Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Delírio da liberdade de consciência

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo
  • Idade: 27
  • Localizaçao: Juiz de Fora – MG – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído

Sr. Orlando Fedeli,

Como constantemente realizo minhas pesquisas pela internet, não pude deixar de percorrer seu site, que me deixou curioso e ao mesmo tempo muito triste.

A milhares de anos a humanidade caminha para a evolução. Devido a democracia existente, (pelo menos em nosso país e muitos outros) as pessoas optam e devem optar por uma religião que lhes confortem a alma, SEJA ELA QUAL FOR, desde que esta opção não prejudique o estado físico, psíquico e moral de qualquer pessoa, não cometendo mal a qualquer semelhante, sua opção deve ser seguida.

O que eu estou querendo lhe pedir Sr. Fedeli, é que não utilize seu site para ofender as religiões e as universidades místicas. Utilize para promover sua religião de maneira sábia! Promova e pratique a fraternidade! Deus não citou em nenhum momento que a religião correta seria apenas a Igreja Católica ou nenhuma outra. Por isso, repare a mágoa que o senhor está despertando nas pessoas! Não lhe cabe o direito de julgar qualquer religião! Mesmo que o senhor conheça a fundo devido aos seus conhecimento teóricos, o senhor não possui um estudo que nós possuímos, o estudo prático!

Se o senhor pensa que com estas ofensas e agressões verbais, vai conseguir atrair fiéis para sua igreja, acho melhor o senhor repensar na sua atitude. Já não basta as guerras religiosas pelo mundo?

Sr. Fedeli, discussões sobre religião são infindáveis, nunca o senhor vai convencer a um espírita de que o que ele pratica é errado, até porque , o que ele pratica não é errado! Seus princípios diferem da Igreja Católica, mas não são princípios errados! Ele interpreta a palavra de Deus completamente diferente do senhor e assim outras religiões, se isso ofende sua religião e a você, guarde suas opiniões, não profane aquilo que o senhor conhece apenas na leitura; torno a dizer, na prática as coisas são bem diferentes. Porque será que o Papa não entra em discussão e ofende como o senhor faz? Dizendo que sua é a verdadeira religião, como o senhor diz abaixo? Porque este conhecimento ele já alcançou. Um exemplo muito prático são os advogados existentes no mundo, porque será que existem dois advogados “brigando” por uma causa, é porque a leia é e sempre terá várias interpretações, depende da forma que lemos e de que lado estamos. O senhor é inteligente e capacitado para entender o que estou querendo dizer. Por favor não me interprete mal não sou anti-católico, e nem odeio a Igreja Católica, apenas não me identifiquei espiritualmente, nem por isso a condeno, eu a respeito, ela ajuda a milhares de pessoas pelo mundo inteiro a encontrar o verdadeiro caminho, o caminho da felicidade interior porque elas se identificaram com sua Igreja. Por isso merece respeito, porque faz o bem! Assim também como todas as religiões que praticam a fraternidade.

Mas tem que reconhecer que obviamente que ela não é a única como o senhor apresenta nesta resposta:

“De: Luiz Fernando
Enviada em: 19.09.2001
Escolaridade: Superior completo

Graças a Deus, porém, continuam a existir bons professores fiéis à Igreja e à Fé Católica, que sabem pelo seu ensino e por seu exemplo, dar testemunha da única religião verdadeira: a Igreja Católica Apostólica Romana.”

A Igreja Católica Apostólica Romana possui lindas missas, as emocionantes orações e formas de amar a Deus e seus santos. O Candomblé possui maravilhosos cantos, rituais belíssimos! Os Espíritas também, possuem lindas orações! Os Evangélicos, Metodistas, Protestantes, Místicos, Bruxas, Budas, Testemunhas de Jeová entre tantos outros que se eu for escrever… São inúmeras as religiões no mundo e a tendência é continuar aumentando, o senhor sabe disso. Elas e os senhores estão certos? SIM! Sabe porque? Porque elas praticam o bem, da formas que se diferem, mas o bem! Cada um encontra o caminho que se sente melhor! Não adianta eu querer que minha esposa siga meu caminho se ela não se identifica. Entendeu Sr. Fedeli? Agora, só por isso vou ofendê-la, xingá-la, mandá-la para o inferno como o senhor fez com um leitor abaixo? Não Sr. Fedeli, eu preciso compreendê-la e sentir a sua felicidade somando com a minha, assim a felicidade fraternal se soma! Concorda?

