Montfort Associação Cultural

1 de agosto de 2006

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Em defesa de D. Lefebvre e D. Mayer

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rudolpho Wagner Filho
  • Localizaçao: Maceió – AL – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Funcionário Público
  • Religião: Católica

Caro amigo Prof. Orlando Fedeli,

Salve Nossa Senhora de Guadalupe, Imperatriz de Todas as Américas!

Mais uma vez escrevo-lhe. Desta feita para apresentar uma modesta defesa de um artigo publicado no “Portal Anjo” e aqui reproduzido sob o título: “Maçons e Comunistas se rejubilaram com o Concílio Vaticano II“. Na oportunidade, escrevi ao autor do Portal Anjo pedindo que publicasse minha resposta àquele artigo, o qual gentilmente atendeu-me e que adiante transcrevo.

Porém, o mesmo artigo do Sr. Taiguara Fernandes de Souza foi publicado no “site” Cleofas, do “celebrado” Prof. Felipe Aquino. Senti-me no dever de enviar para lá a mesma resposta na seção “Opiniões”, que eu pensava ser um espaço bastante “democrático”, pois ali há artigos publicados que vão de Antonio Delfim Neto, passando por Pe. Zezinho até o Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho. Passada quase uma semana, o meu artigo não foi publicado (eu já desconfiava), e sim um outro artigo do Sr. Taiguara, com o título “Outros esclarecimentos sobre o Vaticano II e também sobre Marcel Lefebvre”, no qual o autor limitou-se a defender-se vagamente das críticas de alguns e insistiu nos mesmos equívocos e tentou desconstruir a personalidade de D. Lefebvre com um texto de D. Estêvão Bettencourt.

O que é de chamar a atenção é que o Sr. Taiguara não rebateu nenhuma das críticas por mim fundamentadas, e. g., sobre São Josemaria Escrivá, ele calou-se; sobre São Pio de Pietrelcina, idem; e mais, acerca de ter-se apropriado do trabalho intelectual de outrem, no caso do Sr. Felipe Coelho, o espertinho fez que não leu.

Por essas e outras tantas é que esses “malabaristas do Vaticano Segundo” distorcem a realidade e não admitem a crise profunda em que a Igreja megulhou há 40 anos, além de censurarem a Verdade, como fez o Prof. Felipe Aquino em seu “site” Cleofas, não publicando minha resposta. Depois que li “A um meio calado e encabulado, Prof. Felipe de Aquino que, contente, saiu afinal da “Toca”, bem que eu desconfiava dele…

Amigo, parabéns por sua luta em defesa da Verdade, Deus o recompensará generosamente, e a Virgem Maria será seu consolo na hora derradeira. O senhor e todos da Montfort contem sempre com minhas pobres orações diárias.

Apesar de não possuir sua capacidade intectual, esforço-me na defesa da Verdade.

Abaixo, a resposta publicada no “Portal Anjo”. Se achar conveniente, publique-a, se encontrar uma melhor, pode desconsiderar a minha.



EM DEFESA DE DOM MARCEL LEFEBVRE E DA TRADIÇÃO

Ilmo. Sr. Dílson Kutscher, autor do Portal Anjo, ao ler alguns artigos deste “site”, deparei-me com um que me causou estranheza e espanto, tal a quantidade de equívocos ali existentes. Trata-se de “Breves Esclarecimentos sobre o Concílio Vaticano II: este não é um demônio”, do Sr. Taiguara Fernandes de Sousa. Ali, o autor coloca assertivas tão insipientes quão incipientes, e “fundamentadamente” carentes de verdades histórias.

