Montfort Associação Cultural

17 de janeiro de 2005

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Ecumenismo e cristianismo primitivo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: David C. Spadaro
  • Localizaçao: – Brasil
  • Religião: Outras – escreva abaixo

Prezado Prof. Orlando Fedeli,

Inicialmente permita que me apresente brevemente.
Mais do que cristão católico, declaro-me um CRISTÃO PRIMITIVO, pois tenho procurado seguir a fé cristã em sua forma mais pura e simples, livre das barreiras do denominacionalismo, mas sem incorrer em sincretismos, pois assim como Paulo nos adverte em I Cor 1, 11-13, todo e qualquer sectarismo representa mais uma ferida no Corpo de Cristo na Terra, que é justamente a Igreja.

Todo o ministério de Cristo na Terra nos exortou à simplicidade, ao amor ao próximo e à pureza de coração, exatamente como Ele mesmo nos ensina no Sermão da Montanha (Mt 5).

Eu ainda acredito no ecumenismo como o único bálsamo para essas horríveis feridas! Não se trata de unir todas as igrejas em uma, ao contrário do que pensam muitos sectaristas convictos que atacam o ecumenismo sem ao menos tentarem saber do que se trata. O objetivo do ecumenismo não é fazer com que a identidade de cada igreja particular seja desprezada, pois justamente visa manter unidos os ramos-igrejas à videira, que é Jesus! Eu sei que esse não é um sonho impossível, pois essa é justamente a vontade expressa pelo Senhor Jesus Cristo, que orou ao Pai pela unidade de todos os cristãos, “para que todos sejam um…” (Conf. Jo 17, 20-21).

Amado irmão, somos todos ramos da mesma videira (Jo 15, 1-8) que é Jesus, e temos que frutificar, pois esta é a vontade do Pai.

E assim tenho prosseguido em minha missão de dialogar com os irmãos cristãos das mais variadas denominações e sempre com muito sucesso, em nome de Jesus! Assim, foi com enorme tristeza que acompanhei a vergonhosa troca de insultos e provocações pessoais de ambos os lados, entre o Dr. Orlando e o Pr. Saul, da Igreja Batista de Lagoinha. Por sinal prezo muito os irmãos batistas e tenho grandes amigos batistas, gente boa e temente a Deus. Que triste manifestação de ódio entre dois irmãos que crêem no mesmo Cristo, que amam ao mesmo Pai! Ambos ligados a dois ramos distintos da mesma videira!

As diferenças doutrinárias existem! É claro! O Senhor Jesus já sabia que elas certamente existiriam e por isso menciona os diversos ramos da videira! Mas, por amor a Cristo, não façam de diferenças doutrinárias um objeto de ódio!

Faço minhas as palavras de Paulo em Ef 4, 1-6 e peço isto aos meus irmãos em Cristo: ao Dr. Orlando, que tenho certeza ser um excelente cristão, e também ao Pr. Saul que certamente irá ler este meu apelo, se o prezado Dr. Orlando concordar em publicar, o que desde já agradeço em nome de Jesus! Ao senhor, Dr. Orlando, eu quero humildemente e carinhosamente lembrar (como o sr. certamente deve saber), que é ela mesma, a própria Bem Aventurada Virgem Maria, que nos pede amorosamente que oremos a Jesus e não a ela, quando recentemente se manifestou aos jovens videntes em uma de suas muitas aparições em Medjiugórie, na Bósnia.

Ao senhor, Pr. Saul, eu quero lembrar que devemos à Bem Aventurada Virgem Maria todo o nosso respeito, aquela mesma respeitosa veneração que lhe prestava o próprio Lutero, pai da Reforma, ao reconhecermos nela o verdadeiro Tabernáculo vivo, não feito por mãos humanas (Conf. Hb 9, 11). É ela a nova Eva, que nos trouxe a Vida, substituindo a primeira Eva, que nos trouxe a morte. Quando Jesus diz a João: “Eis aí tua mãe” (Jo 19, 27) é a cada um de nós, cristãos, que Ele nos confia Maria como mãe. Apenas por um instante tente transportar-se para aquele momento terrível, ali está o Senhor Jesus, o Pão da Vida, suspenso no madeiro. Tente por um breve momento colocar-se no lugar de João: a teu lado estão apenas Maria Madalena, a mulher de Cléofas e irmã de Maria e logo a teu lado está a Bem Aventurada Virgem Maria. Sinta a fúria do vento no teu rosto, os relâmpagos e o barulho dos trovões, finalmente as trevas… Ali está aquela mulher valorosa, o coração despedaçado a olhar o filho que morre na cruz por todos nós: ame-a com o mesmo amor que se dedica a uma mãe, esta é a vontade de Jesus!

