Montfort Associação Cultural

10 de março de 2005

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Dúvidas do mau Caminho

  • Consulente: Miguel Frasson
  • Idade: 27
  • Localizaçao: Haia – Holanda
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Estudante de doutorado em mate
  • Religião: Católica

Olá

Gostaria de responder a isso, apesar de não ter procuração de ninguém para fazê-lo.

> De forma contrária ao que esse movimento se mostra, eles
> desrespeitam a Autoridade da Igreja: os catequistas do grupo agem
> como superiores aos Padres.

Na paroquia, tudo está abaixo do bispo. O clericalismo deste Eduardo Martins o faz pensar que o presbítero está acima de todos na paroquia.

Como em tudo na Igreja, há hierarquia. Se um presbítero é parte de uma equipe de catequistas (isso é feito em comunhão com o Bispo), ele estará baixo a hierarquia do movimento.

> A missa desse grupo, estranhamente, é feita somente aos sábados.

Por que estranho? Eu sempre frequentei missas nos sábados pela noite.

> Para poder freqüentar a Eucaristia, é necessária uma autorização dos
> catequistas ou, ter feito as catequeses e a convivência inicial do
> grupo. Ao contrário do que eles fazem, a Igreja Católica não impede
> as pessoas de assistirem a missa, e se essas fizeram a primeira
> comunhão podem comungar sem pedir autorização.

A Eucaristia é uma das celebrações *em comunidade*. Quem não é da comunidade e quer assistir à eucaristia, que peça. Não há nada estranho. A Eucaristia não é missa. Perdão por especular, mas ouvi dizer que existem comunidades dos carismáticos. Ouvi dizer (especulação) que para evitar perseguições, como as que o Eduardo Martins faz contra os neocatecumenais, eles não usam o nome dos carismáticos. A comunidade (carismática, neocatecumenal ou outra católica) é um lugar precioso para viver a fé. É conveniente preservar o ambiente de comunidade.

De qualquer forma, se alguém quer assistir às Eucaristias, simplesmente peça.

> Nas chamadas Convivências, é proibido contar para outras pessoas o
> que ocorreu, especialmente para aquelas que ainda não fizeram a
> “convivência” referente ao mesmo passo, ou seja, o Neocatecumenato é
> um grupo que possui ensinamentos que não são tão públicos. Confessam
> ainda que possuem apostilas que somente são passadas para alguns.

Escandalizados, leitores? As pessoas podem se abrir nas convivências. É fundamental preservar a intimidade, obviamente, e isso é regra (segredo arcano). Coisas que vazam podem destruir as pessoas. Quanto ao que ensinam (se refere à catequese de transmissão anual) é conveniente aos neocatecúmenos. Bastaria. Também seria útil a outros, mas como algumas coisas podem ser mal-entendidas se alguns têm intenções de perseguiçao, se vê que é melhor manter interno ao grupo. Essas mensagens são comuns a todas as comunidades neocatecumenais do mundo. Isso (que os assuntos são internos) *não* é feito escondido de
ninguém, particularmente da Igreja, onde há coisas que não estão publicas, para o bem da Igreja.

Sobre as tais apostilas, que não sei precisamente do que o Sr. Eduardo Martins está falando, deve ser o material organizado para que os responsáveis e corresponsáveis transmitam a catequese detransmissão.

> O grupo despreza e não obedece as definições da Igreja,
> principalmente as que são anteriores ao Vaticano II.

Toda a liturgia que se faz no caminho neocatecumenal está aprovada pela Congregação para o Culto Divino, na Santa Sé. Darei as
referencias a seguir.

> Ignoram e não obedecem as definições do Concílio de Trento, Decreto
> Lamentabili (S. Pio X), Silabo (Pio IX), Pascendi Dominici Gregis
> (S. Pio X, 8 de setembro de 1907) que trata sobre as doutrinas
> modernistas. E mesmo nos documentos mais recentes podemos verificar
> que o grupo não segue as determinações da Igreja. Só para
> demonstrar, o Documento Redemptionis Sacramentum que trata sobre o
> que se deve observar e evitar na Santíssima Eucaristia proíbe que os
> leigos ministrem a comunhão, ocorre porém, que no Neocatecumenato
> quem ministra a comunhão são os Leigos, enquanto o Padre fica
> sentando esperando e somente quando todos recebem a comunhão é que
> eles comungam, todos juntos.