Numa análise literária superficial, percebe-se que o referido texto encontra-se confuso de idéias e cheio de repetições, chegando-se à conclusão de que se trata de um texto construído a partir de diversos outros artigos, artifício tão comum no mundo interneteano. Eu diria que o artigo referido mais parece uma colcha de retalhos, só que com retalhos adaptados à conveniência do autor. Exemplo claro são sete trechos abaixo transcritos, inseridos no artigo objeto deste, os quais, nitidamente, foram retirados, ipsis literis, do excepcional artigo “As concessões de Bento XVI à rejeição do Concílio Vaticano II”, do Sr. Felipe Coelho, datado de 23/06/2006, do “site” www.montfort.org.br, da Associação Cultural Montfort.. Vide: http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=papa&artigo=concessoes_bentoxvi&lang=bra)

Vamos aos trechos:

1 “Acreditava-se que, depois do Concílio, viria um dia ensolarado para a história da Igreja. Veio, pelo contrário, um dia cheio de nuvens, de tempestade, de escuridão, de indagação, de incerteza. Pregamos o ecumenismo, e nos afastamos sempre mais uns dos outros.”
(PAULO VI, Homilia de 29 de junho de 1972).

2 “[Por que este título ‘Eu acuso o Concílio!’? Porque] temos boa razão de afirmar, por argumentos tanto de crítica interna quanto de crítica externa, que o espírito que dominou o Concílio e inspirou tantos textos ambígüos, equívocos, mesmo claramente errôneos, não foi o Espírito Santo”(Dom LEFEBVRE, J’accuse le Concile, Prefácio).

3 “A herança do Vaticano II ainda não despertou. Mas espera a sua hora. E estou certo de que ela virá.” (Pe. RATZINGER, Dogma e Anunciação, p. 332, sublinhado nosso).

4 “Uma análise da pós-história da Constituição sobre a Igreja no mundo atual [Gaudium et Spes] levou-me, no ano de 1975, ao diagnóstico de que ainda não começara a era da correta aceitação do Concílio.” (Cardeal RATZINGER, Teoría de los Principios Teológicos, p. 449, sublinhado nosso).

5 “[Com relação a ambas as posições contrapostas [progressistas e “tradicionalistas”], deve-se esclarecer, antes de tudo, que o Vaticano II é apoiado pela mesma autoridade do Vaticano I e do Concílio de Trento, isto é, o Papa e o colégio dos bispos em comunhão com ele. (…) Em primeiro lugar, é impossível para um católico tomar posição a favor do Vaticano II contra Trento ou o Vaticano I. (…) Segundo: do mesmo modo, é impossível decidir-se a favor de Trento e do Vaticano I contra o Vaticano II. Quem nega o Vaticano II, nega a autoridade que sustenta os outros dois Concílios e, dessa forma, os separa de seu fundamento.”
(Pe. RATZINGER, Intervenção por ocasião do décimo aniversário do encerramento do concílio, op. cit.,p. 16, sublinhados nossos, itálicos do original).

6 “Que Vossa Santidade abandone esse nefasto empreendimento de transigência com as idéias do homem moderno, empreendimento que tem sua origem de um entendimento secreto entre altos dignatários da Igreja e os das lojas maçônicas, desde antes do concílio. Perseverar nessa orientação é continuar a destruição da Igreja. Vossa Santidade compreenderá facilmente que não podemos colaborar com tão funesto desígnio” (Dom LEFEBVRE, Carta a Paulo VI de 17 de julho de 1976. O destaque é nosso).

7 “Nutrimos a profunda convicção de que o Espírito da Verdade que fala à Igreja (cf. Ap 2, 7.11.17, etc.) falou de modo particularmente solene e com uma particular autoridade por meio do concílio Vaticano II, preparando a Igreja para entrar no terceiro milênio depois de Cristo.” (JOÃO PAULO II, Carta ao Cardeal Ratzinger de 8 de abril de 1988

Percebe-se que, no artigo do Sr. Felipe Coelho, do “site” Montfort, o autor, no final, publicou todas as referências de sua pesquisa, inclusive citando de quem era a tradução. No artigo impresso neste Portal Anjo, do Sr. Taiguara Fernandes, o autor, além de não citar a fonte última, como se ele mesmo tivesse pesquisado na fonte primeira, deixa a entender que também traduziu os trechos, chegando a citá-los como que retirados do espanhol e francês, por exemplo. Temos então uma possível violação do direito da propriedade intelectual. Direitos à parte, registro uma grave acusação: os trechos retirados foram deslocados de seu contexto original, num contorcionismo digno de circo de quinta categoria, pois no texto do Sr. Felipe Coelho há citações em que o próprio Ratzinger ataca o concílio. Vejamos pois:

