Montfort Associação Cultural

5 de outubro de 2010

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Defendendo Dom Rifan, leitor crítica "O Pastor que vai e vem"

Autor: Alberto Zucchi

  • Consulente: Gabriel
  • Localizaçao: São José dos Campos – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação em andamento
  • Religião: Católica

Ola Sr.Alberto Zucchi, não o conheço pessoalmente mas recentemente lí o artigo no site Montfort a respeito do bispo da administração apostólica.

Não o conhecendo por outros meios mas somente por este texto é de estranhar no meio católico o tratamento que o Sr. refere ao sacerdote e bispo da única Igreja de Cristo, divulgado em um dos sites mais vistos no setor de apologética católico do país.
 
É de um mau gosto a comparação com os políticos brasileiros que causou-me perplexidade. Nossos políticos frequentemente estão envolvidos em escândalos imorais e de roubos… já o Bispo que citou jamais foi pego em nenhum escândalo envolvendo a castidade e roubos… Se a sua intenção foi de querer mostrar um bispo que trocou a mitra pela consciencia seu exemplo foi pior que de um Lutero…
 
Tirando esta comparação sensacionalista, o senhor basicamente no texto mostra a posição do bispo no passado e atual referente à missa na forma ordinária. E o argumento do senhor para querer demonstra que a posição do bispo não é a correta baseia-se num único fato: ele mudou.
 
Ora, este argumento não diz nada… como fica um cardeal Newman que mudou do anglicanismo para o catolicismo… ele mudou não? Ou mesmo a posição de um S.Bernardo referente a riqueza dentro das igrejas? Um
S.Francisco sobre as regras de vida da ordem? Etc…
 
O fato é que agora este Bispo não crê que a missa ordinária seja má. E o argumento do senhor sobre os artigos do passado fortalecem justamente a idéia de que D.Rifan encontrou finalmente a verdade, afinal ele que sabia de todos os seus questionamentos contra a missa de Paulo VI e o CVII através do tempo chegou a uma conclusão. E a conclusão de acordo com nosso Papa Bento XVI que enviou na época para D.Marcel Lefebvre este documento para ser assinado:
 
“-Eu, Marcel Lefebvre, reconheço que o Missal Romano estabelecido pelo Sumo Pontífice Paulo VI para a Igreja universal, foi promulgado pela legitima suma autoridade da Santa Sé, a que compete na Igreja o direito da legislação litúrgica, e por isso mesmo é em SI MESMO LEGITIMO e CATOLICO. Por isso não neguei nem negarei que as missas fielmente celebradas segundo o novo rito sejam VALIDAS e de nenhum modo desejaria INSINUAR QUE ELAS SEJAM HERETICAS OU BLASFEMAS nem pretendo afirmar que devam ser EVITADAS PELOS CATOLICOS.” (Carta da Congregação para a Doutrina da Fé, 23 de dezembro de 1982) grifos meu.
 
E o senhor? Qual sua posição a respeito da missa ordinária? Pois caso afirme que ela é em si mesma má está dizendo em outrar palavras que o Papa tem uma visão herética?
 
Por isso é comum ver membros da Montfort virarem as costas para a Igreja e irem desbravar o campo do sedevacantismo. Ou concordamos com a posição do magistério vivo da igreja ou não. Ficar em cima do muro aqui é justamente não fazer as perguntas que requerem um sim ou não.
 
Ou se tem a posição de que a Igreja e o Papa pode errar (o que é absurdo) e durante decadas levou o povo a cair no erro modernismo e a missa ordinaria é má, raciocínio que leva ao sedevacantismo ou toma-se a posição atual de campos.
 
Agora fora tudo o que foi exposto, este mesmo bispo escreveu documentos sim a respeito da posição de Campos e que não foram abordados pelo senhor nessa crítica muito diferente dos escolásticos que o senhor deve tanto prezar.
 
Na época dos escolásticos e nos debates era comum expor as duas visões e rebater as objeções, mas o senhor coloca muito superficialmente igual quais jornais sensacionalistas por aí, somente “um lado da moeda”.
 
Vejo isso aqui em outros artigos criticando a missa nova com fotos de abusos litúrgicos… Ora, estes mesmos abusos são criticados pelo próprio CV II… Portanto não são argumentos…
 
Despeço me pedindo a Deus que nos dê força para combatermos os verdadeiros inimigos da Igreja e o modernismo que está atacando sobremaneira o Brasil enquanto os catolicos que possuem algum conhecimento doutrinal gastam suas energias discutindo uns com os outros ao invés de atacar os erros que são unanimes para ambos os lados…
 
Sabemos que o site Montfort acredita mesmo na sua consciencia estar desempenhando um papel catolico ao atacar campos, mas na realidade o que estao fazendo é afastar muitas vocacoes sacerdotais de um
seminario onde se estuda latim, conserva-se os ritos e habitos tradicionais… É uma pena quando vemos que diversas vocacoes sacerdotais irem por agua abaixo em seminarios em outros paises como os da fraternidade seja por dificuldades financeiras, ou da lingua, ou mesmo na torrente de diversas visões da doutrina catolica como abunda por lá.
 