Isso já é problema da referida Congregação. Se estamos autorizados *oficialmente*, estamos autorizados. Interessante que há referencias somente a epístolas enteriores ao Concilio… (por que?)

O Sr. Eduardo Martins provavelmente se irrita com as leituras feitas em lingua vernácula (a da população), em vez do Latin, com o
presbitero lendo de costas para a assembléia.

Com certeza, a palavra é digna de reverência (o padre não virava para a assembleia para não das as costas ao sacrário) mas as vezes, mudanças trazem mais benefícios que ofendem a Deus. Só a Igreja tem o direito e dicernimento para julgar a validade de tais práticas.

> Entretanto, o que a Santa Igreja determina é:

Talvez determinava o que ele diz que determina. Lembramos que Eucaristia *em comunidade* não é missa. Mas é até interessante ouvir…

> [88.] Os fiéis, habitualmente, recebam a Comunhão sacramental da
> Eucaristia na mesma Missa e no momento prescrito pelo mesmo rito da
> celebração, isto é, imediatamente depois da Comunhão do sacerdote
> celebrante.[172] É de responsabilidade do sacerdote celebrante
> distribuir a Comunhão, se é o caso, ajudado pelos outros sacerdotes
> e diáconos; e este não deve prosseguir a Missa até que haja
> terminado a Comunhão dos fiéis. Só aonde a necessidade o requeira,
> os ministros extraordinários podem ajudar ao sacerdote celebrante,
> de acordo com as normas do direito.[173]

Gozado. Nós celebramos a Eucaristia assim aqui na Holanda, onde por graça quase todas as comunidades têm seu próprio prescítero.

> [90] “Os fiéis comunguem de joelhos ou de pé, de acordo com o que
> estabelece a Conferência de Bispos”, com a confirmação da Sé
> apostólica. “Quando comungarem de pé, recomenda-se fazer, antes de
> receber o Sacramento, a devida reverência, que devem estabelecer as
> mesmas normas”.[176]

Nos foi autorizado comumgar sentados, pelos devidos meios dentro da Santa Sé. A Eucaristia, Ação de Graças, é Páscua, passagem da escravidão (do pecado, para os cristãos) à liberdade (em Cristo). Claro que é conveniente ajoelharnos (dignidade do sacrifício), mas o fato de o fazermos sentados é um sinal da dignidade da liberdade. É outro signo da libertação de Cristo.

> [94.] Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem
> o cálice sagrado «por si mesmos, nem muito menos que se passem entre
> si de mão em mão».[181] Nesta matéria, Além disso, deve-se suprimir
> o abuso de que os esposos, na Missa nupcial, administrem-se de modo
> recíproco a sagrada Comunhão.”

Fazemos assim.

> O que faz o Neocatecumenato:

> quem distribui a Comunhão são os responsáveis das Comunidades, que
> são casados e leigos.

> os membros recebem a comunhão sentados, quando a Igreja diz que deve
> ser de joelhos ou de pé.

:-P

> eles comungam nas duas espécies e, quando vão comungar sob a espécie
> de vinho, cada um pega o cálice.

Realmente, na missa, quando comungamos em duas especies, nao tomamos o calice. No entanto, na liturgia do Caminho Neocatecumenal, isto está
autorizado.

> Portanto, eles estão contrariando as determinações da Igreja.

Não, não estamos. O Sr Eduardo Martins já sabia disso.

> Na Igreja não há nada de novo, a verdade revelada por Nosso Senhor
> aos Apóstolos é a mesma ensinada hoje, ela é imutável, assim como
> Deus é imutável. Não existe uma nova revelação. A Igreja sempre
> ensinou de forma clara, nunca às escondidas, afinal a luz deve ser
> colocada em um local onde ilumine, e não deve ficar escondida, para
> que somente alguns tenham conhecimento.