“devemos ter a suficiente capacidade de autocrítica para reconhecer o ingênuo otimismo do Concílio e a presunção de muitos que o apoiaram e propagaram, tendo ambas as coisas justificado de modo terrível os funestos presságios de muitos varões eclesiásticos do passado sobre os perigos dos concílios. Nem todos os concílios legítimos da história da Igreja foram concílios frutuosos. De alguns deles só resta, como resumo, um enorme ‘celebrado em vão’. (Nesse contexto, é mencionado freqüentemente, e com razão, o V Concílio de Latrão, celebrado em 1512-1517 mas sem trazer uma ajuda eficaz para a superação da crise ameaçadora). Quanto à posição definitiva do Vaticano II, ainda não se pode pronunciar um juízo definitivo” (Cardeal RATZINGER, Teoría de los Principios Teológicos, p. 453, sublinhados nossos).

Ora, o Concílio Vaticano II foi meramente PASTORAL. Nem João XXIII nem Paulo VI ousaram declará-lo dogmático e infalível. Se ele fosse infalível não haveria nenhuma discussão acerca de sua aceitação, pois dogma (verdade) não se discute. Aceita-se ou hereticamente recusa-se. Para um maior conhecimento do Vaticano II, sugiro o artigo, acima mencionado, do Sr. Felipe Coelho, e outros tantos do Prof. Dr. Orlando Fedeli, no site Montfort, também acima mencionado.

São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)

No artigo do Sr. Taiguara Fernandes de Sousa, há menções a modelos de santidade pós-conciliar (Vaticano II), citando o fundador da Opus Dei, São Josemaria Escrivá e São Padre Pio.

Quanto ao primeiro, apesar de ele fazer parte do cânone da Igreja, houve, durante o processo de beatificação, uma intervenção através de carta de uma ex-integrante da Opus Dei, secretária de Mons. Escrivá, Sra. Maria Del Carmem Tapia, ao Papa João Paulo II, contestando a santidade de São Josemaria Escrivá, a qual não foi levada em conta e nem permitiram que ela testemunhasse no processo, assim como outros ex-membros da Opus Dei. Vide a carta em: http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=outros&artigo=20051222111805&lang=bra.

Quanto a São Pio de Pietrelcina, o Padre Pio, o autor peca pela insipiência da citação, dizendo “poderíamos ainda citar São Padre Pio”. Ora, o Padre Pio jamais pode ser citado como modelo ou exemplo pós-conciliar, por duas razões. A primeira, histórica. A segunda, veremos adiante.

A razão histórica: Padre Pio nasceu ainda no século XIX, em 25/05/1887. Morreu em 1968, apenas três anos após o encerramento do concílio. E mais: era considerado um padre ultrapassado por, entre outras coisas, acreditar na existência do demônio (o barba-azul, como ele o chamava). Qual fruto do concílio teria colhido São Pio de Pietrelcina, apenas três anos após o término daquele, sem contar que ele era quase um octogenário? A resposta é nenhum.

A segunda razão, de clareza solar, é fundamentada na própria vida deste que é um dos maiores santos da Igreja. Ora, Padre Pio era exatamente o contrário dos padres pós-conciliares. Jamais retirou o hábito franciscano. Sentava-se no confessionário e ali permanecia por 8 a 10 horas, confessando. Levava em torno de 3 horas celebrando a Santa Missa. Tinha o maior zelo e respeito pelo sagrado, especialmente pela celebração da Missa. Seus diversos dons místicos, ao contrário de muitos que hoje dizem ter (pretensos) “carismas”, eram motivo até de sofrimento, e. g., os estigmas que carregou por cinqüenta anos. Possuía o dom da perscrutação do coração etc. No entanto, quando indagado, respondia: “sou apenas um padre que reza”.

Para compreensão superficial de como pensava São Padre Pio, vejamos o relato abaixo, retirado do “site” http://www.santotomas.com.br.

