Montfort Associação Cultural

8 de fevereiro de 2013

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Domingo da Quinquagésima na Liturgia Tradicional

Jesus cura o cego de Jericó. René de Cramer

 

 

 

 

 2ª Classe – Paramentos Roxos

  • 1ª Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios 13, 1-13.

Irmãos: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa, ou como um címbalo que tine. E, ainda que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, – uma fé de deslocar montanhas, – se não tiver caridade, não sou nada. E, ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres; e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não é temerária; não se envaidece; não é ambiciosa, não busca os próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade: tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca há de acabar; mas as profecias passarão, as línguas cessarão, e a ciência será abolida. Porque imperfeitamente conhecemos, também imperfeitamente profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. Quando eu era criança, falava como criança, discorria como criança. Quando, porém, me tornei homem feito, deixei as coisas que eram de criança. Agora vemos (a Deus) como por um espelho; depois, porém, face a face. Agora conheço-O imperfeitamente; mas, então, hei de conhecê-Lo como eu mesmo sou d’Ele conhecido. Agora, pois, permanecem estas três coisas: A fé, a esperança, a caridade; porém, a maior delas é a caridade.

  • Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 18, 31-43.

Naquele tempo: Tomou Jesus a parte os doze, e disse-lhes: “Eis que vamos para Jerusalém, e será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas acerca do Filho do homem. Pois será entregue aos gentios, e será escarnecido e açoitado, e cuspido: e, depois de o açoitarem, o matarão, e ressuscitará ao terceiro dia.” Mas eles nada disso compreenderam; esta linguagem era para eles sem sentido, nem percebiam coisa alguma do que lhes dizia. Ora sucedeu que, aproximando-se Ele de Jericó, estava sentado, à borda da estrada, um cego pedindo esmola. E, ouvindo a turba que passava perguntou o que era aquilo. E disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava. Ele, então, clamou, dizendo: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” Mas os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Ele, contudo, cada vez gritava mais: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” E Jesus, parando, mandou que lho trouxessem. E, quando ele chegou, interrogou-o dizendo: “Que queres que Eu te faça?” E ele respondeu: “Senhor, que eu veja.” E Jesus disse-lhe: “Vê; a tua fé te salvou.” E, imediatamente, viu, e foi-o seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, deu louvor a Deus.

Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963 (com adaptações).

  • Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Gregório Magno (aprox. 540-604), papa e doutor da Igreja

Homilia 2 sobre o Evangelho (a partir da trad. Luc comentada, DDB 1987, pág. 140 rev.extraído dos sites Per Ipsum e Flores no Tempo).

“Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim”

Observemos que é quando Jesus se aproxima de Jericó que o cego recupera a vista. Jericó significa “lua” e na Sagrada Escritura a lua é o símbolo da carne votada ao desaparecimento; em determinado momento do mês ela diminui, simbolizando o declínio da nossa condição humana condenada à morte. É, pois, ao aproximar-se de Jericó que o nosso Criador dá a visão ao cego. É ao fazer-Se próximo de nós pela carne, da qual Se revestiu, com a sua mortalidade, que Ele dá ao gênero humano a luz que tínhamos perdido. É porque Deus endossa a nossa natureza que o homem acede à condição divina.

E é precisamente a humanidade que está representada por este cego sentado na beira do caminho e a mendigar, pois a Verdade diz de Si mesma: “Eu sou o caminho” (Jo 14, 6). Aquele que não conhece o brilho da luz eterna é de fato cego, mas se começa a crer no Redentor, então fica “sentado à beira do caminho”. Se, embora crendo Nele, não Lhe implora o dom da luz eterna, se se recusa a pedir-Lho, será sempre um cego à beira do caminho; um cego que não pede. [...] Que todo o homem que reconhece as trevas que o tornam cego, que todo o homem que compreende que lhe falta a luz eterna grite do fundo do seu coração, grite com toda a sua alma: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim.”

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Fonte: Missa Tridentina na Paróquia São Sebastião, Campo Grande

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