Montfort Associação Cultural

24 de novembro de 2004

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Defesa de Cuba e Fidel

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Gustavo
  • Idade: 19
  • Localizaçao: Santos – SP – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau concluído
  • Religião: Católica

Foi a pior coisa que vcs podiam ter escrito sobre Cuba,devem ser mais uns que sofrem lavagem celebral de jornais e outros meios de comunicaçao Fidel Castro Che guevara e outros geurrilheiros libertaram Cuba ,eles são verdadeiros herois…..a unica injusta a favor de fidel é que os outros que lutaram junto a ele tem menos destaque….quando esses bravos homens tomaram Cuba a população Cubana sairam as rua festejar ..contra fulgenio..procure saber sobre Che Guevara uns dos grandes libertadores de Cuba…..Cuba era dominio dos Eua um verdadeiro quintal norte americano isso era Cuba antes..brevemente ,veja bem oque é dito no texto que vcs escreveram:

“A segunda é obrigada, por exemplo, a contentar-se com: ½ Kg de carne de porco misturada com soja a cada 15 dias; ½ Kg de carne de vaca e um sabão em pedra a cada 2 meses; 1 par de sapatos a cada 6 meses…..

Vc deve saber que no Brasil existe familias e não sao uma ou duas são milhares…

que comem arroz velho no almoço e são obrigado a beber agua em cima pra comida poder descer isso se encontra nas favelas espalhadas por todo Brasil e aqui em nosso pais não existe apenas um FIDEL CASTRO PASSEANDO DE MERCEDES..SAO VARIO SENADORES PREFEITOS GOVERNADORES E DEPUTADOS enquanto muitos passam necessidade…..vcs disseram no texto sobre os salarios dos trabalhadores cubanos o seguinte

“Os salários, apenas para exemplificar: um engenheiro ganha US$ 40, um jornalista US$ 30 e uma faxineira US$ 5 (não deveriam ganhar a mesma coisa?)”.

Vamos comparar com nosso pais que nao existe comunismo ..o jogador de futebol edmundo ganhava em torno de 400mil reais quando jogava no Brasil.Enquanto outros trabalhadores ganham menos de 200 reais ja reparo a diferença?vamos tirar o jogador de futebol ..tenho um conhecido que trabalha na area de informatica e ganha 25 mil nada mal comparado a um salario minimo…ve bem as diferenças sao muito maiores…agora tu pega um trabalhador aqui no Brasil que ganhe cerca de 250 reais…gastando dinheiro com comida,aluguel,oque mais esse trabalhador poderia comprar?

Como consertar o Brasil? manifestaçoes passeatas….não deu pra sacar que isso nao adianta em nada……ai fazem uma revolução aqui…..e com certeza a igreja vai cair matando em cima

Prezado Gustavo, salve Maria!

Recebi sua pobre missiva repetidora dos slogans de certa mídia. Você deve ser mais um dos que sofrem lavagem celebral de jornais e outros meios de comunicaçao e de professores esquerdistas.

É a propaganda que afirma que Fidel e outros são heróis. E se você diz que o povo festejou a “libertação” de Cuba, você deveria reconhecer também, agora, que o povo de Cuba foge desse país por todos os meios que pode, tentando se libertar da “libertação” fidelista. Ainda agora, é noticiado que Fidel não permite que um prisioneiro receba os sacramentos católicos, e que outra pessoa é perseguida por batizar seu filho.

E como você se diz católico, agrego a esta resposta o que escreveram dois Bispos cubanos ao Cardeal Arns depois que ele elogiou seu “queridíssimo” Fidel.

In Corde Jesu , semper,

Orlando Fedeli.


Carta aberta ao Cardeal Paulo Evaristo Arns, 9 de maio 1989.

Eminentíssimo Senhor Cardeal Paulo Evaristo Arns O.F.M.

Arcebispo de São Paulo, Brasil.

