Montfort Associação Cultural

5 de abril de 2007

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Escotismo e maçonaria

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Padre Jonas Eduardo Mic
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Religião: Protestante

Caro Prof. Orlando,
Pax e bonum!
Já nos comunicamos certa vez.
Peço de novo um parecer do Sr.: parece que existe uma relação entre escotismo e maçonaria, conforme o artigo que reproduzo abaixo (encontrado na internet), e outros que acrescentei (também achados na internet). Não pude encontrar nenhum pronunciamento oficial da Igreja a respeito, pelo que se diz a Igreja teria se calado a respeito depois de o condenar, ao início.
O que o Sr. diz a respeito?
Obrigado.
Pe. Jonas MIC



Qual a relação Escotismo vs Maçonaria?
Retirado de e-mail recebido pelo webmaster
Reprodução autorizada pelo autor

O escritor francês Roger Peyrefitte declara que: “os escoteiros surgiram da maçonaria, porque Baden Powell eram maçon. Sonhou, segundo ele, fazer com harmonia a convivência entre os filhos de duques e filhos de empregados”. Por certo, “a Igreja antes de apoderar-se do escotismo se opôs a ele duramente” (1).
Em seu recente livro “A maçonaria” (1998), o investigador argentino Emilio J. Corbière afirma que: “No século XX, os maçons apoiaram importantes organizações esportivas, pacifistas ou direcionadas a internacionalizar os países e o mundo inteiro sob a bandeira da paz. Não era uma globalização desagregadora e destrutiva da pessoa humana destinada aos indivíduos e as sociedades por trás de valores éticos e humanistas.
O maçon suíço Henry Dunant criou a Cruz Vermelha Internacional (…) Robert Baden Powell fundou o Movimento Escoteiro, visionário e pioneiro, tal como outro maçom, Pierre de Coubertin refundou os Jogos Olímpicos”(2).
Se tantos investigadores citam a BP como franco-maçom, por que no Movimento Escoteiro de ocultam esse importante dado?
legenda da foto – Escoteiros-maçons: Dezenas de lojas maçônicas no mundo levam o nome “Baden-Powell”.
O duque de Connaught
Dentro da família real britânica, o duque de Connaught foi quem mais influenciou na personalidade do fundador do escotismo. Este príncipe era o terceiro filho da Rainha Victória (Príncipe Arthur) e conheceu baden Powell em 1883 na Índia, onde praticaram juntos a caça ao javali com lança. Poucos anos mais tarde, BP dedicaria seu “Pigsticking or hoghunting” ao duque, o “primeiro príncipe de sangue real que havia recebido uma primeira lança”. Em 1906, o duque de Connaught era inspetor Geral do Exército inglês e neste posto nomeou BP como Inspetor Geral da Cavalaria na África do Sul. A amizade de ambos aumentou depois da criação do Movimento Escoteiro, BP nomeia em 1913 o duque como Presidente da Associação Escoteira da Grã-Bretanha. É conhecida a fotografia destes velhos amigos dando início ao terceiro Jamboree Escoteiro Mundial, em Arrowe Park (1929).
A amizade de BP ao duque foi tal, que colocou o nome de seu primeiro filho Arthur Robert Peter (Arthur pelo duque, Robert pelo seu pai e Peter pelo personagem infantil “Peter Pan”)
Supõem que foi o duque de Connaught quem iniciou Baden Powell nos mistérios da Irmandade maçônica, já que ele era Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra. Havia sido iniciado em 1874 na Loja “Principe de Gales” nº 259 e em 1886 se converteu no Grão Mestre provincial de Sussez.