Muitas vezes suas atitudes o contrariam, repare nesta resposta que além de ofender o fundador da Seitcho-no-ye (chamá-lo de tal, francamente Sr. Fedeli!), o senhor pede que a Sra. Cristina faça aquilo que o senhor até agora nunca demonstrou: Ter respeito! Apesar da sogra desta senhora ser de outra religião, ( meus sinceros aplausos Sr Fideli!) aqui o senhor demonstrou ser um verdadeiro cristão!

De: Cristina
Enviada em: Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2001
Local: Passos

A Seitcho-no-ye é uma seita gnóstica, fundada por um tal Taniguchi.

Escreva-me para lhe ajudar a responder à sra. sua sogra. Reze por ela e trate-a com muita caridade

O desrespeito Sr. Fideli, causa intrigas e má impressão das pessoas, quando vemos uma pessoa chamando o próximo de palavras de baixo calão, nós não temos má impressão dela? É o que o senhor nos passa quando agride pessoas valorizadas por outras pessoas como o Digníssimo Chico Xavier, chamá-lo de tal! Tal, Sr. Fideli? Um ser humano que sempre ajudou a milhares de pessoas! Mesmo que o senhor não concorde com isso o senhor não tem direito nenhum de agredir não só o Sr Chico Xavier como qualquer outra pessoa! Seu desrespeito é muito grande!

De: Lauro
Enviada em: 26.07.2002
Localidade: Rio de Janeiro-RJ
Religião: Católico

O tal Chico Xavier era um médium, que durante toda a vida só desobedeceu a Deus. Portanto, não é verdade que ele só fez o bem. A verdade é o oposto: ele só fez o mal. Se ele fazia ocasionalmente algum bem material, isto só servia para induzir outros a desobedecer a Deus, aceitando a invocação do espíritos que ele defendia e praticava.

Tomara que esse tal de Chico Xavier se tenha arrependido de tanto mal que fez, antes de morrer, e possa assim ter se salvado. Mas, objetivamente falando, ele fez o mal, e não o bem.

Se ele só fez o mal Sr. Fedeli, então nosso planeta já está a salvo a muito tempo, pois por esta base de pensamento, a humanidade hoje só pratica o bem, não é mesmo?

De: Danilo Franco
Enviada em: Quarta-feia, 2 de Outubro de 2002 2:05
Localidade: Araraquara
Religião: Religiões são podres
Idade: 20
Escolaridade: 2.o grau completo

Se Chico Xavier fez mal, se ele era um homem mal, que TODAS as pessoas sejam más iguais a Chico Xavier! Se Chico Xavier está no SEU inferno, espero EU IR PARA O INFERNO

Recebi sua mensagem informando-me de seu próximo tour. Desejo-lhe boa viagem.

Acima vejo com grande tristeza um defensor da Igreja Católica mandando um semelhante “perdido” para o inferno! Será realmente isso que um cristão deseja Sr. Fedeli? Se é, tenho medo do que o Papa possa pensar dos praticantes de outras religiões!

Porque o senhor não faz como aconselhou a Sra. Cristina com sua sogra, reze por ele e respeite!

As religiões foram criadas para as pessoas encontrarem Deus dentro de cada um de nós, como somos diferentes (graças a Deus!), temos formas de pensamento, costumes e entendimento que diferem uns dos outros.

Sr. Fedeli, tipos de respostas que o senhor faz como a seguir só comprovam a inexperiência de responder com cortesia e dignidade de um verdadeiro cristão!

Enviada em: Segunda-feira, 17 de Abril de 2000 10:44
Local: Salvador-BA

A Ordem Rosa Cruz é condenada pela Igreja por ser gnóstica e por ser secreta. Suas idéias são contrárias aos dogmas da Igreja Católica, pois afirmam que há, no homem e em todas as coisas, uma partícula do Espírito divino. Sendo assim, a Rosacruz é inimiga da Igreja e não é possível que alguém seja católico verdadeiro e Rosacruz.

