Montfort Associação Cultural

23 de março de 2006

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É lícito a uma Universidade praticar o proselitismo?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria
  • Idade: 37
  • Localizaçao: Salvador – BA – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Prezado Prof. Fedeli

Sou docente concursada na Universidade do Estado da Bahia há 9 anos e gostaria de saber se é lícito a uma Instituição de Ensino Superior praticar o proselitismo? Sou católica e sinto-me discriminada com as práticas da UNEB em tentar fazer do Candomblé a religião oficial da Bahia e da própria Universidade, desrespeitando a minha religião católica. Posso mover uma ação legal contra a Universidade por praticar o proselitismo?

Obrigada. Saudações cordiais,

Maria Dolores

Segue a cópia da mensagem que recebi pelo correio eletrônico da UNEB:

———

UNEB apóia projeto/seminário  do Ilê Axé Opô Afonjá

A Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, através da Associação Juventude Afonjá, vai realizar o seminário Afonjá Aragbogbô: o corpo da diversidade nos próximos dias 31 de março, 1º e 2 de abril (sexta-feira, sábado e domingo), no Terreiro da ialorixá Mãe Stella de Azevedo Santos. Na ocasião, será lançado o projeto Afonjá Aragbogbô, que envolve outras atividades, além do seminário: oficinas culturais e artísticas e feira de integração cultural. O projeto conta com o apoio institucional da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Segundo a programação divulgada pelos organizadores, na sexta-feira (31/03), dia dedicado a Oxalá, a partir das 17h30, será exibido o videodocumentário “Esse é o nosso universo, essa é a nossa crença”, seguido da execução da Mensagem da Mãe Stella, com participação do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo da Costa Lima. Está marcada também a entrega do troféu Cantulina Garcia Pacheco e apresentação do espetáculo “O nosso corpo é um templo”.

O seminário, propriamente, vai acontecer no sábado (1º/04), quando também está prevista uma apresentação do ministro Gilberto Gil e convidados, seguida da Saudação ao Orixá Xangô, palestras e outras atividades. Está agendada ainda uma homenagem especial à Mãe Stella, pelos seus 30 anos de sarcedócio encerrando o dia com show da banda Didá.

Domingo (dia 2/03), no encerramento, será ministrada a palestra Mestres Populares da Cultura, pelo presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo da Costa Lima, seguida da entrega de placa ao presidente da Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá em comemoração aos 70 anos de fundação da entidade.

Texto: Marcele Martorelli (estagiária Ascom / UNEB)

Muito prezada Dra. Maria Dolores,
Salve Maria.
 
    Oficialmente, uma Universidade estatal não pode promover atos religiosos e nem permitir proselitismo. Isso é a cantilena jurídica oficial…
    Na prática, se permite só o que vai contra a Igreja Católica.
    Vá um Católico exigir e realizar cursos de difusão da doutrina da Igreja, ou promover atos e celebrações católicas na Universidade estatal, que logo haverá protestos afirmando que a Universidade é laica e neutra do ponto de vista religioso, sendo proibidos atos de uma religião qualquer.
    Mas para o candonblé pode. Com presença de ministros… Dirão que é “cultura”…
    Discriminação só vale se for contra a Igreja, porque aí, dirão, é para combater o fanatismo.
    A senhora poderá mover uma ação legal contra esses atos, porque pela lei, a senhora teria razão.
    Mas, já disse Getúlio: “A lei ? Ora, a lei…”
    Prevejo que a senhora, infelizmente, não conseguirá nada.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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