Montfort Associação Cultural

8 de abril de 2011

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“E o Padre se foi”: Artigo do Padre Marcelo Tenório sobre o caso Padre Leonardo Holtz

Depois de Frei Tiago de São José, Carmelita Eremita, o Padre Marcelo Tenório, da diocese de Campo Grande, manifesta-se contra o ingresso do Padre Leonardo Holtz na FSSPX e seu consequente abandono da diocese do Rio de Janeiro.

Veja-se, sobre esse assunto também, um comunicado publicado pela Montfortuma resposta ao Padre Leonardo Holtz sobre esse mesmo assunto.

Por Padre Marcelo Tenório, padremarcelotenorio.blogspot.com/

08 de abril de 2011

E o padre se foi…

Para os muros rochosos e protegidos do Castelo à prova de modernismos e, parece-me até, de pecado original.

Embaixo, os outros, poucos ainda, que lutam, que sofrem, que caem, por vezes feridos, mas que abrem o peito na batalha que parece infinda.

Em cima, tranquilamente, entre ovelhas e verdes pastagens, o padre reza tranquilamente seu Breviarium Romanum (Romanum?) ao vento “puríssimo da ortodoxia”, bem longe das heresias modernas.

Enfim, a segurança; enfim, os ombros livres de cargas-pesadas. E, na leveza do corpo, ele reza.

Terceira queda! Jesus cai com o rosto em terra pelo peso da cruz. Nada de leveza em seus ombros quase que expostos pelo peso do madeiro.

Para isso foi feito o padre. Para isso foi feito o cristão: “jamais finda, é constante esta guerra. É herança dos filhos de Adão”.

Por causa da rima as vezes se perde o tom. Por isso não é bom “rimar”. O romantismo rima com isso e com aquilo e também poderei ser acusado de romântico modernista, de péssima formação.

Certa vez aconteceu que pessoas apreciadoras de castelos também chegaram do lado de cá.

Queriam a Missa. Queriam sacramentos, sobretudo batismos. Depois nem sequer um “muito-obrigado”.

Queriam bênçãos e mais bênçãos e, ao subirem ao Castelo, já não prestava mais nada. Já não era católico mais nada. Só eles.

O papa não era católico. O bispo não era católico. O padre? Piorou! Esse era caótico.

Engraçado. Disse o padre que fugiu para o Castelo que aqui tem grupos que fazem padres de máquinas sacramentais, pois, pois!…

Vozes, vozes e vozes!

Vozes de cá e vozes de lá.

Escutei vozes por aqui que gritavam: “Viva o Papa!”

E as de lá: “Há um Papa em Roma?”

As daqui: “Tu és Pedro!”

As de lá: “O volante é nosso!” (e os tribunais, também!)

Vozes que precisam ser ouvidas, bem ouvidas…

Mais que isso: Com-pre-en-di-das.

Uma voz que já se extinguiu e que gostava de dizer, por aqui, e de ensinar acolá: “O clero sempre à frente!”. E isso não o fazia anti-clero ou anti-papa, fazia-o Católico.

Pois bem, no Castelo se encontra o Padre. Um padre privado. Deve refazer tudo, adaptar-se, purificar-se e se mostrar digno de receber o selo de qualidade total!

O castelo, a cada dia, parece crescer para cima, como o pé-de-feijão do João.

Um dia houve uma torre parecida que cresceu tanto, que tornou-se orgulhosa tanto, que foi confundida tanto. E, portanto, já não se escuta dela, tanto…

Tenho pena do padre que foi para o castelo. Lá é tão alto e, o pior, não está fincado na Rocha. Pode desmoronar como outros castelos. Os de areia…

E não venham me dizer que estou em pecado mortal por isso.

Mortal é não enxergar, mesmo vendo.

Mortal é afastar-se deliberadamente da Rocha que é Pedro e, inchando-se de orgulho, querer tomar as suas chaves.

Mortal é ter a terrível presunção de que virá do castelo a salvação de tudo, quando na verdade esse mesmo castelo nada será sem fincar-se na Rocha que é Pedro, que é Bento XVI, que será sempre Cristo.

Pe. Marcelo Tenório

 

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