Montfort Associação Cultural

28 de junho de 2009

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Dúvida de um trecho de um livro de Miguel Reale

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vinicius
  • Localizaçao: Suzano – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído

Saudações Professor Orlando!
No livro de Miguel Reale – Introdução à Filosofia – o autor propõe-nos na página 24, em sua última edição, o seguinte texto:
“… a Ontognoseologia desenvolve e integra em si duas ordens de pesquisas: uma sobre as condições subjetivas e a outra sobre as condições objetivas do conhecimento. Mais tarde ver-se-á que a Ontognoseologia, após essa apreciação de caráter estático, culmina em uma correlação dinâmica entre sujeito e objeto, como fatores que se exigem reciprocamente segundo um processo dialético de implicação de implicação e polaridade.”
Pergunto:
1- O que o sr. entende por tal texto?
2- No que este texto se relaciona com a Fé Católica?
3- Desculpe a ignorância em matéria filosófica, mas o processo dialético citado no texto poderia se referir a dialética hegeliana? (ignorante quase-total no assunto)
4- Qual sua posição sobre o autor Miguel Reale?

Obrigado e no aguardo
Vinícius.

Muito prezado Vinicius,
Salve Maria. 

     O texto que você me cita é bastante obscuro. Parece ser um texto de tom “universitário” e metafísico, usando uma terminologia rebuscada e até raiando pelo pedante.
     
Em termos mais simples, ele afirma que a ciência do ser [a Ontologia] e a ciência do Conhecimento [a Gnoseologia] buscam estudar o conhecimento objetivo enquanto tal, e o conhecimento subjetivo, em cada sujeito conhecedor. E o que dá um certo ar de pedantismo vem da fusão dos termos Onto[ser] Gnose [conhecimento] gerando o termo Ontognoseologia que ostenta ares de altíssima erudição, como se julga que é próprio do estilo universitário.
     
O pior vem depois quando o autor diz:

após essa apreciação de caráter estático, culmina em uma correlação dinâmica entre sujeito e objeto, como fatores que se exigem reciprocamente segundo um processo dialético de implicação de implicação e polaridade”.     

     E essa afirmação merece reparos doutrinários graves.
     
Que significa a correlação dinâmica entre sujeito e objeto?
     
Por que sujeito e objeto se “exigem” um ao outro num “processo dialético?
     
Isso significaria uma identificação ontognoseológica entre sujeito e objeto?
     
Aplicando isso a um Eu (sujeito conhecedor) e um tu (objeto do conhecimento) teríamos a doutrina gnóstica romântica de identificação dialética entre o eu e o tu. O que cheira à kabbala de Martin Buber.
     
E se o Eu se identifica dialeticamente ao tu conhecido com implicação da polaridade, quando o eu é um homem e o tu é a divindade parece que se cai claramente em Gnose.
     
Esse texto abstruse que você me envia, descascando-o, parece ter o caroço da Gnose romântica.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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