Montfort Associação Cultural

29 de agosto de 2005

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Dúvidas preconceituosas sobre a Inquisição

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rafael Anselmo
  • Idade: 19
  • Localizaçao: Porto Alegre – RS – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Universitário
  • Religião: Outras – escreva abaixo

Olá. Eu sou estudante de Jornalismo na PUCRS (Ponitficie Universidade Católica do Rio Grande do Sul), e tenho algumas dúvidas sobre a doutrina católica. Antes de mais nada, gostaria de explicar que não é para alguma espécie de trabalho, são dúvidas pessoais.
Os senhores afirmam que a Igreja Católica nunca condenou pessoas de religiões/raças diferentes, como foi respondido à um e-mail anterior. Mas, se de fato, não houvesse esse preconceito, qual foi o motivo da Santa Inquisição? Antes que digam que a Santa Inquisição é uma “falsa história” quero lembra-los que está muito bem documentada a sua existencia e em especial o Padre Tomas de Torquemada nascido no ano de 1420 em Valladolid na Espanha, que se tornou um notório inquisidor, principalmente por suas criativas e eficázes torturas que eram usadas para “confissões de heréges”. Caso não lhe venha à memória esse notável nome (que se tornou quase um simbolo da loucura e perversidade da Inquisição), ele foi responsável pelo Mosteiro de São Tomás de Avila.
Temos que lembrar que o que Jesus Cristo pregou foi a compreensão e o amor ao próximo, e como vocês (Igreja Católica) que eram os maiores representantes de Jesus, puderam torturar e queimar pessoas em praças públicas em cerimônias que deixariam até mesmo os mais apavorantes demônios do Inferno envergonhados? Qual é o argumento de vocês?
Depois passou-se anos, e veio a Segunda Guerra Mundial, e com ela o Nazismo. Os nazistas eram completamente contra judeus, negros, ciganos, latinos e qualquer “raça” que não a ariana. Porém, há um detalhe nisso tudo. A Igreja não condenou o nazismo, temos que nos lembras da visível indiferença do Papa perante as atrocidades (que se não foram piores, se igualam à Santa Inquisição) cometidas pelos oficiais nazistas, sendo que a Igreja Católica chegou a dar exílio aos nazistas que fugiam da queda iminente do III Reich. Como puderam aceitar homens que torturavam, matavam e estupravam pessoas inocentes por causa de sua religião? Por favor, me corrija se estiver errado, mas essas atitudes (vou falar apenas dessas duas, não vou comentar as Cruzadas nos territórios turcos, nem o saque de uma soma incalculável de ouro e preciosidades das colônias cujos monarcas eram protèges dos Sumos Pontífices) não são exatamente o oposto da palavra pregada por Jesus? Caso diga que esses dois fatos são “mentiras históricas de um prodessor comunista incompetente”, lembrem-se que o Papa João Paulo II perdiu perdão por esse atos grotescos. Mas não disse por que esses atos foram cometidos. Talvez não lhe restou tempo, ou apenas o Papa João Paulo II não queria remexer numa ferida terrívelmente humilhante perante a imagem de Deus. Seja qual for o motivo, não peço desculpas, pois vocês devem pedir desculpas à Deus e ao seu Filho, às pessoas, precisam dar apenas motivos.

Com todo o meu respeito,
Rafael Anselmo.

P.S.: Sintam-se livres para publicarem, se não quiserem publicar, respondam à mim diretamente, pelo menos quero entender por que vocês expulsaram tantos seres humanos do mundo sem ter ao menos um objetivo plausível.

Muito prezado Rafael,
Salve Maria!

    Claro que a Inquisição existiu, e que Torquemada foi inquisidor na Espanha, no século XV. Esses dois fatos ninguém discute.

    Frei Tomás de Torquemada (1420-1498), Grande Inquisidor de Espanha, foi sobrinho do Cardeal Juan de Torquemada, com o qual não deve ser confundido.

    Queria saber em que livro você leu sobre as torturas praticadas por Torquemada. Sinceramente, conhecendo o que se lê, no Brasil, ouso desconfiar que você não leu nenhum livro sobre a Inquisiçãoe nem sobre Torquemada. Como quase todos, no Brasil, você apenas repete o que ouviu de algum professor, ou o que leu em algum artiguete de jornal. No Brasil, o desconhecimento histórico é muito grande, pois quase não há livros sérios publicados sobre esse assunto, em português. Dai, a repetição de lendas como fatos históricos indiscutíveis. Repetem-se slogans e chavões e se pensa que se afirmaram verdades.

    Por isso, você comete um primeiro erro — secundário é certo, mas erro — logo no começo de sua carta, ao dizer que Torquemada foi prior do Mosteiro de Santa Cruz de Ávila. Ele foi prior do mosteiro de Santa Cruz de Segóvia.

    Logo depois, você comete um segundo erro — este bem mais grave — ao dizer que “Jesus Cristo pregou foi a compreensão e o amor ao próximo”.

    Certamente, Cristo pregou o amor ao próximo, mas que entende você por “compreensão”?

    Claro que opondo o que Cristo pregou ao que fez a Inquisição, “compreensão“, para você, é sinônimo de tolerância.

    Ora, Cristo jamais mandou e nem aconselhou tolerar erros doutrinários. Ele combateu com força os erros gnósticos dos fariseus, assim como os erros dos saduceus. E Cristo não tolerou os vendilhões do Templo, mas os expulsou com violência, com o açoite. E açoite causa dor e machuca. 

    É claro que a ovelha sarnenta deve ser separada das sadias, e, para evitar endemias, deve-se até sacrificar as ovelhas que estão doentes, e não ter tolerância com o mal. 

    Com os homens se dá algo paralelo. Pois o mal moral é bem mais contagioso que a peste.