Autorizo a publicação desta carta.
 
Fique com Deus e as minhas orações,

Prezado Sr. Gabriel, salve Maria! 

     Inicialmente lhe agradeço por ter escrito para o nosso site, sobretudo por ter informado ao final da sua carta que o senhor autoriza a publicação da mesma, autorização essa que me dá a impressão de uma solicitação, quem sabe até um pequeno desafio, e que atendemos sem a menor hesitação. Tenho ainda que agradecer a oportunidade que o senhor me dá de responder a outros ataques que sofri em razão do artigo que escrevi. Ataques que foram feitos em ocasiões em que a boa educação e o respeito à autoridade sacerdotal me impediram de respondê-los. Resta ainda agradecer seu reconhecimento de que nosso site é um dos mais vistos no setor de apologética católica.      

     Cumpridas as formalidades vamos ao que realmente interessa.

 
     Começo por responder uma pergunta sua sobre minha posição a respeito da missa ordinária. Creio que o senhor quis dizer a respeito da Missa Nova. A resposta é simples: minha posição está bem expressa na publicação dos Padres de Campos “Sessenta e duas razões porque, em consciência, não podemos assistir à Missa Nova” que consta no nosso site. Sobre a minha assistência à Missa, desde que, fruto do apostolado do Prof. Orlando Fedeli, comecei a praticar a religião, trinta e oito anos atrás, não voltei a frequentar a Missa Nova, mas jamais deixei de cumprir o preceito, seja aos domingos, seja nos dias santos, assistindo sempre a Missa Tridentina. Veja, Sr. Gabriel, que nos 40 anos de Missa Nova, a Missa Tridentina continuou, mesmo em São Paulo, onde praticamente não existiu polêmica sobre o assunto. Pode-se supor, por isso, que na Europa, onde o embate sobre o assunto foi muito significativo, a facilidade para assistir a Missa Tridentina foi muito maior.
 
     É assim que nós da Montfort respondemos quando somos questionados. Não ocultamos o que pensamos, a doutrina católica não pode ser dissimulada.
     Existem ainda pequenos pontos da sua carta que comento rapidamente, antes de entrarmos no cerne da questão. Em primeiro lugar, comparei um modo de ser dos políticos brasileiros com um modo de ser de Dom Rifan. Isso não significa que, ao fazer uma comparação, tenha atribuído todos os defeitos que possam existir nos políticos brasileiros a Dom Rifan. O senhor mesmo compara a mudança de Dom Rifan ao caso de São Francisco e São Bernardo, mas acredito eu que isso não signifique que o senhor queira atribuir a Dom Rifan a mesma virtude desses santos. Ou será possível que me engane?
     O senhor afirma que é comum “ver os membros da Montfort virarem as costas para a Igreja e irem desbravar o campo do sedevacantismo”. Essa afirmação é uma mentira. Das pessoas que frequentavam regularmente a Montfort, houve somente um caso de adesão ao sedevacantismo. Houve casos de pessoas que mantiveram contatos esporádicos e rápidos conosco, e também com muitos outros grupos, inclusive com os padres de Campos, e que agora têm posições sedevacantistas, mas essas pessoas não foram formadas pela Montfort. Recentemente, em uma reunião em Belo Horizonte, expulsei da sala um rapaz simplesmente porque ele, apesar de não se considerar sedevacantista, dizia entender essa posição. Quem tem um amigo sedevacantista não pode ser da Montfort. Por outro lado, eu conheci dois padres que eram da Administração Apostólica e acabaram por aderir à Fraternidade São Pio X. Isso significa que o clima existente na Administração favorece que os padres vão desbravar o campo da Fraternidade São Pio X?     
     Muito de passagem na sua carta o senhor exige a adesão ao Magistério Vivo. Seria alongar demais tratar disso, mas em uma próxima oportunidade o senhor poderia apresentar um exemplo do magistério morto? Pelo contraste, creio que seria mais fácil compreendermos esse assunto.
 
     Resolvidas essas questões importantes, mas colaterais, passemos ao ponto central de meu artigo. Não procurei demonstrar que a atual posição de Dom Rifan, em relação a Missa Nova, está errada porque ele mudou. Caso o senhor percorra nosso site verá que muito foi escrito contra a Missa Nova e, certamente, terá respostas para muitas das suas dúvidas e enganos. O que demonstrei foi a radical alteração na posição de Dom Rifan e como ele procurou dissimular essa mudança. Isso, pelo visto, produziu muita indignação daqueles que participam da mesma posição desse bispo, muito provavelmente porque, assim como ele, não querem que isto seja colocado em evidência.
      Em sua carta, enviada ao nosso site, o senhor concorda que houve a transformação doutrinária de Dom Rifan, mas procurando relativizar a importância do assunto afirmou simplesmente que “ele mudou”. Mas, segundo sua própria carta, a posição anterior de Dom Rifan era cismática e herética e, portanto, o senhor deveria dizer não apenas que “ele mudou”, mas sim que ele se arrependeu de seus erros, ou melhor, que ele se converteu, pois os cismáticos e hereges estão fora da Igreja. A expressão “mudar”, neste caso, representa muito pouco do “mea culpa” que Dom Rifan deveria ter feito se realmente ele estivesse arrependido dos seus antigos ensinamentos, pois ele teria sido um dos grandes responsáveis, certamente o principal, após o falecimento de Dom Mayer, por parte significativa de uma diocese ter aderido a um cisma e uma heresia. E depois de todo este mal causado, bastaria dizer “ele mudou”?
 
