Montfort Associação Cultural

8 de março de 2006

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Em defesa das Oficinas de Oração e Vida

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Kátia Mara
  • Idade: 33
  • Localizaçao: Praia Grande – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação em andamento
  • Profissão: Médica
  • Religião: Católica

Fiquei surpresa ao ler a infeliz resposta do prof. Orlando, quanto às Oficinas de Oração e Vida.
Como pode opinar sobre algo que desconhece ?
Como pode dizer que um trabalho tão magnífico como este, que “resiste” há mais de vinte anos, difundido por muitos países, aprovado pela Santa Sé, elogiado por autoridades eclesiásticas, que não tem fins lucrativos e nem sequer visa colaboração em espécie para continuar ( visto que nos dias de hoje é quase utópico se dizer que um trabalho tão gigantesco continue vivo somente pela boa vontade e a sede de Deus)…..é ruim ?
Poderia enumerar aqui os inúmeros benefícios que a Oficina de Oração e Vida leva consigo nesta caminhada, mas meu tempo e o seu são valiosos, portanto, sugiro que leia mais, que se informe verdadeiramente sobre o que é este serviço e o que ele pretende, para que depois possa aconselhar ou até mesmo opinar sobre tal assunto.
A Oficina de Oração e Vida não foge da realidade, mas põe vc em “sintonia” com o nosso querido Pai; ela não visa formar pessoas intelectualmente magníficas, mas mostra que para estar na presença amorosa de Deus basta aceitar em seu coração e com muita consciência e profundidade que Ele é o nosso porto seguro a nossa Paz tão almejada. Mais ainda, não se esconde nada, não se omite nada, mas após o término de um Curso destes, encontramos pessoas sedentas de Deus, buscando mais e mais estar com Ele no dia-a-dia e saber mais sobre Ele no seu intelecto.
Portanto caro prof. Orlando, gostaria até de poder um dia ver pessoas tão cheias de inteligência, tão cheias de informações sendo inspiradas pelo Espírito Santo de tal forma a ponto de na sabedoria Divina reconhecer o quanto é gratificante poder unir a alma ( espírito), o corpo (com todas as suas faculdades físicas e mentais) numa só oração, sem substimar a individualidade e a inteligência de cada ser humano.
Até sua resposta em breve e grata desde já.
Dra. Kátia Mara
Médica, católica por opção consciente, Guia das Oficinas de Oração e Vida desde 1999.

Muito prezada Doutora Kátia,
Salve Maria.
 
     Agradeço sobremaneira sua missiva tão respeitosa. Deus lhe pague.
     Inicialmente opinei sobre textos de orações que me foram dadas em consulta. E a posição anti intelectualista desses textos foi o que critiquei. Recebi, depois, um protesto de Dona Margarita Cano, e lhe respondi que ia estudar os livros do Padre Inácio Larrañaga, dizendo-lhe que, se constatasse engano de minha parte, com prazer me retrataria.
    Vejo que a senhora, como outras pessoas desse movimento, argumenta citando a aprovação do Vaticano às Oficians de Oração e Vida, e com o número de participantes desse movimento.
    Como frisei antes a Dona Margarita Cano, a aprovação do Vaticano tem peso, indubitavelmente. Porém, há que se considerar que, em nossos dias em que o Modernismo atingiu até o alto Clero, essa aprovação, guardando toda a sua autoridade jurídica, perdeu força. Veja, por exemplo, como o Papa Bento XVI teve que criticar os erros do Neo Catecumenato sobre a liturgia, e como esse movimento, que tem tantos erros gravissimos, reluta em obedecer ao próprio Papa. Entretanto, esse movimento de Kiko Arguelo tem a aprovação do Vaticano e conta com milhões de aderentes. Portanto, aprovação do Vaticano, hoje, já não tem a mesma força de antes, infelizmente.
    E o fato de possuir muitos aderentes é apenas um preconceito democrático de nossos tempos, em que o número é tido como prova de verdade e de bem. Ora, o número não tem nenhum valor probante de verdade e de bem. Cristo, no Calvário, não tinha vinte aderentes, e entretanto era a Verdade na Cruz. E há muitas seitas protestantes,– com “pedir mais cedo”, ou “pedir mais tarde” — que contam milhões de participantes, e nem por isso são verdadeiras ou boas, muito pelo contrário.
    Aceito sua sugestão de ler as obras que informam esse movimento — coisa que já comecei a fazer– e gostaria de ter mais informações a respeito dele. E como a senhora é, há sete anos já, uma Guia dessas Oficinas de Oração e Vida, peço-lhe que me informe o que faz. Como Guia a senhora seus grupos? O que fazem eles?  
    Por outro lado, li a obra Encontro, escrita por Padre Larrañaga, e fiquei estupefato com o que li. Era bem pior que as orações que me haviam subemetido a consulta.
    Estou escrvendo uma análise desse pequeno livro de Padre Larrañaga, livro que é totalmente romântico e com erros muito graves.
    Por exemplo, na página 27, se afirma sobre Deus: 

És o Mais Além e o Mais Aquém de tudo. Estás substancialmente presente em todo o meu ser” (Padre Inácio Larrañaga, Encontro, Loyola, São Paulo, 1985, p. 27).     


    Ora, prezada Dra. Kátia, a senhora deve perceber muito bem que essa afirmação é um erro gravíssimo contra a Fé, pois que aí se afirma que o homem é Deus.
    Como médica, a senhora sabe que, havendo um ponto na pele manifestamente de melanoma maligno, a pessoa está com uma doença gravíssima. Pois basta também um só ponto de “melanoma doutrinário”, para tornar uma obra doutrinariamnete cancerígena.
    Certo de que me atenderá e levará em consideração o que lhe digo com toda a caridade, e visando o bem das almas me despeço atenciosamente e sem nenhum rancor,

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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