Montfort Associação Cultural

20 de fevereiro de 2010

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Divisão do catolicismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Rodrigo Virtuoso F Leal
  • Localizaçao: Ipatinga – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estagiário de Psicologia
  • Religião: Católica

Graça e paz

Queria questionar algumas informações acercas da divisão entre católicos romanos e ortodoxos dadas em resposta a algumas cartas. Enviei algumas considerações ha uns 3 ou 4 meses e não obtive resposta alguma, até o momento. Lamento a desonestidade com algumas informações manipuladas por vocês. Vocês acusam os ortodoxos de crimes dos quais eles não são culpados e querem impor a eles o que o papa Bento XVI tem dito que nós não poderemos fazer. O formato católico atual (papado, teologia, liturgia etc) é fruto de um caminho longo e nós jamais poderemos formatar os ortodoxos com uma cultura totalmente diversa da nossa. VOcês os acusam de não reconhecerem a primazia de roma (ou do papa) e isso é falso. Eles (não em absoluto é claro) a começar do patriarca ecumenico Bartolomeu I reconhecem a primazia, só não aceitam o absolutismo, que é criticado inclusive por patriarcas católicos como o melquita Gregório III e Máximo IV. Vocês dizem que os ortodoxos não aceitam o filioque como se eles o houvessem retirado do credo, enquanto sabemos que nós o acrescentamos. Ele não foi definido em concilio (de Nicéia) como vocês o afirmaram. Isso é muito desonesto. O papa Leão gravou o credo sem o filioque em grego e latim numa placa de prata (1o14). O papa Bento XVI em diversos momentos tem rezado o creio sem o filioque. Vocês falam de limbo como uma verdade de fé que eles não aceitam, e agora, nem nós, não é mesmo? Muito dos que eles não veneram, não creem, não prezam, são acrescimos nossos e não heresia deles. Vocês da Monfort prezam uma Igreja tradicional e desprezam uma Igreja tão fiel a tradição como os ortodoxos? Isso é pena. Sou católico, mas fico triste quanto denegrimos os outros paltados em manipulações que se tornam mentiras. Por que não falamos do saque de bizancio na IV cruzada, quando católicos agiram como animais? Porque não falamos de nossos cismas ocidentais? De nosso venenoso modernismo, racionalismo e etc? Se amamos a Igreja precisamos assumir tudo o que faz parte dela, suas riquezas como suas mazelas. A unidade é sim uma questão de conversão, mas não dos ortodoxos ao catolicismo romano e nem o contrario, mas uma conversão dos corações a Cristo.
Escrevo a vocês porque são parte de um grupo bem informado e propagadores de informações e opiniões que por vezes são distorcidas intencionalmente, infelizmente.

Muito prezado Rodrigo,
Salve Maria.

     Você – muito desonestamente — nos acusa de desonestidade em nossas informações e quereria que lhe respondêssemos.
     
Suas informações constantes desta carta é que são distorcidas e desonestas. Por exemplo, você diz que os cismáticos orientais aceitam o primado papal. Mas esconde que eles recusam o primado de jurisdição do papa aceitando apenas um primado de honra. Isso sim é escrever serpentinamente e desonestamente.

     E você se afirma católico e só calunia a Igreja Católica Apostólica Romana. De católico você não tem nada.
     
Passe bem e não nos escreva mais por favor

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

PRezado sr Orlando;