É muito significativo que a mesma pessoa foi Presidente dos escoteiros da Inglaterra e ao mesmo tempo Grão Mestre dos Maçons desse país.
Os reis Ingleses
Um dos principais impulsores do escotismo foi o Rei da Inglaterra, Eduardo VII. Ele havia sido iniciado na Maçonaria de Estolcomo pelo Rei da Suécia, Carlos XV, em 1868. Na Inglaterra, atuou como Venerável na Loja “Príncipe de Gales” nº 259, onde iniciou a seu irmão, o duque de Connaught.
O Rei Jorge VI, por sua parte, foi iniciado maçonicamente em dezembro de 1919 dentro de uma loja de oficiais da marinha. Após quatro anos de sua iniciação, ocupou o cargo de Venerável Mestre. Em 25 de abril de 1925 o duque de Connaught o designa “Grão Primeiro Vigilante” da Loja Unida da Inglaterra.
Fruto da estreita relação de BP com este monarca, foi a condecoração de BP com a Ordem do Mérito de 1937.
Rudyard Kiplin
Baden Powell conheceu Rudyard Kipling na África do Sul, em 1906. Dois anos mais tarde, quando BP escreveu sua obra “Escotismo para Rapazes” dedicou um bom espaço ao personagem de Kipling conhecido como “Kim”. Kimbal O”Hara era um jovem órfão que vivia na Índia e que era filho de um maçon inglês, segundo revela a própria obra de Kipling em seu primeiro capítulo.
Em 1914, quando BP tentava criar uma unidade para os irmãos menores dos escoteiros, decidiu utilizar o livro de kipling “Jungle Books” (O livro da selva) para modelar uma nova mística inspirada em Mowgli. Pediu autorização ao autor e diz BP que este “era um bom amigo do escotismo desde seus primórdios, autor da canção oficial dos escoteiros e pai de um escoteiro (3).
É interessante o nome eleito para estas crianças: “lobinhos”, sendo conhecido o nome que os maçons dão às crianças “adotadas” pela Irmandade nome semelhante.
Segundo Clavel (autor maçônico), esta designação é muito antiga e revela que no antigo Egito os iniciados nos mistérios de Isis colocavam uma máscara com a efígie de um lobo dourado. Os iniciados de Isis recebiam o nome de “chacais” ou “lobos”.
Se lermos atentamente “O Livro das Terras Virgens”, não nos será difícil encontrar o paralelismo entre a ideologia maçônica e a “roca do conselho” com sua denominação de “Povo Livre” que dá a matilha de lobos, tendo em conta que o termo inglês “Free-mason” significa “construtor livre” e a primeira condição para todo maçom é que este seja “livre e de bons costumes”. Maçônicamente, Kipling foi iniciado na loja “Hope and Perseverance” Nº 782 de Lahore, Punjab (India) e em seu retorno a Inglaterra trabalhou na “Mother Lodge Nº 3861″ de Londres.
Estas três pessoas, de notável influência em BP pertenciam a Ordem Maçônica. Em alguns o impulso na fundação do escotismo esteve dirigido por maçons. Na França, o barão Pierre de Coubertin foi um dos principais gestores dos “Eclaireurs”, enquanto em nos EUA existiram dois grandes homens que colaboraram na crianção dos “Boy Scouts of America”: Ernest Thompson Seton (Escoteiro Chefe Nacional) e Daniel Carver Beard (Comisionado Escoteiro Nacional), este último reconhecido franco-maçom.
Segundo William Hillcourt, dois presidentes norte-americanos colaboraram ativamente com a obra de Baden Powell. Um deles, Theodore Roosevelt, é citado no livro “Escotismo para Rapazes”. Roosevelt foi nomeado vice presidente honorário dos “Boy Scouts of América” ao ser fundada a instituição. Em sua agitada vida maçônica, foi iniciado na Loja “Matinecock Nº 806″ de Oyster Bay (Nova York), sendo um porta-voz maçônico em todo o mundo.