Sim. Concordo. Se o Sr Eduardo está insinuando algo, é outra coisa. A doutrina da Igreja, sem interpretações como o nosso mundo
secularizado faz, é enfatizada no caminho. As comunidades são tais signos visíveis.

> A fé vem pelos ouvidos, mas segundo o Neocatecumenato, deve se
> buscar uma experiência com Deus, algo muito parecido com a heresia
> modernista. Segundo eles o homem para encontrar Deus deve olhar para
> a própria vida, e ver Deus agindo.

:-P

> Outra coisa estranha é o site desse grupo onde não existe nada de
> doutrina. Uma vez mandei um e-mail para o site oficial do
> Neocatecumenato no Brasil, perguntando quais eram os documentos e as
> fontes que Kiko usava para fundamentar os passos do “Caminho” e para
> elaborar as suas catequeses. Quem me respondeu disse que não estava
> qualificado para responder. Achei estranho, afinal tal pessoa se
> identificou como o responsável pelo site oficial do grupo no
> Brasil. Se ele não sabia e não estava qualificado, quem poderia
> estar?

Ele foi sincero. Pode ser que ele não pudesse responder e nao o fez.

Qual o ponto em saber os documentos, se afinal é só uma questão de perseguição? Se este Eduardo Martins quer se informar da nossa doutrina (da Igreja Católica), leia o Catecismo da Igreja Católica. Eu já o fiz. Parece que é pesado, mas não é. Tãopouco é uma leitura leve.

Vejam nas fotos anexas o Sr. Kiko Arguello com a palavra nas celebrações com o Papa. A Igreja já se encargou de checar as fontes
do Sr. Arguello. No entanto, Eduardo Martins quer re-checa-las…

> Espero ter lhe alertado, citando apenas algumas das inúmeras
> irregularidades do Neocatecumenato.

Buuuuuu… “cuidado com os neocatecumenales hereges”… mas cuidado tambem com esses “esclarecidos” que querem salvar os inocentes de se converterem a essa “seita”. Vejamos fotos do Papa com as comunidades, celebrando a Eucaristia com comunidades neocatecumenais. Ele faria isso se não fosse correto? Favor LER a carta da Congragacao do Culto divino, anexa.

> Recomendo que reze para Nossa Senhora Auxiliadora. Ela com certeza
> lhe dará graças mais que suficientes!
>
> Eduardo Martins.

Miguel Frasson.

Algumas referencias:

Carta Ogni Qualvolta do papa Joãp Paulo II
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/1990/documents/hf_jp-ii_let_19900830_ogni-qualvolta_en.html
(em ingles)

Notificação da Congregação para o Culto Divino y para a disciplina dos sacramentos sobre as celebrações nos grupos do Caminho Neocatecumenal.
(em imagem congreg-culto-divino.png, em espanhol, anexado. Favor ler)
Colocarei disponivel em
http://www.math.leidenuniv.nl/~frasson/caminho/congreg-culto-divino.png

Fotos do Papa João Paulo II celebrando Eucaristias com comunidades do Caminho Noecatecumenal.

Foto 02-11-1980.jpg Em 2 de Novembro de 1980, em visita do Papa à Paroquia dos Mártires Canadenses, em Roma.
http://www.math.leidenuniv.nl/~frasson/caminho/02-11-1980.jpg

Foto 28-12-1986.jpg Eucaristia no Castelo Gandolfo com 400 catequistas itinerantes de comunidades neocatecumenais. Ao final, foi-lhes entregue a cruz missionária a cada um pelo Papa.
http://www.math.leidenuniv.nl/~frasson/caminho/28-12-1986.jpg

