Montfort Associação Cultural

11 de julho de 2006

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É possível ser católico sem aceitar o Concílio Vaticano II?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo

Prezado professor Orlando.

Admiram-me muito sua erudição e cultura. Afirmei-o em outra oportunidade. Sem embargo, gostaria de dizer que, na minha opinião, é difícil para uma pessoa que não aceita o Concílio Vaticano IIl permanecer na barca de Pedro, ou pelo menos, manter-se um católico que caminha com os pastores. O aludido concílio, anatematizado pelo senhor, é base de inúmeros documentos pontifícios e das Igrejas particulares. Além disso, o papa João Paulo II não escreveu uma encíclica sequer, na qual não citasse o concílio. Na mesma esteira caminha o pontífice reinante. Parece que o repúdio do senhor ao Concílio Vaticano II é tão grande, a ponto de fazer com que a sua associação não o disponibilize no sítio internáutico. Encontrei apenas as atas do Concílio de Trento e do Concílio Vaticano I. Só para terminar: penso que sua linha conservadora é bem fundamentada, porém não se pode chegar ao ponto de fazer ouvidos moucos à voz do Concílio Vaticano II, sob pena de pôr-se fora da Igreja.
Obrigado pela atenção. Gostaria de ouvi-lo a respeito deste tema.

Edson Luiz Sampel

Muito prezado  Dr. Edson,
Salve Maria.

Gostaria muito que me ouvisse dissertar sobre o Vaticano II. Terai muito que falar. Mande-me seu número de telefone é marcaremos uma ocasião para isto.

    Coloco, por ora, as respostas que acabei de dar a dois consulentes.
    Uma resposta é a posição do cardeal Ratzinger, mostrando que o Vaticano II não proclamou nenhum dogma. Logo, pode-se ser contra o Vaticano II sem sair da Igreja, pois só se coloca fora da Igreja quem recusa dogmas definidos, ou por cisma.
Segunda resposta é a que mandei hoje para outro consulente mostrando como os maçons e comunistas se rejubilaram com o Vaticano II.
    Aí vão as respostas citadas:

Veja  o que Cardeal Ratzinger disse sobre a autoridade do Vaticano II
 

“Certamente há uma mentalidade estreita que isola o Vaticano II e que provocou essa oposição [de Dom Lefebvre]. Há muitos relatos do concílio que passam a impressão de que, desde o Vaticano II em diante, tudo foi alterado, e de que aquilo que o precedeu não tem valor ou, quando muito, só tem valor à luz do Vaticano II. O concílio Vaticano II não foi tratado como parte da inteira Tradição viva da Igreja, mas como um fim da Tradição, um novo começo do zero. A verdade é que esse concílio específico não definiu nenhum dogma e deliberadamente escolheu permanecer num nível mais modesto, como um concílio meramente pastoral [‘The truth is that this particular council defined no dogma at all, and deliberately chose to remain on a modest level, as a merely pastoral council’]; e, no entanto, muitos tratam-no como se tivesse feito de si mesmo uma espécie de superdogma, que tira a importância de todo o restante. .” (Cardeal Ratzinger, Discurso de 1988 ao Bispos do Chile, sublinhado nosso).
    Como fica então sua afirmação absurda de que “Na verdade, o erro não está no Concílio, pois como portador da autoridade concedida a Pedro e seus sucessores e da guia do Espírito Santo, o Concílio Vaticano II é infalível e não pode equivocar-se.” ?
    O Vaticano II não foi infalível coisa nenhuma. Ele não promulgou nenhum dogma.
 
 
 
    O Papa Bento XVI está procurando junatr os cacos dessa reforma lit[urgica desastrosa. Hoje até muitos padres não sabem dizer o Que é a Missa.
     Esau visão sobre os conclaves e a eleição de João XXIII, apresentada como obra do Espírito Santo, é digna de historiador de sacristia.
    E você atinge o delírio ao escrever: o Vaticano II foi uma resposta necessária às tendências modernistas: era preciso adaptar-se aos novos tempos, em vista de barrar o avanço do Modernismo".
    Foi exatamente o oposto: o Vaticano II defendeu o que São Pio X condenara. Quem reconhece isso é o modernista Jean Guitton, amigo de Paulo VI. Eo a conselho a dedicar-se a escrever histórias da carrochinha e não a dos Concílios
 


