito importante, para muitas pessoas, de modo que, embora eu já a tenha respondido em outras ocasiões, repito a resposta. para ajudar a muitas pessoas.

Entre os abusos que se introduziram após o Vaticano II e a reforma litúrgica de Paulo VI — que consistiu, segundo o Cardeal Ratzinger, na “fabricação” de uma Nova Missa — um desses abusos foi o de dar a comunhão na mão.

A princípio, se determinou que seria possível dar a comunhão na mão, para quem preferisse assim. Era uma concessão e uma exceção. Depois, se instituiu, — por vezes aos gritos — que a comunhão só podia ser dada a quem ficasse de pé, e recebesse a comunhão na mão. Por vezes, impondo aos gritos esse abuso. Outras vezes, impondo-o “suavemente“, em nome da “obediência”.

Quem insistia em comungar de joelhos era bem maltratado.

(Ainda esta semana, um jovem conhecido meu, que se colocou de joelhos, para comungar, foi publicamente humilhado por um sacerdote, em São José dos Campos, que recusou dar-lhe a comunhão, por causa disso).

Não importa que a Santa Sé tenha determinado que é um direito do fiel receber a comunhão de joelhos e na boca. Alguns padres, infelizmente, se acreditam donos da Missa e da liturgia, assim como senhores da lei.

Que comungar na boca é mais perfeito, é evidente, pois evita muitas possibilidades de sacrilégio, pela perda de partículas consagradas, já que Nosso Senhor está inteira e realmente presente, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, em qualquer partícula da Hóstia Consagrada. Além disso, receber a comunhão na mão facilita o roubo de Hóstias consagradas, para serem usadas em cerimônias satânicas, a fim de serem propositalmente profanadas. E isso não é tão incomum.

A razão profunda pela qual se forçou, contra o costume e contra o que a Igreja determinara, a recepção da comunhão na mão, foi que isso sugeria que não há diferença entre a mão do sacerdote e a mão do simples fiel.

Queria-se dar a entender que o fiel é igual ao padre, ou pior, que o padre é igual ao fiel, que “o padre é um homem como qualquer outro. O padre não é um homem como qualquer outro“. O sacerdote é um homem que tem, na alma, a marca indelével de sacerdote de Cristo, e de sacerdote “in aeternum”. Desse erro de querer considerar o sacerdote como um simples homem, e “como qualquer outro”, se pretende tirar duas conseqüências péssimas: 1) Se o padre é igual a qualquer pessoa, qualquer pessoa poderia rezar a Missa.

Daí a proliferação, abusiva, de ministros e ministras da Eucaristia, as chamadas Missas secas ou celebrações dominicais sem padre, o fazer até mulheres ler a Epistola e o Evangelho, etc.

No etc. se inclui um caso a que assisti, quando rezava o terço numa igreja de um bairro, aqui, em São Paulo.

De repente, entrou o Padre para rezar a Missa, mas ele entrou acompanhado de duas senhoras paramentadas quase como padres, uma portando o Missal e a outra portando outro objeto. Um absurdo que agrada velhas beatas de sacristia, e as famosas “gerentes de paróquia” — porque há, infelizmente, hoje, “mulheres-gerentes de paróquia”. E tirânicas! E até bem tirânicas!! — Paremos por aqui!!! — mas um abuso, um erro, e pior uma coisa que contraria a doutrina, o costume e a lei da Igreja.

2) Segunda conseqüência lógica, se o padre é “um homem como outro qualquer”, porque o padre não pode ter… sogra, porque o padre não pode casar como “um homem qualquer”?

Exatamente porque o padre não é um homem qualquer.

Voltemos à sua pergunta: porque é melhor receber a comunhão na boca?

Já lhe mostrei os males decorrentes de receber a comunhão na mão.

Vejamos agora por que é melhor receber a Hóstia consagrada na boca.

É melhor receber a comunhão sobre a língua, porque a língua é o órgão da palavra, e Cristo é o Verbo, a Palavra de Deus encarnada. Nada mais próprio, então, do que receber o Verbo de Deus encarnado, presente realmente na hóstia consagrada, sobre a língua, que deve ser órgão da verdade. E Cristo é a Verdade.

Nossa língua deve ser o trono da Verdade encarnada, Cristo, Deus e Homem, assim como o trono da verdade comum.

Se a mão é o meio que normalmente se usa para fazer as coisas, a língua é o órgão que expressa o pensamento. Ora, o pensar é superior ao fazer, e portanto a língua é mais nobre que a mão.

Alguém poderia dizer que São Tiago (Ep.de São Tiago, III) previne contra os pecados cometidos pela língua, as mentiras, as murmurações, as calúnias e as heresias que a língua pode exprimir, e que levam mais à perdição do que as obras das mãos. A língua , lembra São Tiago, é capaz de bendizer a Deus e de maldizer do próximo (Cfr. Tg. III, 9). Por isso mesmo, então, a língua é mais nobre, porque só o que é capaz do pior é capaz do melhor. E se a língua é órgão mais fácil para pecar, ela é que precisa de mais remédio.

A princípio, dava-se a comunhão na mão, mas os abusos que isso permitia fizeram a Igreja logo mudar a forma de recepção da Hóstia consagrada, determinando que ela fosse dada na boca. Creio que já no século IX, um Concílio, em Reims proibiu que fosse dada a comunhão na mão.

Por tudo isso, sem desrespeitar o sacerdote, receba a comunhão sempre na boca, e estando você de joelhos, para expressar claramente a fé na presença rela de Cristo na Eucaristia. Isso é um direito do fiel, como ainda recentemente reconheceu a Santa Sé.

Esperando tê-lo atendido, me subscrevo cordialmente

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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