Montfort Associação Cultural

31 de dezembro de 2010

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Elogio do Papa João Paulo II ao Neocatecumenato

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Roberto
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Católica

Caro Sr. Orlando Fedeli
Que a paz do Cristo Ressuscitado esteja sempre com o Senhor.

Tenho lido as opiniões que emite sobre o Catecumenato, e por diversas vezes quis responde-las….mas o pecado da omissão falou sempre mais alto.
Mas, em face a sua última carta, não posso mais ficar calado.
Tenho 37 anos, casado, pai de 4 filhas, e sempre participei da igreja de forma constante, sou um católico praticante, de família católica, muito bem alicerçado na fé, com a Graça de Deus. E participo há 13 anos do Caminho Neocatecumenal. Como pode ver, minha vivência de igreja não se restringe ao Catecumenato, pois sou MECE, e membro da pastoral de Batismo também.
Dessa forma, acho que estou em condições de emitir minha opinião.
De forma alguma vou afirmar que o Catecumenato é a única porta que leva ao céus, nunca me foi dito isso…mas afirmo com toda a certeza que é para mim, e para milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, o instrumento que Deus se utiliza para me conduzir.
A ligação do Catecumenato com a igreja é simples, pode-se resumi-lá a uma palavra: Obediência. Nunca nada que seja contrario a Igreja ou a Pedro é feito. Tanto é assim, que sempre somos acompanhados por um Padre, ou Bispo.
E aproveito aqui para pedir que o Senhor converse com Padres e Bispos que tenham o Catecumenato em suas paróquias, em suas dioceses…..posso citar muitos, se assim o Sr. desejar…seria de extrema importância para a formação de uma análise crítica.
No Catecumenato, vivemos o batismo, assim como Cristo viveu. É lógico que somos humanos, temos debilidades e fraquezas, mas a vida dentro das comunidades e dentro da igreja nos traz mais esperanças e nos aproxima de Deus.
Falo pela minha experiência, de uma pessoas que, apesar de conhecer a Deus, sempre quis ter a vida em minhas próprias mãos…era o Senhor da minha estória e dono da verdade. O quanto estava errado, e como Deus teve e tem paciência comigo.
Sr. Orlando, quando emitimos uma opinião em público, tornamo-nos formadores de opinião, e sempre influenciamos a outras pessoas. O Sr. já parou para pensar que pode estar afastando muitas pessoas de um caminho que possa trazer-lhes a salvação? Dessa forma, o Sr. torna-se responsável por isso, e, ouso dizer-lhe, de forma muito inconseqüente, sem conhecer a fundo, apenas baseado em pedaços, em ouvir dizer….e, perdoe-me, mas também sempre entendendo cada frase como o Sr. assim o deseja.
Poderia falar durante horas das maravilhas que aconteceram na minha vida, por obra e graça de Deus, mas dentro do Catecumenato, mas acho que seria infrutífero.
Limito-me a deixar-lhe duas coisas:
A Primeira, algumas cartas do Nosso Santo Padre falando do Caminho Neocatecumenal, uma explicação do mesmo dado pelo Kiko, e também alguma coisa dos seminários Redemptoris Mater ( Que são mais de 35 seminários Diocesanos, em todo o mundo, erguidos e mantidos pelo Catecumenato…sem dúvida uma amostra dos frutos do Catecumenato, pois nunca Deus permitira que surgissem vocações sacerdotais, missionárias e religiosas dentro de algo mau, certo?)
E a Segunda, um convite todo especial…participe de uma comunidade Neocatecumenal.
Verá, Sr. Orlando, que nada é escondido, nada é sacrílego, nada é feito fora da Igreja e sem que Pedro saiba e autorize.
Ai sim, poderá emitir sua opinião, baseada em fatos, e não de forma inconseqüente.
Desculpe-me se fui duro em certas horas, tenho rezado muito pelo Senhor, e espero que possamos nos falar muitas outras vezes.
Gostaria também imensamente que as cartas em anexo fossem publicadas em sua íntegra, acho que seria muito bom se todos pudessem ler e tirar suas próprias conclusões.

Um grande abraço, de um irmão em Cristo

Paulo Roberto
08 de maio de 2002.

Anexos:
1: 30 anos do Caminho
2: Carta enviada por João Paulo II a 150 bispos reunidos em Viena
3: Nota do Caminho Neocatecumenal por Kiko Arguelo
4: O Caminho Neocatecumenal
5: Que são os seminários Redemptoris Mater
6: Reconhecimento “oficial” do Caminho Neocatecumenal

Muito prezado Paulo Roberto,
salve Maria.

