Montfort Associação Cultural

20 de junho de 2005

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Estudos do Vaticano sobre a Inquisição

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ricardo
  • Idade: 15
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Religião: Católica

Caríssimo Orlando Fedeli,

Acompanho as publicações da Monfort quase diariamente, e devo congratulá-los pela competencia com que defendem a fé ortodoxa nestes dias de barbárie intelectual e moral. Costumo visitar sites das mais diversas orientações espirituais, para que possa melhor conhecer e, assim, defender a Igreja Católica de seus detratores. Porém, tenho poucas informações sobre a inquisição e busco alguns esclarecimentos. É veraz a existencia de instruentos de tortura utilizados pela Igreja? Qual a verdadeira história da Inquisição Espanhola [apontada por muitos como a mais violenta delas]?

Abaixo transcrevo um texto do Centro Apologético Cristão de Pesquisas que presumo ser mentiroso, nada concluindo, no entanto, devido minha falta de contra-argumentos. Gostaria de ver seu comentário.

A propósito, onde eu poderia adquirir o Liber Sententiarum Inquisitionis de Bernardus Giudonis?


CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS – CACP

INSTRUMENTOS DE TORTURA DA IDADE MÉDIA

Finalidades dos Instrumentos:

No seu “Livro das Sentenças da Inquisição” (Liber Sententiarum Inquisitionis) o padre dominicano Bernardo Guy (Bernardus Guidonis, 1261-1331), “um dos mais completos teóricos da Inquisição”, descreveu vários métodos para obter confissões dos acusados, inclusive o enfraquecimento das forças físicas do prisioneiro”.

Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura:

a manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas;

ferro em brasa sob várias partes do corpo;

rolar o corpo sobre lâminas afiadas;

uso das “Botas Espanholas” para esmagar as pernas e os pés;

a Virgem de Ferro (vide figura 2) : um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima;

suspensão violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas;

chumbo derretido no ouvido e na boca;

arrancar os olhos; açoites com crueldade;

forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos;

engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e urina;

a “roda do despedaçamento (vide figura 8) funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges;

o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo das vítimas;

o “esmaga cabeça” (vide figura 10) era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.

CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS

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© Copyright CACP 2003

Pr. João Flávio & Presb. Paulo Cristiano

Muito prezado Ricardo, salve Maria !

Sobre a Inquisição, tenho recomendado que se leia o livro do Professor João Bernardino Gonzaga A Inquisição em seu Mundo, no qual ele demonstra como a tortura era usada por todos os governos. Aliás, ela foi usada comumente por todos os estados até o século XIX, oficialmente.

E será que hoje ela não é usada ?

A Imprensa está cheia de denúncias de que ela ainda é usada. O Cardeal Mindzenty foi barbaramente torturado pelos comunistas, e disso pouco se fala. Como se fala pouco que a Igreja –e através da Inquisição — foi a primeira instituição a não reconhecer como válidas as confissões obtidas sob tortura.

No livro La Vera Storia dell Inquisizione de Rino Camilleri (Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001) se pode ler: “Onde mais se escurece o negrume da lenda [sobre a Inquisição] é quanto à tortura. Também aqui, porém a inquisição revela uma insuspeitada modernidade. Antes de tudo, deve ser dito que a tortura — como meio de interrogatório e também como pena — era usada normalmente na justiça do antigo regime. O primeiro monarca a abolir a tortura foi, de fato, Luis XVI, no fim do século XVIII” (Rino Camilleri,.La Vera Storia dell ´Inquisizione, Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, pp. 45-46).

E ainda:

“As fontes [históricas] demonstram muito claramente que a Inquisição recorria à tortura muito raramente. O especialista Bartolomé Benassa, que se ocupou da Inquisição mais dura, a espanhola, fala de um uso da tortura “relativamente pouco frequente e geralmente moderado, era o recurso à pena capital, excepcional depois do ano 1500″. O fato é que os inquisidores não acreditavam na eficácia da tortura. Os manuais para inquisidores convidavam a que se desconfiasse dela, porque os fracos, sob tortura, confessariam qualquer coisa, e nela os “duros” teriam persistido facilmente. Ora, porque quem resistia à tortura sem confessar era automaticamente solto, vai de si que como meio de prova a tortura era pouco útil. Não só. A confissão obtida sob tortura devia ser confirmada por escrito pelo imputado posteriormente, sem tortura (somente assim as eventuais admissões de culpa podiam ser levadas a juízo). (Rino Camilleri,.La Vera Storia dell ´Inquisizione, Ed Piemme, Casale Monferrato, 2.001, p.p. 46-47).