     Imagine o senhor se, de fato, ele tivesse feito esse “mea culpa” logo após o acordo com o Vaticano, quem o teria seguido? Disfarçando, ele manteve o prestígio de tradicionalista, mas seu rebanho não sabia mais para onde estava sendo conduzido. Não estou afirmando que essa dissimulação fazia parte do acordo com o Vaticano, não creio que isso tenha ocorrido, todas as informações que temos é de que o Vaticano não exigiu de Dom Rifan a aceitação da Missa Nova, mas, por vantagens políticas, Dom Rifan tomou sua decisão.
     E se a posição anterior de Dom Rifan significava um erro tão grave como um cisma, não deveria ele condenar aqueles que contaminaram uma diocese inteira com este mal? Veja, por exemplo, o papel de Dom Mayer. Teria sido ele o grande responsável por esse cisma e essa heresia, porém, como Dom Rifan apresenta Dom Mayer? Onde estão suas criticas a Dom Mayer? Para Dom Rifan é como se esse passado não existisse. Em uma entrevista de Dom Rifan, ele falou do apego de Dom Mayer à Missa Tradicional, será que ele quis dizer com isso posição cismática e herética como o senhor afirma?
     O que teria sucedido se Dom Rifan, logo após o acordo com o Vaticano, afirmasse que Dom Mayer foi cismático? Certamente o povo de Campos e, possivelmente, muitos padres não o teriam seguido, então ele se calou sobre o assunto para não escandalizar, e assim, o rebanho de Dom Rifan não escandalizado, não sabia para onde estava sendo levado.      Mas, se realmente Dom Rifan mudou por princípios, só a condenção a Dom Mayer não bastaria. Isso deveria ser só o começo. Veja a seguir uma pequena citação de um folheto sobre a Missa Nova elaborado no seminário dos padres de Campos, no tempo em que Dom Rifan ainda não tinha mudado:
 
“20 – A missa nova é, como a tradicional, um verdadeiro testemunho da Fé católica?
 
Respondo com as palavras do próprio cardeal Ratzinger aos membros da Fraternidade São Pedro em Wigratzabad: “A reforma litúrgica não foi feita em continuidade com o legítimo desenvolvimento da expressão da Fé, mas em espírito de ruptura (…) ela apareceu como um sistema de novidades, portanto, noviço e perigoso para a solidez da Fé, sobretudo da maneira como foi aplicada (…) o rito tradicional, ao contrário, é uma muralha de defesa para a Fé. (conf Boletim da Fraternidade São Pio X na França, maio/90).” (O grifo é meu, as verdades afirmadas são do atual Papa).
 
     Veja: Dom Rifan e o seminário de Campos se baseavam no então Cardeal Ratzinger, certamente o senhor já ouviu falar dele. A acusação contra a Missa Nova feita pelo então Cardeal é muito grave: “nocivo e perigoso para a fé católica”, um católico certamente perguntará como frequentar uma missa nociva e perigosa para a solidez da Fé. Pois, então, se Dom Rifan mudou por motivos doutrinários teria ele que criticar palavras tão duras contra a Missa Nova, que saíram das publicações do seu seminário, mas novamente ele prefere o silêncio. Assim, além de Dom Mayer, Dom Rifan mudado, necessita condenar o antigo seminário de campos e o Cardeal Ratzinger e deixar claro, como o senhor diz, que estas eram posições cismáticas e heréticas. O Sr. já pensou que confusão isto produziria? Quem daqueles que assistem a Missa Tridentina seguiria Dom Rifan? Novamente, o silêncio seria a melhor política para o pastor que não quer contar onde está levando o rebanho.
     O senhor pensa que é o fim. Prometo citar só mais um texto, não por falta de material, mas para não ser excessivamente longo. Veja, o texto a seguir:
 
“Portanto a adesão à Missa Tradicional e a rejeição à Missa Nova não é uma questão de gosto ou preferência sentimental, mas uma questão de doutrina. É nossa identidade católica que está em jogo” (Novamente os grifos são meus).
 
     Sabe onde se encontra esse texto? No site da Montfort? No de algum bispo da Fraternidade São Pio X? Quem sabe num dos loucos sedevacantistas? Não. O texto é do Missal Dominical Popular vendido, pelo menos até pouco tempo atrás, na Igreja de Santa Luzia, em São Paulo, onde os Padres da Administração Apostólica celebram a Missa Tridentina. Essa afirmação, segundo sua mentalidade se constituiria em uma frase cismática e herética, pois se afirma a rejeição a Missa Nova. Como coadunar o missal vendido pelos Padres da Administração Apostólica com as ideias do Bispo da Administração Apostólica? Será que eles pretendem fazer uma “recall” do Missal arrancando as páginas que não são adequadas?
 