Eminentíssimo Senhor Cardeal Arns, Dirigimo-nos a Vossa Eminência de modo público por duas razões principais: em primeiro lugar porque o motivo que nos impele a escrever esta carta é de natureza pública, tendo sido tornado público pela imprensa nacional e internacional, e em segundo lugar porque, tendo escrito antes a V. Eminência de modo particular, depois de ter esperado um razoável espaço de tempo, não recebemos resposta alguma. Nossas cartas precedentes a Vossa Eminência foram datadas em 16 de janeiro (Mons. Boza Masvidal) e 27 de fevereiro (Mons. Román e Mons. San Pedro) do corrente ano.

O objetivo desta carta é sua mesagem natalícia ao Senhor Castro, ditador vitalício de Cuba, por ocasião do trigésimo aniversário da tomada de poder por ele. Não vamos repetir tudo quanto lhe dissemos em nossa correispondência privada, mesmo se nos permetirmos fazer um resumo dos pontos principais que nela tocamos.

Dizíamos a V. Eminência que seria muito longo expor completamente a situação do país quanto à discriminação, à falta de liberdade religiosa, e assim por diante, indicávamos o caráter discutível das conquistas e dos resultados obtidos porque, de um lado, eram alcançados a um preço moral e espiritual por demais elevado, e, de outro lado, porque são muito relativos (carta de Mons. Boza Masvidal) Nós lhe recordamos também que Cuba, desde há trinta anos atrás até agora, sofre sob uma ditadura militar cruel e repressiva, em um Estado policial que viola e suprime continuamente e istitucionalmente os direitos fundamentais da pessoa humana. E, entre outras provas desta situação, recordávamos as aventuras militares do castrismo, que custaram milhões de dólares ao povo cubano e milhares de vítimas à sua juventude (carta de Mons. Román e de Mons. San Pedro).

Seria muito longo comentar ponto por ponto todas as suas afirmações na citada mensagem, mas temos a intenção necessaria de assinalar aquelas mais fora do comum. Vossa Eminência considera que “hoje Cuba pode se sentir orgulhosa por ser em nosso continente, tão empobrecido pelo débito internacional, um exemplo de justiça social”. Não queremos fazer – lhe dizer o que Vossa Eminência não diz, mas, lendo esta frase, poder-se-ia pensar que Cuba não esteja empobrecida pela dívida externa como o resto de continente. Estamos certos de que Vossa Eminência sabe que Cuba tem uma enorme dívida externa não só com os paises ocidentais, mas também com os paises comunistas; segundo os últimos dados à nossa disposição esta dívida gira aproximadamente em torno da cifra de 5, 5 bilhões de dólares.

Quanto à justiça social da qual Vossa Eminência afirma ser Cuba um exemplo em nosso continente, desejamos recordar-lhe que, enquanto um número bastante reduzido de hierarcas do governo goza de todas as comodidades da vida, o povo vai se reduzindo ao nível de sobrevivência. Eminência, alguém dos nossos foi, em um passado recente, a Cuba, não para discutir com “o Comandante” sobre como cozinhar camarões e lagostas (cfr. Fidel e a Religião. Conversas com Frei Betto, pp. 28-29, 33-34 [1]), mas para viver com o nosso povo e para condividir com ele a sua dificuldade e a sua dor?

Temos certeza que Vossa Eminência não deseja para o seu amado Brasil uma situação em que um número reduzidíssimo detenha de modo irreversível todo o poder político e econômico, do qual abusa para própria vantagem e para permanecer no poder, enquanto o povo em geral é mantido em uma condição de submissão total equivalente a um estado de minoridade. Por favor, Sennor Cardeal, peça a seus amigos que visitam Cuba e que gozam da confiança dos expoentes da ditadura, se jamais viram algum deles fazer fila pacientemente com o talão do racionamento na mão para poder comprar uma libra ( menos de 500gr) de carne a cada nove dias, ou duas camisas por ano, como o resto da população.

