Montfort Associação Cultural

22 de outubro de 2004

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Dilúvio

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: João Henrique Abbud
  • Idade: 17
  • Localizaçao: Lorena – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento

Olá!!
Diluvio ?

O que intrigou os pesquisadores foi o fato de uma história parecida existir no texto épico babilônico de Gilgamesh – o que sugere que uma enchente de enormes proporções poderia ter acontecido no Oriente Médio e na Ásia Menor. Parte do mistério foi solucionado quando os filólogos conseguiram demonstrar que a narrativa do Gênesis é uma apropriação do mito mesopotâmico. “Não há dúvida de que os hebreus se inspiraram no mito de Gilgamesh para contar a história do dilúvio”, afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo, especialista na exegese do Antigo Testamento.
O povo hebreu entrou em contato com o mito de Gilgamesh no século VI a.C. Em 558 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor, depois de conquistar a Assíria, invadiu e destruiu Jerusalém e seu templo sagrado. No ano seguinte, os judeus foram deportados para a Babilônia como escravos. O chamado exílio babilônico durou 40 anos. Em 598 a.C., Ciro, o fundador do Império Persa, depois de submeter a Babilônia permitiu o retorno dos judeus à Palestina. Os rabinos ou “escribas” começaram a reconstruir o Templo e a reescrever o Gênesis para, de alguma forma, dar um sentido teológico à terrível experiência do exílio. Assim, a ameaça do dilúvio seria uma referência à planície inundável entre os rios Tigre e Eufrates, região natal de Nabucodonosor; os 40 dias de chuva seriam os 40 anos do exílio; e a aliança final de Deus com Noé, marcada pelo arco-íris, uma promessa divina de que os judeus jamais seriam exilados.

Solucionado o mistério do dilúvio na Bíblia, continua o da sua origem no texto de Gilgamesh. No final da década de 90, dois geólogos americanos da Universidade Columbia, Walter Pittman e Willian Ryan, criaram uma hipótese: por volta do ano 5600 a.C., ao final da última era glacial, o Mar Mediterrâneo havia atingido seu nível mais alto e ameaçava invadir o interior da Ásia na região hoje ocupada pela Turquia, mais precisamente a Anatólia. Num evento catastrófico, o Mediterrâneo irrompeu através do Estreito de Bósforo, dando origem ao Mar Negro como o conhecemos hoje. Um imenso vale de terras férteis e ocupado por um lago foi inundado em dois ou três dias.

Os povos que ocupavam os vales inundados tiveram que fugir às pressas e o mais provável é que a maioria tenha morrido. Os sobreviventes, porém, tinham uma história inesquecível, que ecoaria por milênios. Alguns deles, chamados ubaids, atravessaram as montanhas da Turquia e chegaram à Mesopotâmia, tornando-se os mais antigos ancestrais de sumérios, assírios e babilônios. Estaria aí a origem da narrativa de Gilgamesh. Essa teoria foi recebida por arqueólogos e antropólogos.

No entanto, no verão de 2000, o caçador de tesouros submersos Robert Ballard, o mesmo que encontrou os restos do Titanic, levou suas poderosas sondas para analisar o fundo do Mar Negro nas proximidades do que deveriam ser vales de rios antes do cataclisma aquático. Ballard encontrou restos de construções primitivas e a análise da lama colhida em camadas profundas do oceano provaram que, há 7 600 anos, ali existia um lago de água doce. A hipótese do grande dilúvio do Mar Negro estava provada.

Por favor, sclareça essa minha duvida sobre a origem do diluvio, e prometo que tenho muitas outras ainda mais intrigantes do que essa .

Muito obrigado !!!

Muito prezado  João,
salve Maria!
 
    Para quem tem  muitas dúvidas, sua carta apresenta informações numerosas. E baseadas, entre outras fontes,  num “professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo, especialista na exegese do Antigo Testamento”.
    Muito interessante.
    Em todo caso, devo dizer-lhe que o titulo de “professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo” não é titulo que impressiona muito. Pois se pelos frutos se conhece a árvore…
    Vejo que o teólogo da PUC, que você cita, o informou que os judeus “colaram”  o mito do dilúvio dos caldeus, ao entrarem em contato com eles, no século VI antes de Cristo.
    Devia ser um teólogo da PUC para dizer essa … essa …preciosidade.    
    Esse teólogo não sabia, então, que os judeus são descendentes de Abraão, o  qual veio de Ur, cidade da Caldéia, para a Palestina, por volta do ano 2.000 antes de Cristo.
    Portanto, Abraão, caldeu, já devia saber do mito de Gilgamesh.
    Por outro lado, quem conta a história do dilúvio é Moisés, no Gênesis, obra que foi escrita por volta do ano 1.200 antes de Cristo. (E não venha algum teólogo da PUC dizer que não foi Moisés que escreveu o Gênesis, porque essa tese modernista foi condenada pela Pontifícia Comissão Bíblica em 27 de Junho de 1906 (Cfr. Denzinger, n0 1997)
    E há ainda outro problema.
    Os gregos que chegaram à Europa entre o ano 1.000 e  o ano 800 antes de Cristo, eles também conheciam a história do dilúvio.
    Vai ver que os arianos que vieram da Ásia, passaram antes pela Caldéia, onde leram ,– quem sabe numa publicação de algum teólogo da “PUC” local =Primeva Universidade Caldaica  — a historinha do Gilgamesh, que os primitivos aqueus adaptaram para a mitologia grega, chamando o casal que se salvou de Deucalião e Pirra.
    Mais.
    Os índios da América também contavam a história de um dilúvio universal.
    Será que eles também passaram pela Caldéia e entraram em contato com o mito de Gilgamesh ?
    Quanta gente passou pela Caldéia, não?
    Meu caro,  praticamente todos os povos falam do dilúvio, e não é porque todos eles souberam do mito caldaico de Gilgamesh.     A explicação natural é que, se todos os povos tem essa história, é porque o dilúvio aconteceu mesmo, e deixou não só a terra bem molhada, mas marcou também a  lembrança de todos os homens e de todos os povos.
    Exceto os teólogos da PUC.
    Moral da história: não acredite em teólogos da PUC.
 
    In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
 

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