“Enviada em: Quinta-feira, 6 de Setembro de 2001 04:06
Local: SANTA MARIA, RS
Profissão: HISTORIADOR

Suas afirmações são tão extraordinárias que pedirei que sejam publicadas em nosso site. Elas comprovam até que ponto se pode levar uma pessoa – ainda que com curso superior e que se afirma historiador — a acreditar em fábulas. “

Como o senhor pode criticar algo que conhece apenas da teoria? A Ordem Rosacruz é uma Universidade Mística Filosófica que sempre defendeu a fraternidade e união dos povos do mundo. Nunca Sr. Fedeli! Nunca ela foi, é ou será inimiga de qualquer religião, (até porque a Ordem não sendo uma religião, seus afiliados seguem suas religiões que lhe convém, então não faz nenhum sentido este ato) na AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz) existem sim, vários seguidores de diversas religiões, inclusive da católica, mas não se fará necessária a comprovação da afiliação dos católicos, porque isso não mudaria em nada, ou pior, pessoas católicas como o senhor poderia causar transtornos desnecessários para eles e atrapalhando assim sua vocação católica. Por isso provar para o senhor a existência dos cardeais na Ordem como o senhor pediu para este, é completamente desnecessário. A leitura como eu já informei, pode ser interpretada de várias maneiras, mas a prática…

O senhor muito ofende a muitos brasileiros quando o senhor tenta denegrir a imagem de pessoas como Leonardo Boff, que muito contribuiu para a Educação Brasileira:

Falando de Leonardo Boff e Frei Betto

Evidentemente, sendo autores que defendem heresias, eles nenhum bem fizeram à Igreja ou à sociedade senão o de expor a que erros podem chegar os que se afastam dos ensinamentos da Igreja.

Leonardo Boff não fez nenhum bem a sociedade Sr. Fedeli? Por favor! Se o senhor possui e tem a leitura saberá que sua alienação está lhe causando um sério problema; está abafando a sua inteligência, o senhor está deixando a emoção acima da razão! Pense nisso!

Quando a religião é praticada com amor e sabedoria Sr. Fedeli, não existe nada, nada que se compare ao sentimento da paz interior que nós sentimos. O espírito de comunhão e fraternidade é maravilhoso!

Deus quer os seres humanos unidos, independente de cor, crença, posição social, língua entre outros.

Levar a palavra de Deus não é tampar o rosto com a Bíblia e cegar-se do mundo. Praticar a palavra é encontrar Deus dentro do próximo e aprender o máximo de ensinamentos que Ele nos passa através do semelhante, pois assim seremos eternos irmãos, eternos religiosos, seremos eternos místicos.

Sr. Fedeli, sempre erramos, sempre, afinal nós estamos aqui pra isso, errar e aprender em cima dos nossos próprios erros e dos semelhantes, afinal é assim que evoluímos, na mudança! Pode ser que não tenha despertado para minha mensagem, o senhor pode estar nervoso com meu texto e pensando em uma resposta de me convencer de que estou errado. Posso estar errado, porque não? Mas só de conseguir fazer com que o senhor leia minha carta e realizar este debate com o senhor já fico muito satisfeito e certo que isso fará o senhor refletir, mesmo que o senhor não aceite, mas tenho certeza que no seu subconsciente minha idéia já está fixa!

Só peço que o senhor não me responda como fez com seu amigo Carlos Bispo, pois meu português com certeza, não é tão bom quanto o do senhor!

De: Carlos Bispo
Enviada em: Terça-feira, 22 de Outubro de 2002
Localidade: salvador-Ba
Religião: Espírita Kardecista
Idade: 36
Escolaridade: cursando pós-graduação

Constrange-me informá-lo de que V. Exa., em sua primeira frase, certissimamente sem se ter apercebido, e por lastimável equívoco, cometeu um imperdoável erro de concordância verbal. O sujeito de sua primeira frase é o substantivo plural “ilações”, e, desgraçadamente, em uma carta que pretende ser tão escorreita, o verbo carecer foi colocado por V.Exa. na terceira pessoa do singular. O que foi um horrível equívoco do …”outro mundo”. E isso é ainda mais lamentável numa carta proveniente da sempre mui simpática Bahia, Estado justamente reconhecido, quer pelo estilo escorreito de seus ilustres filhos, quer pela exímia correção gramatical que lá tradicionalmente se observa.

Aqui despeço-me, espero encontrar minha carta no seu site junto a sua resposta e assim que publicá-la favor me avise pelo e-mail

Obrigado e fique com o Deus do seu coração,

Leonardo

Prezado e tristonho Leonardo, salve Maria!

