Montfort Associação Cultural

19 de abril de 2005

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D. Aloísio cita discriminação em conclave

COMENTÁRIO

 

Aqueles que, segundo a afirmação de D. Aloísio Lorscheider, especialmente “dentro da Igreja“, torciam “pelo término o quanto antes do pontificado de João Paulo 2º (…)” demonstram uma absoluta falta de caridade e de respeito ao Sumo Pontífice, suscessor de S. Pedro e representante de Cristo na Terra.
O pior, é que a ‘desculpa’ para ‘desejar o término daquele Pontificado era a ‘doença’ que afligia o Santo Padre, quando, na realidade, era pela posição irredutível do Papa quanto à continuidade e reafirmação da moral de sempre da Igreja e da sua oposição a outros atuais temas defendidos pelos Modernistas de hoje: fim do celibato sacerdotal, ordenação de mulheres, comunhão aos ‘recasados’ e aos membros de seitas protestantes, aprovação de ‘uniões’ de homosexuais, aprovação do aborto, etc…
 
Em entrevista publicada pela FSP de 17/04/05, D. Aloisio Lorscheider afirmou:

 
A – sobre o pontificado de João Paulo II:
 
- LONGO PAPADO

“Para falar francamente, havia gente, dentro e fora da igreja, torcendo pelo término o quanto antes do pontificado de João Paulo 2º (…)”.

- LADO POSITIVO E NEGATIVO:

Em primeiro lugar, acho que o pontificado de João Paulo 2º foi uma bênção para a igreja, principalmente por causa do diálogo inter-religioso, que ele levou muito longe. Mas, ao elegê-lo, nós não sabíamos que João Paulo 2º se transformaria no adversário irredutível da colegialidade na organização da igreja, que trabalharia tão incansavelmente para retirar o poder das conferências episcopais, centralizando todas as decisões na Cúria Romana.”

“Isso foi um resultado para mim inesperado da eleição de Karol Wojtyla. Admito que, neste quesito, o voto que dei foi um voto às cegas. A verdade é que, quando a gente escolhe, a gente não sabe mesmo se o eleito será um grande papa. Por mais que elogiemos João Paulo 2º, e que ele seja merecedor, houve uma centralização exagerada das decisões na Santa Sé. Marginalizaram-se os bispos que poderiam dar opiniões mais fortes e se retirou muito do poder da igreja de intervir na realidade prática de cada país. As surpresas pós-conclave podem ser muitas. Como se viu com João Paulo 2º, podem ser muito importantes também”.

 
B – Perfil do próximo Papa:
 

“…um papa bom

, que goze de boa saúde, que seja uma pessoa sensível aos enormes problemas da humanidade, um homem de coração”.

Em quem votaria:

“No cardeal Carlo María Martini, de Milão. É um homem de grande virtude e com enorme capacidade de diá

logo”…. apesar de sofrer de Parkinson, pois isto “não é um impeditivo absoluto”…

C – Sobre as possibilidades de D. Hummes:

 
FSP : O senhor acredita que o brasileiro dom Cláudio Hummes, franciscano como o senhor, tenha alguma chance de sair papa do próximo conclave?
Dom Aloísio – Não. Eu, inclusive, sou muito mais favorável a um papa italiano. Os italianos têm qualidades extraordinárias no trato dos assuntos da igreja. São jeitosos e compreensivos.
Abaixo: a entrevista completa.
 

D. Aloísio cita discriminação em conclave
LAURA CAPRIGLIONE

da Folha de S. Paulo – 17/04/05 – Pág. A20

No maior país católico do mundo, em mais de 500 anos de história, apenas o cardeal Aloísio Lorscheider, 80, arcebispo emérito de Aparecida (SP), foi considerado papável com um mínimo de chance de ser eleito. Apesar de todo o rigor do silêncio que se impõe aos cardeais que participam de um conclave, diz-se que o voto do cardeal Albino Luciani (que viria a se tornar João Paulo 1º) no conclave que se seguiu à morte de Paulo 6º foi para d. Aloísio.

Ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, membro de vários conselhos pontifícios, d. Aloísio participou de dois conclaves, o que elegeu João Paulo 1º (um pontificado que durou apenas 33 dias) e o que transformou o polonês Wojtyla em João Paulo 2º. É com base nessa experiência que o pastor fuzila a candidatura do arcebispo de São Paulo, cardeal dom Cláudio Hummes, franciscano como ele, à sucessão papal. “Os europeus têm uma sensação de superioridade. Nós, não-europeus (e isso vale também para os africanos e asiáticos), sofremos uma certa discriminação. Eu não descarto a hipótese de uma surpresa. Mas, se ela vier, será isso: uma grande surpresa.” Abaixo, a entrevista.

FolhaO que se pode esperar do próximo papa?
Dom Aloísio Lorscheider – A expectativa de todo o mundo é que seja um papa bom, que goze de boa saúde, que seja uma pessoa sensível aos enormes problemas da humanidade, um homem de coração.

