Montfort Associação Cultural

18 de outubro de 2004

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Culto Bizarro da TFP ao dr. Plínio

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leocádio R.Pinhette
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Professor Fedelli,

Recorro-me ao descortino analítico do senhor, para me elucidar sobre uma questão de grande significado para minhas convicções.
Sobre o senhor, um meu conhecido, prócer antiquíssimo da TFP, disse-me de seu histórico de fervorosa lealdade ao Professor Plinio Correa de Oliveira, até que circunstâncias adversas fizeram-no abjurar a profissão de fé no Prof. Plínio.
E é sobre mesmo a TFP, que busco o entendimento à causa de minhas dúvidas. Tenho por hábito, por questões de ascese contemplativa, frequentar nossos cemitérios.
No da Consolação, invariavelmente, vejo muitos jovens ajoelhados na companhia paternal de alguns senhores – todos muito circunspectos – proferindo as rezas do rosário e outras ininteligíveis. Num encontro com um deles, perguntei quanto ao senhor, argumentando com o pouco de referências que tinha. Não me senti muito à vontade com o destampatório que se sucedeu, e nem me interessa seu conteúdo. Mas, meu interesse se dá quanto à legitimidade teológica, filosófica, bíblica desse comportamento – dito de “adoração” ao “praticamente” santo Prof. Plinío e a senhora sua mãe, “bem-aventurada” (sic).
Na sapiência que lhe é peculiar, como o senhor considera a prática à luz do imperativo Cristocentrismo ?
Como o senhor também assim procedeu – na versão de um dos senhores presentes – e não só, mas liderando grupos para o exercício de aprofundamento à adoração ao “piíssimo” Prof. Plínio e sua mãe, e sendo – ainda conforme meu interlocutor – o senhor o responsável pelas devocionais em frente ao retrato da Sra. Lucília, e acólito, quando não, um dos que seguravam a sédia gestatória na qual assentava-se o Prof. Plínio – é-lhe agora, de diáfana convicção ministrar contraiedades contra o Prof. Plínio ?
Agradeço-lhe a resposta

Leocádio

Muito prezado Leocádio,
Salve Maria!
 
     Ir a um  cemitério rezar pelas almas dos mortos, que possivelmente estão no Purgatório, é prática piedosa recomendada pela Igreja.
    Organizar culto a pessoas não beatificadas, nem canonizadas é proibido pela lei da Igreja e pelo bom senso.
    Tanto mais se essas pessoas foram pessoas sem destaque na piedade, e que não tiveram nada de virtudes heróicas, ou então se essas pessoas – elas mesmas — organizaram e promoveram esse culto, antes de falecer. 
    Outra razão que levaria a condenar um culto seriam os atos bizarros ou estranhos praticados nesse culto.
    Dr Plínio incitava seus “devotos” a irem ao túmulo da mãe dele, e elogiava o fato de que eles recolhessem lá as pétalas de rosas do túmulo, para fazerem chá de rosas sepulcrais. O que, no mínimo, era um tanto fúnebre. E de um mau gosto incrível, próprio de um culto fanático.
    Ora, enquanto ele estava vivo, à noite, seus fanáticos, quando engraxavam as botinas do profeta, colocavam pétalas de rosa, do tumulo da mãe dele, dentro dos sapatos dele, e, no dia seguinte, depois que ele as pisar durante 24 horas, e as umedecer com seu suor profético, eles as recolhiam, e as cultuavam como relíquias.
    Não sei se com elas faziam também chás. Mas, se os fizessem, não seria nada surpreendente.
    Perdoe-me o prosaísmo, mas a situação exige externar o ridículo desse ato e desse culto:
    Pode-se imaginar que horror de chá é o de flores de túmulo, flores pisadas em sapatos, e condimentadas com suor de pés?
    Faziam o mesmo com seus pochettes, seus restos de sabonete etc. E ETC.
    Poupo pormenores do ETC.   
    Diziam-no imortal. Depois, esperaram a sua ressusrreição ao terceiro dia. Depois, seria no ano 2.000.  Depois, seria na primeira invasão americana no Iraque, quando iria começar a “bagarre”. Agora, estão esperando que ele ressuscite, logo mais, no próximo cataclismo meteorológco, ou na primeira crise internacional.
    Delírios…
    Aliás, reliquias, cultos tumulares em cemiterios, varadas, tudo isso já aconteceu, antes, na História das Seitas.
    Os jansenistas, por exemplo, faziam coisas pareceidas com as relíquias do Cônego Pâris, no cemitério de Saint Médard, em Paris, no século XVIII.
    Todas as seitas se parecem
    Duas coisas me espantaram em seu relato:
 
1-  A passagem, sem intervalo razoável, da recitação do terço para o destampatório impublicável contra a minha pessoa.
 
    Passar de um ato de piedade para um ato de ódio, tão bruscamente, lava a desconfiar da piedade, porque o destampatório impublicável não podia ser fingido. A piedade, sim.
    Que Deus os perdoe.
 
2- O cinismo dessas pessoas ao dizerem, sem a menor cerimônia, que eu
liderando grupos para o exercício de aprofundamento à adoração ao “piíssimo” Prof. Plínio e sua mãe, e sendo – ainda conforme meu interlocutor – o senhor o responsável pelas devocionais em frente ao retrato da Sra. Lucília, e acólito, quando não, um dos que seguravam a sédia gestatória na qual assentava-se o Prof. Plínio”.
 
    Ora, sai da tfp porque me opus a esses delírios de culto a um homem vivo e à mãe dele.
    Jamais participei deses delírios, e jamais cultuei nem ele, nem a mãe dele, graças a Deus.
    Nunca fui fanático, graças a Deus
    Libera me, Domine.
    Colocando-me à sua disposição para outros esclarecimentos, subscrevo-me atenciosamente
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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