Em primeiro lugar, discordo de sua frase A milhares de anos a humanidade caminha para a evolução”.

E discordo do que você quis dizer com ela: que a humanidade, há milhares de anos está evoluindo.

Mais certo teria sido dizer que há alguns séculos, a humanidade está involuindo.

Sobre a evolução, acabo de publicar um estudo, demonstrando sua falácia. Leia o que digo lá, e, depois, esqueça os macaquinhos. Enterre Darwin, esse novo e defunto buda da civilização moderna.

Ainda há um mês atrás, o Cardeal Ratzinger disse, numa entrevista: “A evolução se tornou a nova divindade” [do mundo moderno]. E acrescento: e Darwin é o seu sofístico profeta.

Recuso-me a adorar esse ídolo moderno: a evolução. Recuso-me a aceitar os sofismas desse falso profeta.

Você, depois, me diz:

“Sr. Fedeli, discussões sobre religião são infindáveis, nunca o senhor vai convencer a um espírita de que o que ele pratica é errado, até porque , o que ele pratica não é errado!”.

E ainda:

“Se o senhor pensa que com estas ofensas e agressões verbais, vai conseguir atrair fiéis para sua igreja, acho melhor o senhor repensar na sua atitude”.

Tenho o prazer, a alegria, e a felicidade de lhe informar que você está redonda, e quadradamente enganado.

Na Montfort, tenho alunos e alunas que foram espíritas, e que se tornaram católicos, graças a Deus, com a ajuda de minhas polêmicas. Mais ainda: em minha vida, discutindo — e no meu estilo de discutir –, consegui, graças a Deus, que centenas de pessoas de outras religiões se tornassem católicas.

Você pode ter certeza de que, ao contrário do que você pensa, a prática também me ensinou que meu método polêmico é eficiente. O argumento, meu caro, é um excelente anzol.

E porque Cristo disse “Ide e ensinai”, como mero professor secundário, e leigo, ensino o que sei ser verdade.

Aliás, o que você entende por “estudo prático”?

E quem é o misterioso “nós” — que você não identifica — da seguinte frase que você me envia:

” o senhor não possui um estudo que nós possuímos, o estudo prático!” ?

Quem é esse nós?

Nós, quem?

Por que você não disse qual é a sua religião?

Contraditoriamente, você me diz:

“Devido a democracia existente, (pelo menos em nosso país e muitos outros) as pessoas optam e devem optar por uma religião que lhes confortem a alma, SEJA ELA QUAL FOR,”.

Quer dizer que na sua democracia as pessoas “devem optar por uma religião que lhes confortem a alma, SEJA ELA QUAL FOR,” ?

Então, a sua liberdade de opção democraticamente obriga a optar? Ela não permite não optar?

E adotar uma religião “SEJA ELA QUAL FOR,”, inclui a dos aztecas e a antropofagia?

Indignado, você me dirá: “Nunca disse isso.O senhor está torcendo minhas palavras”.

Calma. Não se zangue. Reconheço, sim, que você põe um limite na liberdade de religião:

“SEJA ELA QUAL FOR, desde que esta opção não prejudique o estado físico, psíquico e moral de qualquer pessoa, não cometendo mal a qualquer semelhante, sua opção deve ser seguida”.

Portanto, a antropofagia não, você não a admite, porque ela prejudica, evidentemente, o estado físico do digerido.

Mas então, meu caro tristonho e contraditório Leonardo do “estudo prático”, a sua religião também deve ser proibida, porque ela prejudica o estado psíquico e moral de minha pessoa. Faz mal para a minha psiqué, ouvir tais disparates contraditórios.

Se você não aceita este argumento, então, pelo menos você deveria concordar — já que, no seu entender, minha religião é tão má — que a minha religião teria que ser proibida, porque o que digo, e o modo como o digo, prejudica o estado psíquico e moral de muita gente. Inclusive porque deixa você… “muito triste“.

O que é um estado psíquico desagradável.

“Democraticamente”, então, proíba-se a minha religião.

Mas, desse modo, onde foi parar a sua democrática liberdade de religião?

Porque, por razões semelhantes, outros exigirão a proibição de outras religiões pelas mais variadas razões.

