Montfort Associação Cultural

21 de julho de 2005

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Educação Religiosa na PUC e Movimento Comunhão e Libertação

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Roberto Santos de Carvalho
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado Professor Orlando Fedeli,

Agora, 15 e 16 de julho, estive num encontro para educadores, realizado na PUC/SP. Tratava-se de evento promovido pelo movimento católico Comunhão e Libertação ( fundado pelo padre Giussani ) para falar de educação religiosa. Porém, assistindo as palestras, ouvi Chopin, Mozart, vi análise de quadros de Van Gogh, depois outras analisea de redações de alunos falando sobre seus desejos e anseios. A partir deles as professoras ( integrantes do movimento do padre Giussani) acabavam por extrair significados que permitiam se aproximar e dialogar com os alunos. O encontro portanto era para firmar posição em torno da pedagogia do padre giussani, ela que dá identidade ao grupo, as dinâmicas culturais todas tiradas dos livros de Giussani. De catecismo, doutrina da igreja nada se falou. Quando muito ouvi falar de Cristo ” beleza encarnada”. Beleza encarnada – onde se quer chegar exatamente? Em meio as atrações culturais nas palestras vi uma palestratrante fazendo caretas adolescent es ao dizer como soa rançoso o salve rainha (degredados filhos de eva ), enquanto outra palestrante, que também se dizia católica, e igualmente do movimento, no dia seguinte afirmava que se notasse num aluno seu uma franca devoçao à oxossi então daria-lhe a maior força aele nessa procura ( tal qual a que daria a outro que professasse Cristo, disse ela). Lastimando e me enervando profundamente com aquilo que se tornou a educação religiosa nas escolas, sinceramente passei a me perguntar se a obra do Monsenhor Giussani – ora teologicamente complexa, ora exaltadora dos sentidos – não dá margem a estas confusões. Desconfiado tomei o livro ” Educar é um Risco “, onde o padre pedagogicamente ensina o ” educar para a crítica “: levar o jovem a questionar a tudo que seus pais lhe ensinaram como certo, ensinando o jovem a submeter cada ensinamento àquilo que diz o seu coração – se certo ou errado.

Isso me pareceu um ensinamento contrário à doutriuna católica, já que a verdade não está dentro de cada um. Pior: ongs criadas por sexólogos, que ensinam hoje em escolas católicas a técnica do empoderamento – questionar tudo o que seus pais ensinaram – a pretexto de que o jovem tenha opinião própria , e não se deixe influenciar, armaram uma cilada para os pais e famílias visto que quanto mais cedo se tirar o jovem da esfera de responsabilidade constitucional dos pais, quanto à sua educação, mais os colocam próximo à permissividade e a uma vida sexual prematura.

Espanta-me portanto que a mesma técnica – que é prima do clareamento de idéias, de Carl Rogers: ” o jovem deve ser estimulado a expressar todos seus anseios e desejos ” – seja de certa maneira praticada num grupo como o de Comunhão e Libertação.
do a expressar todos seus anseios e desejos ” – seja de certa maneira praticada num grupo como o de Comunhão e Libertação.

A paróquia PUC/São Paulo é a maior representante e incentivadora deste movimento e nos grupos de estudo semanais se diz que a obra de Giussani requer uma veradeira iniciação para que se possa bem compreende-la. Existe uma pequena livraria dentro da secretaria e ali não se vê nenhum livro que ensine as coisas básicas do catecismo, acessível aos launos da Puc, que como se sabe estão entregues a um veradeiro deus dará, a maconha fumada em todos diretórios ( cartazes dizem que é proibido fumar maconha) sob os olhares cúmplices da segurança. Digo do que vi com meus próprios olhos porque diariamente compareci a PUC para pesquisar na biblioteca neste primeiro semstre de 2005. Formei-me na PUC e estou a vontade para dizer destes e outros males, já que para piorar ainda mais este cenário o auditório da biblioteca – onde todos os alunos passam quase que diariamente – passou o semestre inteiro uma mostra de Almodovar. Travestismo, relações de gênero, inseminação artificial em lésbicas f oram passadas semanalmente. O ” Mà Educação ” – libelo glbtt contra a igreja – lotou todas as sessões, sempre feitas de manhã e a noite.