     Agradeço-lhe, antes de tudo, suas orações por mim, orações de que tenho muita necessidade.
     Percebi, por sua missiva, que você é movido sinceramente na busca do bem. Também eu gostaria de manter contato com você, e pessoalmente, se possível
     Mande-me o seu telefone, para que mantenhamos um contato pessoal, mais fácil.
     Tenho plena consciência de que conforme o que dizemos, podemos ajudar a salvar ou perder as almas de nossos irmãos.
     Você me dá três argumentos a favor do neocatecumenato:

1) o neocatecumenato o ajudou espiritualmente;
2) o grande número de pessoas que aderem a esse movimento, e a grande quantidade de seminários que ele mantém;
3) os elogios do Papa João Paulo II ao movimento.

     Meu caro Paulo Roberto, acredito que você, de fato, possa ter progredido espiritualmente. Sua boa fé pode ter-lhe alcançado graças de Deus. Mas isso não significa que o neocatecumenato não tenha erros.
     Esse seu argumento — me perdoe a comparação, que tem apenas fim didático — é parecido com o de certos protestantes que, por terem abandonado a bebida, pensam que a seita Evangélica “Sopa, Sabão e Salvação” seja a árvore boa, porque dela pensam ter colhido o bom fruto da sobriedade.
     O fato de ser grande o número de pessoas que seguem os erros do neocatecumenato não prova nada. Há seitas ainda mais numerosas. A verdade não depende do número.

     Quanto aos textos que você me mandou, há, de fato, um elogio ao neocatecumenato feito pelo Papa João Paulo II.
     Evidentemente, partindo do Papa, o elogio merece todo respeito e tem um peso imenso. Mas ele deve ser visto nos limites em que tal elogio implica a autoridade do Papa.
Esse elogio foi feito numa recepção a peregrinos, que o Papa recebe benignamente. O Papa, nesse discurso de recepção, não se propôs a analisar o conteúdo doutrinário do neocatecumenato. Ele não é um atestado de ortodoxia, nem esse elogio torna verdades de fé os erros graves de Kiko e de Carmem. Nem, muito menos, nesse elogio, ficou empenhada a autoridade ex cathedra do Papa.

     Já comentei, em resposta a outros que levantaram esse argumento, que São Pio X fez elogios semelhantes ao Sillon de Marc Sangnier, e fez o Cardeal Merry del Val mandar uma recomendação aos Bispos franceses, para que apoiassem o Sillon. Depois, São Pio X condenou os erros do Sillon, e disse que fora enganado por ele (cfr. São Pio X, Carta Apostólica Notre Charge Apostolique).

     Há ainda um outro caso, com o mesmo São Pio X. Ele aprovou a fundação, e apoiou, o Sodalitium Pianum. Elogiou-o muito. Mas jamais consentiu em aprovar os seus estatutos como Monsenhor Benigni queria que fossem aprovados.

     Outro caso ainda. Pio XI chamou Mussolini de “O Homem da Providência” e protestou contra o Duce, quando este proibiu que se aceitassem membros da Ação Católica no movimento fascista. Afirmou Pio XI que todo católico tinha direito de entrar no movimento fascista.
     Coloco a citação de um historiador, para que se saiba a fonte do que digo:

“Numa audiência aos estudantes católicos, Pio XI os interrogou, e o líder dos estudantes, Dr. Righetti, ligado a Montini, protestou contra as medidas que o governo fascista tomara contra os estudantes católicos. “Entre essas últimas, dizia ele, é preciso por em relevo aquela que proclama a pretensa incompatibilidade de afiliação simultânea a nossa federação e aos grupos universitários fascistas.
– “E os senhores, continuou o Santo Padre, que fizeram para dissipar esses mal-entendidos, para demonstrar a compatibilidade – NÓS DIZEMOS BEM, A COMPATIBILIDADE – já proclamada? Os senhores têm jornais, têm imprensa própria?”
(Mons. R. Fontenelle, Sa Sainteté Pie XI, Spes, Paris, 1937, 251, as maiúsculas são nossas).

     Em 1931, porém, Pio XI, na encíclica “Non abbiamo bisogno“, fez questão de proclamar A AÇÃO CATÓLICA INCOMPATÍVEL COM O FASCISMO !!!:

“Pio XI respondeu aos fascistas com a encíclica Non abbiamo bisogno, datada de29 de junho de 1931, mas publicada no Osservatore Romano apenas em 5 de julho. Nela, Pio XI afirmava que dera ordens categóricas à Ação Católica para ficar fora e acima da política. Negava ainda a acusação de que muitos chefes do Partido Popular eram dirigentes da Ação Católica. Afirmava que havia apenas quatro pessoas nesse caso, e todas em boas relações com o Partido Fascista. O Papa denunciava o propósito do Fascismo de monopolizar a juventude para o Partido, para uma ideologia, o que redundava em verdadeira estatolatria pagã. O que era uma ótima denúncia. Acusava ainda o Fascismo de impedir que a juventude fosse para Cristo e para a Igreja.”
Contraditoriamente com o que havia declarado antes, o Papa afirmou textualmente, e com razão desta vez: “Ora, uma concepção que faz pertencer ao Estado as jovens gerações, inteiramente e sem exceção, desde a primeira idade até a idade adulta, não é conciliável com o direito natural da família. Para um católico, não é uma coisa conciliável com a doutrina católica pretender que a Igreja, que o Papa, devam se limitar às práticas exteriores da religião (a Missa e os sacramentos) e que o resto da educação pertença totalmente ao Estado”(Fontenelle,264). Isto era, repetimos, exatamente o oposto do que Pio XI dissera anteriormente sobre a compatibilidade de ser católico e fascista.”
Depois de uma tão excelente declaração, Pio XI concluía dizendo: “E é por isso que Nós acrescentamos como conclusão de tudo o que acabamos de dizer: Nós não quisemos condenar o partido e o regime enquanto tais”.
“Nós quisemos assinalar e condenar tudo o que, no programa e na ação do partido, vimos e constatamos de contrário à doutrina e a prática católica, e, por conseqüência, de inconciliável com o nome e a profissão de católicos”
(Pio XI, Non abbiamo bisogno, apud Fontenelle, 265).

