Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2005

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Estatutos e elogios do papa à RCC

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fernando
  • Idade: 24
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau incompleto

Caro Orlando,

A paz de Jesus e o amor de Maria!!!

Quero antes de mais nada lhe dizer que, apesar de discordar de alguns pontos, admiro muito o seu trabalho. Porém, venho aqui tocar num ponto que acho que você, a exemplo de nossos irmão separados, procurou ignorar.

Coloco abaixo um email dessa seção e a sua resposta, vejamos o que foi dialogado:

> De: Joyce

> Enviada em: 31.07.2002

> Localidade: Rio de Janeiro-RJ

> Religião: Católica

> Idade: 27

> Escolaridade: Superior completo

> Boa noite, prof. Orlando. Gostaria de agradecer por ter respondido minha

> questão sobre as divisões do Catolicismo. Não fazia idéia das subdivisões

> dentro das igrejas Cismáticas.

> Muitos me dizem que a RCC é uma imitação do Protestantismo. O que a Igreja

> acha da RCC? É válida? Qual a opinião do Santo Papa?

> Muito grata pela atenção.

> Resposta

> Prezada Joyce, salve Maria !

> Fico contente por tê-la ajudado um tanto.

> Sobre a RCC, você poderá encontrar, no site Montfort, muitas cartas que

> escrevi tratando largamente do assunto. Há também, no site Montfort, um documento

> da CNBB, que faz críticas à RCC.

> O movimento carismático teve origem em seitas protestantes pseudomísticas.

> Os membros desse movimento pretendem ter uma experiência direta e pessoal

> com o Espírito Santo. Ora, se isto fosse verdade, a Igreja teria ficado dispensável.

> Se alguém tem contato pessoal com o Espírito Santo, Papa, Bispos e Padres

> passariam a ser inúteis. Nem mais seria preciso ir a Igreja, pois se teria

> o Espírito Santo a domicílio. A RCC é uma espécie de misticismo “à la delivery”.

> Os livros dos mestres do carismatismo defendem as idéias mais absurdas,

> afirmando princípos gnósticos bastante claros.

> Se eu tivesse que dar um conselho a alguém que mo pedisse, eu lhe diria:

> FUJA! Fuja do carismatismo, tanto quanto da Teologia da Libertação.A RCC

> nega o valor da razão. A Teologia da Libertação é marxista, racionalista

> e modernista.

> Sempre pronto a atendê-la me despeço, in Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.

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Pois bem caro irmão, cosidero essa sua resposta tão evasiva quanto a de alguns protestantes que já o questionaram com relação a pergunta que a nossa irmã Joyce o faz com relação a opinião da igreja sobre a Renovação Carismática CATÓLICA.

Coloco logo abaixo a mensagem do Santo Padre sobre tal movimento “da igreja católica” e não paralelo a ela: João Paulo II na Conferência Internacional da RCC

“Dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé.”(Rm1,8). A Renovação Carismática Católica tem ajudado muitos cristãos a redescobrirem a presença e o poder do Espírito Santo em suas vidas, na vida da Igreja e do mundo; e esta redescoberta tem levantado neles uma fé em Cristo cheia de alegria, um grande amor pela Igreja e uma generosa dedicação a sua missão evangelizadora. No ano de 1998 em que dedicamos ao Espírito Santo, eu me uni a vocês no louvor a Deus pelos preciosos frutos que Ele quis trazer à maturidade em suas comunidades e através delas, às Igrejas particulares.

Como líderes da Renovação Carismática Católica, uma de suas primeiras tarefas é a de preservar a identidade das comunidades carismáticas espalhadas pelo mundo inteiro, incentivando-as sempre a manter uma ligação estreita e hierárquica com os bispos e com o Papa. Vocês pertencem a um movimento eclesial; e a palavra “eclesial” implica uma tarefa precisa de formação cristã, envolvendo uma profunda convergência de fé e de vida. A fé entusiástica que dá vida às suas comunidades deve ser acompanhada por uma formação cristã que seja abrangente e fiel ao ensinamento da Igreja.