Amem-se uns aos outros! Jesus está voltando, com toda certeza, pois muitos são os sinais, todos nós sabemos disso! Sejam verdadeiros cristãos e unam-se contra o nosso verdadeiro inimigo, que é aquele que veio para matar, roubar e destruir! Vamos combater o bom combate! Somos todos soldados de Cristo! Leiam Efésios!

Estarei orando muito por vocês e igualmente lhes peço que orem pela Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que acontece todo ano no mundo inteiro e que em breve estará se realizando, justamente neste ano quando estamos em plena Campanha da Fraternidade 2000 que é a primeira de caráter ecumênico e da qual inúmeras igrejas estão participando ativamente: são cristãos do mundo inteiro, unidos à videira!

A Paz de Cristo.
David C. Spadaro
Shaddai-El-Chai Comunidade Cristã de Aliança.

Ilmo. sr. Davi C. Spadaro.
Salve Maria.

Recebi sua carta, e a publicarei com muito prazer, porque ela é bem elucidativa das contradições e dos erros do ecumenismo, assim como da mentalidade relativista que ele propaga.

O senhor me escreve: “Mais do que cristão católico, declaro-me um CRISTÃO PRIMITIVO”. E, para salientar o que o senhor julga ser, pôs em letras maiúsculas as palavras “CRISTÃO PRIMITIVO”.
Logo depois, porém, o senhor se declara “livre das barreiras do denominacionalismo” (sic – que neologismo esquisito e tão feio! E tão errado, doutrinariamente!)

Ora, como pode o senhor recusar toda denominação e denominar-se “CRISTÃO PRIMITIVO”?
E tudo com maiúsculas?
E já está aí uma primeira contradição.

A Igreja é santa e indefectível, e o Espírito Santo a guiou e guia, todos os dias, no decorrer dos séculos.
Nosso Senhor prometeu que estaria com ela todos os dias, de modo que supor que ela errou é acusar Cristo de não ter cumprido sua promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.
E aí está um seu primeiro erro. E grave.

No final de sua carta o senhor, lembrando que devemos nos amar uns aos outros — e, acrescento eu, que Cristo mandou amar até os inimigos — o senhor assina:
“David C. Spadaro. Shaddai-El-Chai Comunidade Cristã de Aliança”.

Uái!? Não é o senhor contrário a todo “denominacionalismo”? Então como denomina sua Comunidade – ou sua seita? — com esse nome judaico? O senhor devia ser da “Comunidade Sem Nome”.
E ser sem nome é como ser sem essência.
E essa é uma nova contradição sua, confirmando a primeira, ambas constituindo um seu segundo erro, que caridosamente – embora com ironia — procuro corrigir.

Dir-me-á o senhor que já começo a faltar-lhe com a caridade por usar eu de ironia. Como se usar de ironia fosse sempre um ato contrário à caridade.

E nisso o senhor também errará — será seu segundo erro –, porque a caridade manda corrigir os erros, e até castigar os que erram. Por isso é que Nosso Senhor Jesus Cristo tratou os vendilhões do Templo caridosamente, a chicote. E chamou os fariseus publicamente de “hipócritas”, “sepulcros caiados”, “serpentes” e de “filhos do demônio”.

Imitar Cristo, em seu zelo, não é agir vergonhosamente. A ironia é uma espécie de chicote verbal, fazendo estalar sonoramente a contradição e o erro.
Ou teria Cristo agido sem caridade e caído “numa vergonhosa troca de insultos” com os fariseus?
Segundo o seu modo de ver, Cristo teria faltado com a caridade para com os fariseus, ao chamá-los pelos nomes que eles bem mereciam.

Cristo, prezado senhor, nunca praticou o ecumenismo, mas sempre condenou de modo franco e aberto todos os erros e pecados, DENOMINANDO as ovelhas como ovelhas, e as serpentes como serpentes. Dando nomes aos bois, como se diz popularmente.
E sua discussão com os fariseus não foi uma “vergonhosa troca de insultos”.
Cristo é Deus e homem verdadeiro, e nele não há erro nem falta de caridade.
E isto põe a lume esse seu segundo erro.

A caridade, para o senhor, consistiria em usar somente palavras doces, e exigiria manter sempre um “diálogo” cordato e suave, isento de qualquer tom polêmico. Ora, isso é o contrário do que se lê nos Evangelhos e nas epístolas de São Paulo. E é o contrário do que ensina São Tomás de Aquino.