     Vê-se, então, que é necessário não só esclarecer o público sobre Dom Mayer, condenar o antigo seminário, explicar as afirmações do cardeal Ratzinger, mas também alertar sobre alguns padres de Campos que continuam distribuindo, ou melhor, vendendo livros que condenam a Missa Nova. São eles também hereges e cismáticos? Ou são simplesmente relaxados e não se preocupam em ler o material que é vendido em suas próprias capelas? Ou será ainda que esperam eles que, com uma posição ambígua, possam agradar os tradicionalistas e aguardar a definição da batalha sobre a Missa e, então, se dirigir ao lado vencedor? Realmente, não sei lhe dizer qual a afirmativa correta. Escreva para Dom Rifan, talvez ele possa lhe informar, mas não considere a resposta como definitiva, pois, de repente, ele pode mudar.
 
     Para, finalmente, concluir é também triste constatar como alguns padres que estavam com Dom Rifam mudaram e não se sentiram na obrigação de alertar àqueles a quem eles mesmos ensinaram uma doutrina que hoje chamam de cismática. No domingo, após a publicação de meu artigo, em duas homilias, um padre da Administração Apostólica me comparou aos fariseus que tentavam a Cristo. Insinuou que eu me encontrava em uma posição cismática, além de enfatizar que algumas das afirmações feitas no artigo levavam ao pecado mortal. Ora, esse padre teve grande contribuição em minha formação contra a Missa Nova. Se ele realmente mudou, deveria de alguma forma ter me procurado e me alertado que havia me ensinado erros e que a sua antiga posição era cismática.
     São justas tantas e tão graves acusações contra mim em uma ocasião em que eu não poderia me defender e, sobretudo, vindas daquele que no passado me instruiu sobre algo que agora ele condena?
     Quis ainda este Padre comparar a saída do Prof. Orlando da TFP com a mudança de Dom Rifan. Sabe ele muito bem o quanto o Professor atacou a TFP e que, na realidade, o Professor saiu da TFP exatamente porque queria manter os princípios católicos, pois ele descobriu que esta seita utilizava esses princípios apenas como uma fachada para ocultar sua doutrina gnóstica. Um caso, portanto, completamente diferente de Dom Rifan.
     As acusações que o Padre me fez foram bastante graves. Talvez pretendesse ele me perturbar a consciência para que eu, carregado de escrúpulos, voltasse atrás. Caso seu objetivo tenha sido este, enganou-se redondamente, pois, como ensinou Santo Agostinho, devemos temer a “Jesus que passa e… não volta”.  
 
Alberto Luiz Zucchi
São Paulo, 04/10/2010

Replica

Olá Sr.Alberto, Salve Maria!

Confesso que não esperava a publicação da carta com seu comentário, no meio de tantas que os senhores devem receber diariamente. Digo comentário e não resposta pois os questionamentos colocados na carta não foram respondidos. Vamos lá:
 
Coloquei um documento da Congregação da Doutrina da Fé do na época Cardeal Ratzinger que o senhor ironicamente me perguntou se conheço e onde está a resposta?
O papa errou ao alegar que a missa não é má em si mesma? Ele tentou dissimular como o senhor acusa D.Rifan?
O que o Sumo Pontífice sempre criticou é uma hermenêutica de ruptura e o senhor sabe muito bem disso, como mostra sua citação. Até mesmo recentemente vem enfrentando os lobos nesse sentido, vide a recente reunião com ex-alunos sobre a hermenêutica do Vaticano II.
Observe que ele mesmo em sua carta dirigida a Mons.Lefebvre permite uma crítica a reforma neste sentido, e nesta linha é até muito justa e louvável esse santo apostolado a favor da Missa de sempre:
 
“Ainda uma vez, em nome do Papa João Paulo II, eu lhe peço com cordialidade, mas também com insistência, para refletir diante do Senhor em tudo o que eu acabo de lhe escrever. Não se exige do sr. que renuncie à totalidade de suas criticas do Concílio e da reforma litúrgica.” (Carta da Congregação para a Doutrina da Fé, 23 de dezembro de 1982) grifos meus.
 
Mas por outro lado, em nenhuma vez afirmou que a Missa é má em si mesma como o senhor tenta insinuar, muito pelo contrário pediu solenemente para Mons.Lefebvre afirmar o contrário! Afinal o Papa celebra a missa na forma ordinária também. Acaso o senhor crê que o Sumo Pontífice é do “vai e vem”?
O problema é mais lógico que de moral. Se o senhor afirma que a missa na forma ordinária é má em si mesma consequentemente afirma que o Papa que a celebra faz o que?
O papa celebra a missa como o senhor disse por questões de gosto e sentimentalismo?
O senhor não respondeu.
Observe as palavras do Papa Pio XII a respeito do Papa:
 
“Em erro perigoso estão pois aqueles que julgam poder unir-se a Cristo, Cabeça da Igreja, sem aderirem fielmente ao seu Vigário na terra. Suprimida a Cabeça visível, e quebrados os vínculos visíveis de unidade, obscurecem e deformam de tal maneira o Corpo Místico do Redentor, que este não pode ser visto nem encontrado por aqueles que buscam o porto da salvação” (Pio XII, Encíclica Mystici Corporis, n. 40-41).
 