    Você fala contra a tortura na Inquisição, como se a Inquisição tivesse inventado e introduzido a tortura. O que é uma calúnia.

    A tortura foi usada por todos os povos até o século XIX. Para não falar das torturas do século XX, por exemplo, em Cuba.

    Você já se lembrou de atacar as torturas socialistas de Fidel ?

    E a imprensa ainda hoje está publicando provas médicas de que o prefeito Celso Daniel foi torturado antes de ser assassinado, e que, por imposições políticas, se abafou PeTisticamente esse caso de tortura e assassianto. No século XX! Aqui! No Brasil! Envolvendo o PT! 

     Saiba então que a Inquisição foi a primeira instituição jurídica no mundo a declarar que as confissões sob tortura não seriam válidas para a condenação de ninguém. Foi a Inquisição também que exigiu que a tortura fosse limitada, sendo usada apenas paar obter informações, e que não poderia violar a integridade física da pessoa, que ela deveria ser limitada a meia hora, que deveria ser assistida por um médico, e que jamais poderia ser repetida.

    De 1309 a 1323, em 636 processos inquisitoriais realizados em Toulouse — principal centrou herético medieval — só em um deles se aplicou a tortura. Em um só. (Cfr. Rino Cammilieri , La Vera Storia dell´Inquisizione, Piemme, Casale Monferrato, 2001, p.48).

    E sobre a Inquisição espanhola não se diz que ela logo foi uma instituição do Estado, não controlada pela Igreja, e que a Igreja teve que censurar e tomar medidas contrárias a ela.

    Mesmo assim, o que se fala contra a Inquisição espanhola é fruto das calúnias difundidas por Llorente, um padre apóstata, que escreveu um livro contra a Inquisição na Espanha, para ajudar os franceses de Napoleão a dominarem esse país, traindo assim a Igreja e a Pátria. E Llorente, terminada a sua obra, queimou todos os documentos que usou, para que não se vissem suas falsificações.

    Depois de falar caluniosamente sobre a Inquisição você passa a falar do Nazismo e me escreve o seguinte:

    “Os nazistas eram completamente contra judeus, negros, ciganos, latinos e qualquer “raça” que não a ariana”.

    Meu caro, você se esqueceu de contar os católicos entre as vítimas do nazismo, porque Hitler perseguiu violentamente os católicos, que morreram em número muito grande nos campos de concentração. Principalmente sacerdotes e freiras.

    Por que você omitiu os católicos entre as vitimas do nazismo?

    Por puro preconceito contra a Igreja.

    Essa é a tolerância dos que seguem “outras religiões” sem ousar definir qual é.

    Defina-se, meu caro. 

    Na realidade, como todo defensor da tolerância, você é intolerante só para com a Igreja Católica.

    Recomendo-lhe que leia os relatórios da perseguição à Igreja Católica feita pelos nazistas, na Polônia, por exemplo. E você não se lembra — porque muito provavelmente ignora — que Monsenhor Von Gallen, Cardeal Arcebispo de Munster, desafiando Hitler, foi quem valentemente protestou contra a lei nazista, que mandou eliminar em câmaras de gás os doentes mentais.

    Aliás, queria lhe perguntar: você combateu a lei do uso de embriões humanos para pesuqisas, patrocinada pelo PT e aprovada pelo Lula?

    Essa é uma lei tipicamente nazista, que permite usar seres humanos como cobaias. É uma lei de tipo Mengele que o PT fez aprovar.

    Você protestou contra essa lei nazistóide aprovada por Lula ? Claro que não!

    E, prosseguindo em sua fúria caluniadora contra a Igreja, você diz que os crimes da Inquisição se igualam aos do nazismo, pois me escreve que os crimes nazistas “se igualam à Santa Inquisição”.

    Ora, é sabido que o nazismo matou milhões de pessoas nos campos de concentração.

    Sabe você o número de pessoas queimadas pela Inquisição, durante 100 anos, em Toulouse, o maior centro de hereges da Idade Média?

    Pois foram só 42 pessoas.

    E sobre a sua afirmação de que a Igreja não condenou o totalitarismo, peço-lhe que leia a encíclica Mit brenender Sorge.

    E sobre o pedido de perdão de João Paulo II haveria muito o que dizer. Por exemplo, que só se pede perdão por erros próprios. O que disse João Paulo II reflete uma opinião pessoal dele, e não o ensinamento da Igreja. Aliás, agora foi publicado que todos os Cardeais se manifestaram, naquele tempo, contra o pedido de perdão feito por João Paulo II.

    Você pede que lhe explique por que foi instituída a Inquisição. Esse é outro ponto que certamente você desconhece.

    A Inquisição foi instituída para combater o catarismo, que defendia a tese de que a mulher, por permitir a perpetuação da humanidade, através da geração, era um ser nocivo. Os cátaros eram contra a procriação e contra o matrimônio, considerando possessas as mulheres grávidas. Defendiam também o suicídio por inanição. A vitória do catarismo seria a extinção da humanidade.

    Até mesmo um autor protestante, inimigo da Inquisição, o americano Lea, considera que a Igreja, combatendo os cátaros, salvou a humanidade.

    Você só está vivo, hoje, porque a Inquisição derrotou o catarismo.

    Agradeça a Inquisição por sua vida e por sua mãe.

    E saiba meu caro desconhecedor de História, que o catarismo foi o gerador do Romantismo e do Nazismo.

    Vá então estudar História de verdade antes de caluniar a Igreja. 

    E se quiser vir me visitar para que lhe dê um curso — gratuito — sobre Catarismo, Gnose, Romantismo e Nazismo, estou à sua disposição. E de contrapeso poderei lhe expor os crimes do socialismo e do comunismo.

    E passe bem.

    Com meu ”addio senza rancore…”

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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