Montfort Associação Cultural

31 de janeiro de 2005

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Einstein e a verdade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Lucas Campello
  • Idade: 18
  • Localizaçao: Belo horizonte – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Olá importantíssimos professores do site Montfort. Sou leitor assíduo do site e sou fã do Orlando Fedeli.

Procuro ser um apologista católico e constantemente, enjoativamente, sou abordado com a questão da verdade. Todas as pessoas falam que a verdade é relativa. Me disseram que, segundo Einstein, somente a velocidade da luz não é relativa. Logo, a verdade é relativa.

Essa questão da verdade já havia sido comentada no site antigo da Montfort, porém o nome Einstein não foi citado.

Peço, pois seria mto importante pra mim, uma análise:

Einstein – Teoria da Relatividade – Relativismo – Verdade

Um abraço do leitor assíduo,

Lucas Campello Lopes.

Muito prezado Lucas,
Salve Maria!
 
    Muito obrigado por suas palavras. Mas peço-lhe que, em vez de admirar um pobre professor secundário,  –e muito secundário sem nada de “importantíssimo”–, você admire e siga apenas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Só Ele deve ser seguido, pois que a Sagrada Escritura diz: “Maldito o homem que confia no homem”
    Somos católicos e só temos a Jesus Cristo como divino modelo, e a seus santos que o imitaram.
    E eu não sou nada santo. Estou bem longe disso, desgraçadamente. “C´est loin du trésor de Venise…”
    E deixando de lado o que é “secundário”, passemos ao que é realmente “importantíssimo”.
    Verdade, como você deve saber, é a correspondência entre a  idéia de um sujeito com relação ao objeto conhecido por ele.
    Assim, se tenho idéia de que o teclado é teclado, tenho a verdade sobre ele.
    Se penso que teclado é dentadura de jacaré, minto. Se acredito que o teclado é mesmo dentadura de jacaré, e saio correndo de medo, sou louco. E não adianta dizer que sou “autêntico”, porque creio nesse delírio.
    Há pois só quatro posições possíveis diante do que conhecemos:
 
    1 ) Se alguém tem idéia correspondente ao objeto conhecido: possui a verdade sobre ele;
   
    2) Se tem, sobre o objeto conhecido, uma idéia que não corresponde a ele, então ele não possui a verdade sobre ele, e se alguém afirma a idéia que não corresponde ao objeto, essa pessoa está errada, ou equivocada a respeito dele;
 
    3) Se a pessoa sabe o que o objeto é, e nega o que ele é, mente;
 
    4) Se alguém acredita mesmo que o objeto é outra coisa do que ele realmente é, a pessoa é  louca (ainda que se creia autêntica! Pois assim como há loucos autênticos, assim há também “autênticos” loucos, ou seja pessoas que se julgam “autênticas”, mas que dizem autênticas loucuras).
 
    A verdade é uma só
 
    Nossas inteligências “fotografam” a realidade, e a “fotografia” que tiramos  dos objetos é a idéia que temos das coisas conhecidas, correspondente à sua forma substancial. Por isso, podemos conversar, porque todos vemos as coisas como são, do modo que elas são.
    A verdade é universal, no tempo, e no espaço.
1 + 1 = 2 há muito tempo, e sempre será assim. A verdade não depende do tempo.
1 + 1 = 2 em todo lugar. Portanto, sendo a verdade sempre a mesma, em todo lugar, e em todos os tempos, a verdade é universal e imutável.
 
    A verdade é objetiva,  isto é, a verdade não depende do sujeito conhecedor, e nem da maioria.
    O que cada um acha do sol não muda a realidade do sol. Se a maioria votar que o sol é frio, nem por isso ele deixará de ser quente, e irá comprar um cachecol. Durante a Revolução Francesa se colocou em votação, num clube revolucionário, se Deus existia. E Deus só teve dois votos.            
    Entretanto, Deus continuou existindo.
    “Qui habitat in coelis irridebit eos”.
   
    Não é porque a maioria dos judeus preferiu Barrabás a Cristo, que Cristo se tornou criminoso e Barrabás honesto
    Eu não “acho” que a Igreja Católica é a única verdadeira .
    A Igreja Católica é única verdadeira. Mesmo que eu e todo o mundo achássemos o contrário, a Igreja Católica continuaria a ser a única verdadeira, porque Deus a fez tal, e não porque eu ou a maioria achamos isso.
    O que eu acho não vale nada.
    O que você acha não vale nada
    O que a maioria acha não vale nada.
    Vale o que é.
   
    Nunca na História se “achou” tanto como hoje, e nunca a humanidade esteve tão perdida quanto em nossa época.
    Quem “acha” é o serviço meteorológico, …que normalmente erra a previsão do tempo. Quem acha é “intelectual” que nada sabe. 
    Opinião é palpite de “intelectual”.
    Quem é sábio não”acha” nada : tem certeza.   
    Você me pergunta sobre a teoria da relatividade de Einstein e a noção de verdade imutável.
    Hoje, tolamente, muitos, pensando aplicar a teoria de Einstein sobre a Relatividade, afirmam arrotando (perdoe-me a palavra) empáfia: “Tudo é relativo”.
    E esse slogan –que nada tem a ver com a teoria de Einstein–é um autêntico relincho de pseudo intelectual.
    Por que relincho?
    Claro.
    Se tudo é relativo, essa frase tola também é relativa, e não teria valor senão relativo.
    Se se afirma que a frase “tudo é relativo” tem valor sempre, absolutamente, então ela tem valor absoluto, mas então nem tudo é relativo, pois a frase “Tudo é relativo” teria valor absoluto.
    Logo, essa frase slogan é um miserável relincho na estrebaria do racionalismo relativista.   
    A respeito dessa confusão entre relativismo da Física e relativismo doutrinário, o próprio Einstein protestou por diversas vezes.  
   Recomendo que você leia o livro Einstein e a Religião de Max Jammer (Edição Contraponto, Rio de Janeiro, 2000). Pois na página 29 desse livro se pode ler o seguinte:
    “A expressão Teoria da Relatividade foi uma escolha infeliz. Sua essência não é a relatividade do espaço e do tempo, mas a independência das leis da natureza em relação ao ponto de vista do observador. Essa denominação precária levou o público a acreditar, erroneamente, que a teoria implica uma relatividade de concepções éticas mais ou menos como o Além do bem e do Mal de Nietzsche”.
    O próprio Einstein enfatizou: “A teoria da relatividade não é um ato revolucionário, mas o desenvolvimento natural de linhas que vem sendo seguidas há séculos”. Noutra ocasião, ele declarou que sua teoria “nasceu do eletromagnetismo de Maxwell e Lorentz, como um resumo e generalização surpreendentemente simples de hipóteses anteriormente independentes.É óbvio que um simples “resumo e generalização” de idéias anteriores nada tem a ver com a revolta contra a autoridade ou a religião” (Einstein in Max Jammer, Eisntein e a Religião, ed.Cit., pp 29-30).
    Esperando ter atendido, pelo menos em parte– ou relativamente – o seu pedido, me despeço amistosamente,
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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