Fotos 30-12-1988.jpg e 30-12-1988_eucaristia.jpg: Festa da Sagrada Família. Eucaristia do Papa João Paulo II na tenda de Potro San
Giorgio e envio das famílias do Caminho Neocatecumenal para a nova evangelização. Vê-se Kiko com a palavra. Na foto
30-12-1988_eucaristia.jpg, o Papa é visto celebrando a Eucaristia em pessoa. Ele parte o pão ázimo consagrado. Ele o fez justo para
calaram algumas bocas sobre a falta de validade de tal celebração eucarística. Note as dezenas de cálices na mesa (só 4 são visiveis na foto parcial da mesa).
http://www.math.leidenuniv.nl/~frasson/caminho/30-12-1988.jpg
http://www.math.leidenuniv.nl/~frasson/caminho/30-12-1988_eucaristia.jpg

Sr. Miguel Frasson, 

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O comentário que o Sr. me enviou, diz respeito a uma resposta minha encaminhada a Srta. Regiane Santos que perguntou sobre o Neocatecumenato. Apesar da falta de procuração, o Sr. gentilmente confirmou aquilo que, segundo a sua resposta, seria uma “perseguição” minha ao Neocatecumenato. Por isso, agradeço a sua “resposta”. Convém esclarecer alguns equívocos de sua parte.

 

Segundo sua carta, na paróquia tudo está abaixo do Bispo, até aí tudo bem, pois o pároco, conforme o Código de Direito Canônico, está abaixo do Bispo, Can, 515 

§ 1 – Paróquia é uma determinada comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, e seu cuidado pastoral é confiado ao pároco como a seu pastor próprio, sob a autoridade do Bispo Diocesano.

Afirmei em minha carta (enviada para outra pessoa, que não o Sr.), que os catequistas do movimento se acham superiores aos Padres. Ocorre que entre os catequistas estão os leigos, que não possuem o sacramento da ordem, e esses, querem na hierarquia da Igreja, estar acima dos Padres. Em suas palavras o Sr. confirma o que eu afirmei: 

“Se um presbítero é parte de uma equipe de catequistas (isso é feito em comunhão com o Bispo), ele estará baixo a hierarquia do movimento. (grifo e sublinhado meu) 

A legislação da Igreja, mais especificamente o Código de Direito Canônico determina:

 

Cân. 519 – O pároco é o pastor próprio da paróquia a ele confiada; exerce o cuidado pastoral da comunidade que lhe foi entregue, sob a autoridade do Bispo diocesano, em cujo ministério de Cristo é chamado a participar, a fim de exercer em favor dessa comunidade o múnus de ensinar, santificar e governar, com a cooperação também de outros presbíteros ou diáconos e com a colaboração dos fieis leigos, de acordo com o direito.

 

O código diz colaboração dos leigos, e não abaixo dos leigos, como o Neocatecumanto quer fazer.

 

O Papa Gregório XVI, em sua Carta encíclica, Mirari Vos, ensina:

 

“5. Deveis, pois, trabalhar e vigiar assiduamente, para guardar o depósito da fé, apesar das tentativas dos ímpios, que se esforçam por dissimulá-lo e desvirtuá-lo. Tenham todos presente que o julgar da sã doutrina, que os povos têm de crer, e o regime e o governo da Igreja universal é da alçada do Romano Pontífice, a quem foi dado por Cristo pleno poder, para apascentar, reger e governar a Igreja universal, segundo os ensinamentos legados pelos Padres do Concílio de Florença (Sess. 25, in definit. apud Labb., tom. 18, col. 527. Edit. Venet.). Portanto, todo Bispo deve aderir fielmente à Cátedra de Pedro, guardar o depósito da fé santa e apascentar religiosamente o rebanho de Deus que lhe foi confiado. Os presbíteros estejam sujeitos aos Bispos, considerando-os, segundo aconselha São Jerônimo, como pais da alma (Ep. 2 ad Nepot., a. 1, 24); e jamais esqueçam que os cânones mais antigos lhes vedam o desempenho de qualquer ministério, o ensino e a pregação sem licença do Bispo, a cujo cuidado foi condiado o povo e de quem se hão de pedir contas das almas (Ex can., app 33 apud Labb., tomo I, p. 38, edt. Mansi.). Por fim, tenha-se por certo e estável que, quantos intentarem contra esta ordem estabelecida, enquanto depender de sua parte, perturbam o estado da Igreja.” (grifo e negrito meu)

 

A citação é longa, mas necessária. Pode-se verificar que quem atenta a essa ordem estabelecida, Papa, Bispo e Presbíteros, perturba o estado da Igreja.

