Montfort Associação Cultural

27 de janeiro de 2005

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Dogma e Kérigma

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jairo
  • Localizaçao: – Brasil

Caro Sr. Orlando Fedeli,

Salve Maria!!

Tenho uma dúvida que me veio à cabeça agora… na verdade quero mesmo é discutir uma coisa que li…
Vamos lá?

Como devemos interpretar as palavras gregas dogma e kerygma?
(A despeito da definição de dogma como palavra infalível do Santo Padre, para doutrina e Religião).

Estive lendo no livro “Uma História de Deus” (Karen Armstrong) que os Padres Gregos tinham uma visão diferente para estas palavras do que ouvi até hoje.

Para eles, Kerygma é tudo aquilo a respeito da Religião que pode ser racionalmente escrito e passado como forma de conhecimento formal e impessoal. É tudo o que pode ser “ensinado”. Por exemplo, a catequese é uma forma kerygmática.
Já Dogma é toda experiênca que não pode ser explicitamente passada, pq envolve um caráter pessoal e místico, da pessoa com o Divino. O Dogma está muito mais relacionado à fé e à caridade da pessoa. Por exemplo, uma revalação pessoal (considerada VERDADEIRA e digna de fé) seria uma experiência dogmática.

Uma coisa para mim é clara: nunca, por nossos “esforços”, teremos uma experiência mística com Nosso Senhor. Isso é uma graça alcançada por obra da piedade Dele.

São Basílio Magno escreve:

“Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão” (O Espírito Santo, 27,36).

E aí Sr. Orlando, como encarar isso?

Que Nossa Senhora esteja vigiando e abençoando toda a sua família.

Certo da sua atenção,

Eng. Jairo

Muito prezado Jairo
salve Maria !

Literalmente Kérigma quer dizer “anúncio”.

Com este termo muitos se referem ao anúncio da Fé feito pelos Apóstolos e que constituiu a Tradição Apostólica.

Dogma, por sua vez, na Teologia católica, significa uma verdade revelada por Deus e confirmada pela Igreja na qual todos devem crer. A negação de um dogma, de modo pertinaz, constitui a heresia, pecado contra a fé que exclui a pessoa da Igreja Católica.

Ao contrário do que você escreveu, jamais uma experiência pessoal pode ser considerada dogmática. Isso destruiria a Igreja, porque cada um afirmaria ter tido uma experiência pessoal divina e criaria novos dogmas, o que é o absurdo admitido pelos protestantes.

O texto de São Gregório, que você me remete, faz alusão às fontes da Revelação que são duas:

1) a Sagrada Escritura;
2) a Tradição Apostólica.

Ensina São Gregório, nesse texto, que as duas são obrigatórias como fonte de verdades reveladas, e que uma confirma a outra.
Espero, com estas explicações, ter sanado sua dúvida. Se não, escreva-me de novo.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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