Montfort Associação Cultural

31 de outubro de 2006

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Doutrina e disciplina da Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Sylvio
  • Idade: 25
  • Localizaçao: Itaguaí – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Salve Maria!

Tenho uma dúvida muito simples e gostaria de um esclarecimento do senhor, professor. Há muitas coisas da Igreja que podem mudar e outras não, pois, pelo que sei, algumas tratam da disciplina da mesma; enquanto outras, da doutrina. Desta forma, haveria a disciplina, que pode mudar; e a doutrina, que é imutável. Gostaria de saber como diferenciar as duas: disciplina e doutrina. Se não fosse um abuso de minha parte, gostaria de exemplos. O senhor, como polemista, sabe que é justamente em relação a isso que muitas heresias surgem, pois acabam inovando onde não há possibilidade de inovação… Por isso, peço ao senhor que me ajude. Aproveitando o ensejo, já que sou da área jurídica, gostaria de entender o paralelo do Direito canônico com a Teologia. Seria o Direito Canônico normas de disciplina, e por isso adaptável ao tempo? E se é adaptável, como se relaciona com os dogmas da Teologia?

Obrigado pela atenção.

Fique com Deus!

Sylvio.

Muito prezado Dr. Sylvio,
Salve Maria.
 
    A doutrina católica é imutável. A doutrina é constituída pelas verdades reveladas por Deus e promulgadas pela Igreja com infalibilidade.. Disse Nosso Senhor que passariam os céus e a terra, mas que as palavras dEle não passariam jamais.
    A heresia consiste em negar uma verdade revelada por Deus e promulgada dogamaticamente — inafalivelmente — pela Igreja. Essa negação da verdade, para ser tida como formalmente herética, deve ser contumaz, isto é, a pessoa advertida pela autoridade da Igreja, de que está contrariando um dogma, continua a negá-lo com pertinácia.
    A disciplina consiste em leis decretadas pela Igreja para regulamentar a vida dos fiéis.
    Evidentemente, pode haver leis que se fundamentam na lei natural — exemplo, a proibição do aborto — e que nunca podem ser mudadas; e há outras leis decorrentes de princípios, mas que podem mudar, conforme as circunstâncias. Por exemplo, a lei de Deus manda prestar culto a Ele num dia por semana. A Igreja determinou que fosse no domingo, por causa da ressurreição de Crsito. Ela poderia mudar esse dia. Não o fará. Mas, se o fizesse, não violaria o preceito da lei de Deus. Teria que haver porém, um dia da semana exclusivamente dedicado a Deus. 
    Outro exemplo, a lei do jejeum, que a Igreja pode abrandar ou tornar mais rigoroso, conforme a penúria do povo, ou conforme o seu fervor ou tibieza. Durante a segunda guerra mundial, por causa dos problemas de abasteciemnto e de fome em certos locais, evidentemente, a lei do jejum e da abstinência foram suspensas em certas regiões. Isso é de bom senso.
    O que a Igreja não poderia fazer seria decretar que não se faça mais penitência alguma, nunca.
    Esperando tê-lo ajudado, me subscrevo atenciosamente

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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