E justamente o que o senhor quer insinuar cabe somente ao Papa:
 
“e que somente a ele, e não a outro, compete julgar dos antigos decretos dos cânones, medir os preceitos dos seus antecessores para moderar, após diligente consideração, aquelas coisas, cuja modificação é exigida pela necessidade dos tempos (Ep. ad. episc. Lucaniae)”. Papa Leão
Com isso o senhor vai alegar causa de necessidade nas suas palavras? Passar por cima do Papa assim como faz os sedevacantistas? Ou a posição da montfort é ficar em cima do muro?
Veja que ou se toma a posição do Papa e vamos lutar combatendo a hermenêutica de ruptura ou o senhor diz que o Papa com quase 99% dos membros esteve nessas ultimas décadas participando de uma liturgia má em si mesma! O que é absurdo e fede a cisma.
Os hereges sim acreditam que é a Igreja que tem necessidade de se curvar perante suas idéias. Vi no final do seu comentário à minha resposta onde esperava que o padre comentado pelo senhor fosse ao seu encontro, mas ele não o estava esperando no confessionário ou na igreja de modo geral? Este modo de raciocínio é perigoso, se os hereges fossem mais humildes e procurassem homens instruídos competentes e obedientes a Igreja não teríamos talvez protestantes no meio de nós.
E o que o padre tentou lhe advertir parece não muito bem entendido pelo senhor é a respeito do juízo temerário. Jamais o senhor poderá fazer uma afirmação sobre a consciência de alguém quanto mais de um bispo da Santa Igreja como o fez com D.Rifan. Somente a Deus cabe isso. Mas o senhor colocou: “mas, por vantagens políticas, Dom Rifan tomou sua decisão.”
 
E diga-se de passagem uma decisão em comunhão com a Igreja! Observei tambem que o senhor concordou com a ausência de qualquer argumento em sua carta do vai e vem. Não colocou uma única tentativa de mostrar o modo de pensar de Campos, mas sim uma tentativa de denegrir a imagem de lá pelo simples fato de que o Bispo agora vê as coisas mais em conformidade com nosso Papa.
Para não entrar em maiores detalhes por ora, fica a pergunta não respondida pelo senhor, a Montfort vê que as celebrações litúrgicas do Papa é questão de gosto ou sentimentalismo?
Espero que desta vez o senhor responda, aguardando a publicação desta resposta.

Fique com Nosso Senhor e a Virgem Santissima,
Gabriel

Prezado Sr. Gabriel
Salve Maria!
Voltemos novamente a discutir sobre as idas e vindas de Dom Rifan.
Sua última carta continha uma afirmação profética… Minhas diversas ocupações acabaram por fazer com que minha resposta demorasse um pouco, mas a providência, nesse período, esteve a meu lado e os fatos falaram mais que os argumentos. Veja que, enquanto eu me ocupava das coisas do mundo, Deus lutava por mim. O senhor tomou conhecimento de que entre os cardeais nomeados no último consistório foi incluído o Mons. Domenico Bartoluci, que afirmou que jamais rezou a Missa Nova? Veja o texto a seguir de sua entrevista concedida ao blog Disputationes Theologicae

     “Maestro, a recente publicação do Motu proprio “Summorum Pontificum” trouxe uma lufada de ar fresco no desolador panorama litúrgico que nos cerca. Portanto, também o      senhor pode agora celebrar a “Missa de sempre”.

     Mons.Bartoluci: Mas, para dizer a verdade, eu sempre a celebrei ininterruptamente, a partir da minha ordenação… eu teria em vez disso dificuldade para celebrar a missa no      rito moderno, já que eu nunca a celebrei. (os grifos são nossos)

A entrevista não para neste ponto. Vale a pena ler na íntegra.
 
Acrescento apenas mais uma resposta que vai de encontro a uma das grandes bandeiras dos defensores da Missa Nova, inclusive de Dom Rifan, que é a participação do povo na Missa:

     Maestro será preciso, entretanto, conceder aos que denigrem a Missa antiga que essa última não é “participada”.

     Mons. Bartolucci — Ora vamos, não digamos tolices, a participação dos tempos antigos eu a conheci, tanto em Roma, na Basílica, quanto no mundo, quanto aqui em      Mugello nesta paróquia deste belo campo, um tempo povoada por pessoas cheias de fé e de piedade. Aos domingos, no cantar das vésperas, o padre teria podido se limitar      a entoar o “Deus in adjutorium meum intende” e depois por-se a dormir em sua cadeira, para não redespertar senão no “capítulo”, que os camponeses teriam continuado      sozinhos, e os pais de família teriam cuidado de entoar as antífonas!