De uma formação sólida surgirá uma espiritualidade profundamente enraizada nas fontes da vida cristã e capaz de responder às perguntas cruciais colocadas pela cultura de nossos dias. Em minha encíclica “Fé e Razão”, faço uma advertência contra o fideismo que não reconhece a importância do trabalho da razão não apenas por compreensão de fé, mas até por um ato de fé em si mesmo.

O tema da Conferência, “Deixa o fogo cair de novo!”, lembrou-me as palavras de Cristo. “Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho ei a desejar se ele já está aceso?” (Luc 12,49). Quando olhamos para o Grande Jubileu, estas palavras ressoam com toda salva. No limiar do Terceiro Milênio da era cristã, quão grande é o desafio evangélico”: Vai trabalhar hoje na vinha!” (Mt 21,28). Acompanhei a Conferência com as minhas orações, confiando que ela produzirá ricos frutos espirituais para a Renovação Carismática Católica no mundo inteiro.

Que Maria, a noiva do Espírito e Mãe de Cristo, proteja tudo o que vocês fazem em nome de seu filho. Para todos vocês, para suas comunidades e para os que vocês amam, com alegria concedo a minha Benção Apostólica.”

Papa João Paulo IIConferência Internacional da Renovação Carismática acontecida na Itália em outubro de 1998.

Pois bem caro irmão Fedeli, essas são palavras do nosso Papa. Então acho que você deverá tomar uma decisão daqui para a frente, acate-as em seu coração ou funde mais uma seita protestantes, pois, como disse Jesus: quem não está comigo está contra mim!!!

Eu poderia colocar aqui o conteúdo do Documento 53 da CNBB que legaliza e apóia a RCC mas isso estenderia muito o meu e mail, mas tenho certesa de que o senhor o conhece.

Ah, e prepare-se para o que vem aí com relação á RCc pois, a igreja está com planos muito maiores para esse movimento, a começar pelo Brasil, posso garanti-lo isso por fazer parte de um núcleo da RCC.

Fique na paz de Nosso Senhor Jesus Cristo meu irmão Orlando.

P.S.: Vejamos se você terá coragem de colocar essa mensagem na sessão de perguntas do seu site ou se mais uma vez fingirá que nada viu!!!

A paz!!!

Muito prezado Fernando, salve Maria!

Você me desafia a colocar, no site, esta sua carta com o texto de João Paulo II sobre o movimento carismático. Desconfiava você que eu não tivesse coragem de publicá-lo.

Pronto: está ele aí, publicadinho.

Está você contente, agora?

E você me desafia a aceitar esse elogio de João Paulo II ao movimento carismático. Se não o fizesse, eu não seria mais católico, e deveria fundar uma nova seita protestante.

O que comprova que você não sabe distinguir entre a promulgação solene de um dogma infalível pelo Papa, que, se não for aceito, implica heresia, e um simples discurso pontifício, que, por ser do Papa, sempre merece nosso respeito e acatamento, mas que, de si, não é infalível, e por isso não obriga sob fé divina.

Como membro da RCC, você deve ser contra a Teologia da Libertação.

Ora, em abril de 1986, o Papa João Paulo II, em carta oficial aos Bispos do Brasil, escreveu o seguinte:

“Estamos convencidos, nós e os Senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna, mas útil e necessária”.

Tempos depois, porém, a Teologia da Libertação foi condenada pela Igreja.

Que prova isto?

Prova que o Papa não é infalível ao fazer simples discursos, ou ao escrever simples cartas.

A infalibilidade exige que o Papa esteja ensinando toda a Igreja, sobre Fé e moral, com o poder dado por Cristo a Pedro e a seus sucessores, os Papas, e com intenção de definir uma questão, isto é, ensinando algo, e proibindo pensar o oposto.

Por isso, tanto o elogio à Teologia da Libertação quanto à RCC não são documentos dogmáticos infalíveis, que obriguem os católicos a aceitá-los sob fé divina.

Também São Pio X — um Papa santo — elogiou o movimento do Sillon, e, depois, condenou o Sillon na Carta Apostólica “Notre Charge Apostolique”, humildemente reconhecendo que o Sillon o enganara.

