Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

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Dízimo segundo o costume

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Guilherme
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil

Olá professor, sou eu de novo, Guilherme, o estudante de 15 anos que te perguntou sobre a Igreja Medieval e a Santa Inquisição.

Estou lhe enviando este e-mail para lhe agradecer por responder às minhas dúvidas.

Sempre que lhe pergunto sobre algum tema, é porque li em algum lugar sobre aquilo ou me falaram sobre aquilo. No caso da Inquisição e a Igreja Medieval, pelo menos uns 4 professores meus (inclusive um do cursinho pré-vestibular) falaram algo sobre esses temas e quando pergunto ao senhor, o senhor tenta me convencer tendo uma visão e dizendo coisas totalmente diferentes daquele mesmo tema. Não mentirei que as minhas dúvidas acabaram, elas ainda existem e conforme o tempo passa, vão crescendo.

Aproveitarei este e-mail para tentar esclarecer uma dúvida dessas que ainda sobraram. É sobre o dizímo. Lendo o Novo Testamento, percebemos que algumas leis do Antigo foram, como disse Jesus “levadas à perfeição” (ou pra mim, mudadas).
Gostaria de saber se o dízimo não é mais uma dessas leis que Jesus “levou à perfeição” (ou sei lá, deu uma mudada). Gostaria que me informasse também, os capítulos e versículos onde Jesus confirma a obrigação de pagar o dízimo (se é que Ele faz isso).

Acho que por enquanto é só, mais uma vez agradeço a compreensão, Guilherme.

Prezado Guilherme, Salve Maria.

Você erra quando diz que uma coisa aperfeiçoada, para você, é uma coisa que foi mudada.
Aperfeiçoar algo não é propriamente mudar o que existe, mas apenas tornar sua forma mais clara, desenvolver as qualidades que já existem na coisa.
Assim, você, estudando, está se aperfeiçoando, isto é, desenvolvendo o seu próprio ser. Esse aperfeiçoamento é uma mudança apenas acidental e não essencial.
Um bebê muda apenas acidentalmente, desenvolvendo as qualidades que já existem nele. Ele não se torna outro. A mudança nele é só acidental, nunca essencial: ele não passa a ser outro.

Quando Cristo disse que veio apefeiçar a lei e não mudá-la (Mt V,) Ele disse exatamente isto: que mantendo a essência da lei, vinha não mudá-la, mas sim aprofundar, aperfeiçoar a mesma lei.

Cristo não tratou diretamente do dízimo, mas apenas declarou que o operário é digno de sua paga. Por isso, o sacerdote também, como disse São Paulo, pode viver do altar.
A lei do dízimo foi feita pela Igreja aplicando esses princípios enunciados por Cristo e por São Paulo, e já estabelecidos no Antigo Testamento. Dízimo quer dizer décima parte. A Igreja, porém, considerando maternalmente as dificuldades do povo, estabeleceu no seu quinto mandamento que se deve pagar o dízimo “segundo o costume”.

No Brasil, o costume sempre foi que cada fiel pague o que puder ao padre, como puder, e quando puder.
O que alguns pretendem fazer hoje — à imitação dos pastores protestantes que exigem 10% do salário das pessoas — é contra o costume.

In Corde Jesu semper,
Orlando Fedeli

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