Pena não ver nenhuma argumentação sua. Pena não vê-lo citar uma longa referencia historica e documentada como é de vosso costume. Isso porque não há como ser referênciado quando se fala de coisas distorcidas e inexistentes. E maior pena ainda é não ve-lo depois disso reconhecer uma linha se quer. Sou católico sim, não ha o que provar. Só decidi não ser católico a custo dementiras, de força humana, de partidarismo. Amo a santa Igreja, preciso dela e não sou digno dela, mas nem por isso nego seus traços históricos de equivocos e ocilações.
Quanto ao primado, já que o sr fala muito sobre a Igreja de sempre: quando se passou a exigir uma jurisdição ecumenica, ou seja, universal? O senhor bem sabe que isso não faz tanto tempo assim. Sabe que isso vai contra conciliridade dos primeiros séculos. Não há concilio sem uma cabeça, porém a supremacia ou monarquia romana é extranho a Igreja primitiva.
Pena o senhor só publicar aquilo para o qual tem argumentos. Não sabe se dobrar. Espero que já não esteja cristalizado seu senso absolutista de triunfar e vencer. Sites que apelam a um espirito bélico, de triunfo e coação, totalmente fechados ao diálogo, não expressam o Espirito de Cristo e de seu evangelho. As formas engenhosas de golpear o “mal” com mãos humanas sempre causam uma ruina ainda maior. Tudo o que intentou infudir a fé por meio da espada não prevaleceu, só o amor é capaz de mudar o mundo.
Sei que sua certeza sobre as coisas é grande demais para ouvir esse pobre leitor que vos fala, mas seria ótimo se considerassemos que talvez nossas impressões sobre as coisas são nossas, e portanto, sujeitas a erro, mesmo em se tratando da fé reta.
Deus lhe abençoe em sua intenção de propagar a fé ortodoxa e lhe dê discernimento e coragem para a verdade.
Um homem indigno e sempre infiel

Ao que se confessa e assina o  “sempre infiel” Rodrigo,
Salve Maria!
 
     Que confusão a sua! E ela só podia concluir com sua humilde confissão de indignidade e com a sua contraditória confissão de infidelidade, contínua e constante, já que se assina “Um homem indigno e sempre infiel”.
     E a sua antipatia (para não dizer raiva), deste velho professor que lhe escreve, é patente, embora não confessada.
     Você começa me dizendo que é “Pena não ver nenhuma argumentação minha”.
     Como não percebeu que meu modo de ser é extremamente argumentativo. Teria sido melhor você ter dito que não concorda com meus argumentos.        
     E sua segunda frase é:
 
Pena não vê-lo citar uma longa referencia historica e documentada como é de vosso costume”.
 
     Mas se você confessa que tenho o costume de dar referências históricas e documentadas, como é que você começa sua frase, dizendo que não me vê dar essas referências?
     Que contradição é essa?
     Depois da introdução de sua carta, tratando de suas qualidades pessoais e de meus defeitos, você me faz uma primeira pergunta:
 
Quanto ao primado, já que o sr fala muito sobre a Igreja de sempre: quando se passou a exigir uma jurisdição ecumenica, ou seja, universal?”
 
     Mas desde que Cristo afirmou que Pedro era a pedra fundamental da SUA igreja. Que é aSUA” Igreja. E então ela é única. E como as palavras de Cristo nunca mudam, o primado de Pedro nunca passará e as portas do inferno não prevalecerão contra a única Igreja de Cristo (apesar do “subsistit”do Concílio Vaticano II, qe não subsistirá!)…
     E como você faz questão de referências, isso está em São Mateus XVI, 16 a 20.
     Confira. Veja. Leia. Compreenda.
     A seguir você me diz que “a supremacia ou monarquia romana é extranho a Igreja primitiva”. Fora o erro de português, onde está a referência de sua afirmação?
     Não está.
     E quem exige que se dêem referências, deveria dá-las. E você não as dá.
     Nova psicológica contradição sua.
     Pois vou lhe dar uma só referência de que o Primado de Pedro existiu na Igreja desde os primeiros tempos.
     Só uma. Para não perder tempo com sua cegueira e analfabetismo psicológicos.
     São Clemente Romano, sucessor de São Pedro como Papa, interveio na Igreja em Corinto, que se encontrava em perigo de cisma com a Igreja. São Clemente, o Papa, escreve para a Igreja de Corinto (que também era apostólica):
 
http://www.newadvent.org/fathers/1010.htm) “Estas coisas, amados, escrevemos não só para vos admoestar sobre as vossas responsabilidades…” (S. Clemente Romano, First Epistle to the Corinthians, New Advent,
 