E com isso, contestamos seu desafio, solucionamos o problema posto, sem desrespeito ao Papa e à sua autoridade infalível, que fazemos questão de acatar sempre, e lhe demos uma explicação sobre a infalibilidade papal, que pode ajudar a sua alma e de muitos outros.

Pelo que, com satisfação me despeço de você

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

Replica

Seu problema, caro irmão Fedeli, é querer viver ainda no século passado. Devo lhe lembrar que, após o Concílio de Trento já saiu outro, chama-se Concílio Vaticano Segundo. Procure aprofundar-se um pouco sobre esse último pois é algo mais atual. Quem vive de passado é museu. E quanto a excomunhão, já consigo mais dormir por causa da sua ameaça, mas vou exclarecer o que quiz dizer: na minha “humilde opinião”, acho sim que se as missas celebradas “em vernáculo”, seria realmente muito prejudicial à Igreja para os nossos tempos. Quero dizer que não sou contra, pois, aceito “todas” as decisões da Santa Madre Igreja, e certamente não seria diferente neste caso, mas e quanto aquelas pessoas que não possuem um certo aprofundamento de fé?
Aceitar as decisões da Igreja, para quem já a ama como amo, é simples. Sinceramente eu acharia até mais bonita a missa “em vernáculo”, mas não penso só em mim, mas em todas as demais pessoas pobres que não tiveram acesso à se quer um pouco mais de cultura.
Já para o nobre irmão, já se torna um pouco mais difícil aceitar as decisões da igreja.

E só mais uma coisa caro irmão Fedeli, já gastamos tanto tempo digitando e mail?s e até agora o nobre senhor não respondeu qual a opinião da Igreja em relação a RCC.

E além de tudo, sem querer fazer papel de acusador mas me lembro que o senhor havia escrito que meu e mail estava publicado em seu site, porém, não é verdade. Mentira é pecado, óh grande biblicista, estudioso, teólogo, filósofo, etc… Orlando Fedeli.


Ah, o senhor também me cita em seu e mail o grande São Francisco de Assis. O senhor já pensou se São Francisco chegasse hoje para o senhor e falasse que estava em frente a um grande crucifixo e o Cristo, que nele estava pregado lhe disse algo? O senhor o chamaria no mínimo de herége, de profanador e o ameaçaria de excomunhão.

E se o Frei Masseo viesse ao seu encontro falando que havia tido uma visão de um trono cheio de pedras e esmeraldas no céu e que Jesus lhe havia dito que esse trono um dia pertenceu à Lúcifer, que o perdeu pela Soberba e que o herdeiro desse trono seria Francisco, que o tinha direito por sua Humildade? Acho que o senhor seria capaz de fazer uma fogueira e colocar Frei Masseo dentro dela.

Compare bem caro irmão Orlando, e verá que o que a RCC prega é que as pessoas, seguindo retamente todos os mandamentos, fazendo jejum, procurando fazer o bem aos probres e necessitados, convertendo os alcoolatras e drogados e acima de tudo, procurando ter uma vida de oração. Veja irmão Orlando, quanta semelhança! A única coisa que nós almejamos para todos é a SANTIDADE. A mesma de Francisco, de Tereza D?avilla, de Agostinho e de tantos outros. E nao venha me dizer que querer isso é errado, pois, sei que Deus nos ama igualmente a esses santos. É uma pena que seus leitores ficarão somente com o pensamento errôneo da RCC que o senhor prega.
É uma pena senhor Orlando, pois, reconhecemos que, sendo um movimento da Igreja, o movimento RCC também é Santo e Pecador, porém, dê o seu braço à torcer para as grandes obras boas que dele tem se visto ultimamente.

A paz de Jesus e o Amor de Maria Santíssima.

Fernando.

Muito fora do tempo Nando, salve Maria!

Você diz que eu vivo no século passado — que foi o século XX — e vem defender o Vaticano II, que foi exatamente do século passado?