 
A tradução da entrevista consta no site Montfort, mas talvez o senhor se interesse por acessar diretamente o original. Assim, passo-lhe a referência: http://disputationes.over-blog.com/article-35046658.html
 
Mas voltemos ao tema principal. Em sua nova carta, o senhor diz que eu não respondi a suas perguntas. Isso não é verdade. Comecei minha carta exatamente por esse ponto e respondi claramente o que pensava sobre a Missa Nova. Na realidade, foi o senhor que, para fugir às perguntas que lhe fiz, mudou o assunto de nossa discussão. Vejamos algumas das perguntas que constavam na carta anterior e que foram esquecidas pelo senhor:
 
     “Se a posição anterior de Dom Rifan significava um erro tão grave como um cisma, não deveria ele condenar aqueles que contaminaram uma diocese inteira com este      mal?…”     
     
     “Como dom Rifan apresenta Dom Mayer? Onde estão suas críticas a Dom Mayer?”  
 
     “O que teria acontecido se Dom Rifan, logo após o acordo com o Vaticano, afirmasse que Dom Mayer foi cismático?”
 
     “Como coadunar o missal vendido pelo Padres da Administração apostólica [que contém a condenação da Missa Nova] com as idéias dos Padres da Administração      apostólica?”
 
O senhor não respondeu a essas perguntas, porque a resposta deixa claro que Dom Rifan mudou radicalmente, mas de forma a iludir aqueles que o seguiam para que eles acabassem por aceitar a Missa Nova.
 
Para não o deixar totalmente constrangido, dou-lhe uma indicação de onde o senhor poderá encontrar uma pista para as respostas acima. Procure a entrevista concedida por Dom Rifan na Rede Vida a Dom Antonio Maria Mucciolo. Trata-se de uma obra prima de deformação de fatos históricos. Nessa ocasião, Dom Rifan afirma que “Dom Antonio [de Castro Mayer] sempre foi muito fiel ao magistério”. Veja que primor de afirmação. Faz inveja até à Sibila, pois, caso algum modernista proteste, Dom Rifan vai com a afirmação de que a fidelidade era ao magistério e não ao Papa, mas, se algum paroquiano de Campos se sentir indignado, ele vem e afirma que defendeu Dom Mayer.
 
Assim, não podendo responder às minhas perguntas, porque o senhor seria obrigado a confirmar a tese de meu artigo, o senhor muda a discussão. Agora se trata de saber qual a posição do Papa e, se não concordamos com ele, somos sedevacantistas.
 
Talvez pressionado pela necessidade de fugir do tema de meu artigo, o senhor acabe por me atribuir afirmações que não fiz, de modo a tentar enganar o leitor. Veja os trechos a seguir que transcrevo de sua carta:
     
     “… mas por outro lado, em nenhuma vez afirmou que a Missa é má em si mesma como o senhor tenta insinuar”.
 
Portanto, no início de sua carta, segundo o senhor, havia de minha parte apenas uma tentativa de insinuação. Alguns parágrafos depois o senhor afirma:
 
     “… ou o Senhor diz que o Papa com quase 99% dos membros esteve nessas últimas décadas participando de uma liturgia má em si mesma”.
 
Aquilo que era uma tentativa de insinuação passou a uma afirmação categórica. Minha posição obrigatória equivaleria a dizer que a Missa Nova é má em si mesma. Ou seja, o senhor me atribui afirmações que não constam em meus escritos. Essa manobra do senhor é uma tática muito conhecida, entretanto, não indica boa fé. O correto é não me atribuir o que eu não disse e citar meu texto e não fazer um livre-exame protestante do mesmo.
 
Como já lhe disse em minha primeira resposta, minha posição está baseada nas “Sessenta e duas razões porque em consciência não podemos assistir à Missa Nova”, publicadas pelos padres de Campos, e que o senhor faz de conta que nunca existiram, eximindo-se de fazer qualquer comentário. Sigo nesse ponto a orientação de dom Mayer, ou seja, a Missa Nova é válida. Desde que obedecidas as condições para a realização do sacramento, Cristo está realmente presente. Jamais ouvi Dom Mayer dizer que a Missa Nova era má em si mesma.
 
Sua tentativa de distorcer meus comentários vai mais longe. Assim o senhor me pergunta:
 
     “O papa celebra a missa como o senhor disse por questões de gosto e sentimentalismento”?
 
Eu não escrevi isso, a frase que consta em minha carta é do missal dos padres de Campos, que rejeitavam a Missa Nova “não por uma questão de gosto ou preferência sentimental, mas porque a identidade católica estava em jogo”. Não está afirmado, portanto, no texto, que todos os que rezam a Missa Nova o fazem por sentimentalismo. O que está dito é, ao contrário do que ensina Dom Rifan, que a Missa Antiga não é uma questão de gosto, de um apego dos fiéis apenas.
 
Prosseguindo em sua confusa argumentação, o senhor procurar fazer uma comparação entre a ação do Papa e a de Dom Rifan. Na realidade, eles estão em caminhos opostos.
 
O trabalho do Papa tem sido no sentido de restaurar a Missa antiga em todo o mundo. Isso tem lhe custado muito sacrifício e muita incompreensão e, sem dúvida, ele tem sido vitima de muitas traições. Como pretende o Papa restaurar a Missa antiga? É um pergunta importante tendo em vista a atual situação da liturgia em todo o mundo. Veja o que afirma o Padre Barthe, em entrevista a que tivemos acesso através do site “La Revue Item”.  