Vossa Eminência diz depois que “a fé cristã descobre nas conquistas da Revolução os sinais do Reino de Deus que se manifesta nos nossos corações e nas estruturas, que permitem fazer da convivência política uma obra de amor”. Não sabemos porque, mas, lendo esta frase, nos vem à mente aquelas outras palavras de Paulo VI, nas quais ele afirma que “a Igreja … recusa substituir o anúncio do Reino com a proclamação das libertações humanas, e sustenta que também a sua contribuição para a libertação é incompleta se não se preocupa de anunciar a salvação em Jesus Cristo. [Ela] … não identifica jamais libertação humana e salvação , porqué sabe … que não basta instaurar a libertação, criar o bem estar e o desenvolvimento, para que venha o Reino de Deus” (Evangelii nuntiandi, nn. 34 e 35).

De outro lado, afirmar que as estruturas vigentes em Cuba “permitem fazer da convivência política uma obra de amor” significa desconhecer completamente a realidade cubana. Se as coisas fossem como diz Vossa Eminência, porque se deve julgar um crime a tentativa de fuga desta “convivência politica”, que é qualificada na mesma ocasião come “obra de amor”? Porque um país como Cuba, que tinha uma emigração baixíssima, viu, durante os trinta anos da ditadura castrista, um milhão dos seus cidadãos abandonar o país? Porque, no breve espaço de cinco meses, em 1980, cento e vinte e cinco mil pessoas se lançaram ao litoral da Flórida em um êxodo incontrolável? Que deveríamos pensar, Senhor Cardeal, se em cinco meses um milhão e cem mil brasileirosi procurassem refúgio no Chile?

Senhor Cardeal, pensamos que o Senhor seja vítima da sua bondade e do seu bom coração. Vossa Eminência conhece Cuba somente através do testemunho de outras pessoas de sua confiança. Não cabe a nós exprimir nesta ocasião uma opinião sobre a intenção dessas pessoas, ou sobre a informação que elas mesmas podem ter, ou sobre o fato de que possam ter conhecimento do surpreendente silêncio de Vossa Eminência relativamente à nossa oferta fraterna, em quanto irmãos no Episcopado, de apresentar outros aspetos da situação de Cuba que, ao que parece, Vossa Eminência ignora.

Um dos aspetos que poderia constituir para Vossa Eminência uma fonte di preocupação é a falta de liberdade religiosa, que em Cuba atinge sobretudo aos católicos. Esta falta de liberdade da qual poderemos fornecer a Vossa Eminência , detalhes quando quizer, se reflete tragicamente nas estatísticas religiosas: Cuba é o único país entre os do Caribe, e provavelmente, em geral, da América Latina, que nos últimos trinta anos viu diminuir em cifras absolutas o número dos católicos, sacerdotes, religiosos e seminaristas, assim como a assitência à Missa dominical.

A recente polêmica, suscitada por sua mensagem natalícia, é uma prova evidente do quanto estamos dizendo. Vossa Eminência pode responder e fazer todas as declarações públicas que julgou oportuno fazer, tanto em sua pátria quanto no exterior. Pelo que sabemos, de sua parte, os Bispos de Cuba mantiveram o seu costumeiro silêncio. A imprensa lhe atribuiu a afirmação de que a mensagem, que pretendia ser confidencial e privada, foi tornada pública somente depois que o Senhor Arcebispo de Havana deu o seu consentimento. Pelo testemunho de pessoas absolutamente fidedígnas consta-nos que esta afirmação não corresponde aos fatos. Eminência, não duvidamos de sua veracidade, mas pensamos que uma vez mais o Senhor tenha sido vítima de sua confiança e de sua credulidade, confiando em terceiras pessoas.

A propósito da liberdade religiosa, ousamos mais uma vez citar a Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi: “Desta justa libertação ligada à evangelização, que visa obter estruturas que resguardem a liberdade humana, não pode ser separada da segurança de todos os direitos fundamentais do homem, entre os quais a liberdade religiosa ocupa um lugar de primeira importância”(Evangelii nuntiandi, n. 39).

Queremos concluir reiterando o desejo que exprimíamos em nossa correspondência privada: “Queira Deus que o seu país não deva jamais passar através da experiência que nós estamos atarvessando”
Senhor Cardeal, Paz e Bem.

Mons. Eduardo Boza Masvidal Vescovo a Los Teques Mons Augustín Román Vescovo Ausiliare di Miami Mons. Enrique San Pedro S.J.

Vescovo Ausiliare di Galveston- Houston

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