 

Depois o Sr. confirma que a missa é feita sábado à noite. Nosso Senhor morreu na sexta-feira e ressuscitou no domingo, então, por que missa no sábado? E mais, não devemos oferecer para Deus o primeiro dia da semana?

 

Os Judeus guardam o sábado, e vocês coincidentemente ou não, cantam e dançam músicas judaicas, possuem na entrada de suas casas sinais judaicos, utilizam inúmeros termos judaicos, existem até membros que possuem gosto por fábulas judaicas. Entre tantas semelhanças fica estranho e pouco católico fazerem a cerimônia mais importante no sábado, principalmente como regra e não como exceção.

 

Ainda, na Carta Apostólica Dies Domini, do Papa João Paulo II, em suas primeiras linhas diz:

 

“1. O dia do Senhor — como foi definido o domingo, desde os tempos apostólicos —,(1) mereceu sempre, na história da Igreja, uma consideração privilegiada devido à sua estreita conexão com o próprio núcleo do mistério cristão. O domingo, de facto, recorda, no ritmo semanal do tempo, o dia da ressurreição de Cristo. É a Páscoa da semana, na qual se celebra a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o cumprimento n”Ele da primeira criação e o início da « nova criação » (cf. 2 Cor 5,17). É o dia da evocação adorante e grata do primeiro dia do mundo e, ao mesmo tempo, da prefiguração, vivida na esperança, do « último dia », quando Cristo vier na glória (cf. Act 1,11; 1 Tes 4,13-17) e renovar todas as coisas (cf. Ap 21,5).”

No mesmo documento:

 19. « Nós celebramos o domingo, devido à venerável ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, não só na Páscoa, mas inclusive em cada ciclo semanal »: assim escrevia o Papa Inocêncio I, nos começos do século V, (15) testemunhando um costume já consolidado, que se tinha vindo a desenvolver logo desde os primeiros anos após a ressurreição do Senhor. S. Basílio fala do « santo domingo, honrado pela ressurreição do Senhor, primícia de todos os outros dias ».(16) S. Agostinho chama o domingo «sacramento da Páscoa» (17).”

Você diz que leu o Catecismo da Igreja Católica, mas não segue o que este determina, pois no Artigo 3 – O Terceiro Mandamento (2175) sobre o domingo:

“O domingo se distingue expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, a cada semana, e cuja prescrição ritual substitui, para os cristão. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judeu e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Pois o culto da lei preparava o mistério de Cristo e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo.
Aqueles que viviam segundo a ordem antiga das coisas voltaram-se para a nova esperança não mais observando o sábado, mas sim o dia do Senhor, no qual a nossa vida é abençoada por Ele e por sua morte.” (grifo e negrito meu)

Oportuno ainda a citar o Código de Direito Canônico:

Cân. 1247 – No domingo e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da missa; além disso, devem abster-se das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus, a alegria do dia do Senhor e o devido descanso da mente e do corpo.

Entretanto, você diz:

Por que estranho? Eu sempre frequentei missas nos sábados pela noite.” 

Estranho é dizer que leu o catecismo e ter sempre freqüentado missas nos sábados à noite.

Com relação à autorização para assistir a Eucaristia, a Igreja não proíbe ninguém de assisti-la, muito pelo contrário, para os batizados, é obrigação freqüentá-la nos domingos e dias de preceitos, mas para vocês, um católico deve pedir tal autorização. Portanto, se existe a necessidade de pedir autorização para o catequista é conseqüência a possibilidade de alguém ser impedido. Isso não é católico. Fica fácil perceber uma distinção entre os batizados, ou seja, aqueles que pertencem ao Corpo Místico de Cristo, e os membros do Neocatecumento, pois somente para os membros do movimento seria lícito assistir a Eucaristia.