Padre Pio e o “aggiornamento”

Um aspecto pouco conhecido da sua santidade: a sua recusa clara e nítida da reforma litúrgica e do “aggiornamento” do Concílio Vaticano II

[Por ocasião da recente canonização do Padre Pio, publicamos a seguir um extrato do artigo do frei João, capuchinho de Morgon, França (artigo publicado na Carta aos amigos de São Francisco, nº 17, de 2 de fevereiro de 1999)]:

Modelo de respeito e de submissão a seus superiores eclesiásticos e religiosos, em particular por ocasião das perseguições contra ele próprio, o Padre Pio de Pietrelcina não podia ficar mudo ante um desafio nefasto à Igreja.

Antes mesmo do fim do concílio, em fevereiro de 1965, anunciaram-lhe que seria preciso em breve celebrar a missa segundo um novo rito “ad experimentum”, em língua vulgar, e elaborado por uma comissão litúrgica conciliar para responder às aspirações do homem moderno.

Antes mesmo de ter o seu texto sob os olhos, escreveu imediatamente a Paulo VI, pedindo-lhe fosse dispensado dessa experiência litúrgica e pudesse continuar a celebrar a Missa de São Pio V.

Tendo-se o cardeal Bacci deslocado para lhe levar esta autorização, Padre Pio deixou escapar esta queixa para o enviado do Papa: “O Concilio, por piedade, acabai com ele depressa!”

No mesmo ano, na euforia conciliar que prometia uma “nova primavera” para a Igreja e para o mundo, confiava a um de seus filhos espirituais: “Rezemos nesta época de trevas. Façamos penitência pelos eleitos.” E sobretudo por aquele que deve ser o supremo pastor da Igreja católica: toda a sua vida ele “se imolará” pelo Papa reinante, cuja fotografia figurará sempre entre as raras imagens da sua cela.

Quão significativas outras cenas: estas reações em face do “aggiornamento” que as ordens religiosas assimilaram no dia seguinte ao Vaticano II (citações extraídas duma obra munida de Imprimatur):

“O Padre Geral (dos franciscanos) veio de Roma antes do capítulo especial para as constituições, em 1966, para pedir ao Padre Pio orações e bênçãos. Encontrou o Padre Pio no corredor do convento: ‘Padre, vim para vos recomendar o capítulo especial para as novas constituições…’ Apenas ouviu “capítulo especial”, Padre Pio fez um gesto violento e gritou: ‘Não são senão parlapatices e ruínas!’ — ‘Mas que quereis, Padre? As novas gerações… os jovens evoluem à sua maneira… há novas exigências…’ — ‘É o cérebro e o coração que faltam, eis tudo, a inteligência e o amor’.”

Em seguida avançou para a sua cela, deu meia-volta, e apontou o dedo dizendo: “Não nos desnaturemos, não nos desnaturemos! Quando Deus nos julgar, São Francisco não nos reconhecerá como filhos!”

Um ano depois, a mesma cena para o “aggiornamento” dos capuchinhos: “Um dia, confrades discutiam com o Padre Definidor Geral sobre a Ordem, quando o Padre Pio, tomando uma atitude espantosa, se pôs a gritar ao mesmo tempo que fixava o olhar longe: “Mas que estais prestes a fazer em Roma? Que combinais vós? Quereis mesmo mudar a Regra de São Francisco!” E o Definidor diz: “Padre, propõem-se estas mudanças, porque os jovens nada querem saber da tonsura, do hábito, dos pés descalços…” — “Expulsai-os! Expulsai-os! Mas quê? São eles que vão fazer um favor a São Francisco ao tomar o hábito e ao seguir o seu modo de vida, ou é antes São Francisco que lhes faz um grande dom?”

Se se considera que o Padre Pio foi um verdadeiro alter Christus, que toda a sua pessoa, corpo e alma, foi tão perfeitamente conforme quanto possível à de Jesus Cristo, esta recusa nítida das inovações da Missa e do “aggiornamento” deve ser para nós uma lição que reter.