Maçons e Comunistas se rejubilaram com o Vaticano II
 
       Traduzimos para os leitores do site Montfort, um documento esquecido, mas bem conveniente de ser lembrado, hoje, quando Bento XVI condena o “espírito do Concílio”
 
http://www.devilsfinalbattle.com/fr/ch6.htm
    Ao mesmo tempo quer os neo- modernistas, os Maçons e os Comunistas se alegraram com o resultado do Concílio [ Vaticano II]. Exatamente como tinham esperado os autores da Formação Permanente da Alta Venda, exatamente como tinham esperado os infiltrados comunistas evocados por Bella Dodd, as noções de cultura liberal tinham conquistado finalmente a adesão dos prinicipais atores da Hierarquia católica. Os Maçons e os Comunistas festejaram a reviravolta espantosa dos acontecimentos realizados pelo Concílio. Eles se rejubilavam pelo fato de que os católicos, afinal, “tinham visto a luz” e que muitos de seus principios maçônicos tinham sido aprovados pela Igreja.
    Por exemplo, Yves Marsaudon [Grão Mestre da Maçonaria do rito escocês, e amigo de João XXIII] em seu livro ¨O Ecumenismo visto por um Franco Maçom de Tradiçãoelogiou o ecumenismo alimentado pelo Concílio Vaticano II:
    Os católicos (…) não devem esquecer que todos os caminhos conduzem a Deus. Eles deverão aceitar que essa corajosa idéia do livre-pensamento qu, nós podemos denominar verdadeiramente de uma revolução, derramada de nossas lojas maçônicas, se esalhou magnificamente sobre a cúpula de São Pedro”(Citação tirada deOpen Letter to Confused CatholicsCarta Aberta aos Católicos Confusos, pp. 88-89).
    O Barão Yves Marsaudon encantado acrescentou ainda:
    Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria” (Yves Marsaudon, O Ecumenismo Visto por um Maçom de Tradição, pp. 119-120)
     O espírito pós conciliar de dúvida e de revolução evidentemente aqueceu o coração do maçon francês , o Presidente Jacques Mitterand que escreveu com aprovação:
    “Alguma coisa mudou no interior da Igreja e as respostas dadas pelo Papa às questões mais urgentes tais como o celibato sacerdotal e o controle dos nascimentos, são calorosamente debatidos no próprio interior da Igreja; a palvra do Soberano Pontífice é discutida pelos Bispos, pelos Padres, pelos fiéis. Para um Maçon, um homem que volta a por em discussão o dogma, ele já é um maçon sem avental” 33( Carta Aberta aos Católicos Confusos, pp. 88-89).
    Que excelente citação! E como ela diz uma grande verdade:  que há maçons que não estão inscritos em nenhum loja maçônica, mas que são “maçons sem avental”.
Marcel Prelot, Senador da região do Doubs na França, provavelmente é o mais preciso na descrição do que aconteceu de verdade no Concílio Vaticano II. Ele escreveu:
    “Nós combatíamos há um século e meio para fazer prevalecer nossas opiniões dentro da Igreja e não tínhamos conseguido nada. Veio finalmente o Vaticano II e nós triunfamos. Desde então, as teses e princípios do catolicismo liberal  foram absolutamente e oficialmente aceitas pela Santa Igreja 34  
 (Carta Aberta aos Católicos Confusos – Open Letter to Confused Catholics p.100).
 