Pois São Paulo, que o senhor cita, ensina e manda a Tito que aos hereges era preciso que se os increpasse duramente.
“Increpa illos dure”.

O senhor conhece o texto da epístola de São Paulo a Tito?
É uma carta que o Apóstolo escreveu para os cristãos primitivos… e também para os fiéis de sempre.
Veja lá que texto PRIMITIVO tão atual, e tão de sempre:
“Porque há ainda muitos desobedientes, vãos faladores e sedutores, principalmente entre os da circuncisão — [os judeus] — aos quais é necessário fechar a boca” (São Paulo, Epíst. a Tito, I, 10-11).

Mas que falta de caridade! diria o senhor, e que desrespeito aos direitos humanos, diriam outros…
Mas, graças a Deus, São Paulo tem bem mais autoridade do que o senhor e do que todos esses outros!

E continua São Paulo:
“.. fechar a boca, a eles que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por amor de um vil interesse. (… ) Portanto, repreende-os duramente” – Increpa illos dure! “ (Ep. a Tito, I, 11- 13).

A caridade pode exigir um tratamento duro.
São Tomás explica que amar é querer bem, e que existem dois tipos de bens:
1) o Bem Absoluto, que é Deus;

2) os bens relativos, que são todos os demais bens (vida, saúde, bem estar, riqueza, prazer, talentos, prestigio, etc), que nós podemos usar bem ou mal.

Odiar é desejar que alguém perca um bem. Se se deseja que a pessoa perca Deus, por meio da perda da Fé ou da virtude, tem-se por essa pessoa um ódio absoluto, o que é pecado.

Se se deseja que alguém perca algum bem relativo, e que também perca a Deus, esse ódio é mau porque deseja a perda de Deus, junto com a perda de um bem relativo.

Também é pecado desejar para alguém que tenha algum bem relativo (riqueza ou prazer, por exemplo) com a perda de Deus. Quem fizesse isso teria um amor relativo (por desejar um bem relativo: por exemplo, riqueza ou prazer) e um ódio absoluto, por desejar qua a posse do bem relativo fosse por meio da perda de Deus (bem absoluto).

Mas quem desejasse para alguém a perda de um bem relativo (ódio relativo), para conservação do Bem absoluto (Amor absoluto), estaria agindo com caridade. É o caso da mãe que bate na mão de um filho, porque ele roubou algo no super mercado; ela lhe produz um mal relativo (a dor), para que ele tenha o Bem absoluto, Deus.

Por essa razão, escreveu o santo rei David — seu homônimo e seu padroeiro, mas com doutrina oposta à sua –, aquele de quem Saul era inimigo:
“Por ventura não odiei eu, Senhor, os que te odiavam? E não me consumia por causa de teus inimigos? Com ódio perfeito eu os odiei; e eles se tornaram os meus inimigos.” (Ps. CXXXVIII, 21-22)

Repare, ó novo e pseudo “PRIMITIVO” Davi, como o senhor é bem o oposto do antigo, do verdadeiro e primeiro Davi: o santo rei Davi afirma que odiou os inimigos de Deus com ódio perfeito, isto é, sem desejar que eles perdessem a salvação eterna, mas que perdessem os bens relativos.

Dir-me-á o senhor que este é um texto do Antigo Testamento, e que o Novo Testamento prega somente o Amor.
Ora, isso suporia que o Deus do Novo Testamento seria diferente do Deus do Antigo.

O Novo Testamento nos ensina que, “se alguém disser – eu amo a Deus – e odiar o seu irmão, é um mentiroso” (I Jo, IV, 20). E é claro que, aí, São João condena o ódio absoluto, que deseja o pecado ou o inferno para outrem.

Mas disse-nos também Cristo: “Quem não odiar seu pai e sua mãe por minha causa, não é digno de mim” (Luc. XIV,26).

Evidentemente, a palavra odiar, aí, tem um sentido relativo, significando simplesmente que se deve colocar o amor de Deus acima até do amor aos pais, e que, havendo oposição entre um e outro, devemos preferir o amor a Deus.

Aliás, o senhor não poderia argumentar contra o Antigo Testamento, já que a DENOMINAÇÃO de sua Comunidade usa palavras do Antigo Testamento e não do novo: “Chadai El Chai”. E esta é mais uma contradição de sua carta e de seu pensamento.

(E que quer dizer esse negócio de “Chadai El Chai”? Que “sinagoga” é essa?
Será isso Católico Apostólico Romano? E porque isso designa Cristão PRIMITIVO? Está mais com cheiro de algo pré-PRIMITIVO, isto é, vetero-testamentário…).

