Montfort Associação Cultural

31 de dezembro de 2012

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Dom Demétrio Valentini e a esperança

Dom Demétrio – em texto publicado pela Radio Vaticano – acredita que todo o ruído que se fez em 2012 pelo Cinquentenário do Concílio Vaticano II serviu para estabelecer sua importância como evento – nisso estamos de acordo, nós diríamos mesmo sua trágica importância! Mas do ponto de vista da mudança da Igreja proposta pelo Concílio, ele crê identificar uma “marcha à ré”! Que bom, Dom Demétrio! Sua análise nos agrada bastante, porque é exatamente um retrocesso que deve acontecer, em direção à doutrina, à liturgia e à prática católica de sempre, abandonadas após o devastador tsunami conciliar. 

Como defensor da “mudança eclesial”, interpretação do Concílio estigmatizada por Bento XVI com o nome de “hermenêutica da ruptura”, Dom Demétrio já sente o efeito da mudança do “rumo traçado”… A colegialidade não vai mais tão bem de saúde – Bento XVI voltou a utilizar regularmente em 2012 o fanon papal, vestimenta litúrgica exclusiva do Papa, que representa justamente a unidade da Igreja sob sua tutela. Também as “Igrejas locais” têm agora uma certa dificuldade em seguir trajetórias errantes e divergentes, sob a tirania das Conferências Episcopais, pois os Bispos que vão a Roma nas visitas ad limina, ouvem conselhos e instruções precisos do Papa a respeito de seus problemas. 

Deus em Sua misericórdia nos permita ver,  ainda em 2013, a “clara inquietação” de Dom Demétrio transformar-se em certeza: que o Concílio já tendo atingido seu ápice de destruição, seus objetivos por alcançar sejam abertamente abandonados e se trate unicamente da reconstrução.  

Texto D. Demétrio Valentini

Publicado pela Radio Vaticano

Comentário Lucia Zucchi

2012 e o Concílio



Jales (RV) - O ano de 2012 está chegando ao fim. Seria o momento oportuno para recordar os seus principais acontecimentos. Mas não é esta a intenção.

Ao longo de 2012 foi lembrada, com insistência, uma data, através da qual dá para captar o recado especial que este ano queria nos dar.

Esta data foi o dia 11 de outubro. Em princípio, ela merecia o devido destaque, por lembrar os 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano Segundo.

Mas o que chamou a atenção foi a forte insistência da Igreja, em apontar para aquele dia, fazendo dele não só uma recordação histórica, mas o ponto de referência para balizar o seu posicionamento diante dos novos desafios que ela tem para a frente.

De tal modo que, ao redor do dia 11 de outubro, foi criada uma forte expectativa. A esta data ficaram vinculadas algumas iniciativas que mostravam o amplo envolvimento da Igreja com o referido Concílio Ecumênico.

Foi realizado, por exemplo, ao longo do mês de outubro, o Sínodo sobre a Nova Evangelização e sobre a Transmissão da Fé. Mas sobretudo, foi inaugurado no dia 11 de outubro o Ano da Fé, com uma proposta de celebração muito envolvente ao longo de 2013.

A insistência em vincular a agenda de agora com uma data do passado, parece mostrar com evidência a grande validade deste Concílio, mesmo que já tenham passado 50 anos de sua abertura em 1962.

Mas afirmar sua validade não significa apostar na implementação dos seus objetivos. Depende de como nos posicionamos agora, sobretudo, diante das propostas de renovação eclesial, formuladas pelo Concílio, mas deixadas em aberto, para serem implementadas depois, gradualmente, num amplo processo que agora pode estar perdendo força.

De tal modo que a celebração dos 50 anos de sua abertura revelou a grandeza do Vaticano Segundo, que se mostrou muito generoso nas suas intenções. Mas mostrou também que ele foi muito tímido na efetivação de mudanças estratégicas, que fortaleceriam a efetividade do processo de renovação eclesial.

De tal modo que dá para concluir este ano de 2012, com uma tarefa bem cumprida: foi construído um amplo consenso sobre a importância do Vaticano II.

Ao mesmo tempo, este ano nos deixa com uma clara inquietação: o processo eclesial em andamento, ele favorece a aplicação do Concílio, ou conspira contra as suas intenções fundamentais?

Seria conveniente lembrar as grandes intuições pastorais do Concílio, para conferir qual a dinâmica que agora as caracteriza. Por exemplo, qual a aplicação prática da Colegialidade Episcopal para garantir uma tranquila postura de unidade, e ao mesmo tempo o suporte seguro para uma salutar descentralização eclesial.

E assim daria para lembrar a importância das “Igrejas Locais” como referência eclesial indispensável para todos os que querem participar da vida da Igreja. Igualmente a importância imprescindível das comunidades eclesiais, como encarnação concreta da vida de Igreja.

Em outras palavras, estamos avançando, ou retrocedendo, na aplicação do Vaticano II? Algumas iniciativas dão a clara impressão de marcha a ré.

Para uma viagem tranquila, é importante que todas as marchas possam ser bem engrenadas. Também a marcha à ré, cuja utilização às vezes se torna imprescindível para garantir que o veículo siga em frente. O problemático seria engatar esta marcha para voltar atrás e desistir do rumo traçado.

D. Demétrio Valentini


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