     Perdoe-me a citação tão longa, mas achei conveniente fazê-la para deixar bem claro o que digo.
     O mesmo Papa Pio XI, o grande responsável pela fundação da Ação Católica, sempre a elogiou e a incentivou. Entretanto, esse movimento desde o começo teve graves erros, que a levaram, afinal, a rebelar-se, na França, contra os Bispos, e, no Brasil, a aliar-se com partidos revolucionários e a apoiar a guerrilha comunista de Mariguela.
João XXIII, quando ainda era Arcebispo, embora apenas em carta particular à sua família, elogiou o Duce e o governo de Mussolini, considerando-o guiado por Deus — o que não é pouco — embora, depois, se tenha se mostrado contrário ao fascismo.

“Benditos nós na Itália. Desta vez é preciso mesmo dizê-lo: há uma mão que guia o Duce pelo bem dos italianos. Eu creio que Deus queira recompensar governantes e súditos pela paz feita com a Igreja (…) E é preciso que sejamos reconhecidos a Mussolini. Quantos homens de Estado houve na Itália antes dele ! Os Papas sempre estiveram dispostos à conciliação, mas sempre faltou o homem capaz de corresponder a eles da parte do Estado” (Mons. Roncalli — João XXIII, Carta à família, em 25 – XII- 39, apud Hebblethwaite, Giovanni XXIII, Rusconi Milano, 1989, p. 230).

     E comentou o historiador, o ex sacerdote Peter Hebblethwaite:

Certamente [Roncalli] não foi jamais assim filo facista (…) nesta data, porém, não é mais um antifascista tão nítidamente como antes. ( …) aceita o fascismo, porque é difícil realisticamente se pensarem outras soluções” (Hebblethwaite, Giovanni XXIII, Rusconi Milano, 1989, p. 227).

     Veja você, prezado Paulo Roberto, que surpresa: João XXIII apoiando o Duce fascista, elogiando Benito Mussolini !
     É certo que ele ainda não era Papa, e que escreveu isso numa carta particular — o que diminui enormemente o peso do elogio — mas … não deixa de ser surpreendente.
     De modo que os elogios de Papas a movimentos são comuns, mas esses elogios não são atestados de ortodoxia, nem canonizações.
     E, se há Bispos que apoiam o neocatecumenato, há outros que o condenam.

     Você me diz que :

“A ligação do Catecumenato com a igreja é simples, pode-se resumi-la a uma palavra: Obediência. Nunca nada que seja contrario a Igreja ou a Pedro é feito”.

     Que bom !!! Tomara que seja mesmo assim.
     Você terá a oportunidade de verificar se isso é verdade, no caso da confissão comunitária que Carmem e Kiko defendem, e que o neocatecumenato incentiva e pratica. Pois o Papa João Paulo II acaba de proibir a confissão comunitária, dizendo que ela foi um abuso (cfr. Motu Próprio Misericordia Dei).
     Vamos ver se Kiko e Carmem fazem uma declaração pública de que erraram ao incentivar a confissão comunitária e ao combater a confissão pessoal. Vamos ver se essa obediência, a que você faz referência, é real.
     Tomara que seja.
     Mas …quero ver.
     Rezo e aguardo
     E quanto à aprovação dos estatutos do neocatecumenato, a carta do Papa, datada de 1997, afirma que esse movimento ainda não teve seus estatutos aprovados, e sabe-se que uma das razões disso são os erros doutrinários graves existentes nas Apostilas de Kiko.
     Enquanto aguardo essa futura prova de bom espírito e de obediência aceitando o Motu Proprio Misericordia Dei, me subscrevo com amizade e
in Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.

PS. Posso fazer-lhe uma sugestão? Faça você, pessoalmente, um ato de adesão e de obediência ao Papa, declarando que a confissão comunitária foi um abuso que deve ser abolido, e exija que o neocatecumenato declare obediência a esse decreto do Papa, e que renegue o que ensinou Carmem sobre o Sacramento da Penitência ou Confissão.
Espero, de sua sinceridade e boa fé, esse ato heróico. E rezo por você. OF

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