Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2005

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Éden, Torre de Babel e Nimrod

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jair
  • Localizaçao: Santos – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído

Boa tarde, Que a PAZ de DEUS esteja nos vossos corações, familiares e amigos.

Sr. Orlando,

Procuro sempre estar atento às novidades deste site e pude perceber que o vosso conhecimento da palavra de DEUS é enorme. Peço a DEUS que o mantenha assim e que ilumine cada vez mais a sua cultura e que sua fé em Jesus e sua mãe Maria seja um exemplo a cada visitante.

Estou escrevendo porque tenho dúvidas que exporei abaixo:

1) No Gênesis, diz claramente que DEUS castigou a serpente fazendo-a rastejar sobre o seu ventre. Pergunta: tinha a serpente patas ou pernas e braços como os seres humanos?

2)A Torre de Babel realmente existiu? Note que no Iraque há vários ziggurattes, e se o Senhor DEUS destrui a Torre de Babel, porque não destruiu os outros ziggurattes? Note que ainda existe o zigguratte de Ur, no atual Iraque.

3) Nimrod, o construtor da Torre, realmente existiu? Existe prova arqueológica ou científica da existência desta figura bíblica?

Agradeço antecipadamente caso V.Sa. possa me dar alguma dica de leitura sobre o assunto.

Atenciosamente,

Jair

Muito prezado Jair, salve Maria!

Muito obrigado por seus elogios ao site Montfort, e por suas generosas, mas exageradas, palavras, para comigo. Agradeço-lhe muito mais por sua orações a Deus em meu favor, que delas preciso e muito.

Quem falou com Eva foi o demônio, usando o corpo de um animal.

Deus, para simbolizar o castigo do demônio, amaldiçoou a serpente com as palavras que você cita.

Parece-me então — e aqui lhe dou apenas a minha opinião que pouco ou nada vale — que, pelas palavras usadas por Deus, de fato, Ele introduziu mudanças no corpo do animal possuído pelo diabo, para que, por meio dos símbolos introduzidos nas mudanças físicas da serpente, compreendêssemos o que fez o demônio.

Em que fundo minha opinião?

Baseio-me no texto da Sagrada Escritura que diz: “A própria vista desses animais não mostra nada de bom neles porque foram excluídos da aprovação e da bênção de Deus” (Sab. XV,19).

Ora, na criação, Deus afirmou que tudo o que Ele fez era bom. Toda criatura é boa em si mesma, enquanto ser, e não há então um animal mau, enquanto ser. Se Deus diz que alguns animais foram excluídos da bênção dEle, seria porque, depois do pecado, Deus mudou algo neles, para que simbolizassem os vícios humanos, ou a maldade do diabo.

(Repito que esta é uma mera opinião pessoal minha, sem valor nenhum, e que não pretende ser a explicação certa).

Tome a serpente, como exemplo.

É claro que sendo ela uma criatura de Deus, enquanto ser, ela é boa. Mas Deus colocou nela certos símbolos que lembram o demônio e o modo de agir dele.

Assim a serpente tem uma língua bífida, dupla, dividida, porque o demônio sempre diz a mentira, escondendo-a em parcelas de verdade. Por isso, uma mentira é, então, tanto mais enganadora, quanto mais ela possui elementos verdadeiros. É impossível haver uma mentira absoluta. A fórmula da mentira seria: M = verdade/ n (sendo n diferente de um).

A serpente se arrasta coleando, como o diabo e os maus se aproximam de nós de modo não reto, mas fingindo ir para um lado quando vão para o outro. A serpente é viva, mas tem em seu corpo o frio da morte, como o diabo que está vivo enquanto ser, mas está frio pela morte em seu pecado.

E Deus condenou a serpente a arrastar-se e a comer o pó da terra, isto é, o demônio que quis erguer-se até o trono de Deus se arrasta pelo chão, porque quem se exalta será humilhado. E ele come o pó da terra, isto é, devora os homens maus, porque o homem foi feito do pó da terra.

A Torre de Babel, de Babilônia existiu, sim, porque tudo o que diz a Sagrada Escritura é verdade histórica, como ensinou o Papa Leão XIII.

A Torre que Deus impediu de ser construída realmente os babilônios tentaram fazê-la com o intuito de “chegar ao céu”. Evidentemente é impossível fazer um edifício que chegue ao céu.

O que eles queriam dizer, moralmente, com “chegar ao céu”, seria alcançar uma fama imorredoura. Eles faziam as torres (os Zigurats) como você bem lembra, mas queriam fazer um Zigurat extraordinário, altíssimo, que lhe perpetuasse o nome, para sempre, na História.

Doutrinariamente, fazer algo natural para “alcançar o céu” é uma pretensão naturalista de, por meios exclusivamente terrenos e naturais, querer atingir o sobrenatural, heresia repetida pelo Pelagianismo.

Aliás, Menotti del Picchia, discursando na Semana de Arte Moderna de 1922, disse que os artistas Modernos queriam construir a nova Babel, para alcançar o céu. Isso era a renovação da pretensão babilônica de fazer uma sociedade perfeita, sem Deus: a Utopia.

E os artistas modernos criaram as cidades modernas, onde é insuportável viver. E Menotti disse ainda que não há beleza sem uma chaminé de fábrica fumegante e fumegando.

A arte Moderna foi a propulsora da poluição ambiental. E, contraditoriamente, são os defensores da Arte Moderna — do “belo” horrível — que, hoje, atacam a poluição industrial preconizada pela mesma Arte Moderna.

A Sagrada Escritura cita Nemrod, nome que aparece em muitos mitos e lendas antigas. Ora, então é muito provável que tenha realmente existido um rei com esse nome. Mas se ele, de fato, era chamado com outro nome, pouco importa, porque houve, sem dúvida, um soberano que mandou fazer a torre — o grande Zigurat — da Babilônia.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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