Montfort Associação Cultural

19 de novembro de 2004

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Em defesa do Padre Jonas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Glaucio
  • Idade: 23
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

MEU CARO ORLANDO

PAZ

ME DESCULPE POR NÃO TE RESPONDER ANTES, NÃO TIVE TEMPO… NÃO DEVEMOS JULGAR PESSOAS, MAS ATOS, E É O Q FIZ… ASSIM COMO O SENHOR FAZ COM O PE. JONAS E “MEMBROS DA RCC” (ESPERO Q ASSIM SEJA).

NO QUE TANGE A REVISÃO DE D. ESTEVÃO, FICA CLARO QUE FOI A PRIMEIRA ARGUMENTAÇÃO E NÃO A RESPOSTA A SUA CONTRA-ARGUMENTAÇÃO, POIS ESTA ESCREVI POR MINHA CONTA E RISCO. CONCORDO PLENAMENTE QUE D. ESTEVÃO NÃO SERIA TÃO TAXATIVO E EXPLICITO E CREIO, INDELICADO QUANTO EU FUI.

DE TAL MANEIRA, SEI TAMBÉM QUE DE MODO ALGUM ELE NUNCA IRIA CHAMAR UM SACERDOTE UNGIDO DE HEREGE, POR NÃO CONCORDAR COM ALGUMAS DE “SUAS” PRÁTICAS OU TEORIAS. PODERIA SIM EXORTAR FRATERNALMENTE (Q ALIÁ,S O SENHOR DEVERIA IR ATÉ A CANÇÃO NOVA E TER DE VIVA VOZ COM O PE. JONAS E CONVERSAR ACERCA DE “SUAS HERESIAS”) E “DIZER-LHE Q OS ENSINAMENTOS DELE NÃO CONDIZ COM O Q A IGREJA PREGA.” (ASSIM VC DIZ) QND O SENHOR CONTRA ARGUMENTOU SOBRE A FACETA ECLESIOLÓGICA Q LHE APRESENTEI, CREIO Q O SENHOR DEVA TER SE APROFUNDADO NA LUMEN GENTIUM (ATÉ PQ É A SUA MENSAGEM INICIAL DO SEU SITE… E VEJO Q O SENHOR SE APOIA EM DOCUMENTOS DO COMPÊNDIO VATICANO II QND LHE CONVÉM, ENFIM, O TEOR DESTA MINHA CARTA NÃO É DE CRÍTICA E SIM DE QUALQUER OUTRA COISA Q VC QUEIRA DETERMINAR) E DE FORMA ANTAGÔNICA A LUMEN GENTIUM APRESENTA O Q O SENHOR CRITICOU.

NO QUE ABARCA A REDAÇÃO DE MINHA CARTA SENDO ELA MAL REDIGIDA, DIGO IGUALMENTE A S. PAULO: NÃO USAREI DE MINHA RETÓRICA E ORATÓRIA PARA LEVAR ADIANTE O EVANGELHO DA VERDADE… ENTÃO MEU NOBRE, SIGO O APÓSTOLO DE TODOS OS POVOS…

PEÇO Q O SENHOR ME ENVIE O “SYLLABUS” EM FORMA DE DOC POIS QUERO LER E ANALIZAR (POIS POR MINHA IGNORÂNCIA EU NÃO LI AINDA ESTE “DOC”) DESCULPE SE EXCEDI EM MINHAS PALAVRAS, MAS O SENHOR DEVE ME ENTENDER, ESPERO… DEVO DIZER IGUALMENTE AO SENHOR Q NÃO TEVE CUNHO PESSOAL, MAS DE INFERÊNCIA SOBRE TAIS ASSUNTOS.

MANDE-ME TAMBÉM O TEXTO DE PAULO VI FALANDO SOBRE A FUMAÇA NEGRA QUE ENTROU NO TEMPLO DE DEUS, POIS POR MINHA INFERÊNCIA, ELE NÃO ESTAVA FALANDO SOBRE O VATICANO II (AGUARDO OS DOCUMENTOS OU OS LINKS DE INDICAÇÃO) CONTINUO NÃO ACEITANDO SUAS ARGUMENTAÇÕES (ALGUMAS).