 
     E Tertuliano, por volta do ano 200, descreve em numerosos escritos a atividade de Pedro e Paulo no primeiro desenvolvimento da Igreja em Roma, como quando diz que Pedro ordenou a Clemente como seu sucessor em Roma:
 
“Pois esta é a maneira pela qual as igrejas apostólicas transmitem seus registros: como a Igreja de Esmirna, que registra que Policarpo foi estabelecido lá por João, assim como a Igreja de Roma, que tem Clemente sendo ordenado da mesma forma por Pedro” (Tertuliano, The Prescription Against Heretics, cap. 32. New Advent, http://www.newadvent.org/fathers/0311.htm)
 
     Tertuliano proclama a dignidade da Sé Romana, declarando ser Roma a guardiã da verdade, a detentora da verdadeira doutrina e da Sagrada Escritura. Ela é aquela cuja autoridade define a Sagrada Escritura além de ser provedora da disciplina para que a doutrina da Igreja não seja contestada:
 
Uma vez, portanto, que estejas próximo à Itália, tens Roma, da qual veio mesmo às nossas mãos a própria autoridade (dos próprios apóstolos). Quão feliz é esta igreja, onde os apóstolos proclamaram toda a sua doutrina assim como o seu sangue! Onde Pedro sofreu uma paixão parecida com a de seu Senhor! Onde Paulo ganhou sua coroa numa morte como a de João (Batista). Onde o Apóstolo João foi pela primeira vez mergulhado, sem se ferir, em óleo fervente, e então enviado à sua ilha exílio! Veja o que ela aprendeu, o que ela ensina, que amizade ela tem tido mesmo com (nossas) igrejas na África! Apenas a um Deus e Senhor ela reconhece, o Criador do Universo, e Cristo Jesus (nascido) da Virgem Maria, o Filho de Deus o Criador, e a Ressurreição da carne; a lei e os profetas ela une em um só volume junto com os escritos dos evangelistas e dos apóstolos, de onde ela bebe a sua Fé. Ela sela isso com a água (do batismo). adorna-se com o Espírito Santo, se alimenta da Eucaristia, se regozija com o martírio, e contra tal disciplina assim (mantida) ela não admite contradição.” (Tertuliano, The Prescription Against Heretics, cap. 32. New Advent, http://www.newadvent.org/fathers/0311.htm. Também citado por Llorca, Bernardino et alli, Historia de la Iglesia católica - Edad Antigua – La Iglesia en el Mundo grecorromano, B.A.C., pág. 118, Negrito nosso)
 
     Ficou contente? Creio que não… 
     Depois de me fazer uma pergunta, você volta ao seu tema psicologicamente obsessivo: meus defeitos pessoais.
     Pois me diz:
 
Pena o senhor só publicar aquilo para o qual tem argumentos. Não sabe se dobrar”.
     
     Que quereria você? Que eu escrevesse sobre o que não tenho argumentos?
     E depois, não foi você quem me atacou antes, dizendo que “não vê nenhuma argumentação“ no que escrevo?
     Afinal só escrevo quando tenho argumentação, ou não tenho nenhuma argumentação quando escrevo?
     Decida-se.
     Meu caro Rodrigo, temo que você deva fazer um longo estágio psicológico. Ou um longo curso de lógica. Ou de redação. 
     E você me aponta um defeito que Cristo elogia: o de não saber me dobrar. Pois você me diz: o senhor “Não sabe se dobrar”.
     Muito obrigado. Isso não sei mesmo. Só me dobro diante de Deus e da Verdade. Eu sou tão fielmente teimoso!…
     Pois aprendi com Cristo, elogiando São João:
 
“Que fostes ver no deserto um caniço agitado pelo vento?” (Referência: Mt. XI, 7). 
 