Dever-se-á proibir o Bramanismo, porque adorando ratos e serpentes, permite a difusão de doenças e de envenenamentos. Proibir-se-á o maometismo, porque o harém vai contra o feminismo. E assim por diante.

De novo: onde vai parar a a sua democrática liberdade opcionalmente proibitiva?

Meu caro, por trás de sua tolerância democrática se esconde a guilhotina.

Para salvar a sua democracia, e para fugir da contradição em que o acuei, você me responderá: “Jamais proibirei a sua religião Você também tem o direito de praticar a religião pela qual optou, e na qual se sente confortável”.

Se é assim, muito obrigado por seu consentimento, mas eu o dispenso. Sou católico não porque você me permite, mas porque Deus manda.

E sou católico não porque isso me dá uma vida confortável.

Pelo contrário, isso me traz muita luta, muito ódio, muita incompreensão, muito desconforto.

E ainda por cima, o fato de ser católico me acarreta a obrigação de ensinar, e o dever de ler certas cartas chatas, prolixas e contraditórias.

Não que todas as cartas que recebo sejam assim.

Pelo contrário. Muitas são bem agradáveis e reconfortantes. Muitas, mas muitas, me são bem agradecidas. Há tantas até que me informam que gostam de meu estilo — você dirá que é mau gosto — e que aprendem com elas, e que até se divertem com minhas respostas.

Das cerca de seis mil cartas que já respondi neste site Montfort, 80% delas declaram-me apoio e simpatia (Apesar de meu estilo. Ou por causa de meu estilo?).

A estas cartas que me apóiam, respondo com alegria e felicidade, in Domino.

As chatas leio-as com um certo tédio, e com muita paciência. In Domino…

E, depois, as contesto com prazer, porque é um prazer desmascarar um sofisma, é um prazer esmagar um erro, é uma compensação bem doce elevar o que é chato.

Meu caro e tristonho… contestador, ninguém pode ou deve optar pela religião em que se sentir mais confortável.

Somos moralmente obrigados por Deus a seguir a única religião do Deus único e verdadeiro, que é o Deus Uno e Trino da Igreja Católica. Somos obrigados, você e eu, e todos, a seguirmos a Verdade que é uma só.

E a Verdade, por vezes, é desconfortável. Mas Ela, A Verdade, é sempre adorável. A Verdade é sempre amável. Ainda quando Ela nos seja dura.

E a Verdade é sempre santa, e sempre caridosa porque só pode nos tornar bons.

E a Verdade é sempre bela, ainda quando nos assusta, pela obrigação que Ela nos impõe, e que não temos o direto de negar ou de recusar.

A Verdade, meu caro, só nos deixa duas opções: amá-la ou odiá-la. E o amor à Verdade nos dá o céu. E o ódio à Verdade nos leva ao inferno. E, já nesta vida, o ódio à verdade só nos traz desgraça, e até desconforto, mesmo em meio aos prazeres e as vaidades docemente mentirosas. E já nesta vida, a verdade nos dá uma felicidade inefável e celestial, porque são os puros de coração que vêem a Deus. Os que não têm a Verdade habitam nas sombras da morte, e são cegos ao meio dia. Enquanto a Verdade é uma bem doce luz. Dulce lumen.

Você me acusa de “ofender as religiões e as universidades místicas”.

Meu caro, das religiões só disse a verdade: das que são erradas, disse que são erradas. Da única certa, declaro com toda a força de minha alma que ela é a certa. E esta única religião verdadeira, creia você nela, ou não — é a Igreja Católica Apostólica Romana.

E que seriam as tais universidades místicas? (E “tais” nunca foi palavra ofensiva e nem de baixo calão. Até o dicionário, que é o pai dos burros, sabe disso).

” Universidades místicas” … Que negócio é esse?

Será que isso é um negócio… prático?

Mesmo hoje, quando, muitas Universidades são um negócio bem prático — pois há uma Universidade quase que em cada esquina — será que uma “universidade mística” é um negócio realmente prático?

Não sei, não…

Na prática, a concorrência é imensa.

E a mística é tão fluida…. Tão pouco “prática” …

Você me pergunta:

“Porque será que o Papa não entra em discussão e ofende como o senhor faz?”

Simplesmente porque não cabe ao general ir atacar o inimigo a baioneta. Isso é tarefa dos simples soldados.

