Montfort Associação Cultural

28 de janeiro de 2005

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E nas outras religiões, há Deus presente?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcelo
  • Idade: 29
  • Localizaçao: Maringá – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Olá Sr. Orlando, salve Maria a Mãe da Igreja e de todos nós. Não sou afeto ao protestantismo, embora tenha amigos de outras religiões, sei que Deus não pode ir de contra a Ele mesmo ou seja sua palavra é a mesmo ontem e sempre. Sei também que milagres só ocorreram e ocorrem na Igreja de Cristo (Católica), porem tenho as seguintes duvidas:

1) Quando Jesus disse: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome ai estarei no meio deles..”, isto significa que Jesus estaria presente espiritualmente nas reuniões protestantes ???

2) Uma vez os apostolos disse a Jesus que um grupo de pessoas estaria pregando e curando em nome de Jesus mas que estes não andavam com eles, não me lembro exatamente da palavras e não está evidentemente a narrativa biblica, mas isto indica algum sinal de divisão ? Qual seria o sentido real do texto ?

3) Uma pessoa que já foi da igreja batista e casou-se mas que acabou separando e agora está voltando para a Igreja Católica (ela já foi católica um dia, se é que foi realmente !) pode casar-se novamente na Igreja ???

Muito prezado Marcelo, salve Maria!

Muito interessantes as suas perguntas, que passo a responder com prazer.

1) De fato Nosso Senhor disse a frase:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre eles” (Mt XVIII, 20).

Repare que Nosso Senhor diz também: “Nem todo o que diz ´Senhor, Senhor` entrará no Reino dos céus” (Mt VII, 21).

E ainda:

“Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome fizemos muitos milagres”? Então Eu lhes direi bem alto: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim vós que praticais a iniqüidade” (Mt, VII, 22-23).

Você vê, por essas citações do Evangelho, prezado Marcelo, que não basta invocar o nome de Cristo.

Não basta até mesmo profetizar em nome de Cristo e mesmo fazer milagres em seu nome, para se salvar. Pelo contrário, Cristo os desconhecerá e os repelirá, no último dia.

Estar reunidos em nome de Cristo, profetizar em seu nome, fazer milagres em seu nome, não garante que se esteja com Cristo.

O que garante estar com Cristo é ouvir e aceitar realmente a sua palavra, e colocá-la em prática.

Pois Cristo, aí mesmo nessa passagem, observa:

Nem todo o que diz ´Senhor, Senhor` entrará no Reino dos Céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos céus(Mt. VII, 21).

Também nos disse Cristo taxativamente: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Luc X, 16).

Ora, o protestantismo se fundamenta no livre exame da Bíblia, isto é, cada um que lê, entende como quer. Portanto, os protestantes não ouvem a palavra de Deus, mas procuram ouvir sua opinião pessoal.

Por outro lado, a doutrina luterana estabeleceu que basta ter fé para se salvar, sem ser necessário praticar boas obras.

“Crê firmemente, e peca muitas vezes” foi uma recomendação e um princípio ensinado por Lutero ao qual o protestantismo não renunciou. Você pode encontrá-lo num folheto largamente difundido entre os protestantes e que afirma que o Caminho da salvação não é prática dos mandamentos, mas só Cristo. E também, os protestantes se recusam a ouvir Pedro, e seus sucessores , os Papas. Portanto recusam ouvir a voz de Cristo falando em Pedro.

Logo, os protestantes não se reúnem em nome de Cristo, embora digam que o adoram e seguem que profetizam e fazem milagres em seu nome.

É claro que há que considerar os que, teoricamente, estejam de boa fé e por ignorância invencível, entre eles, e que, nessas condições, poderiam se salvar. Mas, a esses cabe só a Deus julgar, se estão com boa intenção ou não. Não nós.

Nesse terreno a nós cabe seguir o que escreveu e determinou, como de fé, o Papa Pio IX, no Syllabus, que condenou a seguinte frase como contrária à Fé verdadeira:

“Pelo menos, deve-se ter fundadas esperanças acerca da eterna salvação de todos aqueles que não se acham de modo algum na verdadeira Igreja de Cristo” (Erro 17 condenado pelo Syllabus de Pio IX, Denzinger, 1717).

E Pio IX condenou também a seguinte frase:

“O protestantismo não é outra coisa senão uma forma diversa da mesma verdadeira religião cristã e nele se pode agradar a Deus da mesma forma que na Igreja Católica” (Erro 18 do Syllabus de Pio IX, Denzinger 1718).

Logo, não se deve presumir que Cristo esteja presente na reunião de hereges, ainda que eles digam que se reúnem em seu nome.

2) Sua segunda pergunta apresenta a mesma dificuldade, com base noutra passagem do Evangelho de São Marcos, quando alguns expulsavam demônios, em nome de Cristo, e os Apóstolos pediram a Nosso Senhor que os proibisse de fazer isso, por que esses tais não andavam com eles, os Apóstolos. Ao que Nosso Senhor respondeu:

“Quem não está contra nós, é por nós” (Mc. IX, 39).

Repare que nem os Apóstolos, nem Nosso Senhor negam, neste último caso que esses tais, de fato, expulsassem demônios em nome de Cristo. Logo, eles, de fato, faziam isso. Então, só podiam fazê-lo sincera e realmente em nome de Cristo. Deus os atendia. Logo, esses tais, de fato, falavam e agiam em nome de Cristo, mesmo sem serem do grupo dos Apóstolos. Isso só mostra que nem todos os cristãos devem ser Apóstolos, isto é, Bispos, e que Nosso Senhor pode dar o poder de exorcizar a pessoas que não sejam Bispos, desde que essas pessoas não sejam contra Cristo e nem contra os Apóstolos. Esses, não sendo contra Cristo, e nem contra os Apóstolos, podiam de fato fazer milagres.

O caso não se aplica, então, aos protestantes que são declaradamente contra o Papa, instituído por Cristo. Sendo eles contra Pedro, estão eles contra Cristo. Logo, eles não podem fazer milagres.

3) Quanto à sua terceira questão, não tendo conhecimento desses problemas, devo me abster de dar qualquer opinião. Creio que seria bom que se consultasse um canonista sério e prudente, para resolver o problema sem liberalismos e com justiça.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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