QUE PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, O SENHOR NOSSO DEUS POSSA RESPLANDECER SUA LUZ SOBRE TODOS NÓS…

IN CARITATE ET VERITATE

Prezado Gláucio, salve Maria!

Dou graças a Deus por sua profunda mudança de tom, e por pedir desculpas pelas ofensas que me havia dirigido. Claro que o perdôo, como a meu irmão na Fé, e que fica tudo esquecido, como Nosso Senhor mandou que o fizéssemos.

Permita-me, entretanto, observar que é inteiramente lícito acusar um sacerdote de heresia. Lutero foi padre e foi herege. Ario era padre, e foi herege. Nestório era Bispo, e foi herege. Jansênio era Bispo, e foi herege. Loisy era padre, e foi herege.

Você deveria conhecer o que disse São Paulo:

“Ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema” (Gal. I, 8).

Sigamos, então, “o Apóstolo de todos os povos”

E padre Jonas Abib não é nenhum anjo do céu. Bem longe disso.

Se constato que Padre Jonas, em seus livrecos, diz heresias, é obrigatório acusar essas heresias.Querer defender quem diz heresias só porque nos é simpático significa colocar sentimentos acima da verdade. O que é errado.

Não me baseio, de modo algum, no Vaticano II. Pelo contrário, escrevi um longo trabalho provando que o Vaticano II defendeu idéias modernistas, condenadas por São Pio X. Você poderá ler esse trabalho que escrevi como resposta ao Instituto Paulo VI de Brescia, que, depois de mais de um ano, ainda não conseguiu me responder…

Você pode encontrar esse trabalho no site Montfort.

Também no site Montfort você poderá encontrar o Syllabus de Pio IX, que, segundo o Cardeal Ratzinger, é o oposto do que ensinou o Vaticano II, a tal ponto que Ratzinger chamou o Vaticano II de Antisyllabus. Achei bem honesto de sua parte confessar que não conhece o Syllabus. Mas me permita dizer-lhe que você também não conhece a encíclica Mortalium Animos de Pio XI, que condena o ecumenismo, que o Vaticano II defendeu e propulsionou, sem converter nenhum herege, e dividindo os católicos. Como você me parece não conhecer a encíclica Libertas de Leão XIII, e nem a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI que condenaram a liberdade de religião e de consciência, defendida pelo Vaticano II. Tudo isso discuti com Dom Estevão Bettencourt em duas polêmicas que estão no site Montfort. Você deveria lê-las, para ficar a par do problema.

Você me diz:

MANDE-ME TAMBÉM O TEXTO DE PAULO VI FALANDO SOBRE A FUMAÇA NEGRA QUE ENTROU NO TEMPLO DE DEUS, POIS POR MINHA INFERÊNCIA, ELE NÃO ESTAVA FALANDO SOBRE O VATICANO II”.

Se você não tem esse texto — e que muito provavelmente nunca o leu — como pode você inferir dele que Paulo VI não estava falando do Vaticano II e das conseqüências terríveis que dele decorreram?

Quer você os textos de Paulo VI mais longamente citados ?

Aí os dou.

O primeiro é o de um discurso que Paulo VI fez a 7 de Dezembro de 1968:

” A igreja atravessa, hoje, um momento de inquietação. Alguns se exercem na auto crítica, dir-se-ia que até na auto demolição. É como se houvesse um revolvimento interior agudo e complexo, que ninguém teria esperado depois do Concílio. Pensava-se que haveria um florescimento, uma expansão serena dos conceitos amadurecidos na grande assembléia conciliar. Existe também esse aspeto na Igreja, existe o florescimento, mas… nota-se mais ainda o aspeto doloroso. A Igreja é golpeada também por quem faz parte dela”.

Ficou-lhe claro que Paulo Vi se referia aos frutos amargos do Vaticano II já em 1968?

E, de 1968 até hoje, a coisa piorou muito mais. Mas muitíssimo mais.