     Os Comunistas ficaram igualmente encantados com os resulatdos do Concílio Vaticano II. Como o Partido Comunista Italiano declarava em 1964 em seu Primeiro Congresso:
    «O “despertar” extraordináriodo Concílio justamente comparado aos Estados Gerais de 1789mostrou ao mundo inteiro que a velha Bastilha politico-religiosa foi sacudida até seus fundamentos”35.» 35. Monsenhor Graber, Atanásio e a Igreja de Nosso Tempo -Athanasius and the Church of Our Time , p. 64.
    O jornal L´Unità, órgão oficial do Partido Comunista Italiano, mandou descaradamente seu aviso ao Papa Paulo VI, sobre Monsenhor Lefebvre que liderava oposição tradicionalista aos liberais do Concílio e que tinha militado por uma condenção do Comunismo pelo Comcílio Vaticano II:
 «Estejais consciente do perigo que representa Lefebvre, e continuai o magnífico movimento de aproxiamção começado com o ecumenismo do Vaticano II36
36. O Arcebispo Marcel Lefebvre,Eles o Destronaram - Ils L”ont Découronné, Kansas City, Missouri, Angelus Press, 1988, p. 229. O Arcebispo Marcel Lefebvre observou aqui que o jornal comunista Izvestiapediu ao Papa Paulo VI que condenasse lefbvre assim como o seu seminário de Ecône
                                           Texto Original em francês
    En même temps que les néo-modernistes, les Maçons et les Communistes se sont réjouis de l”issue du Concile. Tout comme l”avaient espéré les auteurs de la Formation Permanente de la Haute Vente, tout comme l”avaient espéré les infiltrés communistes évoqués par Bella Dodd, les notions de culture libérale avaient gagné finalement l”adhésion des principaux acteurs de la hiérarchie catholique. Les Francs-Maçons et les Communistes ont célébré la tournure stupéfiante des événements opérés par le Concile. Ils se réjouissent de ce que les Catholiques aient enfin «vu la lumière», et que beaucoup de leurs principes maçonniques aient été sanctionnés par l”Eglise.
    Par exemple, Yves Marsaudon du Rite d”Ecosse dans son livre: «L” Œcuménisme vu par un Franc-Maçon de Tradition» a fait l”éloge de l”œcuménisme nourri à Vatican II. Il a dit:
    “ Les Catholiques … ne doivent pas oublier que tous les chemins mènent à Dieu. Et ils devront accepter que cette courageuse idée de la libre-pensée, que, nous pouvons vraiment appeler une révolution, déversée de nos loges maçonniques, s”est répandue magnifiquement sur le dome de Saint-Pierre 31.
       Yves Marsaudon fut ravi d”ajouter «On peut dire que l”œcuménisme est le fils légitime de la Franc-Maçonnerie 32
    L”esprit post-conciliaire de doute et de révolution a évidemment réchauffé le cœur du Franc-Maçon français Jacques Mitterand qui a écrit avec approbation:
    “Quelque chose a changé à l”intérieur de l”Eglise et les réponses données par le Pape aux questions les plus urgentes telles que le célibat sacerdotal et le contrôle des naissances, sont chaleureusement débattues à l”intérieur de l”Eglise Elle-même; la parole du Souverain Pontife est mise en question par les évêques, par les prêtres, par les fidèles. Pour un Franc-Maçon, un homme qui remet en question le dogme est déjà un Franc-Maçon sans tablier 33.
    Marcel Prelot, sénateur de la région du Doubs en France, est probablement le plus précis dans la description de ce qui s”est vraiment passé. Il a écrit:
    “Nous combattions depuis un siècle et demi pour faire prévaloir nos opinions à l”intérieur de l”Eglise et n”avions pas réussi. Vint finalement Vatican II et nous avons triomphé. Depuis lors, les propositions et principes du catholicisme libéral ont été absolument et officiellement acceptés par la Sainte Eglise 34.
    Les Communistes furent également ravis des résultats du Concile. Comme le Parti Communiste Italien déclarait en 1964 à son 1e Congrès du Parti:
    «L”extraordinaire “réveil” du Concile, comparé à bon droit aux Etats Généraux de 1789, a montré au monde entier que la vieille Bastille politico-religieuse est secouée jusqu”à ses fondations35
    L”Unita,publication Officielle du Parti Communiste Italien, donna effrontément son avis au Pape Paul VI concernant l”Archevêque Marcel Lefebvre qui menait l”opposition traditionaliste aux libéraux conciliaires et avait milité pour une condamnation conciliaire du Communisme:
    «Soyez conscients du danger que représente Lefebvre, et continuez le magnifique mouvement d”approche commencé avec l”œcuménisme de Vatican II36
31. Tiré de Open Letter to Confused Catholics (Lettre Ouverte aux Catholiques dans la Tourmente), pp. 88-89.
32. Yves Marsaudon, L”œcuménisme Vu par un Maçon de Tradition, pp. 119-120.
33. Tiré de Open Letter to Confused Catholics (Lettre Ouverte aux Catholiques dans la Tourmente), pp. 88-89.
34. Ibid., p. 100.
35. Monseigneur Graber, Athanasius and the Church of Our Time (Athanase et l”Eglise de Notre Temps), p. 64.
36. L”Archevêque Marcel Lefebvre, They Have Uncrowned Him (Ils L”ont Découronné), (Kansas City, Missouri, Angelus Press, 1988), p. 229. L”Archevêque Lefebvre note ici que le journal communiste Izvestia a demandé du Pape Paul VI le condamne ainsi que son séminaire d”Ecône.
 
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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