     Graças a Deus, não sou como caniço que se dobra aos ventinhos de qualquer boato ou sofisma.
     Meu caro Rodrigo, certa vez um comunista, no pátio da faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1963, discutindo comigo, dizia-me o contrário do que você me critica. Acusava-me aquele comunista de que eu, como católico, tinha espinha mole, pois me dobrava diante da Hóstia e de tantas coisas. Que ele comunista, pelo contrário, tinha espinha dorsal firme, dura, que não se dobrava. Ao que lhe respondi, que, então, ele era ótimo para ser montado…
 
     Afinal você me dá um argumento!
     Viva um argumento! Vamos poder discutir racionalmente!
     E veja qual é o seu argumento: 
 
“Sites que apelam a um espirito bélico, de triunfo e coação, totalmente fechados ao diálogo, não expressam o Espirito de Cristo e de seu evangelho”.
 
     Sim. Confesso sou totalmente fechado ao diálogo. E sabe por que? Por três razões:
     Primeira: por que sou discípulo de Cristo que nunca mandou os seus discípulos dialogarem. Mas, disse Ide pois, e ensinai  a todas as gentes” (Referência: Mt. XXVIII, 19).
     Será que você poderia me dar a referência na qual Cristo disse: “Ide e dialogai”?
     Não a encontrei no Novo testamento.
     Não a encontrei na Bíblia. Será que ela só existe na sua Bíblia. Dê-me a sua referência, por favor.
     Você não ma vai dar, porque ela não existe.
     Segunda razão pela qual não aceito o famoso diálogo é porque não sou discípulo do gnóstico Platão.
     Terceira razão pela qual repilo o diálogo moderno. É porque o diálogo moderno é relativista e dialético: Portanto, “delenda est dialogus” hegelianus!
     
     E caminhando para o “gran finale” romântico de sua carta, você maldiz a espada e fala do amor:
 
“Tudo o que intentou infudir a fé por meio da espada não prevaleceu, só o amor é capaz de mudar o mundo”.
 
     Que liiindo! 
     Você andou ouvindo o padre Fábio de Melo.
     É fácil falar que não se deve infundir a fé por meio da espada. Entenda-se – CLARO!!! – da espada, isto é, pela força, pela violência bruta, porque isso é pecado. 
     Mas o site Montfort usa só palavras. Nunca usei a espada que ganhei no CPOR de São Paulo. Ela ficou, minha espada de oficial, encostada numa parede de meu escritório. Enferrujou.
     Que pena!
     Gosto tanto de espada!
     Até pedi que Nossa Senhora fizesse de minha alma uma espada. E há mais de cinqüenta anos forjo espadas.
     Forjando almas.
     Só empunhei minha espada do CPOR em desfiles. Nunca a usei no site Montfort. E como lhe disse, nunca a usei, e ela infelizmente enferrujou.
     Combato, sim, com a espada da palavra, pois disse São Paulo que a palavra de Deus é uma espada (vá procurar a referência).
     E Jesus, Deus de amor nos disse:
 
Eu não vim trazer a paz, mas a divisão e a espada(Mt X, 34 e Luc XII, 51).
 
     E mais:  
 
“Quem não tem uma espada, venda o seu manto e compre uma (Luc. XXII,36).
 
     Isso é para você. Vá vender seu coletinho amoroso e compre a espada da Verdade. E como São Pedro tinha duas espadas, compre você uma segunda espada também: a da coerência.
     E saiba também meu caro estagiário de psicologia que essa ciência ensina, com base na Filosofia, que as impressões não nos dão certezas.
     Só a posse clara da verdade ou da evidência nos dão certezas.
     Por fim como deixar de agradecer sua prece para que ‘Deus me dê discernimento e coragem para a verdade” e que me mantenha a “intenção de propagar a fé ortodoxa”.
     Sempre pedi a Deus que me desse a graça de combater fiel e lealmente pela Igreja Católica, fonte de toda a Verdade e de toda certeza, e que nessa Fé e nessa certeza me faça viver e morrer. 
     “Et dans cette foi je veux vivre et mourrir” poetou François Villon numa sua famosa balada.
     E é o mesmo que lhe desejo, caro Rodrigo.
     Que Deus o perdoe e o faça sempre fiel.
     E lógico.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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