Como a PUC/SP chegou a isso, sua divida com os bancos de 40 milhões de reais em parte explica: a igreja paulista agora fiadora do alongamento da dívida e financiamento de 80 milhões de reais para que a universidade não seja entregue aos credores. Um dos fatores deste rombo, além da má adminsitração das reiorias anteirores, foi a concessão de bolsas nos últimos 5 anos. Bolsas para áreas onde é ensinado puro relativismo.

O papa Bento XVI disse agora a pouco que a obrigação da Faculdade Católica é ensinar a verdade, no que sua fala surge bem no momento em que o setor de especialização da PUC/SP anuncia abertas as matrículas para o curso ” A Homossexualidade na Adolescência – Novos Significados e Sentidos”.

Mais Quais significados e sentidos?

Leia-se a apresentação do curso:

” N o curso, a homossexualidade e o período da adolescência são encarados como uma construção histórica e social. A abordagem inédita procura desconstruir supostas “verdades” essencialistas sobre o assunto…”.

Impressionante que este curso seja oferecido pela PUC. Irônico que isso aconteça justo no momento que os bancos acabam de exigir para a concessão do crédito e alongamento da dívida que a igreja vistorie a aplicação dos recursos.

Agora em julho de 2005 um padre foi nomeado para estar no dia a dia da universidade cumprindo esta função de vistoriar e mal chegou já existe página de jornal da apropuc e associação dos docentes, ambos preocupados com a autonomia universitária.

Quer dizer – os mesmo que afundaram a universidade vêm ainda posar de consciência da moralidade administrativa, não a toa da PUC/SP durgiu grande parte dos petistas, quando não o apoio ostensivo da igreja do mesmo don cláudio, arrecadador de fundos para os grevistas do abc, lá em 78.

Pois nestes mesmos dias em que vemos o pt mostrando sua veradeira face – PT que foi criado com a ajuda inestimável de setores da igreja católica e ajuda também destes mesmo intelectuais que ensinam na PUC o relativismo – eu aqui, vendo o espaço que o movimento do padre Giussani tem na PUC, vendo ainda a omissão deles quanto a oferecer aquela catequese segura, pergunto ao senhor se a obra do Monsenhor Giussani não é alienante quanto a verdadeira catequese, dúbia, impregnada de referências heterodoxas que confundem o entendimento das posições da igreja. Um conjunto de conceitos que ao final mais confundem do que esclarecem.

Tão incensado por Roma foi o Monsenhor Giussani – com elogios de João Paulo II e Cardeal Ratzsinger – imagino daí que será difícil alguém se animar a colocar a lupa e ver o que de duvidoso existe em sua obra e daí decidir apontar o problema. Eu que não sou teólogo nem nada posso ver onde a pedagogia do ” educar para a crítica ” leva e imagino quantos outros problemas não parecerão frente a uma leitura atenta. O encontro narrado acima mostra um resultado que convida a investigar, e veja que não é uma questão acadêmica, já que amplos setores de católicos ligados à educação religiosa se enfileiram frente à obra de Giussani ( sem ao menos serem capazes de tomar uma posição – ou sequer perceber – contra aberrações que ocorrem em sua própria casa, a puc/sp ilustrando este desvario.

No próprio site da montfort, não existe uma manifestação clara a respeito dos conceitos do Monsenhor Giussani na sua obra, embora em meio a uma resposta sobre modernismo no Vaticano II se faça referência ao falar-se do conceito de ” presença ” :

” …integral da pessoa; é uma relação primariamente interior, a experiência de
uma “presença” [Como isso parece a linguagem de Monsenhor Giussani ! … “
www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos& subsecao=pratica&artigo=romantismo_modernismo&la… – 255k -

Enfium, o senho, professor Fedeli, que dedicou sua vida ao ensino dos jovens, pode melhor que ninguém analisar e oferecer a seus leitores o que se pode tirar de bom ( ou de ruim ) de um panorama destes. Se a obra do Monsenhor Giussani é fidedigna ou não é preciso saber ao certo.

Att

H. Carvalho

Muito prezado Dr. Carvalho,
Salve Maria!
 