É também notável que o Bom Deus tenha querido lembrar-se dele, seu fiel servidor, pouco tempo antes da imposição implacável das reformas do Concílio no seio da Igreja e da ordem capuchinha. E que Katarina Tangari, uma das suas filhas espirituais mais privilegiadas, tenha apoiado tão admiravelmente os padres de Ecône (seminário fundado por D. Marcel Lefebvre) até à sua morte, um ano após as sagrações episcopais.

E Padre Pio ainda era menos complacente em face da ordem — ou antes da desordem — social e política: “confusão de idéias e reino dos ladrões” (em 1966). Profetizou que os comunistas chegariam ao poder “por surpresa, sem desfechar golpe… Nós nos daremos conta disso da noite para o dia”. Chegou a precisar até, a Monsenhor Piccinelli, que a bandeira vermelha flutuaria sobre o Vaticano, “mas isso passará”.

Ainda aqui a sua conclusão coincide com a da Rainha dos Profetas: “Mas por fim o meu Coração Imaculado triunfará!” Como? Pela onipotência divina, certamente, mas provocada pelas duas grandes forças do homem: a oração e a penitência.

Foi a grande lição que Nossa Senhora nos quis lembrar com insistência, em Fátima, no princípio deste século: Deus quer salvar o mundo pela devoção ao Coração Imaculado de Maria, e não há nenhum problema, material ou espiritual, nacional ou internacional, que não possa ser resolvido pelo Santo Rosário e pelos sacrifícios.” (negritos e sublinhado meus).

Retirado de:
http://www.santotomas.com.br/missa/pioaggiornamento.asp

Dom Marcel Lefebvre

No artigo objeto deste, o Sr. Taiguara acusa Dom Marcel Lefebvre de cismático e herege, citando: “Algumas observações precisam ser feitas a respeito do Vaticano II, para que o espírito de cisma e heresia iniciado por Marcel Lefrebve não torne a gerar dúvidas nos membros da Santíssima Igreja Católica de Cristo”.

Tratemos primeiro da heresia. Heresia é uma rejeição pertinaz e consciente de qualquer dogma ou doutrina da Igreja. O herege nega, ao menos, uma verdade de fé. Exemplo: os protestantes, que negam a Maternidade Divina da Virgem Maria e vários outros dogmas. Dom Marcel Lefebvre, o “Arcebispo de Ferro”, bravo defensor da fé, jamais negou qualquer dogma da Igreja. Ao contrário, defendeu-os com todas as suas forças. Portanto, jamais ele pode ser considerado, nem de longe, um herege.

Na Carta Apostólica “Ecclesia Dei” que trata da excomunhão de Dom Lefebvre, o papa João Paulo II afirma: (…) “3. Em si mesmo, tal acto foi uma desobediência ao Romano Pontífice em matéria gravíssima e de importância capital para a unidade da Igreja, como é a ordenação dos bispos, mediante a qual é mantida sacramentalmente a sucessão apostólica. Por isso, tal desobediência – que traz consigo uma rejeição prática do Primado romano – constitui um acto cismático (3). Ao realizar tal acto, não obstante a advertência formal que lhes foi enviada pelo Prefeito da Congregação para os Bispos no passado dia 17 de Junho, Mons. Lefebvre e os sacerdotes Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, incorreram na grave pena da excomunhão prevista pela disciplina eclesiástica(4).” (http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_commissions/ecclsdei/documents/hf_jp-ii_motu-proprio_02071988_ecclesia-dei_po.html).

Em toda a carta, João Paulo II jamais acusou Dom Lefebvre de heresia. Quem afirma o contrário nunca leu uma vírgula acerca de Dom Marcel Lerfebvre e o que ele defendia.