O outro presidente que lutou pela causa escoteira foi William Taft, que se encontrou com o Escoteiro Chefe Mundial em 1912, prometendo-lhe total apoio na difusão da organização nos Estados Unidos. Taft foi iniciado em 1909 na cidade de Cincinnati (Ohio) e foi fotografado em várias oportunidades com o malhete maçônico que pertenceu a George Washington.
BP foi maçom?
Lady Olave (esposa de BP) afirmou em uma oportunidade que Baden Powell nunca foi maçom, porém isto é verdade?
Primeiramente dizemos que não convém para os interesses da Igreja Católica que BP seja maçom e é justamente esta Igreja que tem tentado monopolizar o escotismo em muitos países. Se fosse revelado a participação de BP na antiga Irmandade, o que aconteceria?
O catolicismo tem sido o inimigo mais duro da maçonaria e ainda hoje “não mudou o juízo negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, porque seus princípios tem sido considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e os fiéis que pertencem a ela arrecadam pecado grave e não podem chegar-se perto da santa comunhão”, segundo uma declaração da Congregação para a Doutrina da Fé em novembro de 1983 (5). O certo é que ante a falta de documentação que valide o espírito maçônico de BP, devemos analisar as similaridade entre o escotismo e a maçonaria.
Alguns pontos de contato entre ambas instituições que podemos enumerar são as seguintes:
a) A promessa escoteira como uma iniciação do aspirante (profano) em iniciado.
b) Uso e reiteração do número 3. No escotismo existem três princípios e três virtudes, enquanto que na maçonaria se fala das três luzes e das três luzes menores. Os escoteiros basicamente tem três graus de adestramento (Noviço, Segunda e Primeira Classe), enquanto que na maçonaria existem os três graus simbólicos: aprendiz, companheiro e mestre.
c) Os escoteiros e os maçons apertam a mão de uma maneira especial e simbólica
d) É significativo o uso do termo “lobinhos” (como já dissemos) e toda uma mística inspirada no livro de conteúdo maçônico, igual que “Kim”.
e) A ajuda ao próximo é uma particularidade de ambas instituições.
f) Se utiliza o termo “Irmão Escoteiro” ou “Irmão Maçom”, dando a entender a existência de uma Irmandade Mundial.
g) A cadeira da fraternidade (as mãos apertadas) existe nas duas organizações em alguns momentos transcendentes.
Para finalizar, disse Baden Powell em um Congresso de Escotistas celebrado em Paris em 1922: “O Movimento Escoteiro representa uma união mundial de socorro fraternal, uma associação universal de amizade que não tem fronteiras. Educados na compreensão e que as nações são irmãs, de que formam parte de uma grande família humana cujos membros devem ajudar-se e compreender-se mutuamente, os jovens cidadãos e cidadãs de todas as nações cessarão de olhar-se como rivais e não alimentarão mais que pensamentos de amizade e de estima mútuas” (6).
Esta velha idéia de cosmopolitismo é notadamente maçônica. Boucher afirmava que “A pátria do maçom é a Terra inteira e não só o lugar de onde nasceu ou se desenvolveu” (7)
(1) Peyrefitte, Roger: “Los hijos de la luz”, Sudamericana, Buenos Aires, 1962.
(2) Corbiere
(3) Relatado en Hillcourt.
(4) Caro, José María: “El misterio de la masonería”, Imprenta Chile, Santiago, 1926.
(5) Boletín Salesiano, Montevideo, setiembre 1990.
(6) Revista chilena
(7) Citado en “Las sociedades secretas” de Serge Hutin, Eudeba, Buenos Aires, 1961.

