Montfort Associação Cultural

31 de janeiro de 2005

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Dialética e social-democracia

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marco Antonio
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado Sr. Orlando Fedeli,

Gostaria de saber o que a doutrina católica ensina sobre isso que chamam de “social-democracia”.

Gostaria de saber também sobre a “dialética oposta” de Hegel à luz da doutrina católica. O sr. já tocou no assunto algumas vezes, mas sem se aprofundar muito. Ainda não entendi totalmente o que é a dialética oposta, nem como Marx fez uso dela.

Por último, eu li no “Espaço do leitor” uma carta onde um leitor o questionava sobre o decreto de 1949 contra o comunismo. Ele perguntava se o decreto ainda valia e se quem votasse em Lula caia naquele decreto. O sr. respondeu que o decreto ainda valia, e à segunda pergunta deu uma resposta indireta que dava a entender que sim, quem votar em Lula cai no decreto, ou seja, está excomungado. Bom, atualmente eu não voto nem em Lula, nem no PT, mas já votei. Quer dizer que estou excomungado? Não é necessário, além do simples voto, a intenção de agir contra a Igreja para se cair nesse decreto? Afinal nas últimas eleições, só tem concorrido partidos socialistas ou social-democratas, então, se o simples voto nos colocar sob a pena do decreto, milhões de católicos brasileiros cairam nele. Além disso, tais partidos não apresentam, em suas campanhas, propostas direcionadas ao socialismo propriamente, então, mesmo que o eleitor seja enganado posteriormente, ele não agiu, naquele momento, votando pelo socialismo.

Grato,
Marco Antônio

Muito prezado Marco Antonio,
Salve Maria!
 
    Claro que uma punição da Igreja somente vale se a pessoa sabe que, desrespeitando uma lei da Igreja, ela incorre em excomunhão. Não havendo conhecimento, nem vontade clara de violar uma ordem da Igreja, a excomunhão não se aplica. Por isso, é claro que só ficam excomungadas as pessoas que conscientemente votam num candidato socialista, ou abortista, com idéia precisa de desobedecer a Igreja, e de favorecer a doutrina marxista ou abortista.
    A dialética, em sentido filosófico, é a doutrina que afirma que o ser é constituído de dois princípios contrários e iguais, em perpétua luta, o que causaria a constante evolução do ser. Essa doutrina está no âmago da Gnose pois que ela nega os princípios de identidade e de não contradição.
    O princípio de identidade afirma que o ser é aquilo que é. Exemplo, pão é pão; queijo é queijo; sabão é sabão.
    Isto é assim, porque Deus, O SER em sentido absoluto, é aquele que é, como Ele se definiu a Moisés, e como Aristóteles provou que Ele deve ser. Deus não muda. Nem foi, nem será. Deus é.
    Do princípio de identidade decorre o princípio de não contradição: uma coisa não pode ser e, ao mesmo tempo, não ser, o que ela é, sob o mesmo aspecto.
    Assim, a  matéria de que é feita a mesa, em minha frente, é de madeira. Então ela não é de ferro, nem de plástico. Madeira é madeira e não pode ser, ao mesmo tempo, outra coisa. Com essa madeira, poderia fazer papel. Mas, ao mesmo tempo a coisa não pode ser madeira e papel.
    Do ponto de vista formal, tenho diante de mim uma mesa. Se ela é mesa, então não é cadeira. Poderia fazer com a madeira da mesa uma cadeira. Mas ao mesmo tempo, ela não pode ser cadeira e mesa.
    Para a dialética toda a metafísica é transformada, pois que o ser deixaria de ser idêntico a si mesmo, tendo uma contradição em si mesmo. E se as coisas são, ao mesmo tempo, o oposto do que elas são, então o bem é mal, e a verdade é mentira, e a mentira é verdade; a guerra é paz, e a paz é guerra; o Belo é feio, e o feio é Belo, (como diz a Arte Moderna, que aceita a dialética) e o Bem é mal, e vice versa. O que conduz ao culto do mal, ao satanismo.
    Ninguém pode ser católico, aceitando a dialética que é a base do marxismo.
    O marxismo, sendo dialético, afirma que a evolução da sociedade é necessária pela luta interna que haveria nela, porque se tudo tem contradição, e sociedade não escapa dessa lei.
    Os comunistas afirmam que é possível acelerar a evolução da sociedade acirrando a luta de classes pelo uso da violência, como Lênin fez na Rússia e Fidel em Cuba.
    Os socialistas afirmam que a evolução deve percorrer normalmente suas etapas. Aumentar a temperatura da chocadeira não faz os pintinhos nascerem antes, mas os assa. Por isso, os socialistas dizem que se deve apenas favorecer a evolução social para a igualdade por meios legais, sem uso da violência, que mataria a evolução.
    Mas, socialistas e comunistas têm a mesma filosofia materialista,
dialética e evolucionista, como visam o mesmo fim: uma sociedade absolutamente igualitária, e, no final da evolução, uma sociedade sem propriedade particular, sem família, e mesmo sem Estado, isto e, anárquica.
    Portanto, a social democracia é comunismo disfarçado, só divergindo dele no emprego dos meios para alcançar o mesmo fim.Ora, como o socialismo democrático se apresenta como pacifista, sem violência, legalista e democraticamente “comportado”, ele engana mais. 
    O gás venenoso comunista e social democrático é o mesmo.
    Só que o gás comunista é mal cheiroso, preto e asfixiante, enquanto que o gás social democrático se apresenta como inodoro, adormecedor e quase invisível.
    Claro que o socialismo democrático é muito mais perigoso, pois ilude e engana.
    Esperando ter atendido você em tudo, subscrevo-me atenciosamente,
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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