    Há tantos movimentos errados, hoje, nos meios católicos, devendo ser combatidos, que não me deixaram tempo para atacar, de modo mais direto e específico, o que diz Monsenhor Giussani. Ademais, a “Presença” de Monsenhor Giussani e de seu movimento, em São Paulo, é — Graças a Deus! — praticamente uma Ausência
    Você me informa que essa Ausência bendita está se tornando agora uma Presença revolucionária e cheia de erros malditos, na PUC.
    Como se não bastassem tantas coisas erradas na PUC, temos lá agora também a misteriosa e suspeitíssima “Presença” nebulosamente pregada por Monsenhor Giussani, que faz seus adeptos torcerem a cara para o que diz a Salve Rainha, e que ecumenicamente toleram até a macumba.
    Que tolerâncias há na PUC!
    Há muitos anos atrás, li e guardei algumas revistas da Comunhão e Libertação, para criticá-las, na primeira oportunidade em que esse movimento desse ares de sua esotérica e modernística “Presença“.  Mas como, no Brasil, esse “movimento” é paradoxalmente muito “parado” — quase sem expressão, — fui deixando para trás a redação de alguma crítica.
    Sua muito bem-vinda carta me vem alertar para a necessidade de dizer então algo sobre Monsenhor Giussani que — pelos artigos que conheci dele — é um completo modernista.
    Aliás, é certo que a obra dele requer uma verdadeira iniciação, tanto a linguagem que ele usa parece esotérica. 
    Não conheço o livro dele a que você faz alusão. Vou procurar adquirir as obras de Monsenhor Giussani para redigir uma crítica fundamentada aos erros modernistas que ele defende e difunde.
    É bem interessante — mas não é de modo algum uma novidade — o que você diz da PUC de São Paulo, colocada por Dom Arns a serviço do PT-Mensalão, o partido da Ética e da revolução marxista de Fidel.
    Estamos vendo e sentindo — no bolso e no olfato –o que diferencia a famosa ética da Moral. Na política nacional, e na PUC da tolerância.
    Também eu tive a infelicidade de cursar o Curso de Ping-Pong, na Puc, quando lá me matriculei, no Curso de História, entre 1951  e 1954. Já naquele tempo, na PUC de São Paulo, sentiam-se outros cheiros bem diferentes que o bom perfume de Cristo.
    E depois é que vieram Dom Agnelo e Dom Arns.
    Imagine!
    E agora, chegou Dom Hummes, o Cardeal que declarou que “Lula é católico à sua maneira”. E que não se declarou decepcionado, e nem protestou, quando Lula aprovou a lei do uso de células-tronco embrionárias, e nem quando Lula, do PT-Mensalão, nomeou uma comissão para preparar a lei do aborto.
    A PUC — tendo mentalidade petista e não católica –, trabalha contra a Fé. Soube até de professores que dão aulas de “Teologia”,  lá dentro, e que se declaram ateus, em suas supostas aulas de religião.
    Como o PT, a PUC também se enroscou em dívidas.
    Cristo disse para buscarmos, antes de tudo, o Reino de Deus e sua Justiça, e que tudo o mais nos seria dado por acréscimo.
    Esses Cardeais petistas, que têm desgovernado a Arquidiocese e a PUC, entregando-as aos comunistas “cristãos”, e que tem tolerado tudo, — menos o bem–, procuraram, antes de tudo, o Reino do PT e o da injustiça.
    Puseram o Lula lá.
    Perderam a justiça, o prestígio, e tudo o mais.
    Ficaram com as dívidas e os escândalos
    Ser modernista exige, antes de tudo, servir o socialismo, e ser tolerante  a tudo, capitulando diante de todos os baais da Modernidade, inclusive os baais que pregam a tolerância ao uso de drogas e à sexualidade livre. Daí, as coisas escandalosas que você testemunha ocorrerem lá, na PUC, nestes tempos de aggiornamento conciliar.
    A nova igreja jovem só podia ter uma PUC desse nível.
    Agradeço-lhe sua carta .
    Tenha a certeza de que não deixarei de atacar — o mais breve que possa – esses que pregam a “Comunhão” com os hereges e a Libertação de toda obediência a todas as autoridades que Cristo mandou que honrássemos, inclusive a dos pais.    
 
In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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