Vejamos também o decreto de “excomunhão” de D. Lefebvre e alguns argumentos da não validade da excomunhão, retirados de “site (link)”: http://www.capela.org.br/Crise/protocolo3.htm:

“DECRETO DE EXCOMUNHÃO DE Mgr. MARCEL LEFEBVRE,

DE DOM ANTÔNIO DE CASTRO MAYER

E DOS QUATRO BISPOS POR ELES SAGRADOS

Sagrada Congregação para os Bispos

Monsenhor Marcel Lefebvre, Arcebispo-Bispo emérito de Tulle, tendo – apesar da advertência canônica formal de 17 de junho último e das repetidas interpelações pedindo-lhe que renunciasse ao seu propósito – realizado um ato de natureza cismática ao proceder à consagração episcopal de quatro bispos sem mandato pontifício, e contra a vontade do Sumo Pontífice, incorreu na pena prevista pelo cânone 1364, par. 1, e pelo cânone 1382 do Código de Direito Canônico.

Declaro que os efeitos jurídicos são os seguintes: o sobredito Monsenhor Marcel Lefebvre, Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta incorreram ipso facto na excomunhão latae sentenciae reservada à Sé Apostólica.

Declaro ainda que Mons. Antônio de Castro Mayer, Bispo emérito de Campos, tendo participado diretamente na celebração litúrgica como co-consagrante e tendo publicamente aderido ao ato cismático, incorreu na excomunhão latae sentenciae, prevista pelo cânone 1364, par. 1.

Exortamos os padres e os fiéis a não aderirem ao cisma de Monsenhor Lefebvre, pois incorreriam ipso facto na mesma pena de excomunhão.

Da Congregação para os Bispos, dia 1 de julho do ano de 1988.

Bernadin Cardeal Gantin
Congregação para os Bispos , Prefeito”.

Assinalamos em negrito a razão de ser dessa excomunhão, no pensamento do Vaticano: um ato cismático. Vamos mostrar agora que este decreto é nulo pelo Direito Canônico do Papa João Paulo II, de 1983. Esse mesmo Direito que é evocado no decreto do Cardeal Gantin mostra claramente que o decreto não tem nenhuma validade.

Comecemos pela noção de cisma. O que é um cisma?

“Cisma é a separação voluntária e pertinaz do batizado da unidade da Igreja” (M.C. CoronataTomo II, col. 2298)

“Não basta uma desobediência, por mais obstinada que seja, para constituir um cisma; é necessário, além disso, uma revolta contra a função do Papa e da Igreja” (Cardeal Charles Journet, teólogo suiço, amigo de Paulo VI, L”Eglise du Verbe Incarné)

“Quando se desobedece ao superior em determinado caso, julgando-se, por exemplo, que ele se engana ou que age ilegitimamente; em outras palavras, quando se recusa a obedecer à pessoa, respeitando-se, no entanto, a função, não se configura o cisma, mas a desobediência. O cisma se verifica quando a recusa de obedecer atinge, na ordem recebida ou na decisão promulgada, a própria autoridade, reconhecida como real e competente” (Cajetano, citado em Dictionaire de Théologie Catholique (DTC), col. 1204)

“Os teólogos medievais, pelo menos os dos séculos XIV, XV e XVI, tiveram o cuidado de notar que o cisma é uma separação ilegítima da unidade da Igreja, pois, dizem eles, poderia haver uma separação legítima, como, por exemplo, se alguém recusasse a obediência ao Papa que ordenasse uma coisa má ou indevida” (Torquemada, Summa De Ecclesia, citado em DTC, col.1302)

Se tomarmos estas definições tiradas do ensinamento constante dos teólogos e aplicarmos a elas o que já sabemos sobre as intenções de Mgr. Marcel Lefebvre ao sagrar os quatro bispos, concluiremos que, de fato, não houve cisma. Porém, poderiam objetar que estou tirando esta conclusão por mim mesmo, sem levar em consideração o que dizem as autoridades da Igreja. Assim sendo, vamos ouvi-las:

“O ato de consagrar um bispo, sem autorização do Papa, não é, de si, um ato cismático” (logo não pode ser punido com excomunhão) (Cardeal Castillo Lara, presidente da Pontifícia Comissão para a Autêntica Interpretação do Código. In La Republica, 7/10/1988). Negritos meus.

(…)

“Mgr. Lefebvre não fez absolutamente nenhum cisma com as suas sagrações episcopais”. (Professor Geringer, perito em Direito Canônico da Universidade de Munique). Negritos meus.