     “Eu penso primeiramente que é totalmente irrealista crer que se pode com um passe de mágica fazer que, em todas as paróquias do mundo, todas as missas sejam      celebradas segundo o uso antigo. Por outro lado, eu constato com muitas outras pessoas, entre as quais as principais estão altamente colocadas, que o missal de Paulo VI      contém uma quase infinita possibilidade de opções, de adaptações e de interpretações, e que uma escolha progressiva, ou sistemática, ou sistematicamente progressiva,      das possibilidades tradicionais que ele oferece, torna possível, no terreno paroquial, e perfeitamente legal (segundo a letra da lei, já que não segundo seu espírito), sua      “retradicionalização”. Aliás, uma simples constatação: numerosos padres de paróquias (eu elaborei uma lista rápida para a França, que evitarei cuidadosamente publicar,      mas que é impressionante) praticam esta reforma da reforma, muitas vezes por etapas, e na maioria dos casos celebrando também a missa tradicional. Para responder      então à sua questão, eu diria que eu creio que a liturgia romana pode ser salva, o que acontece, como se pode constatar concretamente, por uma ação a duas velocidades:      difusão do rito de São Pio V; reforma da reforma. Esta permitirá, lembrando um célebre discurso de Paulo VI em sentido inverso, abandonar progressivamente tudo o que na      sua reforma já é velho, fora de moda, porque não é tradicional. Nós veremos bem o que será salvo após esta operação…

 
Os grifos são meus e a integra da entrevista do Padre Barthe pode ser acessada através do seguinte endereço: http://www.revue-item.com/3706/%C2%ABpour-un-nouveau-mouvement-liturgique%C2%BB/
Assim, segundo o Padre Barthe, autoridades “altamente colocadas” pretendem reformar a Missa Nova aproximando-a da antiga. Será que é isso que Dom Rifan e alguns padres da Administração Apostólica vêm realizando?
Na mesma entrevista, Padre Barthe continua:

     Dito isso, nenhum dentre eles, e especialmente o primeiro dentre eles, o Papa, não pretendem promover uma reforma da reforma pelos textos, por decretos, e a fortiori pela      edição de um novo Missal fundido, um missal Bento XVI que se acrescentaria aos missais de Pio V e Paulo VI, mas eles querem proceder pelo exemplo, pela exortação,      pela educação, e, sobretudo, para evocar o tema de São Paulo da Epístola aos Romanos, provocando uma sadia “inveja” da forma hoje dita “ordinária” em relação à forma      “extraordinária”. É, aliás, uma característica da restauração ratzingueriana desde 1985: ela busca mudar o curso da evolução das coisas conciliares, porém de maneira      exortativa e não coercitiva.

Novamente: será que é isso que Dom Rifan e os padres da Administração Apostólica têm feito?
No mosteiro de São Bento em São Paulo, sem dúvida, celebra-se a Missa de São Pio V de acordo com as rubricas estabelecidas. O padre determina até o momento em que os fiéis devem sentar-se.
Já em Belo Horizonte, onde estive recentemente, a Missa antiga sofreu muitas adaptações. Para se tornar mais popular, os cânticos não são os previstos no missal, o Credo é rezado em português, o Pai Nosso é rezado por todos, em português, empregando o “perdoai as ofensas” e não o “perdoai as dívidas”.
O padre alega que segue o que os padres de Campos faziam. O padre atual se enganou ou realmente foi esse o ensinamento recebido? Na já referida entrevista com Dom Mucciolo, o senhor terá a certeza de que o padre não se enganou.
Mas não é só isso. O senhor não imagina quem era o acólito da Missa! Era o mesmo rapaz que eu havia expulsado da reunião da Montfort por se recusar a condenar o sedevacantismo. O senhor não acha esse fato ao menos curioso? Se o senhor soubesse que, em uma Missa que fosse rezada a pedido da Montfort, havia um acolito que se recusa a condenar o sedevacantismo, isso não seria motivo suficiente para o senhor rasgar as vestes e nos condenar? Realmente, não parece providencial que as minhas ocupações dos últimos dias tenham me impedido de responder ao senhor tão rápido quanto eu gostaria?
Veja, portanto, que o Papa e Dom Rifan talvez estejam na mesma estrada, mas certamente caminham em sentidos opostos. Enquanto o Papa trabalha e sofre para restaurar a Missa Antiga e reformar a Missa Nova, Dom Rifan muda a Missa Antiga para aproximá-la da Missa Nova e trabalha para convencer seus fiéis, de forma subtil, a frequentarem a Missa Nova.
Como prova de minha suposta insurreição ao Papa e ao Papado, em sua carta, o senhor apresenta diversas citações sobre a obediência que se deve ao Papa, com ensinamentos aos quais temos alegria de nos submeter. Entretanto, ficou faltando provar que em nossa atitude existe algo de contrário ao que está sendo afirmado. O senhor me faz lembrar aqueles protestantes que, para “provar” que a Igreja Católica está errada, citam as condenações de Nosso Senhor Jesus Cristo aos fariseus, afirmando, logo em seguida, “isso é aplicado a vós”.
Assim, nós estamos com Monsenhor Bartoluci ou, desculpe-me, com o Cardeal Bartoluci. Não assistimos à Missa Nova e, de maneira nenhuma, isso nos torna cismáticos. Mas, para complementar esta ideia, acrescento uma citação:

     “Pergunta: A nova missa foi promulgada por um Papa para a igreja toda. Se ela é equivoca, então a Igreja falhou?