Que confusão a sua! Já estamos noutro século, meu caro aggiornato Nando.

O Vaticano II defendeu o “aggiornamento”, isto é, a atualização. Ora, o Vaticano II já deixou, há muito tempo, de ser atual. Ele não é mais um jovenzinho Ele tem já seus 38 anos bem madurões. E mais. Ele envelheceu cedo, está já sem fôlego e tossindo em cada ladeira da História.

O Vaticano II é do século passado.

Por que você não se atualiza, meu caro. Acerte seu relógio, que já estamos in Tertium Milenium ineuntem. Ainda que com Bin Laden e torres explodindo.

E saiba que museu não vive. Museu é edifício, que contém coisas mortas ou deslocadas. Museu não é ser vivo. Aliás, não gosto de museus.

Quanto a estudar o Vaticano II, foi o que fiz em meu trabalho, respondendo ao Instituto Paulo VI de Brescia, provando que o Vaticano II foi um Concílio Modernista. Queira, por favor, consultar o que já estudei, antes de me mandar estudar. Esse estudo meu está no site Montfort, e se intitula “AUTO DEMOLIÇÃO DA IGREJA PROMOVIDA PELAs DOUTRINAS MODERNISTAS NO VATICANO II – Resposta ao Instituto Paulo VI de Brescia. (http://www.montfort.org.br/cadernos/vaticano2b.html)

Leia-o. Você vai chiar de raiva.

Mas lhe fará bem.

E se você aceita mesmo todas as decisões da Igreja deveria aceitar a condenação da tese de que as Missas só devem ser rezadas em vernáculo, pois o Concílio de Trento excomungou essa tese. E não adianta você dormir sobre essa excomunhão, debochando dela e do Concílio de Trento. Isso só prova que você é quem mente, quando afirma que aceita todas as decisões da Igreja.

Quanto a publicação de suas cartas, dei ordem expressa para que elas saíssem no site Montfort. Se ainda não saíram, foi porque há centenas de cartas a serem formatadas. Mas acabo de dar ordem para que as suas preciosas cartas saiam já na próxima atualização.

Fique sossegado, que não minto.

Quanto à Missa ser mais entendida em português do que em latim, pedir-lhe-ia que me explicasse porque foi trocado Dominus Deus Sabaoth (Senhor dos exércitos) por “Senhor do Universo”. Procure o dicionário, ou procure o Padre para explicar o que quer dizer isso em português.

Explique-me ainda se o pão é “fruto da terra e do trabalho do Homem”, porque, no Pai Nosso, se pede a Deus o pão de cada dia? Se o pão é feito da terra e do trabalho do Homem ele não precisaria ser pedido a Deus.

Quanto a São Francisco e a Frei Masseo, creio que você leu isso na tradução portuguesa do livro I Fioretti, que conta fatos lendários atribuídos a São Francisco. Pois então, meu caro, lhe aconselho a estudar o que foram os hereges espirituais e dolcinianos,que pretendiam seguir São Francisco tal como você, e foram condenados pela Igreja.

E saiba, meu caro, se não respondi qual a opinião da Igreja sobre a RCC, é porque a Igreja não tem opiniões.

A Igreja ensina verdades.

Quem tem opinião é intelectual e, muitas vezes, o serviço meteorológico.

Mas para você, que entende português, opinião e verdade são a mesma coisa.

Finalmente, em sua presunçosa carta você me diz:

“E nao venha me dizer que querer isso é errado, pois, sei que Deus nos ama igualmente a esses santos”.

Pois também essa sua pobre frase está errada. Deus nos ama infinitamente, mas não igualmente. Como você entende bem português, dispenso-me de explicar a diferença.

Mas saiba que, embora você seja um grande imitador de São Francisco, apesar de todo o bem que você faz com a RCC, você certamente não estará num trono igual ao de São Francisco. Sua humildade, teimoso Nando, exigirá que Deus lhe dê um trono muito mais largo, mais fofo e mais rico que o de São Francisco. Jamais um trono igual ao dele.

Porém, sinto que eu não serei jamais um seu devoto.

In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.

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