Folha – E quais as chances de que isso venha a prevalecer?
Dom Aloísio
– Nós católicos não vemos no próximo conclave apenas uma eleição de dimensões humanas. Vemos o Espírito Santo em ação. A partir de segunda-feira, os cardeais estarão isolados em reflexão profunda sobre os rumos da igreja e do catolicismo.

Folha – Como será a rotina dos cardeais durante o conclave?
Dom Aloísio – Eles terão uma rotina que se iniciará, todos os dias quantos durar o conclave, com orações para o Espírito Santo, prosseguindo com votações, almoços e jantares. O tempo todo fechados a chave, sem rádio, telefone, celulares, TV ou jornais. Para ter uma idéia de quão absoluto é esse isolamento, nos dois conclaves de que participei, os alimentos eram introduzidos no local da reunião por intermédio de uma roda semelhante à roda dos enjeitados, de modo a preservar os cardeais de qualquer contato com o mundo exterior.

Folha – Como são as votações?
Dom Aloísio – Lentas. São várias votações. Em cada uma delas, cada voto é precedido de uma grande solenidade. Quando um cardeal vota, ele escreve o nome de seu escolhido na cédula. Então, dirige-se a todos os demais cardeais, pronuncia um juramento em voz alta, sobe ao altar e só então deposita o voto na urna. Isso acontece com todos os eleitores.

Folha – Como é esse juramento?
Dom Aloísio – “Invoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me há-de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito.

FolhaO senhor acredita que o brasileiro dom Cláudio Hummes, franciscano como o senhor, tenha alguma chance de sair papa do próximo conclave?
Dom Aloísio
Não. Eu, inclusive, sou muito mais favorável a um papa italiano. Os italianos têm qualidades extraordinárias no trato dos assuntos da igreja. São jeitosos e compreensivos.

FolhaDentre os 20 cardeais italianos que estarão no conclave, em quem o senhor votaria?
Dom Aloísio
– No cardeal Carlo María Martini, de Milão. É um homem de grande virtude e com enorme capacidade de diálogo.

Folha – Mas ele admitiu sofrer de Parkinson, a mesma enfermidade que acometeu João Paulo 2º.
Dom AloísioSofrer de Parkinson não é um impeditivo absoluto. Creio que cabe ao cardeal Martini avaliar suas possibilidade de levar o pontificado a bom termo.

FolhaHá quem diga que um substituto à altura de Carlo Martini seria o próprio cardeal dom Cláudio Hummes. Por que o senhor desacredita dessa hipótese?
Dom Aloísio
– É claro que há chance de d. Cláudio tornar-se papa. Mas ele tem a grande desvantagem de ser latino-americano. Os europeus, maioria no conclave, têm uma indisfarçável sensação de superioridade. Eu conheço bem isso. Nós não-europeus (e isso vale também para os africanos e asiáticos) sofremos uma certa discriminação. Tudo isso, bem entendido, é humanamente falando. Eu não descarto a hipótese de uma surpresa. Mas ela, se vier, será isso: uma grande surpresa.

FolhaHá quem diga que o conclave escolherá um papa mais velho, de modo a evitar um pontificado tão longo como o de João Paulo 2º. O que o senhor pensa disso?
Dom Aloísio
Para falar francamente, havia gente, dentro e fora da igreja, torcendo pelo término o quanto antes do pontificado de João Paulo 2º. Agora, talvez os cardeais desejem mesmo um pontificado mais curto. Neste caso, o escolhido será alguém saudável, mas sem o vigor de ferro de João Paulo 2º, um homem que poderia ter superado a barreira dos 100 anos de vida, não fosse o atentado de que foi vítima em 13 de maio de 1981.

Folha – O senhor votou em João Paulo 2º. Qual o seu balanço do legado do papa?
Dom Aloísio – Em primeiro lugar, acho que o pontificado de João Paulo 2º foi uma bênção para a igreja, principalmente por causa do diálogo inter-religioso, que ele levou muito longe. Mas, ao elegê-lo, nós não sabíamos que João Paulo 2º se transformaria no adversário irredutível da colegialidade na organização da igreja, que trabalharia tão incansavelmente para retirar o poder das conferências episcopais, centralizando todas as decisões na Cúria Romana.

Folha – Não dava para prever, pelo histórico pré-papado de Karol Wojtyla, que isso viria a acontecer?
Dom Aloísio – Isso foi um resultado para mim inesperado da eleição de Karol Wojtyla. Admito que, neste quesito, o voto que dei foi um voto às cegas. A verdade é que, quando a gente escolhe, a gente não sabe mesmo se o eleito será um grande papa. Por mais que elogiemos João Paulo 2º, e que ele seja merecedor, houve uma centralização exagerada das decisões na Santa Sé. Marginalizaram-se os bispos que poderiam dar opiniões mais fortes e se retirou muito do poder da igreja de intervir na realidade prática de cada país. As surpresas pós-conclave podem ser muitas. Como se viu com João Paulo 2º, podem ser muito importantes também.

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