     Resposta; Em primeiro lugar, a Igreja toda não aceitou a nova Missa. Desde sua promulgação em 1969, até hoje, não deixou de haver uma séria resistência por parte de      milhares de fiéis, padres, vários bispos e até cardeais, como Ottaviani e Bacci.

     Em segundo lugar não está em caso à infalibilidade do Papa e da Igreja. Porquanto, nas leis litúrgicas, mesmo universais, o Papa e a Igreja não empenham necessariamente      e sempre a infalibilidade.

     O próprio Paulo VI afirmou que o novo Missal não levava a nota da infalibilidade; “o rito e a respectiva rubrica por si não são uma definição dogmática; são suscetíveis de      uma qualificação teológica de valor diverso segundo o contexto litúrgico a que se referem (Discurso de 19 de Nov. de 1969)

     Soma-se a isso o fato de que a primeira edição do missal de Paulo VI continha um erro tão explícito no n. 7 da ‘Institutio’ que o Papa foi obrigado a mandar revê-lo. Ora, o      que é infalível não pode ser passível de revisão.”

     Pergunta:  O papa impôs a nova Missa. Quem a rejeita peca por desobediência.

     A obediência cega não excusa a responsabilidade daquele que obedece. Se aquele que manda ultrapassa o âmbito de seu direito de mandar, não há ordem, mas abuso de      poder. A um abuso de poder corresponde ao súdito não o dever da obediência, mas o dever da resistência.

     O papa não tem poder de mudar a Fé. São Roberto Belarmino diz que é lícito resistir ao que agride as almas (…) ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a igreja” Essa      doutrina é também de Santo Tomás e de vários outros santos e doutores da Igreja.

     O papa Leão XIII ensina: “Desde que falta o direito de mandar ou o mandato é contrário à reta razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo desobedecer aos      homens a fim de obedecer a Deus” (Libertas praestantissimum).

Não vou lhe dizer de onde vem essa citação. Fica o suspense para uma próxima carta, caso o senhor resolva insistir, mas lhe dou uma dica: certamente, o Padre Hélio Rosa poderá lhe informar a origem do texto.
Ao final de sua carta, o senhor assevera que fiz afirmações sobre a consciência de alguém. Isso não é verdade. Apenas analisei fatos públicos e notórios, que eram de conhecimento de todos, e comparei a antiga posição de Dom Rifan com a atual. Nenhum desses fatos, nem as citações apresentadas foram negados pelo senhor, que apenas reafirma minha suposta insubordinação ao Papa, sem apresentar qualquer argumento.
Do que mais uma vez o senhor foge de comentar é a atitude do padre que me condenou. Se de fato minha posição é cismática, esse padre foi um dos grandes colaboradores para que eu estivesse em tal situação. Não teria ele a obrigação de me procurar e dizer o que estava errado, apresentar sua nova argumentação e os motivos que o levaram à mudança, antes de me condenar no púlpito? Não condenou ele, juntamente com Dom Rifan, de forma veemente, a atitude de Dom Gérard do mosteiro do Barroux, quando esse se afastou de Dom Lefebvre em razão da ordenação dos Bispos? Teria ele julgado a consciência de Dom Gérard?
Por último, lembro ainda que o senhor me deve um exemplo do magistério morto e, caso o senhor não se incomode, gostaria também de saber seu sobrenome e a sua ligação com a Administração Apostólica dirigida por Dom Rifan.
Assim, meu caro Sr. Gabriel, suas cartas apenas confirmam a tese central de meu artigo: Dom Rifan mudou de posição quanto à Missa e, de modo dissimulado, levou consigo os padres da Administração Apostólica e infelizmente muitos fiéis. Essa não é a ação que o Papa vem desenvolvendo. Pelo contrário, o que o Papa tem feito é aproximar os fiéis da Missa Antiga, enfrentando todas as dificuldades, perseguições e traições. O Papa não vai e vem. Na realidade, ele se parece muito com o Papa dos sonhos de Dom Bosco que, vendo que a barca da Igreja estava em alto mar, sendo atacada por seus inimigos, com lutas internas, traz o navio de volta e o amarra nas colunas da Eucaristia e da devoção a Nossa Senhora.
Quem sabe Dom Rifan seja um daqueles barcos que assistiam de longe à batalha e aguardavam o final da luta para ver o seu resultado e, após a vitória do Papa, se aproximam desse. Rezemos para que esse venha a ser o final desta história, mas isso só Deus sabe.
 Que Nossa Senhora o proteja e o faça ver mais claramente. Rezarei sempre por Dom Rifan, por todos aqueles que estão sob a sua orientação e pelo senhor.
Alberto Zucchi
São Paulo, 08 de dezembro de 2010
Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora

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