E no Antigo Testamento ainda se encontra essa frase nos salmos do Rei Davi, o santo, aquele que certamente não era da Comunidade Chadai El Chai…
“Não me sentei na assembléia da vaidade, e não tratarei com os que praticam a iniquidade, e não me sentarei com os ímpios. Aborreço a sociedade dos malignos e não me sentarei com os ímpios” (Ps. XXV,4-5).

Bem pouco ecumênico, não é, ó novo, ecumenicamente atualíssimo e nada primitivo Davi?

Em latim, o texto é bem mais claro e bem mais interessante:
“Odivi ecclesiam malignantium”. Isto é, “Odiei a igreja dos malignos”.

O que mostra que há uma Igreja dos malignos, cujo pai é o diabo. Leia, para confirmar isto, o que Cristo nos disse na segunda carta do Apocalípse, quando ele se refere a uma Comunidade muito antiga, a Sinagoga de Satanás…

Ou será a Sinagoga de Satanás, também ela, objeto de seu zelo ecumênico? Ou pretenderá o senhor que ela seja também sarmento da videira de Cristo?

Imagine que videira esquisita seria a de Cristo, caso ela incluísse entre seus sarmentos a própria Sinagoga de Satanás. Será que o senhor reza para que ela também seja una com a Igreja de Cristo? O “Ut unum sint” inclui também Satanás? E inclui também os filhos do demônio?

Na Igreja de Cristo, isso não é possível.
Mas talvez numa “Comunidade” tão ecumênica e relativista, que está livre de todas as barreiras do denominacionalismo, como a sua Chadai El Chai, isso seja viável… Afinal, parece que o amor, como o senhor o entende, pode chegar – eliminando todas as barreiras — até os cornos de Luzbel.

E já não enumerarei suas contradições e erros, porque já perdi a conta deles.
Passarei só a atacá-los, para usar um termo que não é de seu agrado.
(Vê o senhor que não quero agradá-lo, mas apenas corrigi-lo, rogando a Deus que ilumine suas trevas. Que são espessas… Que são lagoinhentas!).

Seu principal erro doutrinário está em sua falsa noção de Igreja, como videira de Cristo.
O senhor me diz:
“Eu ainda acredito no ecumenismo”
E ainda:
“O objetivo do ecumenismo não é fazer com que a identidade de cada igreja particular seja desprezada, pois justamente visa manter unidos os ramos-igrejas à videira, que é Jesus!”

A “Videira de Cristo”, tal qual o senhor a entende, pelo que entendi, englobaria “todos os cristãos”: “Amado irmão, somos todos ramos da mesma videira (Jo 15, 1-8) que é Jesus, e temos que frutificar, pois esta é a vontade do Pai”.

A concepção de Igreja que o senhor defende é exatamente a concepção de Igreja dos hereges modernistas, condenados por São Pio X no decreto Lamentabili e na encíclica Pascendi.

Com efeito, o erro 59 condenado pelo decreto Lamentabili diz:
“Cristo não ensinou um corpo determinado de doutrinas aplicáveis a todos os tempos e a todos os homens, mas apenas iniciou um certo movimento religioso, adaptado ou para adaptar aos diversos tempos e lugares” (Cfr. Denzinger, 2059)

O senhor não diz isso com essas palavras, mas admite que todas as religiões cristãs são efetivamente seguidoras de Cristo apesar de elas dizerem teses doutrinariamente opostas.

Para os modernistas, Deus se manifestaria no íntimo de cada homem, revelando-se de modo inefável, isto é, impossível de ser traduzido por palavras e conceitos. Por isso, todos os credos seriam errados. E o Deus que se revela em todas as religiões seria sempre o mesmo, ao qual elas dariam denominações diferentes.

Portanto, todas as denominações deveriam ser abolidas, compreendendo-se que todas as religiões, especialmente aquelas que se dizem cristãs, adoram o mesmo Deus de modos diferentes.

É exatamente o que o senhor dá a entender.
O senhor tem contaminações modernistas em seu modo de pensar, meu caro Davi.

Será que o senhor não conhece o que diz o Syllabus a respeito desse problema?
Veja lá o que o Syllabus de Pio IX condena com relação aos chamados, hoje, de “irmãos separados”:
“Erro 17: Pelo menos deve-se ter fundadas esperanças acerca da eterna salvação de todos aqueles que não se acham de modo algum na verdadeira igreja de Cristo”.
“Erro 18: O protestantismo não é outra coisa que uma forma diversa da mesma verdadeira religião cristã e nele, da mesma forma que na igreja Católica, se pode agradar a Deus
” (Cfr. Denzinger, 1717 e 1718).