 

O Sr. faz uma confusão enorme no assunto “convivência”. Os participantes não podem contar nada sobre as convivências, nem sobre as doutrinas ensinadas, ou sobre as catequeses. Quanto a guardar fatos sobre a intimidade das pessoas, é lógico que não se pode revelar, deve-se ter cautela, por isso não podem ser feitas confissões comunitárias, ou rituais onde as pessoas contem fatos da sua vida íntima diante da comunidade, como é feito no Segundo Escrutínio do Neocatecumenato.

 

Sobre as apostilas secretas, percebe-se que você também não tem acesso a elas, pois você diz:

“Sobre tais apostilas, que não sei precisamente do que o Sr. Eduardo Martins está falando, deve ser o material organizado para que os responsáveis e corresponsáveis transmitam a catequeses detransmissão”. 

Referente à liturgia, o Neocatecumenato (caso queira ser um grupo católico), deve seguir as determinações que são dadas pela IGREJA para todos. Existindo uma definição dogmática da Igreja sobre a liturgia, todas as liturgias devem seguir essa determinação, que não pode ser modificada e nem contrariada, ou seja, tudo o que foi definido pelo Concílio de Trento é válido e deve ser seguido. O Neocatecumenato não está acima dos Dogmas, assim deve se submeter a todas as definições infalíveis da Igreja.

 

A Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia do Sumo Pontífice João Paulo II, afirma:

(09) “ Como não admirar as exposições doutrinais do decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmáticos para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus em sua fé e amor à Eucaristia. Em tempos mais recentes deve-se mencionar três encíclicas: Mirae caritatis, de Leão XIII (28 de maio de 1902), Mediator Dei de Pio XII (20 de novembro de 1974) e Mysterium Fidei, de Paulo VI (3 de setembro de 1965).” (grifo e negrito meu)

(15) “Reafirma-se assim a doutrina sempre válida do Concílio de Trento: “Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda substância do pão na substância do corpo de Cristo, nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; nesta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação”.” (grifo e negrito meu).

E, (36) “Desejo, por conseguinte, reafirmar que ainda vigora e sempre há de vigorar na Igreja a norma do Concílio de Trento que concretiza a severa advertência do apóstolo Paulo, ao afirmar que, para uma digna recepção da Eucaristia, “se deve fazer antes a confissão dos pecados, quando alguém está consciente de pecado mortal.” (grifo e negrito meu)

Mas conforme a sua carta, o Papa seria reprovado por ter citado documentos anteriores ao Vaticano II, especialmente o Concilio de Trento.

 

Para evitar que você defenda um erro, alegando qualquer modificação da doutrina da Igreja, ou a tese condenada da evolução dos dogmas, continuo a citação do Documento do Papa Gregório XVI, a Carta Encíclica Mirari Vos:

“6. Reprovável seria, na verdade, e muito alheio à veneração com que se devem acolher as leis da Igreja, condenar, somente por néscio capricho de opinião, a doutrina que foi por ela sancionada, na qual estão contidas a administração das coisas sagradas, a regra dos costumes e dos direitos da Igreja, a ordem e a razão dos seus ministros, ou então acoimá-la de oposicionista a certos princípios de direito natural, julgando-a deficiente e imperfeita, ou ainda sujeitando-a à autoridade civil.

Constando, com efeito, como reza o testemunho dos Padres do Concílio de Trento (Sess. 13, dec. de Eucharistia in proœm.), que a Igreja recebeu sua doutrina de Jesus Cristo e dos seus Apóstolos, e que o Espírito Santo a está continuamente assistindo, ensinando-lhe toda a verdade, é por demais absurdo e altamente injurioso dizer que se faz necessária uma certa restauração ou regeneração, para fazê-la voltar à sua primitiva incolumidade, dando-lhe novo vigor, como se fosse de crer que a Igreja é passível de defeito, ignorância ou outra qualquer das imperfeições humanas (Ep. 52, edit. Baluz.). Pensem, pois, os que tal supõem, que somente ao Romano Pontífice como atesta São Leão, tem sido confiada a constituição dos cânones; e que somente a ele, que não a outro, compete julgar dos antigos decretos dos cânones, medir os preceitos dos seus antecessores para moderar, após diligente consideração, aquelas coisas, cuja modificação é exigida pela necessidade dos tempos (Ep. ad. episc. Lucaniae).”. (grifo e negrito meu)