A Tese do Padre Gerald Murray:

Em julho de 1995, a Universidade Gregoriana, de Roma, aprovou com nota máxima, a tese de doutorado em Direito Canônico do padre americano Gerald Murray. Título da tese: O Estatuto Canônico dos fiéis do Arcebispo Marcel Lefebvre e da Fraternidade Sacerdotal São Pio X: estão eles excomungados como cismáticos?
O padre conclui: “cheguei à conclusão de que, canonicamente falando, Mgr. Marcel Lefebvre não é culpável de nenhum ato cismático… O exame das circunstâncias nas quais o arcebispo Lefebvre procedeu a sagrações episcopais à luz dos cânones 1321, 1323, 1324, suscita pelo menos uma dúvida significativa, senão uma certeza razoável contra a validade da declaração de excomunhão pronunciada pela Congregação dos Bispos. A declaração administrativa da Santa Sé parece ter deixado de levar em consideração o direito penal revisado do Código de Direito Canônico, especialmente no que diz respeito à mitigação ou isenção das penas latae sententiae. A malícia do arcebispo Lefebvre foi pressuposta. Suas convicções subjetivas sobre o estado de necessidade alegado foram pura e simplesmente omitidas por um comunicado não assinado, quando o Direito Canônico estipula que o fato de ter uma tal convicção e agir em conseqüência, mesmo estando enganado, preserva a pessoa de incorrer na pena latae sententiae.

Eis, então, as autoridades romanas, do Vaticano, afirmando diversas vezes que não houve cisma e não há excomunhão(…)

É preciso, portanto, abandonar a superficialidade criada pelos inimigos da fé e analisar com a frieza necessária a doutrina católica sobre o poder do Papa, sobre nosso dever de obediência e sobre a necessidade extrema de se defender a verdadeira doutrina, mesmo contra a opinião de um papa.

O que a Santa Igreja nos ensina e declarou como dogma de Fé é que o Papa é infalível, sim, nas condições estabelecidas pelo Concílio Vaticano I, de 1870 (…)”
(http://www.capela.org.br/Crise/protocolo3.htm)

Além das argumentações acima, para aprofundamento da questão, deve-se consultar:

http://www.capela.org.br/Crise/protocolo.htm

http://www.capela.org.br/Crise/protocolo3.htm

http://www.capela.org.br/Crise/protocolo4.htm

http://www.capela.org.br/Crise/protocolo5.htm

Vide ainda:

http://www.santotomas.com.br/tradicao/cartapapa.asp

Para quem queira conhecer um pouco do pensamento de Dom Marcel Lefebvre, recomendo o excelente opúsculo “CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS”, da Editora Permanência, encontrada no “site (link)”:

http://www.permanencia.org.br/revista/Livros/Aberta.pdf

Sem falar que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por D. Lefebvre, tem mantido contatos com Roma e fala-se, ultimamente, da retirada do decreto de excomunhão, sem contar ainda com o que segue:

“(…) Quanto à situação dos lefevristas disse o Cardeal Hoyos:

1 – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X— (e os padres de Dom Mayer, claro !!!) – não caiu em heresia. (“Non siamo di fronte ad una eresia”).

2 – Os lefevristas não fizeram um cisma, quando Dom Lefebvre e Dom Mayer sagraram quatro Bispos, sem licença do Papa. Fizeram um “ato cismático”, “mas não fizeram um cisma”.

Literalmente disse o Cardeal Hoyos:

“Não se pode dizer em termos corretos, exatos, precisos, que no que eles fizeram haja um cisma. Há uma atitude cismática no consagrar Bispos sem o mandato pontifício” (Non si può dire in termini corretti, esatti, precisi che ci sia uno scisma. C”è una attitudine scismatica nel consacrare vescovi senza il mandato pontificio”).

3 – Por isso mesmo, diz o Cardeal Hoyos: a Fraternidade Sacerdotal São Pio X está em comunhão com a Igreja, embora essa comunhão não seja plena.