http://www.baependi.com.br/materias/maconaria.htm

O maçom Marcio Ailto Barbieri Homem (Triângulo José Carlos Bergman – GLMERGS) no artigo A Dignidade da Pessoa Humana – Uma visão Maçônica é explícito: não fala de nenhuma das boas instituições católicas para formação dos jovens, mas, dentre outros, recomenda o escotismo:
“A proposta atual, e factível, é a educação da geração vindoura. Que nossas Lojas, nossos Maçons, aproveitem instituições já consagradas como apoio à educação infanto-juvenil, tais como o escotismo, os De Molay, as APJ”s, os Amigos da Escola, as Filhas de Jó, e outras, para que através de doações individuais ou enquanto Ordem – e tais doações não necessariamente financeiras – possam trabalhar valores que, num contexto a médio e longo prazo, farão a diferença na plena, e aí sim, concreta, valorização da Dignidade da Pessoa Humana. Que assim seja.”

( http://www.pedreiroslivres.com.br/dignidadepessoahumana.htm )

Irm Ary Moreira Pinto, por sua vez, é ainda mais claro:

“É oportuno lembrar que em todo o mundo a Maçonaria implantou escolas e fundou o escotismo, o Lions, o Rotary, a Ordem DeMolay, afastou tiranos do poder, lutou pela liberdade dos povos, tomou independentes muitos países e libertou povos inteiros da escravidão e tudo isso é de uma atualidade incontestável.”
Interessante destacar o que diz mais no final:
“A verdadeira missão do Maçom é buscar dentro de si o Mestre Perfeito e, durante essa busca, atuar segundo a doutrina, os princípios e normas maçônicas…” – vê-se que tal mentalidade, uma vez disseminada entre os jovens, pode impedir que se abram à tradição doutrinal que nos seja comunicada por outrem (como no caso do Cristianismo).

http://www.samauma.com.br/portal/conteudo/opiniao/g00303verdadeiramissao.htm

Curitiba, 15.11.2006, 21h54min.

Muito prezado e reverendo Padre Jonas,
Salve Maria.
 
    Muito lhe agradeço sua confiança, consultando-nos. Rogo-lhe que se lembre de nós em suas Missas.
    Vejo que o senhor está muito bem informado sobre a origem maçônica do movimento escoteiro. Os artigos que me enviou são assaz comprovantes da origem maçônicas e não católica, assim como das finalidades antropocentristas e filantrópicas desse mivimento.
    Só teria que acrescentar que Baden Powell foi membro da sociedade secreta maçônica Golden Downe, filial inglesa da sociedade Thullegeselschaft que deu origem ao nazismo. Foi através da Golden Downe que o movimento nazista angariou para sua criminosa filosofia racista muitas personalidades de grande importãncia social e política na Inglaterra e, depois, em Portugal. Aleister Crowley foi da Golden Downe e viveu em Portugal. O gnóstico Fernado Pessoa esteve ligado também à Golden Downe. E o Duque de Windsor foi viver em Protugal depois de renunciar à coroa inglesa e de ir visitar Hitler e os nazistas em Berlim…
    Noto como os documentos que o senhor cita mostram uma concepção naturalista da “dignidade da pessoa humana”. Nas décadas finais do seculo XIX, Leão XIII sublinhou que a dignidade da pessoa humana consiste no fato de que ela é chamada a ser filha de Deus pelo Batismo. Portanto, a dignidade da pessoa humana tem razão sobrenatural e não meramente natural.
    Por outro lado o escotismo visa criar uma moralidade naturalista — uma ética, como se diz hoje – diferente da moral baseada nos dez mandamentos. Sem falar ainda no uso de símbolos de códigos e de uma fraternidade sem base na Fé. 
    
Teria que dizer que o escotismo esteve ligado ao colonialismo puramente econômico da Inglaterra, e que tanto mal fez aos povos “colonizados”? Vejam-se os exemplos característicos desse colonialismo pagão na África do Sul com o apartheid, e na India onde a colonização inglesa nada fez contra o paganismo…
    Por tudo isso, creio que um católico não deve se deixar iludir pelas aparências infantilmente inocentes do movimento escoteiro.
    Infelizmente não conheço nenhum documento oficial da Igreja contra o movimento escoteiro. Tomara que ele exista. Ou que venha a existir.
    Vejo, por sua carta, que o senhor é preocupado com a formação correta da juventude. Ora, essa foi a preocupação constante de minha vida. Até hoje me dedico à formação católica da juventude. Por isso, me coloco à sua disposição, caro padre Jonas, para dar palestras aos jovens de sua paróquia. Costumo ir a Curitiba dar palestras, e me seria prazeiroso visitar sua paróquia para falar a seus moços, por exemplo, sobre a Cavalaria Medieval. Que é um tema bem contrário ao escotismo.
    Rogando sua bênção, me despeço

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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