E eu não sou general. Eu estou na linha de frente, e a mim cabe lutar. E na luta, meu caro, por mais que isso seja desconfortável, não se usam raminhos de flores. Na luta doutrinária, usa-se a espada da palavra. Verbum Dei, gladium Dei.

E com ela se dão golpes.

Neste site tenho usado azeite e vinho. Pomada e bálsamo, bisturi e florete, sabre e até tacape, conforme o caso. Mas sempre com a intenção de transpassar e de esmagar o erro, de curar, e de converter à verdade, e de fazer o bem as pessoas.

E a colheita tem me sido sáfara. Ao vento do Espírito balouçam espigas douradas. E como é belo o trigal balouçando ao vento! E como a Providência de Deus é infinita! Bendito seja Deus que abençoou o meu campo de lavradio.

E se você julga que os Papas jamais empregaram estilo contundente em seus ensinamentos, você se engana de novo.

Veja o que ensinou o Papa Gregório XVI condenando a liberdade de religião.

(E leia bem, com atenção, porque essa condenação serve perfeitamente para você, e para sua carta que… me está divertindo).

Delírio da liberdade de consciência.

“10. Dessa fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e defende a liberdade de consciência. Este erro corrupto abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estendo por toda parte, chegando a imprudência de alguém se asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma, do que a liberdade do erro! dizia Santo Agostinho (Ep. 166). Certamente, roto o freio que mantém os homens nos caminhos da verdade, e inclinando-se precipitadamente ao mal pela natureza corrompida, consideramos já escancarado aquele abismo (Apoc 9,3) do qual, segundo foi dado ver a São João, subia fumaça que entenebrecia o sol e arrojava gafanhotos que devastavam a terra. Daqui provém a efervescência de ânimo, a corrupção da juventude, o desprezo das coisas sagradas e profanas no meio do povo; em uma palavra, a maior e mais poderosa peste da república, porque, segundo a experiência que remonta aos tempos primitivos, as cidade que mais floresceram por sua opulência, extensão e poderio sucumbiram, somente pelo mal da desbragada liberdade de opiniões, liberdade de ensino e ânsia de inovações” (Gregório XVI, encíclica Mirari Vos. O negrito é meu).

Reparou, meu caro, que contundência nos adjetivos usados pelo Papa para condenar o delírio da liberdade de consciência?

Perto de Gregório XVI, “moi je suis doux comme un apôtre” como se diz, rindo, no Cyrano de Bergerac.

E Pio IX na encíclica Quanta Cura (http://www.montfort.org.br/documentos/quantacura.html) voltou a condenar a liberdade de consciência e de culto, a liberdade para o erro, chamando-as de “liberdade de perdição”, de loucura e de delírio. (Cfr Pio IX, Quanta Cura, n* 5).

E no Syllabus, Pio IX condenou a seguinte tese como errada e contrária à Fé verdadeira: “É livre a qualquer um abraçar e professar a religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira” (Pio IX, Syllabus, erro 15).

Você repare, prezado Leonardo, que seu pensamento está inteiramente incluído nessa condenação feita por Pio IX da liberdade de religião, liberdade para o erro, delírio da liberdade de perdição.

Você, indignado, me dirá: Mas eu não sou católico! Não sou obrigado a defender isso!”

Permita-me, então, contestar-lhe que eu, eu sou católico, e, como católico, tenho a obrigação de defender isso. Tenho obrigação de defender a verdade.

E para defender a verdade, sou obrigado a combater o erro, como todo professor, que para ensinar o certo ,passa um “X” sobre o errado, e dá zero para o aluno que errou tudo.

Passei a vida fazendo xis em certas provas. Em geral dava boas notas E dei muito poucos zeros em minha vida, com minha caneta.

Agora, aposentado, sou obrigado a fazer — com pena, isto é, lamentando — um grande xis em certas cartas, e — com muita pena, mas sempre com esperança — a lhes dar zero.

Por respeito, não digo a nota que sua carta mereceu deste velho professor, que visou, antes de tudo a ensiná-lo, refutando seus erros, e fazendo brilhar, acima de tudo a verdade católica e não a minha opinião pessoal que nada vale.

Esperando em Deus que o ajude a compreender este remédio um tanto amargo, me subscrevo, atenciosamente, e com respeito para com sua pessoa que eu desejaria ter como irmão na Fé Católica.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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