Interessante neste documento é também a reprovação daqueles que querem voltar à sua primitiva incolumidade assim como quer o Neocatecumenato, “viver como os primeiros Cristãos”.

 

Outro equívoco de sua parte é dizer que fiz referência somente usando documentos anteriores ao Vaticano II. As citações que foram feitas referem-se à Instrução Redemptionis Sacramentum, de 25 de março de 2004  (para evitar dúvidas, 2004 depois de Cristo). Você gentilmente confirma que o Neocatecumenato, em sua liturgia, possui práticas contrárias ao que foi determinado nesse documento (posterior ao Vaticano II).

 

Outro problema é você confirmar que na Holanda, o Neocatecumenato faz exatamente aquilo que, segundo o Documento Redemptionis Sacramentum, é ato grave contra a dignidade de Santíssima Eucaristia, pois nesse documento é proibido:

“[94.] Não está permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado «por si mesmos, nem muito menos que se passem entre si de mão em mão».[181] Nesta matéria, Além disso, deve-se suprimir
o abuso de que os esposos, na Missa nupcial, administrem-se de modo recíproco a sagrada Comunhão.”

E você confirma:

“Realmente, na missa, quando comungamos em duas especies, nao tomamos o calice. No entanto, na liturgia do Caminho Neocatecumenal, isto está autorizado.”

Como se autoriza algo considerado ato grave contra a o Sacramento da Eucaristia?

 

Você ainda faz muita confusão quando se refere à Missa, dizendo:

 

“O Sr. Eduardo Martins provavelmente se irrita com as leituras feitas em lingua vernácula (a da população), em vez do Latin, com o presbitero lendo de costas para a assembléia.”

 

Porém o Concilio de Trento, que conforme o Papa João Paulo II as suas normas sempre hão de vigorar, definiu:

 

956. Cân. 9. Se alguém disser que o rito da Igreja Romana que prescreve que parte do Cânon e as palavras da consagração se profiram em voz submissa, se deve condenar, ou que a Missa se deve celebrar somente em língua vulgar, ou que não se deve lançar água no cálice ao oferecê-lo, por ser contra a instituição de Cristo — seja excomungado [cfr. n° 943, 945 s].

 

Na Instrução Redemptionis Sacramentum diz:

“112. A missa celebra-se em língua latina, (…) sempre e em todos os lugares é permitido aos sacerdotes celebrar em latim.” 

Na Sacrosanctum Concilio (documento do Vaticano II):

“A língua da liturgia. 36. §1. Salvo o direito particular, seja conservado o uso da língua latina nos ritos latinos.”

Como você pode verificar, o magistério da Igreja Católica diz que a missa deve ser celebrada em latim.

 

Você diz que a Igreja analisou as fontes do Sr. Kiko, e eu lhe digo que é por isso que no próprio livro do Neocatecumenato, é dito que foram encontradas coisas pouco ortodoxas nas catequeses do mesmo Sr.Kiko.

 

Quanto à defesa de erros pertencentes a um grupo com a alegação de que algumas autoridades da Igreja o aprovam é apropriado lembrar o caso do movimento herético Sillon. O Papa São Pio X, também chegou a elogiar o Sillon, e depois, o condenou por meio da Carta Apostólica, dizendo que o Sillon o enganara (Cfr. São Pio X, Nostra Charge Apostolique).

 

Faço questão em terminar citando suas palavras:

“…cuidado com os neocatecumenales hereges”.

Dos hereges e de suas heresias, livrai-nos Senhor.

 

Eduardo Martins

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