Ainda agora o vaticano ditou um estudo pormenorizado sobre a Inquisição que desfaz muitas das lendas sobre as mortes na Inquisição. Transcrevo para você o que foi noticiado sobre esse novo livro:

Quarta-feira, 16 de junho de 2004 10h04


Estudo do Vaticano diz que Inquisição matou menos do que se pensava
VERITY MURPHY da BBC, em Londres O Vaticano publicou um novo estudo sobre os abusos cometidos durante a Inquisição que traz uma conclusão surpreendente: os julgamentos por heresia não eram tão brutais quanto se acreditava.

Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição, que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história.

O editor do novo livro, professor Agostino Borromeo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos.

Apesar disso, o papa João Paulo 2º novamente pediu desculpas pelos excessos dos interrogadores, expressando pesar por “erros cometidos a serviço da verdade por meio do recurso a métodos não-cristãos”.

O papa, porém, não ultrapassou a regra da igreja segundo a qual os pontífices não criticam os seus predecessores. O papa Gregório 9º, que criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia (a negação da verdade da fé católica), não foi mencionado no comunicado.

Hereges

Após a consolidação do poder na Europa da Igreja Católica Romana, nos séculos 12 e 13, ela estabeleceu a Inquisição para assegurar que os hereges não minassem a sua autoridade.

O sistema tomou a forma de uma rede de tribunais eclesiásticos com juízes e investigadores.

As punições aos condenados variavam de visitas forçadas à igreja ou fazer peregrinações até a prisão perpétua ou execução na fogueira.

A Inquisição estimulava delações, e os acusados não tinham o direito de questionar a pessoa que o havia acusado de heresia.

Ela atingiu o seu pico no século 16, quando a igreja enfrentava a reforma protestante. Seu julgamento mais famoso aconteceu em 1633, quando Galileu foi condenado por postular que a Terra girava ao redor do Sol.

A Inquisição espanhola, que se tornou independente do Vaticano no século 15, praticou os abusos mais extremos, sobretudo com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas.

Seus representantes torturavam as vítimas, realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte.

“Não há dúvidas de que, no começo, os procedimentos planejados foram aplicados com rigor excessivo, que em alguns casos foram degenerados e se tornaram verdadeiros abusos”, diz o novo estudo do Vaticano.

Mas o relatório, preparado ao longo de seis anos, argumenta que a Inquisição não foi tão má como se costumava crer.

“Bonecos no fogo”

Borromeo cita como exemplo que, de 125 mil julgamentos de suspeitos de heresia na Espanha, menos de 2% foram executados.

Ele afirma que muitas vezes bonecos eram queimados para representar aqueles que foram condenados à revelia.

E que bruxas e hereges que demonstravam arrependimento no último minuto recebiam algum tipo de alívio para a dor quando eram estrangulados antes de serem queimados.

Para aqueles que possuem ligação com as vítimas da Inquisição, porém, a declaração do Vaticano de que ela não era tão má quanto se dizia tem pouca importância.

Os valdesianos, membros de uma seita protestante declarada herege no século 12, estavam entre as vítimas da Inquisição.

“Não importa se há muitos ou poucos casos. O que é importante é que você não pode dizer: “Estou certo, você está errado, e eu vou te queimar”", disse Thomas Noffke, um pastor valdesiano americano que vive em Roma.

Ainda segundo o novo relatório, no auge da Inquisição a Alemanha matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar, cerca de 25 mil”.


Como você vê, esse livro que mandarei adquirir logo mais, demonstra que o número de execuções pela Inquisição foi mínimo.

Por outro lado, note que no texto que você me enviou – e que é de um grupo catequético que se diz católico, se escreveu que um dos instrumentos de tortura da Inquisição foi a guilhotina !!!“fig.4) A Guilhotina”. Ora, a guilhotina nunca foi instrumento de tortura. Era instrumento de execução da pena de morte, cortando a cabeça do condenado. Pior ainda: a guilhotina foi inventada pelo Dr. Guillotin, durante a Revolução Francesa depois de 1789. Como é então que a Inquisição medieval a usaria se ela ainda não existia?

Assim são os maus católicos. Não tendo Fé na Igreja, eles acreditam em todas as calúnias que se assacam contra a Igreja, e estão prontos a propagá-las, para agradar aos ímpios.

Esses maus católicos são os piores inimigos da religião Católica.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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