Paulo VI disse ainda, noutro Discurso:

” Por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus: existe a dúvida, a incerteza, a problemática, a inquietação, o confronto. Não se tem mais confiança na Igreja; põe-se confiança no primeiro profeta profano que nos vem falar em algum jornal ou em algum movimento social, para recorrer a ele pedindo-lhe se ele tem a fórmula da verdadeira vida. E não advertimos, em vez disso, sermos nós os donos e os mestres [dessa fórmula]. Entrou a dúvida nas nossas consciências, e entrou pelas janelas que deviam em vez disso, serem abertas à luz…”. ” Também na Igreja reina este estado de incerteza. Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia de sol para a história da Igreja. Em vez disso, veio um dia de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos distanciamos sempre mais dos outros. Procuramos cavar abismos em vez de aterrá-los. Como aconteceu isso ? Confiamo-vos um Nosso Pensamento: houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é o Diabo” (Paulo VI, Discurso em 29 de Junho de 1972)

Você vê claramente, meu caro Gláucio, pelos textos dos Discurso de Paulo VI que ele afirmava que os efeitos do Vaticano II foram decepcionantes para ele, e para a Igreja.

Sua inferência, meu caro Gláucio, estava enganada: Paulo VI se referia exatamente aos efeitos do Vaticano II.

Permita-me citar-lhe um trecho do que escrevi em minha Carta Aberta a Dom Estevão Bettencourt:

“Outro exemplo: o que ensinou Gregório XVI sobre liberdade de consciência?

Na encíclica Mirari Vos, o Papa nos ensinou:

“Tocamos agora outra ubérrima causa de males, pelos quais deploramos a atual aflição da Igreja, a saber: o indiferentismo, isto é, aquela perversa opinião que , por engano de homens malvados, propagou-se por todas as partes, de que a salvação eterna da alma pode ser conseguida em qualquer profissão de fé, com tal que os costumes se ajustem às normas do reto e do honesto… E desta, sob qualquer ponto de vista, pestífera fonte do indiferentismo, mana aquela sentença absurda e errônea, ou melhor, aquele delírio de que a liberdade de consciência tem que ser afirmada e reivindicada para cada um.

“A este pestilentíssimo erro prepara o caminho aquela plena e ilimitada liberdade de opinião, que para ruína do sagrado e do civil está invadindo plenamente, afirmando a cada passo, alguns com descaramento que dela deriva algum proveito para a religião.. Porém, “que morte pior para a alma do que a liberdade do erro”, dizia Santo Agostinho ( Epist. 166) ? E assim é que, quebrado todo freio com o qual os homens são contidos nos caminhos da verdade, como por si mesma a sua natureza se precipita, inclinada como está para o mal, realmente dizemos que se abre o poço do abismo [ Apoc. IX,3] do qual João viu que subia uma grande nuvem de fumaça com a qual o sol se obscureceu, ao sair dele gafanhotos sobre a imensidão da Terra” (Gregório XVI, Mirari Vos, Denzinger, 1613-1614. Os negritos são meus).

Isto é que é falar claro!

Viva o Papa!

Meu caro Dom Estevão, será preciso negar a evidência para dizer que esse texto da Mirari Vos é concorde com os documentos do Vaticano II.

É curioso verificar a relação estabelecida por Gregório XVI entre a liberdade de consciência e o fumo do poço do abismo de que fala São João no Apocalipse. Paulo VI, depois do Vaticano II, decepcionado com seus frutos, afirmou que tinha a sensação de que “por algum lado a fumaça de Satanás havia entrado no Templo de Deus” (Paulo VI , discurso em 30 de junho de 1972. Apud Romano Amerio, Iota Unum, p. 8).

Gregório XVI previu a fumaça de Satanás. Paulo VI a constatou.

Gregório XVI apontou a causa dessa fumaça: a liberdade de consciência.

Paulo VI defendeu essa mesma liberdade, e constatou, depois, que a fumaça de Satanás entrara — “por algum lado” — no Templo de Deus.

O senhor não desconfia por que lado entrou a fumaça?

É preciso apagar o fogo, para que cesse a fumaça.

É óbvio.

É o que começou a fazer a Dominus Iesus.

Viva o Papa!”

(Até aqui, o que escrevi, para Dom Estevão).

Espero, prezado Gláucio, que, depois desta carta, nos tornemos bem amigos, e que possamos nos ajudar mutuamente por nossas orações e estudos, pois que de minha parte, quando perdôo, é profunda e totalmente, desejando até o mais fundo da alma tornar-me amigo daquele que teve a grandeza e a honestidade católica de pedir perdão.

Nada eleva mais um homem do que o arrepender-se.

In Corde Jesu, este seu amigo, semper,
Orlando Fedeli.

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