E o IV Concílio de Latrão proclamou o seguinte dogma:

“E uma só é a Igreja universal dos fiéis, fora da qual ninguém absolutamente se salva”. (cfr. Denzinger, 430)

Como o senhor vê, a denominação é algo extremamente importante, caro senhor.
E o senhor erra então ao considerar os protestantes como ramos da videira de Cristo. Eles são ramos que se separaram da videira. Por isso são ramos secos e mortos, que não podem produzir fruto algum sobrenatural. E Cristo diz “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora com a vara: secará, enfeixá-lo-ão e, lançá-lo-ão no fogo e arderá” (Jo. XV, 6).

E o mesmo Cristo preveniu que “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? Então eu lhes direi bem alto: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt VII, 21-23).

Portanto, não basta dizer-se cristão. É preciso sê-lo de verdade, e os hereges, não aceitando a revelação integralmente, não podem salvar-se. Não basta afirmar que se fazem até milagres em nome de Cristo. Cristo repelirá muitos que lo chamam de Senhor, no dia do Juízo Final: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade”.

Logo, há quem se diga cristão e que, na verdade, pratica a iniquidade, e que Cristo não conhece porque eles não conhecem Cristo de verdade.

O senhor me diz:
“Faço minhas as palavras de Paulo em Ef. 4, 1-6″.
Ora, nessa carta do Apóstolo o senhor deveria ter lido que ele afirma:
“Há um só Senhor, uma só Fé, um só batismo” (Ef. IV, 5) e que sejamos solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz” (Ef. IV, 3).

E os hereges, rompendo a unidade de espírito ao romperem a unidade da Fé, não conservam o vínculo da paz.

O senhor me cita ainda Medjugorje. Ora, a Igreja não aprova as supostas “revelações” de Medjugorje (cfr. os artigos em nosso site: www.montfort.org.br/veritas/index-igreja.html).

O senhor erra ainda gravemente quando afirma que
“Jesus está voltando, com toda certeza, pois muitos são os sinais, todos nós sabemos disso!”
A tese de que “Jesus está voltando” é dos protestantes, dos crentes e outros hereges. Cristo virá apenas no fim do mundo, e ninguém sabe quando será o fim do mundo: “Mas, quanto ao dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai. Assim como foi nos dias de Noé, assim será também à vinda do Filho do homem” (Mt. XXIV, 36).

Como ousa então o senhor contrariar explicitamente o que disse Cristo no Evangelho, anunciando que “Jesus está voltando, com toda a certeza, pois muitos são os sinais, todos nós sabemos disso”?
É muita pretensão de sua parte, meu caro amador de todo mundo.

Uma última contradição se encontra no final de sua carta.
Diz-me o senhor:
“Vamos combater o bom combate! Somos todos soldados de Cristo!”
O bom combate? Mas combater contra quem? Se todo mundo é soldado de Cristo, a quem combaterão os ecumênicos?
Como concilia o senhor o seu modo errado de entender o “Amai-vos uns aos outros” com este “combater o bom combate”?

O senhor não quer combater ninguém. Seu ecumenismo e seu anti denominacionalismo – que neologismo esquisito e tão feio! E tão errado! – não lhe permitem combater ninguém. Seu “bom combate” não se efetivará jamais “par faute de combattants”. Sua “igreja” não é militante, sua igreja é ecumenicamente dialogante. Enquanto que a Igreja Católica Apostólica Romana, sim, é militante. Para o senhor, não há filhos do demônio, e pelo que o senhor diz, o senhor não excluiria o diálogo até com Caifás e com Herodes.

Meu caro senhor Davi, seu romantismo – porque seu modo de “entender o amar” é totalmente romântico – o leva a “compreender e amar” até Saul (o da Lagoinha), apesar de suas heresias e blasfêmias contra Nossa Senhora. E o senhor, que quer amar a todo o mundo, não revela muito zelo e nem muito amor pela honra da Mãe de Deus, embora faça uma tímida defesa dela.

E o romantismo, convém muito combatê-lo com a ironia, porque ele deforma o conceito de amor até o ridículo.

Esperando que o senhor abandone o falso amor romântico, e desejando-lhe que Deus o faça declaradamente católico apostólico romano, fazendo arder seu coração e sua alma na verdadeira caridade, despeço-me,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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