Eis as palavras do cardeal Hoyos:

“Eles estão dentro da Igreja, falta apenas uma plena, uma mais perfeita—como foi dito no encontro com Dom Fellay—uma mais plena comunhão, porque comunhão existe” (“Loro sono dentro la Chiesa, solo che manca una piena, una più perfetta -come è stato detto nell”incontro con monsignor Fellay- una più piena comunione, perchè c”è la comunione)”.

Desse modo, Roma sabiamente dividiu o cabelo em 17 partes iguais.

Para o Cardeal Hoyos, então, – e as palavras desse Cardeal muito provavelmente exprimem o que foi decidido entre o Papa Bento XVI com Dom Fellay – dizer que o Vaticano II tem erros não é heresia. Criticar a Missa nova como protestantizante não é heresia. Isto é o que ficará claro com o possível decreto de acordo dos lefevristas com Bento XVI.

Ademais, as palavras do Cardeal são uma confirmação, por ele, da invalidade da excomunhão lançada sobre D. Lefebvre e D Mayer(…)”
http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=hoyos_fsspx&lang=bra

Vejamos o que disse ao jornal italiano La Stampa, em 1992, Jean Guitton, filósofo e amigo pessoal de Paulo VI: (…) “Paulo VI e o Papa Wojtyla deram-me a tarefa de encontrar uma solução, para evitar o cisma. Eu falhei. Falar de Ecône é muito doloroso para mim, porque, quando você se debruça sobre isto, Lefebvre estava certo” (…). Negrito meu http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cartas&subsecao=polemicas&artigo=20050930114225&lang=bra

Há inúmeros outros argumentos que provam que D. Marcel Lefebvre não foi herege nem cismático, porém seria enfadonho colocá-los ou mesmo citá-los aqui e agora.

Acerca do Concílio Vaticano II, vide o excelente trabalho do Prof. Dr. Orlando Fedeli em:

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=vaticano2b&lang=bra

Em conclusão, por dever de consciência e amor à Una Santa Católica e Apostólica Igreja de Jesus Cristo, deixo aqui a minha moção de repúdio ao artigo em epígrafe, pois uma questão tão profunda e complexa não pode ser tratada com pueril leviandade pelo autor do texto.

Peço então a V. Sa. e espero que, por dever de justiça e defesa da Verdade, este artigo seja publicado neste Portal Anjo.

A Verdade, senhores! Acima de tudo, a Verdade!

Rudolpho Wagner Filho Maceió – AL

rudolphowagner@…

————————————————–

Caso queira ler o artigo do Sr. Taiguara Fernandes de Sousa.

acesse o link abaixo.

* Breves Esclarecimentos sobre o Concílio Vaticano II- este não é um demônio

www.portalanjo.com

Muito prezado Rudolpho ,
Salve Maria.
 
    Muito obrigado pelo envio de seu artigo fazendo a defesa de Monsenhor Lefebvre e de Dom Mayer.
    Agradeço-lhe também a defesa feita por você contra o plágio do artigo de nosso colaborador e amigo Felipe Coelho.
    A falta de seriedade intelectual de certos modernistas defensores do Concílio Vaticano II é bem conhecida. Como é bem conhecida a falta de lealdade de certos sites que publicam inverdades, plágios e deturpações de artigos e se recusam a publicar refutações do que fazem.
    O senhor Felipe de Aquino e a tal colaboradora Taiguara bem mereceram suas críticas. Com prazer e alegria publicaremos seu artigo que faz tão boa defesa dos Bispos injustiçados por sua fidelidade à ortodoxia e à Missa de sempre. Dom Lefebvre e Dom Mayer, os quais sem capitulações e sem compromissos políticos vergonhosos souberam manter viva a chama da verdade católica em meio a todas às adversidades, injustiças e incompreensões.
    Agora, se Deus quiser, se aproxiam a hora da justiça para esses dois Bispos fidelíssimos. Que Deus os glorifique na terra, como certamente já os recompensou no céu.
    Obrigado por suas palavras generosas, mas rogo-lhe que substitua seus elogios à minha pessoa por orações, porque estas me são muito necessárias, e os elogios, descontada a sua generosidade, me são imerecidos.
    Um forte abraço e escreva-me sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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