Montfort Associação Cultural

9 de janeiro de 2011

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E agora? Como fica o Ecumenismo? E como fica o Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rodrigo Ferreira
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Caro Professor,

Não vejo em que Bento XVI desmerece o ecumenismo na audiência geral citada. Primeiro, ecumenismo refere-se ao diálogo entre cristãos que foram batizados em Igrejas com bispos ordenados, trata-se da busca da reconcilição, da busca do reencontro com os irmaõs rebeldes, os irmãos separados, como diz o catecismo. Não perssupõe o abandono à verdade, nem à doutrina. A leitura feita por alguns teólogos da TL do ecumenismo decorre de sua oposição ao magistério, não de sua leitura do Vaticano II. Na verdade, fazem a leitura a partir da oposiçao ao magistério, o que é inconsistente, haja visto que o magistério fez o concílio.

Com relação ao diálogo inter-religioso, é um convite comum à busca da verdade e vai ao encontro do bem comum, mas não se refere a “encontrar um denominador comum”.

Com relação às sementes do verbo, Bento XVI, citando S Justino, sublinha a necessidade da racionalidade, da impossibilidade de se chegar ao conhecimento de Deus pela razão e da verdade. E dá como exemplo o relacionamento dos cristãos com filosofia grega, nascida em uma religião falsa. Assim, podemos concluir que é possível existir uma semente do verbo, que nos impele ao diálogo, sem contudo pactuar com crenças falsas, como bem fez S Justino.

Data: 26 Abril 2007


 
Muito prezado Rodrigo,
Salve Maria.
 
     Compreendo perfeitamente que você começa sua carta dizendo que não vê como o ecumenismo fica atingido gravemente pelo que disse Bento XVI. O que explica que você não veja é a venda que você mantém sobre os olhos com seu falso conceito do ecumenismo.
     Para você, “ecumenismo refere-se ao diálogo entre cristãos que foram batizados em Igrejas com bispos ordenados, trata-se da busca da reconcilição, da busca do reencontro com os irmaõs rebeldes, os irmãos separados, como diz o catecismo. Não perssupõe o abandono à verdade, nem à doutrina”.  
     Coloquei em vermelho as palavars que comprovam o erro que o cega.
     O que você chama de “cristãos que foram batizados em Igrejas com bispos ordenados” na verdade se trata de hereges e eles — pelo menos os protestantes — não tem Bispos de modo algum. A Igreja declarou oficialmente no tempo de Leão XIII que nem os anglicanos possuem o sacerdócio, e que todas as suas ordenaçãoes são inválidas e falsas.
 
     O que separa nós católicos dos protestantes é a heresia em que eles caíram, exatamente a doutrina falsa que eles defendem.
     Os hereges defendem a mentira negando o que Cristo revelou.
     Por incidir nesse erro muito grave, você não entende o que é o ecumenismo e como o discurso de Bento XVI o atinge.
 
     Outro erro bem garve em que você cai é o de afirmar: 
 
Com relação ao diálogo inter-religioso, é um convite comum à busca da verdade e vai ao encontro do bem comum, mas não se refere a “encontrar um denominador comum”.
 
     Nessa frase você cai em várias heresias. Por exemplo dizer que Igreja Católica estaria em busca da verdade.
     A Igreja Católica não está em busca da verdade. Ela tem a Verdade que lhe foi dada pelo próprio Cristo. Você, infelizmente, não considera que a Igreja tenha a Verdade.
     Você, por causa do ecumenismo, julga que a Igreja católica é apenas uma entre outras, e que nenhuma religião tem a verdade completa.
     E isso é heresia modernista que lhe entrou na cabeça pela pregação dos erros do Concílio Vaticano II.
 
     Quanto a seu comentário do que disse Bento XVI, você erra também. O papa mostrou como a razão natural – na filosofia grega – alcançou verdades a respeito de Deus, como as provas de sua existência, a de sua unidade, infinitude e outras mais que são os pródromos da Fé. A teodicéia prepara a Fé. E a teodicéia é o estudo de Deus por meio da razão, enquanto a teologia o faz à luz da revelação. Bento XVI mostrou que os Apologetas exaltaram e aproveitaram o valor racional da filosofia grega, mas que repudiaram a religião pagã como satânica. 
 
     Os Padres da Igreja só aceitaram as sementes do Verbo — as sementes da Verdade — existentes na Filosofia racional grega, nunca na religião grega que era mentira diabólica. Portanto, os Padres da Igreja, os Apologetas, nunca praticaram o ecumenismo. 
 
     E o decreto Ad gentes do Concílio Vaticano II disse o contrário.      
 
     São Justino não dialogou com as religiões falsas, porque ele sabia muito bem o que Jesus Cristo ordenou: “Ide e ensinai a todos“. Cristo nunca disse “Ide e dialogai
     Foi o Vaticano II que mudou a ordem de Cristo inventando uma igreja dialogante que não seria mais mestra da Verdade.

     
     Recomendo-lhe que estude o Catecismo Romano para voltar a ser católico.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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